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23 janeiro 2025

A HOMENAGEM A JÚLIO VIEIRA - A PALESTRA

 Muitas pessoas se associaram à homenagem a Júlio Vieira 
no dia 21 de Janeiro deste ano de 2025. Entre elas, 
os quatro netos, os três bisnetos e os dois trinetos.

Presente, também, uma turma da Universidade Senior de Torres Vedras.

















Transcrevemos a parte final da comunicação da autoria do prof. Joaquim Moedas Duarte:


O FINAL

No dia 21 de Janeiro de 1930, cerrou-se o pano sobre uma vida que não chegara a completar 50 anos.

A Gazeta de Torres de 26 de Janeiro de 1930 noticiou: “Júlio Vieira – Faleceu este nosso querido colaborador e bom torreense. (…) Antigo propagandista da República contribuiu para que as ideias da Democracia se espalhassem neste concelho que nesse tempo lhe era bastante contrário”.

De Júlio Vieira ficou um rasto profundo que não se apagou até hoje. Meses após o seu falecimento, pôs-se a questão de saber o que fazer com a grande biblioteca que ele possuía. A família não podia mantê-la. O Jornal de Torres Vedras, de 29 de Novembro de 1930, sugeriu a criação de uma Biblioteca pública que ainda não existia em Torres Vedras, e a compra dos livros de Júlio Vieira poderia ser o seu começo. A ideia foi bem acolhida e a verdade é que em 1934 viria a ser inaugurada a Biblioteca de Torres Vedras, com aqueles livros, adquiridos pelo Município. Júlio Vieira, lá do assento etéreo onde subira, não deixaria de se congratular.

Pela minha parte, concluo esta evocação. Foi uma breve viagem pela vida tão intensamente vivida por este homem cuja memória hoje homenageamos.

Mas Júlio Vieira merece mais.  Por isso, desde há algum tempo que venho coligindo dados para a elaboração de uma biografia, que terá o título “JÚLIO VIEIRA – O HOMEM E O SEU TEMPO, a publicar também no próximo ano.

Recordar, recontar, registar, rememorar – é a tarefa que me proponho, ao abeirar-me dos vestígios da passagem de Júlio Vieira pela comunidade em que me integrei e onde vivo há mais de meio século. Faço-o movido por profundo sentimento de gratidão para com este homem. Dele bebi o humanismo que se desprende de cada intervenção sua, o amor solidário pelos semelhantes que labutavam ao seu lado, a necessidade de reflectir sobre a vida comum e, até, quando necessário, denunciar erros e desacertos. Ele é uma inspiração e não me conformo em guardar só para mim esse sentimento pessoal.

Vieira merece um trabalho circunstanciado que nos ajude a conhecer e entender melhor o seu notabilíssimo labor de cidadania política e cultural – que o tornou numa das personalidades mais destacadas da sociedade torriense das primeiras décadas do séc. XX.

 

Torres Vedras, 21 de Janeiro de 2025

Joaquim Moedas Duarte


08 dezembro 2024

JORNAL BADALADAS EM PERIGO - CARTA ABERTA AO PADRE JOAQUIM MARIA DE SOUSA


CARTA ABERTA AO PADRE JOAQUIM MARIA DE SOUSA,
FUNDADOR DO BADALADAS


O jornal Badaladas faz parte do Património Cultural de Torres Vedras. Por isso, publiquei, em 6 de Dezembro, este texto:

