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08 dezembro 2024

PASSOS EM VOLTA - UM LEGADO SILENCIOSO

 CEMITÉRIO DE S. JOÃO, em TORRES VEDRAS


Ontem, 7 de Dezembro, a Associação do Património de Torres Vedras (ADDPCTV), em parceria com o sector de Turismo da Câmara Municipal de Torres Vedras - dinamizado pela Ângela Vitória - orientou mais uma visita guiada. Manhã chuvosa, que não amedrontou os 20 interessados participantes.

A introdução, à entrada do cemitério, foi feita pela Ana Rita Pereira, da Direcção da Associação, seguindo de perto o artigo que publicara, uma semana antes, no jornal Badaladas.

Já dentro do recinto, Joaquim Moedas Duarte, também da Direcção, guiou os participantes até junto das campas e jazigos de torrienses ilustres que deixaram um rasto indelével nas nossas memórias:

Fernando Vicente, resistente anti-fascista; Maria da Conceição Barreto Bastos, benemérita fundadora do Lar de S. José; António Hipólito, Francisco António da Silva e Francisco Xavier Damião, os três "latoeiros prodigiosos", fundadores das três maiores empresas torrienses do séc. XX; Vasco Parreira, Gerente da Casa Hipólito; Leonel Trindade, arqueólogo e director do Museu Municipal; Júlio Vieira, autor de celebrado livro "Torres Vedras Antiga e Moderna".
Visitámos também os talhões dos Bombeiros Voluntários de Torres Vedras e dos Franciscanos do Convento do Varatojo.
As fotos ilustram um pouco da actividade. O mau tempo impediu a tradicional foto do grupo.





12 agosto 2024

ASSOCIAÇÃO DO PATRIMÓNIO DE TORRES VEDRAS - 45 ANOS EM PROL DO NOSSO PATRIMÓNIO CULTURAL Jornal BADALADAS 26 ABRIL 2024

 

ASSOCIAÇÃO DO PATRIMÓNIO DE TORRES VEDRAS

45 ANOS EM PROL DO NOSSO PATRIMÓNIO CULTURAL

 

A Associação para a Defesa e Divulgação do Património Cultural de Torres Vedras completa, em 2024, 45 anos de existência. A festa fez-se no Moinho do Paul, no passado dia 20 de Abril, com jantar de convívio – em que participou um número significativo de associados – seguido da Assembleia Geral com eleição de novos Corpos Sociais.

Os anos da pandemia e outras dificuldades de funcionamento não impediram a Associação de continuar o seu trabalho, como ficou expresso no relatório de actividades apresentado pela Direcção cessante, o qual se reporta aos anos de 2019 a 2023.

Não é possível enumerar aqui todas essas actividades – um total de 190 intervenções, bem explicitadas e datadas no Relatório. Algumas delas podem ser agrupadas: 14 visitas guiadas, com um total de cerca de 700 pessoas, a maioria de forasteiros interessados em conhecer o nosso Património; 4 acções de Formação no âmbito do projecto ISA PATRIMÓNIO, em parceria com o sector cultural da Câmara Municipal de Torres Vedras; 66 páginas PATRIMÓNIOS, publicadas mensalmente no jornal Badaladas, versando os mais diversos temas patrimoniais e da autoria de 17 colaboradores e/ou membros da Direcção; 9 palestras; 10 acções de Educação Patrimonial junto de diversas escolas; edição de 4 livros. Ao longo destes quatro anos, fizeram-se muitas reuniões com responsáveis autárquicos, para obter esclarecimentos, fazer propostas, apresentar protestos ou fazer elogios. Duas jovens investigadoras pediram a colaboração da Direcção para elaborarem trabalhos académicos. Uma delas, que entrou agora para a Direcção, fez a sua dissertação de Mestrado sobre “Educação e Património – O caso da Associação do Património de Torres Vedras”. Trabalho meritório que atesta os nossos muitos anos de trabalho e a sensibilização da juventude para as questões da salvaguarda do nosso Património.

Na leitura do relatório, ressalta a verificação de que houve intervenções da Associação em todos os meses daqueles quatro anos de actividades, o que atesta regularidade e presença constante na defesa e divulgação do nosso Património. Sublinha-se, também, que a Associação manteve actividade ininterrupta ao longo dos 45 anos da sua existência – o que não é comum na maioria das associações de património do nosso país.

Neste convívio celebratório, os presentes homenagearam os associados entretanto falecidos, alguns dos quais foram os fundadores no já longínquo ano de 1979. Uma referência especial ao P. José Manuel da Silva, sócio fundador nº 1, que nos deixou em Março passado.

