21 setembro 2012

JORNADAS EUROPEIAS DO PATRIMÓNIO 2012 EM TORRES VEDRAS






PASSEIO DA MEMÓRIA
29 Set – 16H00 – Museu Municipal,
com António Augusto Sales

Com o passar dos anos todos nós vamos recolhendo e colecionando memórias. Cada um de nós grava tudo, fotografa cada cena, armazena a informação que o meio nos vai fornecendo. Estas memórias ficam registadas nos mais diversos suportes com uma minúcia de detalhes, que nenhuma memória biológica fornece.
 António Augusto Sales é o autor de um livro que todos os torrienses merecem conhecer: Os Guardadores do Tempo. 





Publicado pela Câmara Municipal de Torres Vedras na Colecção Linhas de Torres, em 2007, é um repositório de memórias do século XX com incidência na vida cultural torriense, um livro repassado de afectos e emoções, onde se convocam pessoas e lugares que parecem renascer numa prosa assumidamente subjectiva e não raro tocada de ternura e alguma melancolia. Neste PASSEIO DA MEMÓRIA todos estamos convidados para um encontro com o autor que nos acompanhará pelo Centro Histórico e conversará sobre este livro belíssimo.



MEMÓRIAS EM PEDRA
30 Set – 16H00 - Visita guiada à Igreja de Nª Srª da Graça
com  J. Moedas Duarte

A Igreja da Graça é o maior templo da cidade de Torres Vedras. Faz parte do grande edifício do Convento onde hoje está o Museu Municipal. A imponência da sua nave única, realçada pela luz natural, é enriquecida pelos belíssimos retábulos dos seus altares e pelos pormenores históricos que o tempo foi acumulando. Caso da estatuária, azulejaria, telas e lápides sepulcrais, bem como os túmulos de S. Gonçalo de Lagos. É sobre as memórias tumulares que incidirá a visita que propomos, no âmbito das Jornadas Europeias do Património 2012, como se explica noutro texto desta página, PEDRAS QUE FALAM.




WORKSHOP DE CONSERVAÇÃO E RESTAURO *
               28, 29 e 30 Set | 9H30 - 13H00 / 14H00 – 17H30
sob a orientação de técnicos do Instituto de Artes e Ofícios da Universidade Autónoma, aberto ao público mediante marcação prévia, mínimo de 10 participantes.

O Instituto de Artes e Ofícios tem uma Escola aberta a todos os interessados na zona do Castelo, em Torres Vedras, onde ministra Cursos de Conservação e Restauro de peças do nosso Património. Com esta acção pretende sublinhar a importância da participação de todos na defesa e conservação das obras de Arte que fazem parte da nossa memória histórica, garantindo a sua preservação para o futuro.

* Cancelado por falta do número mínimo de inscrições.


DIA DE VINDIMA TRADICIONAL
          28 Set | 9H00 – 17H00 – Quinta do Casal do Castelão
Destinatários: alunos dos 3º e 4º anos do 1º ciclo

A atividade proposta permitirá aos jovens participantes a experimentação da vindima tradicional com a apanha e pisa da uva no lagar.







O QUE SÃO As Jornadas Europeias do Património

«São uma iniciativa anual do Conselho da Europa e da União Europeia, envolvendo cerca de 50 países, que tem por objetivo a sensibilização dos cidadãos para a importância da salvaguarda do Património. Neste sentido, cada país elabora, anualmente, um programa de atividades a nível nacional, a realizar em Setembro.
A Direção-Geral do Património Cultural, entidade responsável pela coordenação do evento a nível nacional propõe, para as Jornadas Europeias do Património de 2012, o tema “O Futuro da Memória”, com o qual pretende promover a aproximação do público ao património cultural, no seu sentido mais amplo, realçando a sua importância enquanto memória e documento da história e do desenvolvimento das sociedades e também o seu papel para a construção do futuro.» (texto do site da DGPC - http://www.igespar.pt/pt/agenda/5/2505/  Programa Nacional: http://www.igespar.pt/media/uploads/jep2012/ProgramaJornadasEuropeiasPatrimonio2012.pdf )
Em Torres Vedras estas Jornadas têm a participação conjunta do Museu Municipal Leonel Trindade, Associação do Património de Torres Vedras e Instituto das Artes e Ofícios.


