Algumas pessoas têm-nos pedido opinião
sobre uns livros publicados pelo sr. Fernando Pereira Sá dedicados à História e
ao Património Cultural de algumas freguesias do nosso concelho.
É-nos penoso escrever estas linhas pois,
do pouco que conhecemos do autor, sabemos que é pessoa esforçada e persistente.
Mas isso não chega para garantir qualidade ao que faz. Temos diante de nós dois
desses livros, um sobre a Carvoeira e o outro, muito recente, sobre Runa e a
honestidade obriga-nos a dizer que são obras muito más.
O autor não sabe escrever Português. Não
há um parágrafo que se aproveite, tantos são os erros de concordância, de
vocabulário e de construção da frase.
Do ponto de vista do conhecimento
histórico, estes livros são uma calamidade, pouco ou nada se aproveita. Não há
uma referência bibliográfica, uma citação, um estudo conhecido. O livro está
cheio de legendas pouco rigorosas e de apreciações pueris. Mas o que é mais
grave são os erros resultantes de invenções ou de ter ouvido a alguém uma
opinião qualquer que ele refere como se fosse uma fonte histórica.
Como é que o autor consegue fazer livros
tão volumosos - o de Runa tem mais de 500 páginas - ?
Simples: junta dezenas e dezenas de fotos com que vai enchendo as páginas
do livro. A maior parte não tem qualquer relevância como é o caso do cemitério
do CAS de Runa que levou o autor a encher dez páginas com vistas do exterior e
interior - juntando a uma delas esta legenda: "Aqui chegou a estar
sepultada a Princesa Benedita até à trasladação para o Panteão...", uma
pura invenção que não tem qualquer suporte documental. Bastaria ao autor
consultar a biografia de D. Maria Francisca Benedita escrita por Paulo Drumond
Braga e publicada pela Câmara Municipal de Torres Vedras. E este é apenas um
exemplo entre muitos.
O que nos deixa perplexos não é a
ignorância ou a falta de rigor manifestadas pelo autor destes livros pois
é sabido que uma das características dos ignorantes é o atrevimento. O que nos
espanta é o facto de ter acolhimento entre pessoas que tinham obrigação de
serem prudentes e rigorosas com as encomendas. Caso das Juntas de Freguesia que
apadrinham estas publicações, as quais em nada as prestigiam ou, até, da
Associação Leader Oeste que financiou uma destas monografias. Alguns desses
responsáveis disseram-nos que acreditaram na boa vontade e no voluntarismo do
autor. Na boa-fé e no desejo legítimo dos autarcas de valorizar as suas terras,
nós também acreditamos. Mas isso chega para dar crédito a um trabalho
público? Leram previamente os escritos? Aconselharam-se com pessoas
credenciadas?
Respeitamos o senhor Pereira Sá como
pessoa, nada temos contra ele, embora nos incomode a prosápia de se considerar
um investigador, caso típico de publicidade enganosa. Mas o respeito pelos
leitores, muitos deles alunos das nossas escolas em busca de elementos para os
seus trabalhos, obriga-nos a denunciar vigorosamente as suas publicações que,
pela falta de qualidade redactorial e notório desconhecimento da História,
temos de classificar como autênticas fraudes.