Por último referiu-se que a Associação do Património faz parte do colectivo FORUM DAS ASSOCIAÇÕES, sediado na Calçada do Quebra-Costas, no qual estão representadas mais quatro associações torrienses.

 


 

                                                               O mais velho e a mais nova da Direcção

PROJECTOS PARA O FUTURO

O que foi realizado é o alicerce para o futuro que nos espera. Nessa perspectiva, a nova Direcção apresentou o seu Plano de Actividades para o próximo biénio:

·       Criação de uma newsletter mensal a enviar aos sócios

·       Continuar as atividades do Isa Património, em parceria com a Câmara Municipal

·       Manter a parceria com o Sector de Turismo da C. Municipal, realizando visitas do projecto Passos em Volta

·       Parcerias com as escolas, nomeadamente com o agrupamento de Escolas  Madeira Torres, e com outras que venham a surgir

·       Intervir, sempre que necessário ou oportuno, em reuniões com a vereação, em artigos na imprensa e nas redes sociais

·       Manter a disponibilidade para colaborar na concretização de um Centro de Interpretação da muralha de Torres Vedras

·       Organizar uma base de dados e disponibilizá-la online

·       Participar das atividades do Fórum das Associações, nomeadamente da sua direção, contribuindo para o seu funcionamento e reflexão sobre futuro associativo

·       Eleger a política museológica municipal como tema prioritário para orientar uma reflexão interna e como motivo propulsor de debate alargado à comunidade torriense

·        Acompanhar a questão da salvaguarda da Casa das Termas da Fonte Nova

·       Continuar a acompanhar o PUCTV (Plano de Urbanização da Cidade de Torres Vedras), nomeadamente nas propostas por nós apresentadas, através da apresentação fundamentada de um Plano de Salvaguarda de edificações consideradas importantes para a história da cidade, ou de espaços construídos, como o Bairro Novo

·       Seguir com interesse o desenvolvimento da Marca Torres Vedras

·       Seguir e colaborar quando solicitado com o Plano Municipal de Acção Climática

Cremos deste modo dar o nosso sincero contributo para esta causa que nos move, a preservação do Património, sem saudosismos passadistas, mas com noção da memória coletiva que é fundamental permanecer e transmitir a gerações futuras. A construção e consolidação dos valores da democracia afigura-se fundamental nos tempos atuais, pelo que também é imperativo deixarmos o nosso contributo.

O 45º aniversário que comemoramos acontece no mesmo ano em que festejamos os 50 anos do glorioso e libertador 25 de Abril. Nascemos da conquista da liberdade e esse é um futuro que queremos deixar como legado.


Nova Direcção (Falta o José Manuel Pinto Gouveia, que não poude estar presente neste dia):
Pedro Fiéis, Ana Rita Pereira, Joaquim Moedas Duarte e José Pedro Sobreiro



22 abril 2024

PÁGINA PATRIMÓNIOS - Notícias sobre a Assembleia Geral (a publicar no BADALADAS de 26 de Abril de 2024 )

 

ASSOCIAÇÃO DO PATRIMÓNIO DE TORRES VEDRAS

45 ANOS EM PROL DO NOSSO PATRIMÓNIO CULTURAL

 

A Associação para a Defesa e Divulgação do Património Cultural de Torres Vedras completa, em 2024, 45 anos de existência. A festa fez-se no Moinho do Paul, no passado dia 20 de Abril, com jantar de convívio – em que participou um número significativo de associados – seguido da Assembleia Geral com eleição de novos Corpos Sociais.

Os anos da pandemia e outras dificuldades de funcionamento não impediram a Associação de continuar o seu trabalho, como ficou expresso no relatório de actividades apresentado pela Direcção cessante, o qual se reporta aos anos de 2019 a 2023.

Não é possível enumerar aqui todas essas actividades – um total de 190 intervenções, bem explicitadas e datadas no Relatório. Algumas delas podem ser agrupadas: 14 visitas guiadas, com um total de cerca de 700 pessoas, a maioria de forasteiros interessados em conhecer o nosso Património; 4 acções de Formação no âmbito do projecto ISA PATRIMÓNIO, em parceria com o sector cultural da Câmara Municipal de Torres Vedras; 66 páginas PATRIMÓNIOS, publicadas mensalmente no jornal Badaladas, versando os mais diversos temas patrimoniais e da autoria de 17 colaboradores e/ou membros da Direcção; 9 palestras; 10 acções de Educação Patrimonial junto de diversas escolas; edição de 4 livros. Ao longo destes quatro anos, fizeram-se muitas reuniões com responsáveis autárquicos, para obter esclarecimentos, fazer propostas, apresentar protestos ou fazer elogios. Duas jovens investigadoras pediram a colaboração da Direcção para elaborarem trabalhos académicos. Uma delas, que entrou agora para a Direcção, fez a sua dissertação de Mestrado sobre “Educação e Património – O caso da Associação do Património de Torres Vedras”. Trabalho meritório que atesta os nossos muitos anos de trabalho e a sensibilização da juventude para as questões da salvaguarda do nosso Património.