Saudoso P. Joaquim, atrevo-me a este gesto simbólico porque me sobra desalento onde devia prevalecer combatividade. E dirijo-me à sua memória porque dela guardo grata recordação do tempo que ainda partilhei consigo, na década de 70 do passado século. Imagino-o meu interlocutor sobre o Badaladas, criação sua e da sua paróquia, porque este jornal foi a minha chave de entrada na sociedade torriense, em 1971, quando me habituei a frequentar a Gráfica Torriana, onde o jornal era composto e lá o encontrava muitas vezes, na porfia de garantir a publicação semanal. Como tudo isso já vai tão longe!
O P. Joaquim faleceu em Novembro de 1987, mas o jornal sobreviveu-lhe até hoje. Se foi seu o impulso inicial, muitos outros lhe deram continuidade, ao longo de todos estes anos. O seu jornal, nunca perdendo a matriz católica, foi alargando as fronteiras da comunicação para territórios diversificados, tornando-se espaço de diálogo de toda a comunidade torriense, a local, a regional e a que se dispersou pelo mundo. Diversidade de assuntos e de leitores, como o P. Joaquim preconizava.
Falei-lhe em desalento, explico-lhe porquê. O seu, o nosso Badaladas está em coma e os médicos que poderiam valer-lhe nada fazem para o reanimar. Já falam no enterro, sugerem vender o jornal porque, dizem eles, não é missão de uma paróquia cuidar dele. Nunca pensei ouvir isto da boca de um dos principais responsáveis. Senti que era uma afronta à sua memória, caro P. Joaquim. Eu já suspeitava do desinteresse e, até, desleixo, com que eles tratavam o jornal. Não os vi em nenhuma das palestras comemorativas dos 75 anos do Badaladas. Como nunca li qualquer texto deles a tratar do grave problema do jornal. Nem uma palavra, até agora. Desconfio, até, que nem o leem, pois caso contrário, já teriam sentido necessidade de vir a público, esclarecer os muitos que aqui têm alertado para a crise gravíssima do Badaladas. Comparo este modo de agir com a solicitude que sempre lhe vi, P. Joaquim, a sua preocupação e empenho na manutenção do jornal que tinha como principal missão fazer soar os sinos das suas páginas aos ouvidos de quem as lesse.




AMOR À COMUNIDADE
Recordo-me de uma conversa que tive consigo, P. Joaquim, a propósito de uma polémica na qual eu me envolvera nas páginas do jornal, já depois do 25 de Abril: “Escreva! Escreva! O jornal é um espaço de opinião livre, para todos!”
Foi esta orientação sua, entusiasta e pluralista, que fez deste jornal um aglutinador identitário, ajudando a cimentar a consciência cívica da comunidade torriense e, para os novos habitantes, um poderoso veículo de conhecimento histórico e de integração sociológica, na esteira da orientação por si traçada desde o primeiro número, em Maio de 1948. E bem sabemos como os leitores torrienses da diáspora, espalhados pelos cinco continentes, procuram ansiosos as novidades que a distância torna mais apetecíveis.
O Badaladas, como empresa, é viável. Está inserido numa comunidade dinâmica, maioritariamente próspera do ponto de vista económico, com fortes tradições associativas. Onde o jornal criou raízes e tem uma história brilhante. Basta ser bem gerido, com um bom agente comercial e ter uma liderança capaz de aglutinar vontades e competências, movida por um forte e genuíno amor à causa.
Imaginando, caro P. Joaquim, o que pensaria das ameaças que pairam sobre o futuro do seu Badaladas, interrogo-me se os seus continuadores nas responsabilidades paroquiais sabem merecer o precioso legado que lhes deixou. Pudesse ainda a sua memória, P. Joaquim, desinquietar-lhes a consciência e incitá-los à acção! – e transformar em combatividade o meu desalento!
Com a estima de sempre,
Joaquim Moedas Duarte




PASSOS EM VOLTA - UM LEGADO SILENCIOSO

 CEMITÉRIO DE S. JOÃO, em TORRES VEDRAS


Ontem, 7 de Dezembro, a Associação do Património de Torres Vedras (ADDPCTV), em parceria com o sector de Turismo da Câmara Municipal de Torres Vedras - dinamizado pela Ângela Vitória - orientou mais uma visita guiada. Manhã chuvosa, que não amedrontou os 20 interessados participantes.

A introdução, à entrada do cemitério, foi feita pela Ana Rita Pereira, da Direcção da Associação, seguindo de perto o artigo que publicara, uma semana antes, no jornal Badaladas.

Já dentro do recinto, Joaquim Moedas Duarte, também da Direcção, guiou os participantes até junto das campas e jazigos de torrienses ilustres que deixaram um rasto indelével nas nossas memórias:

Fernando Vicente, resistente anti-fascista; Maria da Conceição Barreto Bastos, benemérita fundadora do Lar de S. José; António Hipólito, Francisco António da Silva e Francisco Xavier Damião, os três "latoeiros prodigiosos", fundadores das três maiores empresas torrienses do séc. XX; Vasco Parreira, Gerente da Casa Hipólito; Leonel Trindade, arqueólogo e director do Museu Municipal; Júlio Vieira, autor de celebrado livro "Torres Vedras Antiga e Moderna".
Visitámos também os talhões dos Bombeiros Voluntários de Torres Vedras e dos Franciscanos do Convento do Varatojo.
As fotos ilustram um pouco da actividade. O mau tempo impediu a tradicional foto do grupo.





