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22 janeiro 2025

HOMENAGEM A JÚLIO VIEIRA - BADALADAS, 17 Janeiro 2025

 



 Natural de Torres Vedras, onde nasceu em 1880, onde sempre viveu e onde morreu em 21 de Janeiro de 1930, deixou um rasto de cidadania activa que chegou até aos nossos dias.

 Júlio Vieira, que tão cedo foi roubado à vida – morreu aos 49 anos, vítima de tuberculose óssea – tem permanecido vivo na memória dos familiares e dos leitores do seu livro Torres Vedras Antiga e Moderna, livro de leitura obrigatória para quem quiser conhecer o nosso passado. No entanto, a sua obra não se resume à História. Foi jornalista – redactor, editor e proprietário de jornais torrienses e nacionais –, intrépido paladino da República ainda em tempo de monarquia, dirigente associativo e cultural, fundador de instituições públicas que chegaram até hoje e defensor de soluções para o desenvolvimento local que ainda perduram. Esteve presente em todos os grandes momentos da vida torriense enquanto a saúde lho permitiu, deixando marca indelével da sua acção.

Em 21 de Janeiro de 2025 completam-se noventa e cinco anos sobre o seu falecimento e em 2026 será o centenário da publicação do seu livro sobre a História torriense. Assinalando estas datas, o Arquivo Municipal e a Associação do Património, de Torres Vedras, realizam algumas iniciativas que se desdobram em dois momentos. O primeiro será no próximo dia 21 de Janeiro, conforme o CONVITE que abaixo se publica. O segundo será a publicação, em 2026, da biografia Júlio Vieira, o Homem e o seu Tempo e a reedição da sua obra Torres Vedras Antiga e Moderna, há muito esgotada, além de outras iniciativas em estudo.



12 julho 2012

IR A BANHOS NO SIZANDRO


Quinta das Fontainhas, à saída de Torres Vedras, logo a seguir ao Aqueduto


Júlio Vieira, no seu TORRES VEDRAS ANTIGA E MODERNA (2ª ed. 2011), a páginas 264, refere que em tempos houve um lugar de banhos no rio Sizandro, numa zona em frente da Quinta das Fontainhas.
Era uma referência que nos intrigava e que carecia de verificação para se ver até que ponto ainda perduraria alguma coisa desse tempo. Não nos esqueçamos que J. Vieira escrevia no início da década de 20 do século passado - a 1ª edição do seu livro é de 1926.
Estávamos convencidos de que os degraus de pedra referidos pelo autor já não existiriam, até porque as margens do rio foram solidificadas na sequência das grandes inundações de 1983.
Por outro lado, a vegetação circundante é muito densa e o carril referido pelo autor há muito que desapareceu.

Há dias fizemos o percurso pedestre pela margem esquerda, seguindo pelo carril que vai da estação da CP até às Termas dos Cucos, na companhia de um amigo que nos falara numa "Fonte dos Coxos" existente naquela zona. Ela lá estava, com um grande caudal que saía de um cano, rodeado de degraus de pedra por onde é possível aceder à água.  Ele desconhecia o texto de Júlio Vieira. Outro amigo, Pedro Fiéis, membro da Associação do Património de Torres Vedras, fez connosco o mesmo percurso uns dias depois e lembrou o tal texto que nos apressámos a reler. E tudo condiz. As fotos que aqui publicamos documentam este reencontro.
Não nos atrevemos a entrar no rio, não tínhamos o fato de banho à mão, o que nos permitiria fotografar de frente para a saída da água. Mas é aquele o lugar referido por Júlio Vieira, não temos dúvidas.

Aqui ficam as fotos e, no final, o texto de Júlio Vieira.


 Ao fundo a Quinta das Fontainhas. Mais próximos de nós, o rio. Visível, em primeiro plano, a abertura na vegetação por onde se pode descer ao rio pelos degraus que são visíveis nas fotos mais abaixo.




É bem visível que a água saída do cano é muito límpida e forma uma bacia de água transparente ali à volta. Ao lado do cano mas tapada pela vegetação existe uma outra saída de água - são os "olhos de água" de que fala Júlio Vieira. Com cuidado, provámos a água. É tépida, muito macia, e sabe bem. O amigo que me acompanhava costuma ir àquele lugar e ali se descalça e banha os pés longamente pois nota que lhe desgasta as calosidades. Experimentámos também esse "tratamento" e comprovámos que a pele fica muito macia. O que condiz com o texto de J. Vieira.




 Em pé sobre os degraus que ladeiam a Fonte tirámos estas duas fotos, uma para montante e outra para juzante.



Uma última foto da Fonte que o amigo que nos acompanhou disse chamar-se "dos Coxos"...


