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14 abril 2010

DADOS TÉCNICOS SOBRE O FORTE DA FORCA









CARACTERIZAÇÃO DA TÉCNICA CONSTRUTIVA E DIAGNÓSTICO DO ESTADO DE PRESERVAÇÃO DO FORTE DA FORCA

O Forte da Forca localiza-se no concelho de Torres Vedras, freguesia de Santa Maria, a Nordeste da cidade de Torres Vedras. Topograficamente encontra-se no topo de uma paleoarriba do Rio Sizandro. Implanta-se perto do vértice Este formado entre a Vala dos Amiais, e a Ribeira das Voltas. Nesta zona a Vala segue de Norte para Sul e intercepta a Ribeira que segue de Este para Oeste. A referida Vala é afluente do rio Sizando. Os fortes que estão mais perto do forte da Forca são o Forte de S. Vicente a Oeste e a estrutura defensiva que estaria no antigo castelo a Sul de Torres Vedras. Este conjunto pretendia garantir a defesa na entrada em Torres Vedras e progresso para Lisboa, pela antiga estrada real.

O conjunto integra no seu interior pelo menos um trave s, duas praças altas e paiol. No interior verifica-se a existência de dois grandes buracos, provavelmente relacionados com infiltração de águas para cavidades internas no arenito em que o forte foi construído. Uma realidade semelhante regista-se também no lado Norte do fosso, só que neste caso é possível verificar a existência permanente de água, o que provavelmente estará relacionado com a existência de uma nascente.

Ao longo do perímetro exterior do Forte (poligonal de forma Maio ou menos quadrangular, com cerca de 245 m) existem oito canhoeiras que cobrem num ângulo de 180° entre o lado Norte e Nordeste. Estas estão dispostas em duas dos quatro lados principais da poligonal que define a planta da obra. O fosso desenvolve-se entre os lados Nascente Norte e Poente, estando aberto sobre o lado Sul, que é um escarpa natural. Este fosso está escavado em mais de metade da sua profundidade no substrato geológico (Grés de Torres Vedras CGP 30C), material que aparece, como é óbvio, na construção dos reparos, não só como depósito "batido", mas também como blocos talhados, actualmente bastante erodidos.
O estado de conservação do Forte pode ser considerado bastante razoável, tendo em conta que, são visíveis de forma relativamente clara todos os aspectos formais do mesmo. Existem, no entanto, algumas perdas significativas ao nível da volumetria dos reparos, travéses e praças altas, bem como no entulhamento e derrube de partes significativas do fosso.



Os principais problemas de preservação observados nas partes em terra do Forte são:
Existência de vegetação de grande e médio porte
Esta vegetação, ao contrário da de pequeno porte, que funciona como elemento controlador da erosão, promove a desagregação de partes significativas do Forte devido à dimensão das suas raízes. Para além do aspecto de desgaste físico das estruturas de médio porte, impede a visualização, circulação e interpretação da geometria da fortificação. As plantas concretas que promovem as patologias referidas estão discriminadas em estudo realizado pela FLOREST. Esta alteração verifica-se quer no interior quer no exterior do forte. Esta patologia é um dos principais problemas na preservação do forte em causa.

Zonas de deslizamento e lacunas estruturais

Estes fenómenos caracterizam-se pelo abatimento significativo de troços devido à dissolução e remoção de sedimento junto à base, provocada pelo empoçamento e lavragem do terreno envolvente. Tal leva à existência de lacunas mais ou menos significativas, bem como ao aparecimento de superfícies instáveis e facilmente erodidas. O não controle das causas de tal fenómeno leva a que este contribua exponencialmente para a alteração do forte. Esta alteração verifica-se fundamentalmente no fosso, na zona em que existem diferentes níveis de resistência do grés.
Zonas de escorrência e erosão muito activa
Este fenómeno caracteriza-se pela perda significativa de material devido ao arrastamento provocado pela água das chuvas e ou acção humana, como seja o pisoteio ou passagem de veículos. Esta alteração verifica-se no topo e ao longo do reparo, provocando em alguns casos rampas que podem simular acessos.