10 agosto 2023

PASSEIO DOS POETAS EM SANTA CRUZ

 Foi no passado Domingo, 6 de Agosto 2023.

28 pessoas aderiram ao percurso proposto por Joaquim Moedas Duarte, da Direcção da ADDPCTV e evocaram os três poetas que deixaram marcas da sua passagem pela praia de Santa Cruz - Torres Vedras: Antero de Quental, com seu amigo Jaime Batalha Reis, nos Verões de 1868 a 71; João de Barros, nos anos 50 do séc. XX; e Kazuo Dan em 1971/72.

No final, o actor, músico e cantor Weber Carvalho interpretou cinco sonetos de Antero de Quental, que musicou para este dia. Foi um belíssimo final, na Capela de Santa Helena.

Algumas imagens, para memória futura:


O grupo, junto ao memorial de João de Barros


Junto ao monumento ao escritor japonês Kazuo Dan


Junto da estátua de Antero de Quental





No memorial a João de Barros

No final, Ângela Vitória, do Sector de Turismo  da Câmara Municipal de Torres Vedras, responsável pela organização, e Weber Carvalho, com seu violão


09 agosto 2023

PASSOS EM VOLTA - FIGURAS ILUSTRES DE TORRES VEDRAS | 25 JUNHO 2023

 



O Sector do Turismo da Câmara Municipal de Torres Vedras, através da Ângela Vitória, convidou a Associação do Património de Torres Vedras a participar em mais um percurso cultural da série PASSOS EM VOLTA. O tema era "figuras ilustres de Torres Vedras", perpetuadas em estátua, busto ou outro tipo de monumento.

Coube a Joaquim Moedas Duarte, membro da Direcção da ADDPCTV, organizar o percurso e fazer as explicações informativas junto de cada figura.
A foto foi tirada no final do itinerário, junto do busto do Dr. José Maria Antunes.





LISTA DE FIGURAS

 

Dr. Afonso Vilela

Dr. José Maria Antunes

P. Joaquim Maria de Sousa

Henriques Nogueira

Luís António Maldonado Rodrigues

 Bispo de Limira (Bispo Joaquim Rafael da Assunção)

Ana Maria Bastos

Homem Rural (Monumento)




12 março 2022

ISA PATRIMÓNIO 2022

 FORMAÇÃO E ACOMPANHAMENTO
A partir do próximo dia 14 de Março a Associação do Património vai colaborar, novamente, com o projecto ISA PATRIMÓNIO, uma excelente iniciativa da Câmara Municipal de Torres Vedras que teve início em 2005. É uma tarefa que tem vindo a ser desempenhada, desde 2012, por Joaquim Moedas Duarte, membro da Direcção da Associação do Património de Torres Vedras (ADDPCTV).
Todos os anos se renova a equipa de participantes, pessoas seniores, e nós procuramos ajudá-las a desempenharem melhor o seu trabalho. Para isso, faremos uma sessão inicial, no dia 14, com o grupo de 20 pessoas, em sala e, posteriormente, sessões nos próprios locais, com cada uma das dez equipas, constituídas por dois elementos, que irão assegurar a abertura diária desses espaços.
O projecto que, em 2005, teve início em quatro igrejas - Graça, Misericórdia, S. Pedro e Castelo - tem vindo a alargar-se e este ano abarca 10 igrejas, a saber:
Na cidade: Graça, Misericórdia, S. Pedro, Santiago, Amial e Castelo.
No concelho: Varatojo (convento), Turcifal, Santa Cruz e Sirol (Dois Portos).
Nestas singelas acções de formação temos como objectivo principal incutir nas pessoas o gosto pelo conhecimento mais profundo dos espaços em que vão estar ao longo deste ano. Não serão guias turísticos, agentes religiosos ou guardas vigilantes. Vão desempenhar o utilíssimo papel de mediadores activos do nosso Património, ajudando os visitantes a compreenderem melhor o lugar onde estão.
A grande novidade deste ano é a inclusão da Ermida de Nª Srª da Purificação, do Sirol., um espaço pouco conhecido dos torrienses. A partir de 1 de Abril, estará aberto todos os dias, excepto Segunda feira, das 10h. às 13h. e das 14h. às 17h.
Aqui ficam algumas imagens daquele monumento, classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1967, bem como a página PATRIMÓNIOS no Badaladas de 26 de Junho de 2020.
(Fotos de Joaquim Moedas Duarte)















Inscrição na pedra de fecho do arco que dá entrada para a galil





tras pessoas

22 fevereiro 2019

OS MONUMENTOS CLASSIFICADOS DE TORRES VEDRAS








Pode ver aqui a nota inserta no blogue da Associação para a Universidade da Terceira Idade de Torres Vedras, sobre uma palestra que abordou o tema dos Monumentos de Torres Vedras. Foi no passado dia 8 de Fevereiro.

