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20 dezembro 2014

IGREJA DE S. PEDRO FECHADA AO CULTO


O PESO DOS ANOS

De fundação medieval, monumento nacional desde 1910, sofreu sucessivos restauros e acrescentos. É uma relíquia do nosso património edificado. Conserva o garbo de outros tempos mas, como os velhinhos, geme ao peso dos anos.

Um aviso na porta alertou a nossa curiosidade. A igreja matriz de Torres Vedras fechou temporariamente ao culto. Por quanto tempo? Que se passa? Fomos ao cartório paroquial que nos acolheu e levou ao interior do templo. Aparentemente tudo parecia em ordem. A capela-mor, recentemente restaurada por uma equipa do Instituto de Artes e Ofícios, está mais bonita, com os estuques recuperados, as pinturas de Mestre Peres avivadas e as quatro telas dos doutores da igreja recuperadas. O retábulo ds capela dos Perestrelos, do lado da Epístola, está como novo, obra igualmente do IAO. 




O problema reside no tecto setecentista da nave central, em abóbada de berço, de madeira, com caixotões e ornatos pintados. As juntas das tábuas apresentam fissuras, chamando a atenção para o estado do forro e da estrutura do telhado. A queda de caliça foi o sinal de alerta. 




 Pedida uma vistoria, a equipa técnica da Câmara Municipal destapou um painel do coro e pôs à vista a estrutura apodrecida e corroída pela humidade, infiltrada pela porosidade das telhas. É um problema estrutural com sérios riscos de segurança. Daí o fecho das portas. Põe-se agora a questão de saber quem paga as obras. Sendo um Monumento Nacional, parece-nos indubitável que é ao Estado que compete essa tarefa, na sequência, aliás, de múltiplas intervenções de que esta Igreja tem sido alvo ao longo dos anos e, de modo especial, em meados do século passado. A Igreja Matriz de Torres Vedras, bem no coração do Centro Histórico, tem de reabrir quanto antes.







Por vezes temos tendência para pensar que os monumentos são uma dádiva do passado que no-los teriam doado em estado puro. Mas isso é uma ilusão. Todos os monumentos foram sendo modificados ao longo dos anos, em obras de adaptação às condições concretas de cada época. A Igreja de S. Pedro é um bom exemplo.

OBSERVEMOS A SEQUÊNCIA:

São imagens dos finais dos anos 40 do séc. XX. A fachada lateral, onde se acrescentara uma dependência, foi alterada. Vêem-se obras mais ao fundo, na fachada posterior. Vejamos com atenção:




Fotos retiradas do blogue de Venerando de Matos: http://vedrografias2.blogspot.pt/2014/11/cassiano-branco-em-torres-vedras.html











Comparemos agora com fotos do nosso século: a primeira antes da requalificação recente da envolvente da Igreja, a segunda já depois dessa obra:



     Fotos J. Moedas Duarte

Podemos sistematizar a nossa observação:
Nas traseiras da Igreja foi construído no século XVIII o pequeno edifício - uma porta e uma janela de cada lado - destinado à Irmandade dos Clérigos Pobres, associação mutualista de apoio ao clero local. Extinta a Irmandade, aqui funcionou, nos anos 20 do século XX, o primeiro Museu de Torres Vedras, fundado por Rafael Salinas Calado. Esta construção setecentista, no seu interior é uma jóia artística com painéis de azulejos figurativos a toda a volta e um tecto magnífico com pinturas de Oliveira Góis representando os quatro evangelistas.

Se repararmos bem, este edifício foi desconstruído e reconstruído alguns metros ao lado, ficando encostado à parede da capela-mór da igreja onde antes existiam umas arrecadações. É onde hoje funciona o cartório paroquial. Como noticiava o Badaladas de 13 de Janeiro de 1955, foi uma obra a cargo da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais. A justificação é que a localização daquele pequeno edifício impedia o trânsito desafogado em direcção ao novo mercado municipal, inaugurado no início dos anos 30. Tratou-se, de facto, de uma obra arrojada evidenciando a qualidade e a capacidade daquele organismo público que percebeu a valia patrimonial do edifício. Desmontou-o e voltou a montá-lo respeitando integralmente a sua estrutura e componentes artísiticas.
No site do SIPA (Serviço de Infrmação para o Património Arquitectónico) encontramos um conjunto de informações muito interessante sobre as obras realizadas ao longo do ano na igreja de S. Pedro, paroquial de Torres Vedras. Ver aqui: http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPASearch.aspx?id=0c69a68c-2a18-4788-9300-11ff2619a4d2
(As fotos acima publicadas, com a indicação SIPA, foram retiradas deste site)