PEDRAS QUE FALAM
IGREJA DE Nª SRª DA GRAÇA

Neste templo de Torres Vedras, Imóvel de Interesse Público, podemos encontrar um conjunto significativo de memórias em pedra, assim como os testemunhos materiais dessa figura marcante da religiosidade torriense que foi S. Gonçalo. São marcas do tempo histórico que permitem uma leitura apaixonante das mentalidades e mundividências de outras épocas.

Leia-se a inscrição de uma pedra tumular da Capela-mor da Igreja da Graça:

Esta Capellamór é de Jeronymo da Rocha Soares, Fidalgo de S. Magestade, Escrivão de sua Matricula, e de D. Fillippa Botelho, sua mulher, que dotaram 71$000 réis de juro das Alfândegas, e 100$000 réis de juro na Casa da India por uma Missa quotidiana.

Outra inscrição, talvez a mais expressiva do conjunto, na capela de S. Nicolau Tolentino, a primeira colateral do lado do Evangelho:

Esta Capella é de Antonio Godinho da Cunha, a qual houve, e fez para sepultura de D. Maria de Azevedo sua mulher, e para n'ella se enterrar, e as mais pessoas que elle ordenar. Tem obrigação os Padres d'este Convento dizerem n'ella para sempre Missa quotidiana, com responso pela alma de D. Maria, e de Antonio Godinho, e de Antonio d’Oliveira da Fonceca, e Violante Cabral d'Azevedo, pae e mãe da dicta D. Maria de Azevedo, que assim o mandou em seu testamento, deixando fazenda, que o dicto convento possue para a dicta obrigação. São mais obrigados a dizerem todos os primeiros sabbados de cada mez Missa cantada a N. Senhora, com o seu responso, e um Officio de nove lições, cada anno, em 28 de Janeiro, era de 1626, dia em que falleceo a dicta D. Maria, por sua alma, e de Antonio Godinho da Cunha, seu marido, que deu para esta obrigação foros perpétuos de dinheiro, e mais 4$2O0 cada anno para azeite da alampada d'esta Capella, e fabrica d'ella, os quaes se não poderão gastar em outra cousa, como tudo consta das Escripturas feitas nas Notas do Tabellião Antonio dos Rios, nos annos de 1627 e 1628. Pater Noster por estes defunctos.

O que são “capelas”? Como chegaram até nós? Que significado têm estes testemunhos históricos? Que relação têm com a vivência religiosa da época em que foram feitos e com a de hoje?
Estes são os pontos de partida para uma visita guiada, aberta a toda a população, dia 30 de Setembro,  das 16H00 às 17H00.



 Arca tumular de S. Gonçalo de Lagos
Igreja da Graça - Torres Vedras

11 setembro 2012

RECOMEÇAR


Este blogue esteve de férias mas a Associação do Património de Torres Vedras não parou.
Assim:

» Demos continuidade à rubrica PATRIMÓNIOS,  publicando regularmente no semanário BADALADAS artigos de opinião que têm incidido no tema do Centro Histórico.
Mais abaixo podem os nossos leitores rever os textos mais recentes.

» Continuámos a responder às solicitações que nos são dirigidas para acompanharmos grupos em visita a Torres Vedras. Neste Verão tivemos dois grupos no Centro Histórico e no Forte de S. Vicente.

» Deslocámo-nos ao Castro do Zambujal onde nos encontrámos com o responsável pelas escavações arqueológicas, Dr. Michel Kunst, que dirigiu mais uma campanha de escavações. Tivemos oportunidade de trocar impressões sobre formas de preservar e divulgar aquele Monumento Nacional.

» Preparámos a nossa participação nas próximas JORNADAS EUROPEIAS DO PATRIMÓNIO, em 29 /30 de Setembro próximo.

» Avançámos com o Projecto MEMÓRIAS DO SÉC.XX, iniciando a gravação de entrevistas a moradores do Centro Histórico.

Até breve.