Transcrevemos o texto, da autoria do nosso associado Joaquim Cosme:


Os monumentos classificados do Concelho de Torres Vedras

Joaquim Moedas Duarte, membro da direcção da Associação de Defesa e Divulgação do Património Cultural de Torres Vedras, bem conhecedor dos Monumentos da cidade e concelho de Torres Vedras, proferiu no passado dia 8 de Fevereiro, na Universidade da Terceira Idade de Torres Vedras, uma palestra sobre o assunto. Qual o processo de classificação dos monumentos? Quem decide sobre isso? - foram algumas das questões iniciais que colocou. Começou por citar Pierre Nora, historiador francês nosso contemporâneo, que definiu o conceito de “monumento” como sendo “toda a unidade significativa, de ordem material ou ideal, que a vontade dos homens ou o trabalho do tempo converteu em elemento simbólico de património memorial de uma comunidade qualquer”.  Recorreu, depois, a alguns escritores portugueses do século XIX que se referiram ao vandalismo e abandono dos vestígios do nosso património, referindo Almeida Garrett (Viagens na Minha Terra), Alexandre Herculano (Monumentos Pátrios) e Ramalho Ortigão (O culto da Arte em Portugal). Recordou que em 1881 o arquitecto Joaquim Possidónio da Silva criou a Real Associação dos Arquitectos Civis e Arqueólogos Portugueses, a qual foi encarregada pelo Ministério das Obras Públicas de elaborar um relatório e mapa de edifícios que deveriam ser classificados como monumentos nacionais. No fim da Monarquia, em Junho de 1911, foi publicada a primeira lista com os Monumentos Nacionais, em que se incluíam o Convento do Varatojo, a Igreja de São Pedro e a Ermida de Nossa Senhora do Amial.  Entrando mais concretamente no tema da palestra, sublinhou a importância da Lei de Bases do Património Cultural, - Lei nº 107/2001, de 8 de Setembro, a qual define como “património cultural” “ todos os bens que, sendo testemunhos com valor da civilização ou de cultura portadores de interesse cultural relevante, devem ser objecto de especial protecção e valorização”. Uma das formas de o fazer é classificar o património edificado, quer seja monumento, conjunto ou sítio – e é o Decreto-Lei nº. 309/2009,de 23 de Setembro, que define os procedimentos para classificação dos bens imóveis. Prosseguindo, o palestrante fez uma abordagem sistematizada de todos os monumentos torrienses que foram objecto de classificação, enumerando-os de acordo com o grau de importância. Primeiro, os Monumentos Nacionais de Torres Vedras. Com características religiosas: Igreja de São Pedro, Trechos românicos da Igreja de Santa Maria do Castelo, Ermida de Nossa Senhora do Amial e Convento de Varatojo; património de arquitectura Civil: Aqueduto (seculo XVI), Chafariz dos Canos, Castro do Zambujal Tholos do Barro e Gruta da Ermegeira. Depois, os Imóveis de Interesse público: Grutas da Maceira, Castro da Fórnea, Ruinas do Convento de Penafirme, Ermida do Sirol, Igreja de Dois Portos, Igreja de Matacães, Santuário do Senhor do Calvário, Quinta das Lapas, Asilo dos Inválidos Militares de Runa, Castelo de Torres, Capela e Forte de São Vicente, Igreja e Convento da Graça, Igreja de Santiago, Igreja do Turcifal, Igreja da Freiria, Povoado e Capela da Serra do Socorro, Estancia Termal dos Cucos e Azenha de Santa Cruz. Finalmente, os Imóveis de Interesse Concelhio: Casa solarenga da Quinta do Juncal e Casa da Quinta Nova, ambos em Matacães. Moedas Duarte terminou a sua palestra com este conselho: “A melhor forma de defender o nosso património cultural é conhece-lo melhor”. 
Já no final, o autor referiu-nos que se encontram em fase de apreciação para possível classificação, o conjunto das fortificações das Linhas de Torres Vedras.  O Solar da Quinta Velha do Espanhol já foi classificado como Imóvel de Interesse Concelhio.