Texto de Júlio Vieira:


BANHOS DO RIO

Há alguns anos já que acabaram estes antigos banhos cha­mados do rio e que eram tomados em barracas de madeira arma­das sobre o leito do rio Sizandro, na época da estiagem, em frente da quinta das Fontainhas e em sítio onde todos os anos afloram uns olhos de água de temperatura tépida.
Esses banhos bastante agradáveis e também bons para a pele eram explorados por Francisco Rodrigues desta vila que tinha li­cença para armar as barracas todos os anos.
Eram muito frequentados no verão, tornando-se aquele
Há alguns anos já que acabaram estes antigos banhos cha­mados do rio e que eram tomados em barracas de madeira arma­das sobre o leito do rio Sizandro, na época da estiagem, em frente da quinta das Fontainhas e em sítio onde todos os anos afloram uns olhos de água de temperatura tépida.
Esses banhos bastante agradáveis e também bons para a pele eram explorados por Francisco Rodrigues desta vila que tinha li­cença para armar as barracas todos os anos.
Eram muito frequentados no verão, tornando-se aquele passeio muito agradável para as pessoas da vila, que iam gozar o ensombrado do sítio.
Acabaram aqueles banhos, parece que por dificuldades le­vantadas a quem os explorava.
Hoje só existe o carril público que da estrada, em frente ao portão de ferro da quinta das Fontainhas, vai ter ao paredão do rio construído modernamente e a propósito, com degraus de pe­dras para se descer para o local dos banhos.

TORRES VEDRAS ANTIGA E MODERNA, 2ª ed., LivroDoDia e Ass. do Património, 2011. 

04 maio 2011

UM GRANDE ACONTECIMENTO CULTURAL - CONVITE






LANÇAMENTO PÚBLICO EM 9 DE MAIO

TORRES VEDRAS ANTIGA E MODERNA,

de Júlio Vieira

A Associação do Património de Torres Vedras teve a iniciativa, a Livrododia associou-se, a Câmara Municipal apoiou e a obra aí está, em segunda edição. A primeira, de 1926, estava há muito esgotada. Livro imprescindível para quem quiser conhecer a História torriense.

Mas uma obra com 85 anos não estará desactualizada? A resposta é clara: não! Apesar do extraordinário incremento dos estudos recentes que vieram esclarecer e completar aspectos particulares do conhecimento do nosso passado, o livro de Júlio Vieira mantém uma indiscutível actualidade. Debruçando-se sobre a História de Torres Vedras, a cidade e o concelho, continua a ser de consulta imprescindível. Mais ainda: não perdeu a frescura da escrita. O estilo elegante, rigoroso e sóbrio garante-lhe uma surpreendente proximidade com o leitor de hoje.

É sabido que outra obra básica sobre a História torriense é a do P. Agostinho Madeira Torres, publicada em 1819, com as anotações posteriores dos responsáveis da 2ª edição em 1861, que a enriqueceram mas tornaram de difícil consulta. Está apenas disponível hoje numa edição de 1988, fac-similada, de fraca qualidade gráfica.

Júlio Vieira incorporou essa informação e ampliou-a por investigação própria, apoiando-se em fontes documentais que cita abundantemente, num trabalho de grande probidade intelectual. O resultado foi esta obra publicada em 1926. Sai agora, finalmente, a segunda edição, que respeita integralmente o original mas enriquecida com anotações dos historiadores locais nossos contemporâneos, Carlos Guardado da Silva e Venerando Aspra de Matos, e com utilíssimos índices onomástico, toponímico e didascálico.


 
Júlio Vieira (1880-1930)
 
Um dos objectivos da Associação para a Defesa e Divulgação do Património Cultural de Torres Vedras é contribuir para um maior interesse de todos os torrienses pela sua História. Ao longo de 32 anos de existência (1979-2011) esta tem sido uma das suas linhas de orientação, expressa nas inúmeras intervenções e actividades que desenvolve, quer nas páginas da imprensa regional quer nos debates públicos ou nos pareceres sobre projectos autárquicos.

A iniciativa de reeditar o livro de Júlio Vieira é mais um contributo da ADDPCTV para o conhecimento da nossa história local.
A Associação do Património de Torres Vedras, através desta reedição, presta público reconhecimento ao ilustre cidadão torriense que foi Júlio Vieira.
                                                                     

                                                                      * * *


Esta foto ajuda-nos a recuar no tempo. É um postal dos anos 20 do século passado. À direita, a rua Dias Neiva – é agora a 9 de Abril. Ao centro, o edifício de dois pisos, onde está hoje o prédio de três andares da Havaneza, construído nos anos 30/40.

Olhando à esquerda, vemos o edifício pertencente à Misericórdia, que ainda hoje existe. Mas a loja – actualmente o “Luís Pereira” – era a Sapataria Vieira, pertencente a Júlio Vieira, de quem falamos a propósito da História torriense. Os vultos em que se fixa agora o nosso olhar eram seus contemporâneos.

Homem de prodigiosa actividade! Viveu apenas 49 anos mas deixou marcas indeléveis na terra que tanto amou: além de comerciante com sucesso na área do calçado, foi proprietário e redactor de jornais locais, dirigente político republicano, activista sindical e associativo, impulsionador de iniciativas de desenvolvimento regional, publicista e historiador.
O nosso olhar perde-se nesta contemplação e encontra na História, escrita por homens como Júlio Vieira, a ponte que vem do passado para ligar os de hoje aos que já aqui viveram e morreram.


14 fevereiro 2011

LANÇAMENTO DO LIVRO "TORRES VEDRAS ANTIGA E MODERNA"

Motivos de força maior obrigaram a adiar o lançamento deste livro que estava previsto para hoje, 14 de Fevereiro.
A data passou para 9 de Maio, às 18 h,, nos Paços do Concelho (Praça do Município), e contará com a presença do nosso conterrâneo, Bispo do Porto, Manuel Clemente.