PATRIMÓNIOS no jornal BADALADAS



Publicado em 7 de Setembro de 2012


ERA UMA VEZ UM MUSEU MUNICIPAL (II Parte)

PEDRO FIÉIS

(Historiador)

Na Parte I deste ‘artigo de opinião’ com o título acima, publicado nesta mesma coluna, em 17 de Julho último, manifestava-se alguma preocupação relativamente ao modelo expositivo adoptado e à actual orientação programática do Museu Municipal. Poderá haver razões estratégicas para tal. E de vária ordem. Mas isso deve ser explicado ao público!

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Nesta Parte II, e dentro do raciocínio anteriormente desenvolvido, deixo, com a brevidade possível, dois exemplos para ilustrar duas linhas de acção e de igual modo serem avaliados por quem de direito.
1. Começo pelo Museu de Liverpool. Faço-o sem querer comparar a dimensão das duas cidades, apenas para demonstrar como é possível manter exposições ditas “modernas” sem alterar o seu conteúdo. Basta para tal nomear uma das galerias – «Detetives da História» – cujo objetivo é dar a conhecer as descobertas arqueológicas e, tal com está no seu site, http://www.liverpoolmuseums.org.uk, responder a questões tão simples como: O que estava aqui? Como o sabemos? Como evoluiu a cidade?
2. Contudo tão ou mais importante do que as exposições permanentes, são os programas de parcerias com a comunidade que, em interação com a equipa do museu, torna possível a apresentação de novas visões para temáticas da história local, ou seja, há efetivamente uma reciprocidade de opiniões e uma partilha de experiências, memórias e objetivos comuns.
Numa breve revista aos EMYA 2012prémios de museu europeu do ano, fica desde logo clara a preocupação com a demonstração da compreensão das necessidades do público-alvo, o primeiro critério para a avaliação desses espaços, e para isso é vital escutar a comunidade.
Aliás o Prémio Silletto destina-se exclusivamente ao museu que melhor demonstra, num período de dois anos, o envolvimento da população no planeamento e desenvolvimento das suas atividades, aquela que deve ser afinal a sua preocupação fundamental para o objectivo da excelência, inovação e inspiração, tal como o afirmou Kenneth Hudson, fundador do EMF, não descurando contudo novas tendências ou mesmo rejeitá-las por entrarem em confronto com normas anteriores.
O vencedor deste ano – Madinat al-Zahra, Andaluzia – funciona como uma memória visual do passado multicultural da região e foi encarado como uma ponte entre as diferentes culturas que compõem a Europa dos nossos dias.
O que me trouxe novamente à ideia a coleção encaixotada do Zambujal, esse importante ponto de contato entre povos do 3º milénio antes de Cristo.
Em jeito de conclusão reafirmo a minha convicção de que um Museu Municipal não subsiste de exposições temporárias, deve sim utilizar o seu espólio para encontrar o potencial máximo em termos culturais, educacionais, de inclusão social, e por que não de revitalização urbana, assinalando um sentimento de pertença a uma região e inseri-la no contexto europeu. Deve igualmente abrir as suas portas à comunidade associativa em geral, dialogar de forma sincera e requerer mesmo a sua colaboração para se transformar no grande repositório das memórias coletivas do concelho.

PATRIMÓNIOS no jornal BADALADAS


Publicado em 17 de Agosto de 2012


ERA UMA VEZ UM MUSEU MUNICIPAL (I Parte)

PEDRO FIÉIS

(Historiador)


Escreveu Mário de Andrade, poeta, etnomusicólogo, e um dos fundadores do modernismo brasileiro:
 «Outra coisa que me parece de enorme e imediata necessidade é a organização de museus. Mas, pelo amor de Deus! Museus à moderna, museus vivos, que sejam um ensinamento ativo, que ponham realmente toda a população do Estado de sobreaviso contra o vandalismo e o extermínio.»
Sugere ainda que nesses museus sejam apresentados materiais arqueológicos, folclóricos, artísticos, históricos, além de elementos de arquitetura regional, das atividades económicas e dos recursos naturais do município. Resumindo, defende a valorização do existente, do mais singelo ao mais sofisticado, do popular ao erudito, da cópia ao original, do testemunho natural ao cultural, sem a preocupação de coleções fechadas. A narrativa museológica, nesse caso, surge do diálogo com a população interessada na constituição do museu.