Na leitura do relatório, ressalta a verificação de que houve intervenções da Associação em todos os meses daqueles quatro anos de actividades, o que atesta regularidade e presença constante na defesa e divulgação do nosso Património. Sublinha-se, também, que a Associação manteve actividade ininterrupta ao longo dos 45 anos da sua existência – o que não é comum na maioria das associações de património do nosso país.

Neste convívio celebratório, os presentes homenagearam os associados entretanto falecidos, alguns dos quais foram os fundadores no já longínquo ano de 1979. Uma referência especial ao P. José Manuel da Silva, sócio fundador nº 1, que nos deixou em Março passado.

Por último referiu-se que a Associação do Património faz parte do colectivo FORUM DAS ASSOCIAÇÕES, sediado na Calçada do Quebra-Costas, no qual estão representadas mais quatro associações torrienses.

 

PROJECTOS PARA O FUTURO

O que foi realizado é o alicerce para o futuro que nos espera. Nessa perspectiva, a nova Direcção apresentou o seu Plano de Actividades para o próximo biénio:

·       Criação de uma newsletter mensal a enviar aos sócios

·       Continuar as atividades do Isa Património, em parceria com a Câmara Municipal

·       Manter a parceria com o Sector de Turismo da C. Municipal, realizando visitas do projecto Passos em Volta

·       Parcerias com as escolas, nomeadamente com o agrupamento de Escolas  Madeira Torres, e com outras que venham a surgir

·       Intervir, sempre que necessário ou oportuno, em reuniões com a vereação, em artigos na imprensa e nas redes sociais

·       Manter a disponibilidade para colaborar na concretização de um Centro de Interpretação da muralha de Torres Vedras

·       Organizar uma base de dados e disponibilizá-la online

·       Participar das atividades do Fórum das Associações, nomeadamente da sua direção, contribuindo para o seu funcionamento e reflexão sobre futuro associativo

·       Eleger a política museológica municipal como tema prioritário para orientar uma reflexão interna e como motivo propulsor de debate alargado à comunidade torriense

·        Acompanhar a questão da salvaguarda da Casa das Termas da Fonte Nova

·       Continuar a acompanhar o PUCTV (Plano de Urbanização da Cidade de Torres Vedras), nomeadamente nas propostas por nós apresentadas, através da apresentação fundamentada de um Plano de Salvaguarda de edificações consideradas importantes para a história da cidade, ou de espaços construídos, como o Bairro Novo

·       Seguir com interesse o desenvolvimento da Marca Torres Vedras

·       Seguir e colaborar quando solicitado com o Plano Municipal de Acção Climática

Cremos deste modo dar o nosso sincero contributo para esta causa que nos move, a preservação do Património, sem saudosismos passadistas, mas com noção da memória coletiva que é fundamental permanecer e transmitir a gerações futuras. A construção e consolidação dos valores da democracia afigura-se fundamental nos tempos atuais, pelo que também é imperativo deixarmos o nosso contributo.

O 45º aniversário que comemoramos acontece no mesmo ano em que festejamos os 50 anos do glorioso e libertador 25 de Abril. Nascemos da conquista da liberdade e esse é um futuro que queremos deixar como legado.




Direcção eleita: Pedro Fiéis (Presidente), Ana Rita Pereira, Joaquim Moedas Duarte

e José Pedro Sobreiro. Falta José Manuel Pinto Gouveia, que não pôde estar presente.

A nova geração garante a continuidade do trabalho iniciado há 45 anos pelos mais velhos.







O decano (J. Pedro Sobreiro) e a caloira (Ana Rita Pereira): duas gerações que se completam


Festejar...