Zonas de empoçamento

Fenómeno que ocorre no interior e exterior do forte. No lado interno deve-se sobretudo à escorrência de material dos traveses e reparos que obstrui o provável sistema de drenagem antigo. No fosso deve-se sobretudo às escorrências anteriormente referidas. Este fenómeno é um problema, na medida em que dificulta a visita ao forte durante todo o ano, contribui para a existência de tipos de solos significativamente distintos no seu interior o que promove crescimentos irregulares de vegetação. Porém, o aspecto mais pernicioso do ponto de vista material do forte é o facto de ser catalizador dos deslizamentos já anteriormente referidos.

Ausência de estrutura de acesso à entrada
Um dos aspectos mais ou menos comuns, referidos na documentação existente, é que o acesso aos fortes era feito a partir de plataformas de madeira colocadas sobre o fosso. Em muitos fortes tal zona está preenchida por sedimentos. No caso do Forte da Forca estes não são suficientes para garantir tal acesso pela zona de entrada original. A referida entrada localiza-se sensivelmente a meio do lado Oeste do forte. Tal realidade é visível no local pela interrupção existente no já diminuto reparo.


PLANO DE INTERVENÇÃO DO FORTE DA FORCA
PRINCÍPIOS DE ACTUAÇÃO E ACÇÕES A DESENVOLVER NO FORTE DA FORCA
O Forte da Forca, alvo do presente capítulo, apresenta-se como um elemento patrimonial de grande relevância, não só por manter grande parte da sua originalidade preservada, mas também como elemento que faz parte de um conjunto maior que lhe reforça o sentido. Ao mesmo tempo, este forte documenta de forma particular as técnicas construtivas e a estratégia militar que estiveram na sua origem. Apresenta-se igualmente como elemento que evidencia a relevância e significado que a região teve dum dado momento para a História Europeia em geral e Portuguesa em particular.
Assim sendo, consideramos que a recuperação do imóvel deve assentar na perspectiva de preservação de documento histórico, arqueológico e pedagógico. Ou seja, as acções a desenvolver devem privilegiar a estabilização e consolidação do existente em detrimento de restauros, de forma a não comprometer as intenções do passado. Os métodos e as técnicas que se apresentam enquadram-se nas recomendações internacionais para a salvaguarda de património arquitectónico com valor histórico.
Os métodos de trabalho a implementar encontram-se descritos no capítulo 10 deste documento, as áreas específicas de implementação dos trabalhos estão assinaladas nos levantamentos gráficos.



A intervenção no Forte da Forca passará pela implementação das seguintes acções:

Escavação das áreas definidas

       Corte de toda a vegetação
       Corte específico de árvores, arbustos e canas
       Remoção de entulhos e descarga em vazadouro autorizado.
       Reforço pontual das áreas em risco devido a lacunas, deslizamentos, escorrências e  
         erosão muito significativas.
       Restauro segundo a lógica construtiva identificada nas áreas escavadas até ao volume da
         envolvente actual.
       Selagem de poços
       Regularização da superfície interna e externa do forte.
     •       Construção de plataforma de acesso a forte (projecto especifico arquitectura)





PLANO DE INTERVENÇÃO ARQUEOLÓGICA NO FORTE DA FORCA
Escavação arqueológica
No Forte da Forca propõe-se a escavação arqueológica de cinco áreas, tal como assinalado na planta em anexo.

Os principais objectivos da realização deste trabalho são:


       Sondagens 1, 2, 3 e 5: minimizar os impactos sobre o património decorrentes dos trabalhos de remoção de sedimentos que actualmente obstruem o fosso em zonas específicas e que são utilizados de forma imprópria para aceder ao interior do forte. Com esta escavação será possível compreender melhor a técnica de construção das canhoeiras e do fosso naquela zona, bem como, identificar o seu fundo. Prevê-se, para isso, a escavação de uma área de 130 m2.
       Sondagem 4: determinar a eventual existência de estruturas na zona da entrada original e minimizar os impactos sobre o património decorrentes dos trabalhos de instalação de nova estrutura de acesso. Prevê-se a escavação de uma área de 30 m2.

   Acompanhamento arqueológico
Deverá efectuar-se o acompanhamento arqueológico das áreas no interior do forte com vista à regularização de pavimentos e solução de problemas actuais de drenagem. Propõe-se, igualmente, o acompanhamento em virtude dos impactos previstos pelo projecto de valorização da paisagem.