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Quis começar com esta referência por entender que um Museu Municipal deve existir para 1) contar a história do lugar em que está inserido; 2) estudar os impactos da presença humana na transformação da região; 3) recolher memórias locais 4) e, utilizando um chavão comum, num mundo global dar uma identidade regional aos seus habitantes.
E isso na minha opinião, não está a ser feito atualmente no Museu Municipal Leonel Trindade. Concordo que o modelo anterior de exposição estava ultrapassado, mas o fato de que um museu possuidor de um importante espólio arqueológico o tenha encaixotado, entristece-me e confunde-me, principalmente quando na página internet da Câmara Municipal está escrito:
«Ao longo dos anos, foi aumentando e diversificando o seu espólio, com especial destaque para a coleção de Arqueologia, que o fez ganhar uma projeção internacional (…) O seu acervo é constituído por importantes coleções de arqueologia, epigrafia, pintura antiga, arte sacra, cerâmica, faiança, porcelana, azulejaria, numismática, medalhística, etnografia, mineralogia, paleontologia, pintura contemporânea, bem como por núcleos históricos dedicados ao município e às famosas Linhas de Torres.»
Onde está tudo isso?
No fundo o que quero transmitir é que é possível – sem alterar o espaço e trabalhando com o espólio atual (e futuro) – encontrar novas formas de as apresentar, tendo de um lado o que são as coleções permanentes e aí ter uma intervenção radical, mas apenas ao nível da forma como se apresentam os objetos, e de outro ter espaços para exposição temporárias, recordando este ou aquele episódio da longa vivência histórica desta hoje cidade.
Estes são espaços por excelência para experimentar novos conceitos, que posteriormente até podem ser reaproveitados para os espaços permanentes.

PATRIMÓNIOS no jornal BADALADAS


Publicado em 27 de Julho de 2012


O TRABALHO DOS EMPRESÁRIOS NO CENTRO HISTÓRICO
(IV Parte)
ARMANDO FERNANDES
( Business Coach )

Em artigo anterior afirmei que o Comércio Tradicional não tem as mesmas armas que as grandes superfícies. Por isso mesmo é imperioso modernizar a sua gestão e a sua organização para tornar a actividade mais profissional, e fazendo aquilo que é fundamental: estar junto das pessoas para ir encontrar das suas necessidades e satisfações.
Para tal vou indicar 13 pontos que devem ser orientados do ponto de vista das competências pessoais e empresariais, a fim de que o número de clientes possa crescer:
1. Implementar uma visão do negócio e estratégias de médio e longo prazo, efectuando uma previsão dos rendimentos e encargos, analisando regularmente as vendas e projectando as compras em função do tipo de clientes. 
2. Comunicar de forma educada com os clientes e exigir que os funcionários tenham uma atitude de apoio ao cliente que vai comprar. Um sorriso e a criação de empatia são fundamentais.
3. Ter cuidados especiais com a loja e/ou escritório, pois a imagem é o primeiro cartão de visita. Por isso, a melhoria dos espaços de atendimento, a disciplina na organização, a arrumação e limpeza são muito importantes.
4. O marketing é uma ferramenta de comunicação e vendas. O marketing não é só publicidade. Uma mensagem que se queira transmitir deverá estar presente nos contactos com os clientes, nos cartazes, nos sacos, nos anúncios e reclames, etc. As mensagens devem ser simples e objectivas para transmitir segurança e garantia. Exemplo: Desde 1958 para o servir. Estamos on-line (indicação de endereço e contactos).
5. Preparar todos os colaboradores para conseguirem retirar mais resultados. Lembrar que um cliente insatisfeito comentará a sua situação com amigos, razão por que uma má imagem reflectir-se-á para além do que você imagina. Por outro lado, se estiverem preparados para vender, será mais provável que o cliente se identifique convosco, e assim compre mais produtos ou serviços.
Fazer surpresas aos clientes expondo aprazivelmente os produtos e serviços, e apresentando de forma eficaz os benefícios e o prazer que o cliente obterá com eles
6. Imaginar e normalizar processos de venda para que cada empregado atenda os clientes da mesma maneira
7. Estabelecer parcerias e complementaridades com outras actividades na mesma zona, para criar o hábito dos clientes se deslocarem às lojas.
8. Criar uma «Proposição Única de Venda», demonstrando a valia dos produtos e serviços e quais os benefícios que podem trazer aos clientes.
9. Não criticar os seus concorrentes.
10. Tratar os colaboradores como parceiros, dando-lhes responsabilidades.
12. Estabelecer os preços de venda em função dos seus propósitos de rendimento, efectuando constantemente uma análise dos dados contabilísticos.
13. Por fim aprender com os clientes:
·        Implementar um serviço pós venda.