09 agosto 2023

TURRES PATRIMONIUM - DIVULGAÇÃO E DESAFIO | Jornal BADALADAS 24 FEVEREIRO 2023

 

Turres Patrimonium – Divulgação e Desafios

DIRECÇÃO DA ASSOCIAÇÃO PARA A DEFESA E DIVULGAÇÃO DO PATRIMÓNIO CULTURAL DE TORRES VEDRAS



Roteiro um dia em Torres Vedras - visita dos alunos do Colégio Cesário Verde 
aos colegas da Escola Padre Francisco Soares de Torres Vedras


Espetáculo do projeto cultural de escola realizado 

no dia 15 de fevereiro 2023 no teatro cine de Torres Vedras

 

No ano letivo de 2021/2022 foi a Associação para a Defesa e Divulgação do Património Cultural de Torres Vedras (ADDPCTV) desafiada pela equipa Projeto Cultural de Escola (PCE) do Agrupamento de Escolas Madeira Torres, constituída pelas professoras, Ana Nunes, Elisabete Reis, Niki Paterianaki e Cristina Coimbra, sendo a última a coordenadora, para fazer parte de um projeto que então tinham em mãos, intitulado “Turres Patrimonium”, incluído num formato mais amplo, pois integrava o Plano Nacional das Artes (PNA).

O PNA foi instituído pelo Ministério da Cultura e pelo Ministério da Educação, com o quadro temporal de 2019 a 2029, partindo das premissas da Constituição, artigos 73º: “(…) o Estado promove a democratização da cultura incentivando e assegurando o acesso de todos os cidadãos à fruição e criação cultural.” e 78º: “1. Todos têm direito à fruição e criação cultural, bem como o dever de preservar, defender e valorizar o património cultural.” 

Foi assim criado este organismo destinado a “organizar, promover e implementar, de forma articulada, a oferta cultural para a comunidade educativa e para todos os cidadãos, numa lógica de aprendizagem ao longo da vida”.

A ADDPCTV acolheu este projeto de forma natural, a divulgação do nosso património coletivo é uma preocupação desde a fundação e, as escolas, um palco natural para a prossecução do mesmo. A primeira tarefa constituiu numa visita às turmas, explicando em que consiste a identidade regional, que tanto apregoamos, e porque é importante a sua defesa, demonstrando como uma rua, uma loja, uma fachada, uma porta, fazem parte daquilo que são as nossas memórias e estas não têm igual em nenhuma parte do mundo. Os alunos receberam orientação, por parte da professora Isabel Morgado, e partiram em busca do património oral, realizando trabalho de campo, na recolha de lendas do concelho.

Numa segunda fase, foi realizada uma visita guiada por alguns dos locais mais icónicos, um roteiro para o qual contámos com a preciosa colaboração do arquiteto André Baptista, nosso associado e é extraordinário “ver” ruas, pelas quais já passeámos inúmeras vezes, pelos olhos destas crianças que também nos ensinam sobre a beleza de um puxador de porta, o geométrico padrão de um velho e gasto chão, ou uma chaminé, pormenores novos que só vieram enriquecer o nosso próprio conhecimento da urbe. A atividade associou momentos de “desenho à vista”, permitindo o registo e o cruzamento com as artes plásticas.

Este é afinal um processo de aprendizagem mútua e tudo aquilo que foi estudado foi posteriormente transmitido, num processo de intercâmbio: “Descobrir outros Patrimónios: Torres Vedras e Marvila”, aos alunos do Colégio Cesário Verde em Marvila, que vieram conhecer a cidade pelos olhos dos colegas e decerto levaram a sua história para contar, partilhando com os alunos locais, o conhecimento adquirido através do levantamento do seu património local.

Tanto o Agrupamento de Escolas Madeira Torres, como o Colégio Cesáro Verde, contaram com a contribuição de artistas residentes. Do primeiro, resulta um espetáculo, no dia 15 de fervereiro (para os alunos) e 18 de março (para as famílias e amigos), no Teatro-Cine de Torres Vedras.  O mesmo foi construído em torno da peça musical “Turres Veteras”, da responsabilidade do diretor artístico da Associação MusicÁlareira, Ruben Monteiro. Do segundo, o intérprete de Kora (instrumento oriundo da África Ocidental), Mbye Ebrima, acompanhou, com a sua arte, o relato das histórias locais. Através destas residências artísticas, os alunos tiveram a oportunidade de aprofundar o seu conhecimento sobre o património local, mas também de experienciar diversas artes performativas que contribuem para o desenvolvimento de competências, promoção da criatividade e autoconhecimento. Os alunos participantes tiveram a oportunidade de explorar diversas artes, como dança, música, literatura / poesia, e expressar-se através da linguagem artística, tornando a sua aprendizagem mais significativa e aliciante.

 É este mecanismo que nos traz aquilo que afinal pretendemos, um futuro para as nossas memórias coletivas, construídas e ampliadas por uma nova geração.

