08 outubro 2012

QUINTA DAS LAPAS - Monte Redondo, Torres Vedras





Como membro da Direcção da Associação do Património de Torres Vedras, fui convidado há dias para uma visita à Quintas das Lapas. Dessa visita dei conta no meu blogue pessoal, com fotografias e mais alguns pormenores. 










Junto agora dois textos explicativos sobre a QUINTA.

Sobre a QUINTA DAS LAPAS

Diz Júlio Vieira no seu TORRES VEDRAS ANTIGA E MODERNA, p. 201/201:

«Uma família da velha nobreza que neste concelho tem tido residência, mais ou menos periódica, é a dos Teles da Silva, das casas Penalva e Alegrete, hoje representadas pelos senhores condes de Tarouca, possuidores da quinta das Lapas216, em Monte Re­dondo, a mais linda vivenda solarenga deste concelho.
Naquela quinta têm nascido alguns membros dessa ilustre família, como nomeadamente os filhos do 3o marquês de Penal­va, António e D. Eugênia.
Foi o representante dessa família, Nuno da Silva Teles, por muitos anos provedor da Misericórdia de Torres Vedras, e a cuja influência se deveu, nos meados do século XVIII, a construção da monumental sacristia daquela igreja. Nuno da Silva Teles era neto do conde de Vilar-Maior, Manuel Teles da Silva, e que foi o 1.° marquês de Alegrete feito por D. Pedro II em 19 de Agosto de 1687.
Os marqueses de Alegrete foram por largo período possui­dores do antigo relego desta vila, encontrando-se no arquivo da câmara numerosas referências a estes titulares.
Na interessante capela da quinta das Lapas, existe uma urna com as relíquias de S. Frei Gil de Santarém217, do qual era descendente D. Joana de Almeida, mulher do terceiro Marquês de Penalva.»


216 Além da quinta das Lapas e das quintas da Bogalheira, Ermegeira, A-de-Rainha,
do Espanhol e Conceição, já referidas, e da quinta da Patameira, a que adiante faço alusão, outras existem no concelho que foram solares de famílias nobres. Tais são: a quinta da De Guerra, junto à serra do Socorro e à beira da antiga estrada de Lisboa, no ponto onde existia a estalagem, e que foi residência de um ramo dos Távoras; a antiga quinta de Santa Margari­da, no Varatojo, hoje dividida, cujo palácio em ruínas pertenceu aos marqueses do Louriçal, condes da Ericeira e depois aos condes do Lumiar; e a quinta de Manjapão que foi d'el rei D. Dinis, o qual estando em Santarém a deu em 11 de Janeiro de 1280 à infanta D. Branca, e esta por seu turno a doou em 11 de Maio de 1286, estando cm Burgos, a Pêro Vicente, seu clérigo. Esta quinta pertencia em 1729 a Manuel de Pina Monis.

217 Por volta de 1991/92, as relíquias de Frei Gil voltaram para Santarém – Anot.

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Ainda:

(Folheto da Associação do Património de Torres Vedras, 1 a 4 de Abril de 1982, III Encontro das Associaçoes de Estudo, Defesa e Divulgação do Património Cultural e Natural)

«O palácio e jardins da Quinta daa Lapas, na freguesia de Monte Redondo, cons­tituem o conjunto mais notável no género existente na área do município.
Iniciado nos finais do sáculo XVII pelo primeiro Marquês do Alegrete, D. Manuel Tales da Silva, o edifício possui exem­plar equilíbrio de linhas, pelo que Júlio Vieira não teve dúvidas em o considerar "a mais linda vivenda solarenga deste con­celho". (Torres Vedras Antiga e Moderna, p. 200, 2ª ed.)
Apenas foi concluído no século XVIII pelo que revela um espírito setecentista, patente não só nas molduras das janelas, nos frontões e fogaréus como, no imponente muro com portão nobre, de decoração sóbria, os­tentando a pedra de armas da família numa cartela de recorte muito curioso, com caracte­rísticas já de uma época tardia.
Faz parte da Quinta a capela de N. Sra. do Rosário, (onde se guardam num co­fre as relíquias de S. Frei Gil, da Ordem dos Pregadores) (nota: que por volta de 1991/1992 foram para Santarém), cuja fachada com colunata é de espírito neoclássico, e onde se pode observar um bom silhar do azulejos do sé­culo XVIII com os símbolos das ladainhas, sendo o altar do final do mesmo século.
Num jardim da vegetação já pouco vulgar, encontramos o lago da Sereia, ro­deado por uma balaustrada de mármore, jun­to do qual podemos observar ricos painéis de azulejos do século XVIII.
A "Casa da Quinta das Lapas" é um imóvel de singular valor no conjunto do património cultural português, pelo que o Decreto-Lei número 129/77 de 29 de Se­tembro o classificou de imóvel de interes­se público.»















Este será um dos próximos destinos das visitas guiadas a locais de interesse patrimonial do concelho de Torres Vedras organizadas pela Associação do Património.


Fotos (C) J. Moedas Duarte

5 comentários:

  1. Anónimo8/10/12

    Este último portão tinha dois leões, que fora oferecido por sua Magestade D. João V como gratidão por o meu antepassado ter emprestado os operários para a construção do Convento de Mafra. A Quinta foi dada em dote no seu casamento a Dona Mariana Condessa de Vilar Myor.

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  2. Obrigado pelo comentário que aqui deixou. Gostaríamos de saber muito mais coisas sobre a História desta Quinta e da família que a construiu e possuiu. Isso faz parte do nosso Património Histórico que gostaríamos de conhecer melhor para melhor o divulgarmos, sem preconceitos.
    Será possível contactar-nos pelo mail da Associação?
    addpctvedras@gmail.com

    Somos pessoas de bem e conhecidas em Torres Vedras, os nossos nomes estão no blogue da Associação do Património, como pode ver:

    http://patrimoniodetorresvedras.blogspot.com

    Desde já agradecemos a sua atenção.

    Pel' A DIRECÇÃO DA ADDPCTV

    Joaquim Moedas Duarte

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  3. Sugestão para o vosso site: http://bit.ly/WkcRN6

    Bom trabalho ;)

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  4. Anónimo23/4/14

    es


    a quinta das lapas foi durante alguns anos uma ass.de tratamento de toxicodependentes-eramos nos que tratávamos das instalações e da quinta.gostava de saber o que fizeram aos veados que viviam na quinta.



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  5. Anónimo30/9/14

    Era e continua a ser uma comunidade para tratamento de toxicodependentes e alcoólicos e são eles que continuam com os escassos recursos de materiais disponíveis a fazerem o possível e o quase impossível para manter e tratar das instalações e jardins, usando acima de tudo as suas capacidades e a sua improvisação.
    Pelo que soube, os veados foram capturados e levados para outro local, nunca chegando no entanto a saber ao certo para onde.

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