(Extractos de um documento da Câmara  Municipal de Torres Vedras)

09 abril 2010

FORTE DA FORCA - TORRES VEDRAS



É a estrutura militar das Linhas de Torres Vedras que fica mais próxima do centro da cidade de Torres Vedras e que, estranhamente, os torrienses não conhecem.
Por isso a Associação do Património vai fazer uma


VISITA GUIADA AO FORTE DA FORCA

18 de ABRIL


Está a pouco mais de 15 minutos a pé. Venha conhecê-lo connosco.

Continuando a evocação dos acontecimentos históricos relacionados com a Guerra Peninsular, a Associação para a Defesa e Divulgação do Património Cultural de Torres Vedras propõe hoje aos nossos leitores a participação numa VISITA GUIADA ao Forte da Forca, situado à saída de Torres Vedras, no morro fronteiro ao Choupal e ao Forte de S. Vicente.

Não é precisa inscrição prévia. Trata-se de um passeio pedestre aberto a toda a população. Basta aparecer. Venha conhecer o nosso Património e desfrutar a Primavera.

PROGRAMA:

• 15.00 – Concentração à porta do Museu Municipal Leonel Trindade, junto ao Jardim da Graça.

• 15.30 – Partida e passagem por alguns locais evocativos da Guerra Peninsular.

• 16.15 – Chegada ao Forte da Forca. Observação e interpretação do lugar.

• 16.30 – Regresso

Este passeio está integrado no programa nacional de actividades do DIA INTERNACIONAL DOS MONUMENTOS E SÍTIOS, coordenado pelo IGESPAR – Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico e é um complemento de outras iniciativas programadas no âmbito da Comemoração do Bicentenário das Linhas de Torres Vedras.


12 janeiro 2010

CENTRO INTERPRETATIVO DAS LINHAS DE TORRES VEDRAS

Texto da ADDPCTV publicado no jornal regional BADALADAS a 14 de Janeiro de 2010. É uma tomada de posição quanto à localização do futuro Centro Interpretativo das Linhas de Torres Vedras.






Forte da Forca


O CENTRO INTERPRETATIVO DAS LINHAS DE TORRES
E A SUA LOCALIZAÇÃO

Sobre o projecto de um centro interpretativo das Linhas de Torres aprovado pela Câmara em Março de 2007, na zona norte da cidade, têm surgido neste jornal vários artigos de opinião, questionando o processo seguido, e, sobretudo, a sua localização no morro da Forca.

Posições pertinentes, oriundas de gente abalizada, com provas dadas nos campos da reflexão político-cultural (Rui Matoso), do planeamento urbanístico (António João Bastos), da prática política (Jorge Ralha) e da historiografia (Henrique Vieira). São opiniões que, em qualquer circunstância, devem contar.
E são posições que, na sua generalidade, esta associação partilha.

SOBRE O PROCESSO

Desde o anúncio sensacionalista surgido na primeira página do Badaladas, ilustração de página inteira, que nos pareceu haver algo de errado neste processo. É consensual que em qualquer obra, primeiro estabelece-se o conteúdo e depois procura-se a forma. Ora, aqui dá-se o inverso: - é proposta uma forma exterior (um boneco) sem que nada se saiba sobre o programa museológico – que espólio se vai expor, que narrativa é que se vai contar, que aspectos vão ser acentuados, a que tipo de público se vai dirigir, que valências/funções vai contemplar, que meios tecnológicos se vão utilizar.
E, não menos importante, quem o vai fazer?
Falta, pois, o Guião para se fazer o Filme!

Sobre a atitude que subjaz a este procedimento, por parte dos autores, muito haveria certamente a questionar, desde logo o significado da “oferta” de um projecto deste tipo. Mas não é esse o objectivo deste texto, para já.
Trata-se, de qualquer modo, de um equipamento cultural que diz respeito à comunidade, que implica diferentes valências e deverá ser objecto de várias contribuições.

SOBRE A LOCALIZAÇÃO

Interessa-nos aqui focar essencialmente a questão do local, que constitui já por si um factor interpretativo, sobretudo quando está em causa uma realidade histórico-geográfica como foi o complexo de fortificações que travou o exército de Massena.