As equipas agradecem o precioso contributo de todos os parceiros, sejam associações, Câmaras Municipais, Juntas de Freguesia, professores, encarregados de educação e alunos.



Exposição de trabalhos sobre património local na biblioteca  da Escola Padre Francisco Soares de Torres Vedras 


Atividade inter escolas no Colégio Cesário Verde


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25 junho 2021

MOINHOS - A DINÂMICA DAS RUÍNAS

 Publicado no jornal BADALADAS (Torres Vedras), em 25 de Junho de 2021


A Dinâmica das Ruínas 

Ezequiel Duarte (Texto e fotos)





Algures um círculo de pedras num disfarce de ruínas. A memória popular apanha a forma e transforma-a em imaginários que viajam sem qualquer mácula ao passado. Abrir esta fronteira é uma maneira de dizer que o tempo enviará resposta e, paciente, soletrará na ruína a sua figuração como intérprete da mudança.

As histórias avolumam-se, cruzam-se enredos e a ruína é agora límpida, pronta a ser respeitada por quem escuta as palavras dos moinhos.

Estágio após estágio conhece-se o processo da ruína, o paradoxo do dinamismo da ruína. Na nossa viagem, num instante, a alvura de um moinho num contraste de verde ou de terra lavrada. Surpreendidos, percebemos que ainda há moinhos em movimento. 

Seguem-se outros usos, servem de pombais, de habitações, locais de merendas, vazadouros de lixos, têm vértices geodésicos acoplados, outros têm como vizinhos antenas de comunicações ou aerogeradores. Há aqueles que servem de suporte a torres de vigia, ou aqueles que ficam apenas com o seu processo de ruína e de resistência sem evocar qualquer uso. Alguns ainda conservam o mastro, por vezes também a entrosga, como se esta fosse um metrónomo a preparar a queda das mós.

No meio de um campo de cultivo surgem os seus vestígios, nalguns dos casos, amontoados, já sem nexo construtivo. Marcam, contudo, um espaço diferenciado. Por respeito, os arados contornam os moinhos e continuam a lavra e deixam naturalmente uma serventia. Depois da seara crescida, transformam-se em monumentos, faltando-lhes, em remota paragem, a “iluminação” suficiente para ascenderem à condição de um acontecimento na paisagem.

É discurso recorrente apelar à desgraça dos moinhos de vento, o quanto estão ao abandono, sem ninguém que olhe por eles. Contudo é também o respeito por estas ruínas e pela sua evolução que dá à questão do moinho de vento do Oeste o efeito de monumentalidade, sustentado, não no seu valor individual, mas nos inúmeros moinhos dispersos por este território representantes de vários estados de conservação:

“Aquele ainda tem o frechal de pedra em bom estado. Neste as mós estão sustentadas pelos sobrados onde permanecem o corvo e o tegão. Na colina em frente, encontra-se outro moinho, ainda com o capelo, o mastro, a entrosga e com a engrenagem a acompanhar a ruína da estrutura.”

Para as populações o moinho é uma das principais referências do local. Por isso, um simples círculo de pedras onde apenas são perceptíveis a forma e a soleira da porta do moinho têm, mesmo assim, um vínculo patrimonial.

Basta ver o quanto é importante o valor das ruínas, mesmo que escondidas na vegetação, mantém-se vivas as recordações quando a transmissão oral e a imaginação assim o determinam.

Antes de mais são memoriais únicos ao trabalho, a uma função económica. São profundos símbolos do labor humano, da actividade de moagem e da labuta pelo pão.

Um círculo de pedras, quase imperceptível, traz histórias que transcendem o moinho e chegam às épocas remotas desse “tempo dos mouros” através de ditos herdados.

Quase todas as aldeias da região têm a referência de pelo menos um moinho que servia as populações, referência que se cruza com as histórias das gentes e dos lugares.

Os moinhos têm o seu ciclo de vida, também tomam novas funções, integram-se noutros contextos e pronunciam outros usos. Apesar das ruínas, mantêm-se incólumes ao alimentarem imaginários que saltam de aldeia em aldeia.

O moinho de vento no alto das colinas da Região Oeste é função e símbolo em simultâneo. O moinho ali está evocando o dinamismo da paisagem, desde a alvura das velas até ao mais elementar estado de ruína.

É neste contexto que os moinhos representam também o sentido de projecto que oscila entre o sucesso e a ruína. Os moinhos podem gerar uma grande intensidade de ideias, para que resultem algumas iniciativas com sucesso, sabendo que a ruína é intrínseca ao empreendimento.