(Joaquim Cosme)




15 fevereiro 2019

O que fazer com estas Memórias? A obra de Madeira Torres tem duas partes. Falta publicar a Parte económica

PATRIMÓNIOS NO "BADALADAS" - 2 E 3 Parte económica do livro de Madeira Torres e Património Industrial de Torres Vedras




O que fazer com estas Memórias?

 A obra de Madeira Torres tem duas partes. Falta publicar a Parte económica



A transmissão das memórias colectivas de uma geração para as seguintes permite que os acontecimentos do passado possam ser reavaliados no presente e perspectivem a acção humana no futuro. Afinal é essa a Missão fundamental da História.
Terá sido imbuído dessa consciência, e seguindo a prática em voga no meio cultural do século XIX, que Manuel Agostinho Madeira Torres apresentou à Academia Real das Ciências de Lisboa, o texto intitulado Descripção Historica e Economica da Villa e Termo de Torres Vedras, aceite e publicado em 1819 no Tomo 6º, parte 1ª, das Memorias daquela instituição.
Volvidos alguns anos, o autor vê a mesma Academia autorizar para que seja impresso o texto que constitui a vulgarmente conhecida Parte Economica, publicado no Tomo XI, parte II, no ano de 1835. Dessa forma completava o autor a sua obra apresentando significativos dados (alguns com precisão quantificada) relativos à população e aos sectores económicos em desenvolvimento no espaço geográfico-administrativo do concelho – agricultura, indústria e comércio.




No século XX, a importância da História local foi ganhando mais consistência nos meios académicos e nos planos curriculares do ensino básico e secundário. O estudo do património local nas suas várias acepções, bem como a utilização de fontes históricas locais na produção de trabalhos de investigação, ganhou maior fôlego. As publicações aumentaram. A divulgação esteve ao serviço da memória colectiva.

No ano de 1988, por iniciativa da Santa Casa da Misericórdia de Torres Vedras, sai a público a  “Parte Histórica” da obra de Madeira Torres. Trata-se de uma edição fac-similada da 2ª edição produzida pela imprensa da Universidade de Coimbra, datada de 1862, e contendo as utilíssimas anotações de dois torrienses – José António da Gama Leal e José Eduardo César de Faro e Vasconcelos.
Estas anotações não ficaram apenas pela Parte Histórica do texto de Madeira Torres. Também se alargaram substancialmente aos conteúdos da Parte Economica, acrescentando informações actualizadas aos tempos da segunda metade do século XIX. Infelizmente, até aos dias de hoje, esse manuscrito continua sem conhecer a divulgação impressa. A obra completa de Madeira Torres continua assim amputada do conhecimento alargado que merece. É certo que poderemos consultar, graças à tecnologia, os sítios da internet que digitalizaram e disponibilizam os textos iniciais do autor torriense. Mas não seria um serviço público à memória colectiva se esta parte económica, mais enriquecida, fosse igualmente publicada e que finalmente o desígnio de se apresentar a Descripção Historica e Economica da Villa e Termo de Torres Vedras se concretizasse?
No ano de 1987, os membros do Conselho Pedagógico decidiram propor como patrono da então Escola Secundária de Torres Vedras o nome de Manuel Agostinho de Madeira Torres. Fizeram-no tendo em conta o seu papel de homem de cultura e o valor da obra para a História Local torriense. Hoje, no século XXI, a comunidade escolar que faz parte de Agrupamento de Escolas Madeira Torres persiste em identificar-se com essa memória.
No passado dia 27 de Janeiro de 2019 decorreram 183 anos após o falecimento de Madeira Torres, na sua residência, na actual Rua Mouzinho de Albuquerque, em Torres Vedras.
Por que não honrar a sua memória, partilhando com os torrienses a publicação do manuscrito anotado da segunda parte da sua obra?