Termino este artigo com uma frase que me acompanha sempre «Os empresários são como os atletas, também precisam de treino».

PATRIMÓNIOS no BADALADAS


Publicado em 6 de Julho de 2012


O CENTRO HISTÓRICO – UM CENTRO COMERCIAL E CULTURAL A CÉU ABERTO
(III Parte)
ARMANDO FERNANDES
( Business Coach )

“A maioria das pessoas não planeia fracassar, fracassa por não planear.”  John L. Beckley
Há que planear, sim. Mas há que pôr mãos à obra, concertando posições, gerindo com sabedoria recursos financeiros, sensibilizando e convocando para cada problema os sectores e os agentes respectivos. O Centro Histórico é um mar de problemas acumulados de todo o tipo, sobretudo económicos e sociais, e não resolúveis numa só geração. Por isso mesmo é preciso planear, e planear não deixando ninguém de fora. Caberá naturalmente ao poder político o seu papel próprio e decisivo, porque nossos legítimos representantes. Mas a comunidade, no seu todo, não deve ficar alheia, nomeadamente o tecido empresarial e associativo
 Na sequência da sistematização anterior em que foram elencadas algumas acções que ao poder político caberia olhar com atenção e pensar com firmeza, passo a enumerar um conjunto de sugestões – dirigidas ao sector cultural e empresarial – que poderão atrair as pessoas ao Centro Histórico a fim de acelerar a sua regeneração.
Neste sentido, e por iniciativa das Associações Culturais e Empresariais é possível:
·        O envolvimento com a Marca “Torres ao Centro”;
·        A criação do Cartão “Torres ao Centro” com benefícios para quem o use no comércio e actividades culturais lá instaladas;
·        O estabelecimento de parcerias com outras Associações Culturais, Associações Empresarias, Sindicatos, Associações Sectoriais, e Empresas, a fim de partilharem os processos de comunicação e marketing e gerarem mais sinergias para trazerem pessoas ao Centro Histórico. 
·        A ligação do sector da cultura com o meio empresarial para trazer pessoas;
·        O envolvimento com o sector social para apoiar e trazer mais pessoas;
·        A construção de planos de actividades capazes de garantir o equilíbrio financeiro das Associações;
·        A implicação do tecido cultural, tendo em conta as incubadoras de negócios e o empreendedorismo;
·        Os Jovens frequentam o centro histórico de Torres à noite. É possível atrair jovens durante o dia criando espaços e actividades para o empreendedorismo jovem;
·        O comprometimento de associações de outras localidades, gerando intercâmbios;
·        O apoio à autarquia na criação de espaços dedicados a actividades similares;
Todos sabemos que a gestão das grandes superfícies são efectuadas de forma profissional e integrada por uma só entidade ou por uma empresa que gere um condomínio. Tal gestão tem simplesmente um objectivo: atrair clientes.
Gerir uma cidade, nomeadamente um Centro Histórico, é deveras mais difícil, pois os intervenientes têm objectivos muito dispersos e a dificuldade em se concentrarem no essencial que é trazer cada vez mais pessoas ao Centro! 
Considero pois que só haverá VIDA no «Centro Histórico de Torres Vedras» se houver um alinhamento dos objectivos de todos intervenientes, orientado estrategicamente para transformar «Torres ao Centro» num Centro Comercial e Cultural a céu aberto.