Para inovar é necessário correr riscos e para isso há que conhecer e divulgar também o insucesso, aprender a contemplá-lo como se fizesse parte da nossa invenção diária e fosse a razão para celebrar as nossas melhores conquistas.

Saber lidar com o insucesso, com a convicção que para inovar é preciso agarrar novas ideias e transformá-las em projectos, alguns, necessariamente, poderão não resultar, mas têm um alto valor enquanto instrumentos de aprendizagem.


 


VALORIZAÇÃO DOS MOINHOS DE VENTO

 

A leitura do moinho em ruínas não pode ser vista como um caso permanente de insucesso, de projecto falhado, pelo contrário, o moinho de vento teve outros tempos onde desempenhou um papel fulcral na história da humanidade e na atualidade há que redobrar o esforço na sua valorização e conservação e de perspetivar o seu futuro enquanto referencial para a consolidação do Oeste como região.

Note-se que sempre houve moinhos de vento em ruínas no território do Oeste. Conhece-se casos de moinhos que se ficaram pela construção da torre em alvenaria e que por alguma razão nunca avançaram para a construção dos elementos em madeira, outros há, em que após a construção, constatou-se que os ventos no local não tinham a intensidade e a regularidade para viabilizar a moagem, noutros sucedeu a quebra na transmissão geracional da arte…

Na atualidade, os saberes associados à construção dos moinhos e à sua laboração não desapareceram apesar do reduzido número de entusiastas que ainda se prestam, enquanto profissionais ou como voluntários, a recuperar moinhos e mesmo a colocá-los a funcionar para a sua função original, a farinação.

Importa referir que a maior parte das recuperações dos moinhos da Região Oeste têm sido feitas para a função habitacional, mas não deixam de ocorrer iniciativas municipais e de particulares de recuperação de moinhos de vento para a sua função original ainda que longe do desejável.

Valendo-me de documento elaborado por Fátima Nunes (dinamizadora de projeto de valorização dos moinhos de vento na Moita dos Ferreiros assente na atividade moageira e na sensibilização das populações para os saberes ligados ao moinho), poder-se-á estruturar uma política de valorização dos moinhos de vento nos seguintes eixos: Um, nos aspetos institucionais e normativos facilitadores da atividade tradicional de moagem e da proteção dos moinhos e dos seus engenhos, assegurando o direito ao vento; dois, na educação e formação em molinologia nas mais diversas vertentes, com relevo na habilitação para a construção e laboração dos moinhos; três, na integração dos moinhos em rotas de caminhos pedestres e em projetos de turismo cultural e da natureza; quatro, na viabilidade da atividade de moagem tradicional com base em cereais nacionais e com a diferenciação do produto em pequenas escalas de produção.

Que se comece pelas raízes e que se compreendam os projetos de reforço da identidade regional, no caso, através da valorização dos moinhos, mas também da continuidade do pontilhado das ruínas a marcar a paisagem e que deles extravase toda a carga simbólica capaz de impulsionar o desenvolvimento local como um projeto aglutinador das suas gentes.

 

FOTO DA PÁGINA NO BADALADAS



21 maio 2015

O QUE TEMOS FEITO - BALANÇO DE 2014





RELATÓRIO DE ACTIVIDADES 
ANO 2014

A Direcção da ADDPCTV continuou a guiar-se pelos princípios definidos aquando da sua eleição em 2013, nomeadamente:  1 – orientar a sua acção pelos objectivos da Associação, constantes dos seus Estatutos; 2 –  articular três perspectivas de actuação em torno do conceito de PATRIMÓNIOS: defesa e preservação / divulgação / visibilidade de procedimentos, voltando a Associação para o exterior.

Este foi o ano da mudança para as novas instalações do Forum de Associações de Torres Vedras, com todas as vicissitudes inerentes. Essa condicionante estava explícita num terceiro princípio de acção enunciado na anterior Assembleia Geral - «adoptar um modelo de actuação ajustado às características do novo espaço da sua sede social». A inauguração da sede do Forum foi em 25 de Outubro de 2014 mas temos de reconhecer que essa linha orientadora ainda não foi desenvolvida.

Como se pode verificar nos quadros abaixo insertos, mantivemos um conjunto regular de actividades ao longo do ano com maior ou menor impacto público de acordo com as características de cada uma. Salientamos a quantidade e a diversidade de intervenções escritas – 30 no total - com textos originais publicados no Badaladas, no Boletim da Freguesia de Santa Maria, S. Pedro e Matacães e no Mila Gaipa - jornal do Cenro Histórico, criado em 2014 e de cujo corpo redactorial fazemos parte. É de toda a justiça salientar o bom acolhimento e colaboração que continuamos a encontrar no jornal Badaladas, fazendo jus, aliás, ao facto de ele ser, desde a primeira hora, um activo defensor e divulgador do nosso património cultural.