Manuela Catarino





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PATRIMÓNIO INDUSTRIAL, MEMÓRIA DO TRABALHO 

PRODUTIVO

Uma ideia estimulante para a nossa reflexão é a que Françoise Choay propõe, ao denunciar o que classifica como a fetichização do património, expressa em duas formas contraditórias de o olhar: de um lado a perspectiva passadista e nostálgica, resistente à articulação integradora entre o antigo e o novo; do outro a visão progressista que reduz o património preservado a objecto de museu [1].
A contradição radica na própria ambiguidade do conceito de Património que se alargou exponencialmente a todas as áreas da actividade humana[2]. Daí a necessidade de reafirmar a abordagem histórico-sociológica que articule, simultaneamente, os valores do tempo longo (dimensão maior da História) e do tempo curto (vivências quotidianas), de modo a que o conceito de Património reassuma a dimensão de portador de consciência histórica e de memória das comunidades humanas.
Uma das áreas mais recentes da tendência patrimonializadora é a do Património Industrial que ganhou expressão sobretudo depois da 2ª Guerra Mundial. Aqui, a carga histórica do tempo longo cede à verificação do imediato, marca da contemporaneidade. Emergem as memórias de quotidianos recentes, símbolos de um presente que se extingue debaixo dos nossos olhos, induzindo valores importantes como o turismo cultural de crescente expressão económica e a reutilização criteriosa e criativa de antigas instalações fabris.
Quando a “Casa Hipólito” ou a “Fundição de Dois Portos” – indústrias locais de Torres Vedras que prosperaram no séc XX – se afundam na falência e fecham as portas, tal significa o apagamento súbito de um passado recente cuja memória urge preservar para que as novas gerações entendam as razões do vazio sócio-económico que se instalou numa cidade subitamente órfã da sua prosperidade.
A Carta de Nizhny Tagil sobre o Património Industrial, aprovada em 2003, bem como a sua extensão nos chamados “Princípios de Dublin”, de 2011, mostram como estas preocupações locais têm dimensão internacional. Tais documentos apontam para metodologias de identificação, inventário e investigação, indispensáveis para a valorização e preservação deste Património, cada vez mais presente em múltiplas formas de apresentação e interpretação garantidas pelos poderes públicos articulados com as comunidades locais.
Acredita-se que esta saída cultural – preservação dos vestígios físicos acompanhada de uma narrativa histórica esclarecedora – constitua uma mais-valia face à rápida modificação das condições da vida económica, portadora, muitas vezes, de sofrimentos e frustrações. Vemos hoje um Museu do Pão, em Seia, que contrapõe à uniformizada industrialização panificadora a memória de antigas formas de moer e fabricar. Multidões saudosas de antigos sabores e odores invadem aquele espaço e regressam a um passado que ainda há pouco era o seu próprio presente.
E mais ao sul, o Museu do Trabalho Michel Giacometti, em Setúbal, mostra os antigos processos da indústria conserveira, em que nos parece ver ainda os vultos dos homens e das mulheres que ocupavam as linhas de produção, ao som de apitos estridentes.
Esta valorização do Património Industrial – cujos exemplos se têm multiplicado de norte a sul do país desde há duas décadas - é, em si mesma, a consagração do bem mais duradouro da História, o trabalho humano, mostrado como processo, como sofrimento, como superação, como riqueza. Aqui, Património já não é Monumento, símbolo de poder, afirmação de elites ou linhagens. É imagem do Homem que, em sociedade, se eleva acima da estrita sobrevivência individual. Por isso a preservação do Património Industrial é indispensável para a persistência da memória histórica desse longo caminho em que, como dizia M. Vieira Natividade, ilustre patrimonialista alcobacense, “o homem fez a indústria e a indústria fez o homem”.

Joaquim Moedas Duarte


[1] Françoise Choay – As questões do Património – Antologia para um combate, Edições 70, Lisboa, 2011.
[2] Dominique Poulot – “La multiplication des patrimoines”, Patrimoine et musée. L’institution de la culture, Paris, Hachette, 2001. 







28 dezembro 2017

LANÇAMENTO DO LIVRO SOBRE A CASA HIPÓLITO

Foi uma sessão muito concorrida, a comprovar que a Casa Hipólito continua a ser um assunto que sensibiliza os torrienses.
O livro, da autoria de Joaquim Moedas Duarte - Presidente da Associação de Defesa e Divulgação do Património Cultural de Torres Vedras - teve muita aceitação, o que implicou nova tiragem. O produto da venda destina-se às Associações editoras que se debatem sempre com falta de recursos próprios para realizarem as suas actividades.
Aqui ficam algumas imagens da sessão de 16 de Dezembro passado. Na mesa, da esq. para a dir.: Pedro Fiéis, em representação da Associação do Património de TVedras; Ana Umbelino, vereadora da área do Património Cultural, que fez a apresentação do livro; Leonor Medeiros, em representação da APAI - Associação Portuguesa de Arqueologia Industrial, da qual é Presidente da Direcção; e Joaquim Moedas Duarte.