PATRIMÓNIOS no jornal BADALADAS


Publicado em 29 de Junho de 2012


O CENTRO HISTÓRICO – UM CENTRO COMERCIAL E CULTURAL A CÉU ABERTO
(II Parte)
ARMANDO FERNANDES
( Business Coach )

“A maioria das pessoas não planeia fracassar, fracassa por não planear.” John L. Beckley

As Autarquias têm um papel muito importante no desenvolvimento dos centros históricos. A Câmara Municipal de Torres Vedras está a implementar um processo de mudança com o programa «Torres ao Centro», assente em processos de reabilitação urbana e criação de espaços pedonais, integrando espaços sociais e culturais. 
Este processo irá transformar o Centro Histórico. Esta transformação deverá ser orientada para a promoção do uso e vivência deste espaço. Por isso entendo que há que atrair novos habitantes, novos negócios, novos visitantes e novas actividades.
Assim, passo a enumerar algumas acções que poderão atrair as pessoas. Algumas já estão previstas nos planos de alguns intervenientes.

Assim, por iniciativa das Autarquias (Câmara e Juntas de Freguesia) é possível:
·        Criar espaços estacionamentos;
·        Pôr a funcionar transportes adaptados às condições do local;
·        Incrementar uma política de recuperação de habitações;
·        Beneficiar com taxas e impostos municipais mais reduzidos, quem reside e tem actividade no centro histórico;
·        Estabelecer parcerias com Associações Culturais e Empresariais para a realização de actividades regulares e calendarizadas de atracção de visitantes 
·        Manter a Feira Rural;
·        Facilitar os mecanismos burocráticos e económicos na implementação de novos negócios;
·        Estudar e promover – com as Associações Empresariais – espaços dedicados a actividades similares (Ex: zona de sapatarias, zona de restauração, etc.).
·        Apoiar criação de empresas e serviços de apoio social e do sector de saúde e bem-estar na zona histórica;
·        Identificar factos de interesse da história local e promover uma actividade anual no Centro Histórico para trazer mais pessoas.
·        Fundar – em parceria – uma «Incubadora de Negócios», para a instalação de novas actividades, como por exemplo:
o   Negócios de Arte;
o   Negócios nas áreas da Inovação e Design;
o   Negócios Web;
o   Escritórios virtuais;
o   Centros de domiciliação de actividades;
o   Empreendedorismo jovem (com protocolos com Universidades);
o   Indústria de Serviços que se possa deslocar para a zona histórica (Bancos, Companhias de Seguros)

Por iniciativa das Associações Culturais e Empresariais é possível:
·        O envolvimento com a Marca “Torres ao Centro”;
·        A criação do Cartão “Torres ao Centro” com benefícios para quem o use no comércio e actividades culturais lá instaladas;
·        O estabelecimento de parcerias com outras Associações Culturais, Associações Empresarias, Sindicatos, Associações Sectoriais, e Empresas, a fim de partilharem os processos de comunicação e marketing e gerarem mais sinergias para trazerem pessoas ao Centro Histórico. 
·        A ligação do sector da cultura com o meio empresarial para trazer pessoas;
·        O envolvimento com o sector social para apoiar e trazer mais pessoas;
·        A construção de planos de actividades capazes de garantir o equilíbrio financeiro das Associações;
·        A implicação do tecido cultural, tendo em conta as incubadoras de negócios e o empreendedorismo;
·        Os Jovens frequentam o centro histórico de Torres à noite. É possível atrair jovens durante o dia criando espaços e actividades para o empreendedorismo jovem;
·        O comprometimento de associações de outras localidades, gerando intercâmbios;
·        O apoio à autarquia na criação de espaços dedicados a actividades similares;
Todos sabemos que a gestão das grandes superfícies são efectuadas de forma profissional e integrada por uma só entidade ou por uma empresa que gere um condomínio. Tal gestão tem simplesmente um objectivo: atrair clientes.
Gerir uma cidade, nomeadamente um Centro Histórico, é deveras mais difícil, pois os intervenientes têm objectivos muito dispersos e a dificuldade em se concentrarem no essencial que é trazer cada vez mais pessoas ao Centro! 
Considero pois que só haverá VIDA no «Centro Histórico de Torres Vedras» se houver um alinhamento dos objectivos de todos intervenientes, orientado estrategicamente para transformar «Torres ao Centro» num Centro Comercial e Cultural a céu aberto.