De referir ainda que, para além das actividades enunciadas no Quadro 1, foram desenvolvidas outras ao longo do tempo cuja característica básica é o facto de se prolongarem sem data definida. A saber:

• entrevistas vídeo-gravadas do Projecto MEMÓRIAS DO SÉC. XX;
• contactos frequentes com serviços camarários e outros para preparação de actividades
   ou recolha de informações;

• visitas a lugares e/ou monumentos, para aprofundar conhecimento sobre factos que
   nos foram indicados;

• nova candidatura – que não teve êxito – ao Programa Leader Oeste;

• preparação de visitas guiadas com reconhecimento prévio dos locais, recolha e
   sistematização de dados;

• No âmbito do Prémio Bienal de Arquitectura da CMTV – para cujo júri fomos, mais                             uma vez, convidados -  visita e apreciação dos edifícios a concurso, em todo o           
   concelho;

• múltiplos contactos com colaboradores da rubrica Patrimónios, no Badaladas e 
   Projecto Memórias do séc. XX;   

• presença constante e regular nos blogues e no Facebook. De referir que nesta rede
   social, para além da página inicial que atingiu o máximo permitido de adesões 
   ( 5 000 ) foi criada outra página que teve um número significativo de likes (1050). A  
   página VIVA PATRIMÓNIO, mais vocacionada para os roteiros turístico-
   patrimoniais, manteve-se activa com um número regular de visualizações.


Sistematização das actividades realizadas em 2014


JANEIRO

Página no Boletim nº 2 da Freguesia de St. Maria, S. Pedro e Matacães |Tema: Matacães
3
PATRIMÓNIOS no Badaladas
15
Visita guiada à Igreja da Misericórdia | Clube Senior CMTV
24
PATRIMÓNIOS no Badaladas
FEVEREIRO
1
Visita guiada ao Centro Histórico | Parceria  MMLT
4
Participação num colóquio sobre Turismo, AudIt. Munic., CMTV
14
PATRIMÓNIOS no Badaladas
16
Visita guiada ao Forte de S. Vicente | Parceria MMLT
19
Visita guiada à Igreja S. Pedro (T. Vedras) | Clube Senior CMTV
MARÇO

O BARRETE nº 18 – Participação no Carnaval de TV

Página no Bol. nº 3 da Freguesia de St. Maria, S. Pedro e Matacães |Tema: Chaf. dos Canos
7
PATRIMÓNIOS no Badaladas
12
Sessão na Escola Maxial ( Semana da História): Monumentos Nacionais de Torres Vedras
21
Página LUGAR ONDE no Badaladas | Azulejos setecentistas do Mestre PMP em TV
24
Visita guiada à Igreja da Freiria |Clube Senior da CMTV
28
PATRIMÓNIOS no Badaladas
ABRIL
12
Dia Intern. Monumentos e Sítios |A FONTE NOVA | Parceria com MMLT
18
PATRIMÓNIOS no Badaladas
24
Visita guiada à Igreja de Matacães | Clube Senior CMTV
MAIO
3
Visita guiada ao Museu MLT do Grupo dos Amigos do Museu e Arte Antiga
7
Visita guiada ao Convento do Varatojo | Clube Senior CMTV
9
PATRIMÓNIOS no Badaladas
21
Visita guiada ao Convento do Varatojo | Seniores de Sintra e Cascais
30
PATRIMÓNIOS no Badaladas
JUNHO

Página no Bol. nº 4 da Freg. de St. Maria, S. Pedro e Matacães |Tema: Castro do Zambujal
7
MILA GAIPA nº 1 |Jornal do Centro Histórico de TV
Abertura do QUEBRA COSTAS BAR (FORUM DAS ASSOCIAÇÕES)
12
Visita guiada à Igreja do Turcifal | Clube Senior CMTV
17
Visita guiada - “ROTA DO LITORAL” com Associação dos Amigos dos Castelos
20
 PATRIMÓNIOS no Badaladas
JULHO

Preparação das Jornadas Europeias do Património, a realizar em Setembro
11
Chás de Pedra | Santa Cruz | A Quinta das Lapas
PATRIMÓNIOS no Badaladas
AGOSTO
1
PATRIMÓNIOS no Badaladas
2
MILA GAIPA nº 2
22
PATRIMÓNIOS no Badaladas
SETEMBRO

