30 abril 2012

QUINTA DA MESSEJANA - Capela de Nª Srª da Conceição


Situada à saída da Aldeia Grande, povoação da freguesia do Maxial, concelho de Torres Vedras, a Quinta da Messejana tem uma pequena capela dedicada a Nª Srª da Conceição. É uma peça de encantador traço rústico, com a sua galilé alpendrada, sob a qual se abre a porta axial de traçado setecentista.
(Fotos © Associação do Património de Torres Vedras)






 O interior é muito simples, como se vê na foto 
tirada através das grades de uma das janelinhas laterais.



 A quinta está à venda, conforme vimos em anúncio perto deste portão de entrada


Edifício da quinta, atrás do qual se situa a capelinha. 

23 abril 2012

MAIS VIDA NO CENTRO HISTÓRICO - NOVO DEBATE


Recordamos o CICLO DE DEBATES sobre MAIS VIDA NO CENTRO HISTÓRICO que a Associação do Património de Torres Vedras tem vindo a realizar no Auditório Municipal ( Av. 5 de outubro, Torres Vedras), às 16H00.

O próximo, sobre ARQUITETURA E URBANISMO, será no sábado, 28 de Abril e contará com a presença de um reputado especialista em assuntos relacionados com a vivência urbana, o Prof. João Seixas, e de um arquiteto local a convidar.



                                     28 Abril | Arquitectura e Urbanismo                       
 
                                                                         

 
De que modo a Arquitectura contribui para uma vivência mais plena do Centro Histórico ? Qual o impacto dos projectos de requalificação (obras) do "Torres ao Centro" no casco antigo da cidade? De que modo o planeamento urbanístico pode contribuir para a revitalização da zona e da cidade ? 

Estas são algumas questões de partida que visam debater as relações entre o edificado e as pessoas, entre os espaços e os projectos, num território que se pretende cada vez mais vivido, mais participado e partilhado.  

João Seixas (geógrafo e  urbanista) é orador convidado para debater e apresentar novas visões do urbanismo e das cidades do séc. XXI.

João Seixas é doutorado em Geografia Urbana pela Universidade Autónoma de Barcelona e em Sociologia do Território e do Ambiente pelo ISCTE, com uma tese em torno da governação contemporânea das cidades europeias, com o enfoque analítico na cidade de Lisboa. Licenciado em Economia (UCP, 1989), Mestre em Urban and Regional Planning (London School of Economics and Political Science, 1997).

 «Face à crise, a cidade deve ser estratégica. Governando de forma atenta e pensada, pouco afeita a “vaipes” populistas. Com um verdadeiro planeamento, técnico só depois de estratégico. Sabendo que se vive numa era de transição, com muita desorientação. E, como tal, defendendo princípios sólidos a todo custo: o direito à cidade, ao habitat, à mobilidade, à inclusão social, ao consumo sustentável, ao ambiente, ao empreendedorismo local. Este “a todo custo” não é custo, é investimento. Bem feito, será altamente recompensador no futuro.
Perante a crise, a cidade deve ser democrática. Feita com as pessoas e para as pessoas – de longe o seu maior recurso – retro-alimentando a qualidade de vida e a esperança. Sabendo que o futuro só se fará com a sociedade, não longe dela ou contra ela. Com auscultação, participação e inteligência dialéctica. Com processos como os orçamentos participativos, a Agenda Local XXI, os conselhos de bairro e de cidade. Construindo um urbanismo participativo e de proximidade. Construindo compromissos (diferentes de consensos, palavra sonsa) o que implica ganhos e cadências e, sobretudo, implica responsabilidade para as diferentes partes.»
  
Ver aqui texto completo 

20 abril 2012

UM MONUMENTO OU UM SÍTIO?

Reconstituição da gruta / hipogeu da Ermegeira, desenho de José Pedro Sobreiro


Não é por acaso que se fala de "monumentos e sítios", a propósito do Dia Internacional - 18 abril - que aqui temos referido.

A Gruta da Ermegeira - buraco artificial construído para ser um túmulo coletivo - é um sítio, muito mais que um monumento. Nada tem de espetacular e quem a visitar com a ideia de ver algo como as "grutas de Mira d'Aire", por exemplo,  terá uma tremenda desilusão. O que lá está é um resto, um vestígio do que sobrou depois de 4 500 anos de História.

Aquele é UM SÍTIO por excelência e como tal deve ser preservado. É que ali foram encontrados, em 1939, dois pendentes de oiro e cinco contas tubulares também em ouro, que são, provavelmente, os mais antigos artefactos de ourivesaria em solo português. Isso bastou para que este sítio fosse classificado, em 1940, como Monumento Nacional. Esses objetos fazem parte dos Tesouros da Arqueologia Portuguesa, expostos no Museu Nacional de Arqueologia de Lisboa, em Belém.