Repare-se  agora nesta foto, já bastante conhecida, tirada nos finais dos anos 20 do séc. XX:


Até ao início dos anos 30 do séc. XX no adro posterior da Igreja de S. Pedro situava-se o chamado “mercado do peixe e das aves”, substituído pelo mercado coberto nos terrenos mais a nascente, cuja construção se iniciou em Outubro de 1929 (Gazeta de Torres, 13 Out 1929) e que foi desmantelado há poucos anos para dar lugar ao moderno Mercado Municipal.
Até à inauguração do Cemitério de S. João, em 1848, este espaço era o cemitério principal da vila. Antes fora adro da ermida de Nª Srª dos Farpados, mais tarde do Rosário. Em 1652, aquando da visita do rei D. João IV, aqui se correram touros. No lado esquerdo da foto é bem visível o alçado posterior da Igreja de S. Pedro – capela-mór, arrecadações e Irmandade dos Clérigos Pobres, antes das grandes obras realizadas ao longo dos anos 40 e 50 do séc. XX.




09 fevereiro 2014

IGREJA DE S. PEDRO DE TORRES VEDRAS




A Igreja de S. Pedro foi reaberta ao público depois de quatro meses de encerramento para obras.

Tal como nos diz o BADALADAS (semanário de Torres Vedras) desta semana, tratou-se de restaurar as pinturas do tecto da capela-mor, limpar a talha dourada do retábulo do altar-mor e reparar o retábulo do altar da Santíssima Trindade. Estes trabalhos estiveram a cargo do Instituto de Artes e Ofícios da Universidade Autónoma de Lisboa.

Os tectos estavam muito danificados e as pinturas mais antigas, feitas numa campanha de obras no séc. XIX, haviam sido recobertas por estuques e repinturas ocasionais, possivelmente para reparar fendas.
Agora foi possível limpar tais acrescentos e trazer à luz do dia o que Mestre Peres  havia feito em 1887 e que deixara assinalado com a sua assinatura -que também estava tapada.
Os pormenores mostram-nos símbolos da Eucaristia em fundo branco, na zona mais próxima do retábulo, e o cordeiro pascal entre desenhos de grotescos, na zona intermédia para a nave central.

De notar que este pintor era torriense e deixou obra feita noutros lugares, nomeadamente retratos a óleo de antigos Provedores da Santa Casa da Misericórdia de Torres Vedras - que se encontram na Sala do Despacho desta instituição, ao lado da Igreja da Misericórdia - e um conjunto de frescos numa sala da vivenda da família de Joaquim Alberto Mota, em Santa Cruz, representando aquela aldeia nos finais do séc. XIX.
Por curiosidade: o pintor, a quem chamavam "Mestre Peres", era avô de uma senhora que vive em Torres Vedras e que completou recentemente 100 anos de vida, a Dona Piedade Peres Sobreiro.
Vejamos algumas fotos que fizemos há dois dias numa visita à Igreja. Ali apreciámos a obra agora feita e confirmámos a necessidade de a continuar nos restantes altares em que a talha dourada está enegrecida e no belo órgão, que há muito emudeceu.

NOTA:
Os cortinados brancos que se vêem nas paredes tapam os espaços onde estavam quatro telas representando os quatro doutores da Igreja os quais se encontram em restauro. 
Em breve colocaremos aqui mais alguns dados curiosos sobre anteriores campanhas de obras nesta Igreja.
















RETÁBULO DA SANTÍSSIMA TRINDADE








27 setembro 2010

RESCALDO DE UM DIA PLENO

A Associação do Património de Torres Vedras realizou duas actividades no dia 26 de Setembro, como previamente anunciou, Integradas nas JORNADAS EUROPEIAS DO PATRIMÓNIO.

Para memória futura aqui ficam algumas fotos.


Passeio pedestre

Um poço no Forte do Pelicano


Início da visita guiada à Igreja de S. Pedro em Torres Vedras


O claustro do convento do Varatojo

Início do passeio pedestre