Colaboração com o arqueólogo António Gonzalez sobre Fonte dos Negros
12
PATRIMÓNIOS no Badaladas
22
Realização de Acção de Formação (um dia) para o projecto ISA Património da CMTV
26
Página LUGAR ONDE (Badaladas)|Jornadas Europeias do Património
27
Jornadas Europ. Património - Visita Guiada à Igr. A dos Cunhados e Núcleo Museológico
Duas sessões no FORUM sobre Monumentos Nacionais de Torres Vedras
OUTUBRO

Página no Boletim nº 5 da Freg. de St. Maria, S. Pedro e Matacães | Tema: Conv. Varatojo

MILA GAIPA nº 3
3
PATRIMÓNIOS no Badaladas
24
Página LUGAR ONDE | Inauguração do FORUM
31
PATRIMÓNIOS no Badaladas
NOVEMBRO
1
Participação num colóquio sobre reabilitação do Centro Histórico | Organ. Estufa, TV
14
PATRIMÓNIOS no Badaladas
21
Página LUGAR ONDE (Badaladas)|Igreja de Santiago
DEZEMBRO

MILA GAIPA nº 4

Participação no júri do Prémio Bienal de Arquitectura da CMTV
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PATRIMÓNIOS no Badaladas
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Página LUGAR ONDE (Badaladas)|Igreja de S. Pedro fecha para obras
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PATRIMÓNIOS no Badaladas



RUBRICA «PATRIMÓNIOS » no  jornal Badaladas

    3 JANEIRO q A outra face da vida no Centro Histórico (2ª Parte) à Elias de Carvalh
         24 JANEIRO q Origens da Casa Damião (1ª Parte) à Francisco Paulo Damião
    14 FEVEREIRO q Origens da Casa Damião (2ª Parte) à Francisco Paulo Damião
    7 MAÇO q  Um retrato do antigo largo de S. Pedro à Francisco Paulo Damião
    28 MARÇO q Um olhar sobre o Centro Histórico à Irene Antunes
    18 ABRIL q A vida no meu bairro (1ª Parte) à Gilda Ferreira
    9 MAIO q  A vida no meu bairro (2ª Parte) à Gilda Ferreir
    30 MAIO q à Quando eu tinha sete anos à Gilda Ferreira
    20 JUNHO q à Histórias de uma Rua à Margarida Ribeiro
    11 JULHO q Origens da Casa Lafaia à Maria La Salette Lafaia
    1 AGOSTO q O largo da Graça na década de trinta à Maria Aldina Rebelo
    22 AGOSTO q O Fundador da Ourivesaria Anselmo (I Parte) à José Afonso Torres
    12 SETEMBRO q Anselmo Torres: de Alfaiate a Ourives (II Parte)  à José Afonso Torres
     3 OUTUBRO q Origens da Ourivesaria Anselmo (III Parte) à José Afonso Torres
    31 OUTUBRO q Memórias do ‘Operário’ (I Parte) à José Ramos
    14 NOVEMBRO q Memórias do ‘Operário’ (II Parte) à José Ramos
     5 DEZEMBRO q O Bairro Leonor à Entrevista a Luís Madeira
    26 DEZEMBRO q Da Rua Detrás do Açougue ao Largo de S.to António à José Afonso Torres




SISTEMATIZAÇÃO TEMÁTICA

Muitas das actividades realizadas podem ser integradas em mais do que uma perspectiva de acção. Outras há que assumem claramente uma só vertente. Contudo,  é a pluralidade de significações que predomina. Assim, podemos agrupar as actividades pela vertente dominante:

Página no Boletim de Freguesia
4
Jornal Mila Gaipa
4
Página LUGAR ONDE - Badaladas
4
PATRIMÓNIOS no Badaladas (9 novos colaboradores)
18
Visitas guiadas
11
Sessões públicas
7
Dias especiais - Jorn. Europ.do Patrim. e Dia Intern. dos Monum. e Sítios
2
Acções em parceria com serviços da CMTV
12
Entrevistas vídeo-gravadas no âmbito do Projecto TORRES VEDRAS -  MEMÓRIAS DO SÉCULO XX (cerca de 25 horas de gravações)
9


Presença no Facebook:










Agradecemos aos nossos sócios e amigos a colaboração prestada, certos de que sem ela não teria sido possível dar continuidade à nossa missão central que é a defesa e a divulgação do nosso Património.
Torres Vedras,  Maio / 2015
A DIRECÇÃO da ADDPC



Foto inicial: Visita guiada à Igreja de Santiago