O que teria sido aquele sítio, originalmente?
 A partir do texto do investigador Manuel Heleno que escavou a gruta e publicou um relatório na revista ETHNOS em 1942, o professor José Pedro Sobreiro fez um desenho que nos aproxima desse espaço original.
Ao mesmo tempo, o professor Jorge Ferreira da Silvas executou em latão as réplicas perfeitas dos referidos objetos de ouro, os quais podem ser vistos na pequena exposição patente ao público durante esta semana na sede da Junta de Freguesia do Maxial.

Para falar disto e apreendermos melhor o significado deste Monumento Nacional tão mal conhecido dos torrienses, haverá amanhã, dia 21, uma sessão pública na Junta de Freguesia do Maxial, com a presença de um Técnico do IGESPAR.
Quem quiser deslocar-se de Torres Vedras ao Maxial terá um autocarro da Câmara Municipal que partirá às 15H30 junto ao Tribunal.
Se o tempo o permitir, depois da sessão haverá uma visita ao sítio da gruta da Ermegeira.

11 abril 2012

UM MONUMENTO NACIONAL POUCO CONHECIDO: GRUTA DE ERMEGEIRA




A Associação do Património de Torres Vedras vai participar, mais uma vez, na celebração deste dia com a seguinte atividade:



Maxial é uma freguesia do Município de Torres Vedras com numerosos vestígios de ocupação humana desde a Pré-História. O mais significativo é a Gruta Calcolítica da Ermegeira – aldeia próxima da sede de freguesia – descoberta e explorada no final dos anos 30 do século passado. Do espólio existente avulta um par de pendentes de ouro, guardado no Museu Leite de Vasconcelos, em Belém, cuja valia e raridade explicam a classificação daquela estação arqueológica como Monumento Nacional. Da gruta resta apenas uma parte da calote, o que se explica pela ação do tempo e algum vandalismo. Mas aquele é um vestígio importante a preservar e que está em risco de ser desclassificado devido ao estado de abandono.


A Associação do Património de Torres Vedras, inspirada no lema deste dia – Do Património Mundial ao Património Local – decidiu realizar um programa de divulgação e sensibilização para este Monumento tão pouco conhecido dos torrienses, a decorrer em Abril no Maxial:

Dias 17 a 23
               Auditório da Junta de Freguesia do Maxial:
              - Pequena exposição alusiva ao período calcolítico, com peças do Museu Leonel  
                Trindade, de Torres Vedras             
      - Sessões com alunos das Escolas do Maxial, em horas a definir

Dia 21 (sábado)

             15H30: Autocarro da Câmara Municipal de Torres Vedras, junto ao Tribunal, para quem 
             quiser deslocar-se ao Maxial

             16H00 – Auditório da Junta de Freguesia:
                 Sessão evocativa e documental sobre a Gruta da Ermegeira. 
                 Intervenções: Joaquim Moedas Duarte, presidente da Associação do  
       Património de Torres Vedras e Emanuel Carvalho, Técnico de Arqueologia do 
       IGESPAR – Instituto de Gestão do Património Arquitetónico e Arqueológico.

             17H30 – Visita ao local da Gruta Calcolítica da Ermegeira

Dia 22(domingo)

            09H00:Caminhada com passagem pelo local da gruta. Partida frente à Junta de Freguesia do
           Maxial. Percurso com cerca de 10 km, de nível fácil, aberto ao público em geral.

Participar nestas atividades é uma forma de ajudar a defender o nosso Património. 

A ADDPCTV agradece a colaboração da Junta de Freguesia do Maxial, do Município de Torres Vedras e dos técnicos do Museu Municipal Leonel Trindade, de Torres Vedras.

                                                                                                                            A DIREÇÃO DA ADDPCTV

13 março 2012

GRUTA CALCOLÍTICA DA ERMEGEIRA




O amanhã é hoje, já estamos a 13 de março.
Pois ontem andámos pela Ermegeira - freguesia do Maxial - e visitámos o que resta da Gruta Calcolítica ( da época de transição da Idade da Pedra Polida à Idade dos Metais - entre cerca de 4 500 anos e 1300 a.C.). Aqui foram encontrados os célebres "brincos" de ouro, que estão no Museu Nacional de Arqueologia Dr. Leite de Vasconcelos, em Belém, Lisboa.




Pouco resta da gruta mas mesmo assim o sítio deve ser preservado pois foi classificado como Monumento Nacional em 1940 devido à raridade e importância do espólio. No entanto corre o risco de ser desclassificado, como nos foi dito por um técnico do IGESPAR e lemos numa revista da especialidade.