O REDUTO DA FORCA

O morro da Forca insere-se num dos espaços geográficos mais simbólicos do complexo defensivo das Linhas – o triângulo S.Vicente, Castelo, Forca – que defendia a estrada de Coimbra para Lisboa, às portas de Torres Vedras. Contém vestígios do que terá sido um reduto fortificado,

Nesse sentido, é um local elegível para o efeito
Encontra-se, no entanto, muito adulterado na forma que tinha à data dos acontecimentos. A sua configuração é apenas observável a partir de alguns relevos muito esbatidos no terreno. A escarpa a norte, outrora impressionante como barreira natural, encontra-se hoje muito alterada pelos cortes efectuados para a construção das vias ferroviária e rodoviária, assim como pela proximidade de equipamentos comerciais recentes, criando uma vizinhança incómoda, como muito pertinentemente referiu J. Ralha. Assim, o que seria relevante do ponto de vista interpretativo – a ideia de barreira – está largamente comprometido face à dificuldade de leitura da actual configuração e ao ruído do aparato comercial.
Por outro lado, como refere A.J. Bastos, existem incompatibilidades com o PDM, a nível dos índices de construção previstos para a área – verde ecológico urbano – que implicam uma baixa percentagem da área de construção.

Movidos pela curiosidade deste argumento, quisemos certificar-nos da disponibilidade do espaço existente.
E, in loco, percebe-se claramente que o espaço disponível é insuficiente para receber um equipamento desta natureza, o qual supõe acessos fáceis, parques de estacionamento para ligeiros e autocarros, etc. O cimo do morro ficou reduzido a uma magra faixa de terreno, depois do corte efectuado para a construção de uma superfície comercial.
Fica-se, pois, com a sensação de que quem projectou e quem aprovou não conhecia bem a área.
Percebe-se, no entanto, a tentação que levou à sua escolha: - Se, como acima se referiu, a sua encosta norte está descaracterizada, impossibilitando uma leitura da estratégia militar de defesa, é certo que a vista de sul (desde o centro da cidade) está desimpedida e a implantação do edifício no alto do morro criaria um forte impacto visual, criando uma referência urbana positiva. Além de que a forma proposta garantia uma forte visibilidade, suscitando alguma curiosidade no habitante e no visitante.
Para quem elege a cultura-espectáculo até se percebe…!

O FORTE DE S. VICENTE

Se o objectivo é dar a conhecer as Linhas de Torres há que procurar como é que a geografia e o património construído nos permitem, ainda hoje, perceber o modo como se tentou obstar ao avanço das forças invasoras. Isto implica desde logo dois modos de abordagem: - uma visão de proximidade sobre os elementos que pontuavam as ditas linhas – os fortes, que nos fornecem elementos sobre as estratégias de defesa e combate; e uma visão de conjunto ou de largo alcance sobre o conjunto de elevações, que desde Torres Vedras se podem enxergar, e nos permitem perceber o próprio conceito de “linhas defensivas”.
Só depois, haverá que recorrer a outros auxiliares – museológicos, didácticos – para completar o quadro perceptivo dos acontecimentos – os mapas, o armamento, as fardas, as gravuras da época, a narração dos factos, os dados quantitativos, e outros elementos – que são tarefa do tal Centro Interpretativo. Com mais ou menos informática!

Ora, existe um local de eleição para fazer tudo isto – o Forte de S. Vicente!
O estado de conservação das suas estruturas e a sua altitude respondem aos dois primeiros requisitos que acima referimos, permitindo a observação de um dos mais importantes locais de aquartelamento e proporcionando uma ampla visão sobre uma parte considerável das linhas, para leste e para oeste. Dali divisa-se toda a cidade, o rio Sizandro, o Varatojo, o Monte da Archeira, a Serra do Socorro, o Sobral de Monte Agraço, etc.)

Quem sobe ao monte de S. Vicente percebe o essencial das Linhas!
Por outro lado existe nas proximidades um outro Reduto, em bom estado de conservação – o Forte dos Olheiros.
Existem acessos – e espaço para outros – bem como terreno disponível nas imediações, capazes de suportar uma edificação com suas áreas de apoio envolventes Estamos a pensar na encosta sul do monte, em local aprazível, de boa visibilidade desde a cidade e da circular poente - aspecto importante para o projecto e desfrutando de panorâmica grandiosa sobre a cidade e paisagem em redor.
É legítimo, pois, concluir que este é o local mais significativo e mais apropriado para receber um Centro Interpretativo das Linhas de Torres.
Isto se o conhecimento da História for o objectivo primeiro!

Janeiro de 2010 A Direcção da ADDPCTV