PATRIMÓNIOS no jornal BADALADAS


Publicado em 8 de Junho de 2012



ACTIVIDADES ECONÓMICAS
NO CENTRO HISTÓRICO DE TORRES VEDRAS
(I Parte)
ARMANDO FERNANDES
( Business Coach )

c“Loucura é fazer o mesmo de sempre e esperar resultados distintos” (AA)

Irei apresentar – neste primeiro texto – a perspectiva de um Business Coach (Treinador Empresários) sobre o papel dos diversos agentes económicos na dinamização do Centro Histórico de Torres Vedras.
O trabalho de treino de empresários, permitiu-me contactar com muitas realidades e ajudar empreendedores a arranjar estratégias para melhorarem os seus negócios. Daí ter vários artigos publicados no meu blogue http://itaca-pensamento.blogspot.com, e outros publicados em jornais e revistas de outros concelhos e Associações Empresarias.
            Deste modo, quero simplesmente contribuir para uma reflexão e debate, uma vez que estão a decorrer na nossa cidade um conjunto de intervenções urbanísticas de fundo, com o envolvimento expresso da Autarquia, da Comunidade e dos Agentes Culturais.
Porém, considero que não é tão visível o envolvimento Empresarial, nomeadamente o Sector Comercial, e constato que:
·        a sociedade de consumo e o comércio nunca estiveram tão desenvolvidos como estão actualmente;
·        o comércio desenvolveu-se nos últimos anos com novos agentes que afunilaram a concorrência e alargaram a oferta (grandes superfícies);
·        o comércio electrónico está em franco desenvolvimento
·        a crise financeira internacional e os seus reflexos no nosso país levaram a uma diminuição do rendimento disponível das famílias, estando o consumo a diminuir
·        o comércio tradicional, que está em crise há mais de 20 anos, não conseguiu responder a estas transformações e foi apunhalado pelas costas através de politicas  de desenvolvimento urbano seguidas nas últimas 5 décadas. 

Considero a actividade empresarial, assim como a fixação de residentes, estratégias fundamentais para a revitalização dos centros históricos. Por isso, entendo que deverão ser criados novos paradigmas que permitam a viabilização de antigos e novos negócios nestes locais.
Acredito também que cada empresário deverá usar a sua inteligência e energia para se concentrar efectivamente no que é importante e estratégico para si, em vez de apresentar razões de culpabilização e abdicação.
O facto é que quando pergunto a um comerciante como exerce a sua participação cívica a resposta é que não tem tempo, e fala da Autarquia e das Associações como sendo Eles (Pronome pessoal – 3ª pessoa, plural) em vez de eu ou nós (Pronomes pessoais – 1ª pessoa).
Percebo a apreensão que têm sobre o presente e o futuro dos seus negócios, culpando o Mercado, o Estado, as Grandes Superfícies, a Autarquia, a crise, as opções de compra das novas gerações, pela actual situação.
 Considero pois que a primeira atitude é pôr estes empreendedores a pensar em colectivo e abandonar o “muro das lamentações” ocasionado pelos infortúnios. 
O Comércio Tradicional não tem as mesmas armas que as grandes superfícies, no entanto deve modernizar a sua gestão, a sua organização, tornar a actividade mais profissional e fazer aquilo que é fundamental: estar junto das pessoas para encontrar as suas necessidades e satisfazê-las.
Existem algumas acções simples, que não necessitam de grandes investimentos e podem gerar mais negócios no comércio tradicional, e que têm a ver com a relação personalizada om os clientes
Os desafios são enormes e há necessidade de um enorme envolvimento social onde deverão ser alinhados os objectivos dos Residentes, Autarquia, Empresários, Associações Empresariais e Culturais.
Sobre o papel de cada uma destas entidades irei debruçar-me nos próximos dois artigos.