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11 abril 2012

UM MONUMENTO NACIONAL POUCO CONHECIDO: GRUTA DE ERMEGEIRA




A Associação do Património de Torres Vedras vai participar, mais uma vez, na celebração deste dia com a seguinte atividade:



Maxial é uma freguesia do Município de Torres Vedras com numerosos vestígios de ocupação humana desde a Pré-História. O mais significativo é a Gruta Calcolítica da Ermegeira – aldeia próxima da sede de freguesia – descoberta e explorada no final dos anos 30 do século passado. Do espólio existente avulta um par de pendentes de ouro, guardado no Museu Leite de Vasconcelos, em Belém, cuja valia e raridade explicam a classificação daquela estação arqueológica como Monumento Nacional. Da gruta resta apenas uma parte da calote, o que se explica pela ação do tempo e algum vandalismo. Mas aquele é um vestígio importante a preservar e que está em risco de ser desclassificado devido ao estado de abandono.


A Associação do Património de Torres Vedras, inspirada no lema deste dia – Do Património Mundial ao Património Local – decidiu realizar um programa de divulgação e sensibilização para este Monumento tão pouco conhecido dos torrienses, a decorrer em Abril no Maxial:

Dias 17 a 23
               Auditório da Junta de Freguesia do Maxial:
              - Pequena exposição alusiva ao período calcolítico, com peças do Museu Leonel  
                Trindade, de Torres Vedras             
      - Sessões com alunos das Escolas do Maxial, em horas a definir

Dia 21 (sábado)

             15H30: Autocarro da Câmara Municipal de Torres Vedras, junto ao Tribunal, para quem 
             quiser deslocar-se ao Maxial

             16H00 – Auditório da Junta de Freguesia:
                 Sessão evocativa e documental sobre a Gruta da Ermegeira. 
                 Intervenções: Joaquim Moedas Duarte, presidente da Associação do  
       Património de Torres Vedras e Emanuel Carvalho, Técnico de Arqueologia do 
       IGESPAR – Instituto de Gestão do Património Arquitetónico e Arqueológico.

             17H30 – Visita ao local da Gruta Calcolítica da Ermegeira

Dia 22(domingo)

            09H00:Caminhada com passagem pelo local da gruta. Partida frente à Junta de Freguesia do
           Maxial. Percurso com cerca de 10 km, de nível fácil, aberto ao público em geral.

Participar nestas atividades é uma forma de ajudar a defender o nosso Património. 

A ADDPCTV agradece a colaboração da Junta de Freguesia do Maxial, do Município de Torres Vedras e dos técnicos do Museu Municipal Leonel Trindade, de Torres Vedras.

                                                                                                                            A DIREÇÃO DA ADDPCTV

13 março 2012

GRUTA CALCOLÍTICA DA ERMEGEIRA




O amanhã é hoje, já estamos a 13 de março.
Pois ontem andámos pela Ermegeira - freguesia do Maxial - e visitámos o que resta da Gruta Calcolítica ( da época de transição da Idade da Pedra Polida à Idade dos Metais - entre cerca de 4 500 anos e 1300 a.C.). Aqui foram encontrados os célebres "brincos" de ouro, que estão no Museu Nacional de Arqueologia Dr. Leite de Vasconcelos, em Belém, Lisboa.




Pouco resta da gruta mas mesmo assim o sítio deve ser preservado pois foi classificado como Monumento Nacional em 1940 devido à raridade e importância do espólio. No entanto corre o risco de ser desclassificado, como nos foi dito por um técnico do IGESPAR e lemos numa revista da especialidade.

A Associação do Património de Torres Vedras está a organizar uma ação de divulgação e de informação sobre este monumento, a realizar em Abril. Daremos conta do Programa em breve.

07 outubro 2010

UM MONUMENTO NACIONAL DE TORRES VEDRAS

Quem alguma vez viu a Gruta Calcolítica da Ermegeira? E, no entanto, ela é um dos nove Monumentos Nacionais do concelho de Torres Vedras.
Não se sinta mal, leitor! Nós também não a conhecíamos "ao vivo". Sabíamos da descrição que dela se faz no site da Direcção Geral do Património Cultural. Sabíamos também que ficava na Ermegeira, num terreno particular, tínhamos uma fotografia tirada nos anos 80, mas nunca lá tínhamos estado.
Resolvemos ir ao encontro dela. O contacto foi fácil. Através do sr. Emílio Correia e da Junta de Freguesia do Maxial, chegámos à fala com o proprietário, dono da Quinta de Entrecampos, sr. Manuel Pinheiro, que logo se dispôs a acompanhar-nos. Está situada num caminho de terra batida, à saída da povoação da Ermegeira, freguesia do Maxial.
Da gruta já pouco resta: apenas uma parte da calote esférica à beira de um caminho agrícola, tapada por ervas altas que foi necessário pisar para a tornar visível.
Vejamos melhor:


 A "gruta" está no cômoro antes das casas, lado direito do caminho por onde íamos, logo a seguir aos paus da vinha.


A calote que resta da gruta. O que lá falta foi destruído pelo vandalismo de alguns que ali andaram à procura de tesouros, como deixou escrito o prof. Manuel Heleno. E também pela prática agrícola. Não esqueçamos, é uma construção que tem mais de 4 500 anos.

O sr. Emílio foi o nosso elo de ligação. E não se importou de ficar na foto para se ter ideia mais exacta do tamanho da calote.



Mais perspectivas do que resta da gruta.

Pergunta-se, então: porque é que aquele sítio foi classificado como Monumento Nacional no início dos anos 40 do século XX?
Veja-se o que diz o tal site da DGPC na sua nota histórico-artística.
Não é por esta simples nota que os leitores poderão ficar bem esclarecidos acerca do assunto. Seria necessário consultar a bibliografia indicada e aprofundar conhecimentos sobre a Pré-História na Estremadura portuguesa.
Fiquemo-nos com esta nota: os vestígios da ocupação humana em tempos recuados têm sido valorizados ao longo dos tempos, sobretudo desde que, a partir de meados do séc. XIX a Arqueologia se tornou uma das principais ciências auxiliares da História. No concelho de Torres Vedras viveu um pioneiro desta ciência, Leonel Trindade a quem se deve o maior impulso no seu incremento, a partir da descoberta do Castro do Zambujal, em 1938.
A gruta da Ermegeira foi explorada por Manuel Heleno e o espólio encontra-se no Museu Nacional de Arqueologia, em Belém. A descrição do trabalho de pesquisa pode ver-se na revista "Ethnos", 2º vol, Lisboa, 1942, p. 449-469

Dele se destacam estes pendentes de ouro, guardados na Casa-Forte deste Museu.

Mais do que pelos quase insignificantes vestígios actuais, a importância desta jazida arqueológica é conferida pela tipologia da gruta, pela antiguidade e pelos achados que lhe estão associados. Razões suficientes para justificarem a sua classificação como Monumento Nacional.

Ao proprietário do terreno e ao povo da Ermegeira, compete acarinhar esta importante memória patrimonial, dando-a a conhecer aos mais jovens e explicando o seu significado.