A Associação do Património de Torres Vedras está a organizar uma ação de divulgação e de informação sobre este monumento, a realizar em Abril. Daremos conta do Programa em breve.

12 março 2012

RUA BRINCOS CALCOLÍTICOS





Percorremos hoje esta rua, provavelmente um caso único na toponímia nacional.
Rua Brincos Calcolíticos? Fica aqui o desafio: em que aldeia do nosso concelho se situa?

Amanhã vem o resto...

09 março 2012

07 março 2012

A COLINA DO CASTELO, DE DIA E DE NOITE

Fotos tiradas do terraço do Hotel Império:




















O NOSSO CONTRIBUTO PARA A REVITALIZAÇÃO DO CENTRO HISTÓRICO

A obra prossegue, como se vê por estas fotos tiradas em 4 de Março 2012.
O antigos e decrépitos edifícios estão a ser substituídos por espaços adaptados à vida associativa, social e cultural. Lá para o fim do ano faremos a mudança. Os torrienses terão aqui mais um motivo para frequentarem o Centro histórico.


 O característico arco sobre a calçada, ligando os dois edifícios






 O Castelo de Torres Vedras está mesmo ali em cima...


Do outro lado, os telhados da cidade






A Associação do Património de Torres Vedras uniu esforços com outras associações e está a construir a sua sede numa das zonas historicamente mais emblemáticas da cidade, na Calçada do Quebra-Costas, onde dantes existia a Sociedade Recreativa Operária. É o Forum Cultural que englobará, para além da Associação do Património e da S. R. Operária, o Espeleo-Clube de Torres Vedras e o ATV-Académico de Torres Vedras.
O projeto desta construção está integrado no projeto mais vasto TORRES AO CENTRO.

25 fevereiro 2012

TORRES VEDRAS À NOITE





Dedicadas a quem vive longe desta cidade e tem saudades dela. E aos que nela vivem e não a passeiam de noite. E também aos que passeiam de noite e sentem a magia destas ruas... 





[ Mais fotos: ver página GALERIA ]



FOTOS(C)MÉON
Fevereiro 2012

24 fevereiro 2012

TORRES VEDRAS À NOITE - O CENTRO HISTÓRICO

Noite de inverno, de um frio seco. Quase ninguém na rua. Passeando e fixando o olhar...



[ Mais fotos: veja GALERIA ]

Fotos(C)Méon
Fevereiro 2012

22 fevereiro 2012

MAIS VIDA NO CENTRO HISTÓRICO



A Associação do Património de Torres Vedras partilha a preocupação sentida pelos torrienses quanto à crescente e alarmante desertificação do Centro Histórico da cidade. Desde há mais de um ano temos vindo a publicar no jornal BADALADAS uma coluna dedicada a este problema, na qual procurámos incluir o contributo de pessoas de formação e perspetivas diferentes e complementares.

Na sequência destes textos sentimos a necessidade de aprofundar as análises e de alargar a discussão e a procura de soluções concretas.
Com estes objetivos, lançamos agora um CICLO DE 5 DEBATES sob o título genérico

                                         MAIS VIDA NO CENTRO HISTÓRICO

a realizar no AUDITÓRIO MUNICIPAL (Av. 5 de Outubro), das 16 às 18 H, nas datas e com os temas indicados:

10 MARÇO - O papel dos cidadãos na revitalização dos Centros Históricos

24 MARÇO - Espaços devolutos, novos usos culturais e criativos

14 ABRIL - Memórias do Centro Histórico

28 ABRIL - Arquitetura e Urbanismo

12 MAIO - Economia e inovação social.

Em cada sessão contaremos com a presença de CONVIDADOS ESPECIAIS, a anunciar oportunamente, e de alguns CONVIDADOS DE PRIMEIRA FILA.

As sessões são abertas. Esperamos a participação e o apoio de todos aqueles que anseiam por soluções para a revitalização do Centro Histórico da nossa cidade.



Ver página neste blogue: MAIS VIDA NO CENTRO HISTÓRICO

PATRIMÓNIOS 22 (BADALADAS, 10 FEVEREIRO 2012

RESSUSCITAR O CENTRO HISTÓRICO (III Parte)

André Tavares, Arquitecto


Depois de uma perspectiva geral dada no artigo introdutório e de uma incidência mais política e social no anterior, queria aqui focar-me no papel do Arquitecto e as suas dificuldades face à recuperação.  
Correndo o risco de me desviar do assunto central da coluna e textos anteriores, parece-me necessário esclarecer e analisar uma série de mitos construídos ao longo do tempo, e que devem ser prontamente ultrapassados.

O arquitecto é quase sempre imaginado como um indivíduo elitista e de trato difícil, tendendo a tomar as rédeas dos projectos sem consideração pelo cliente e pelas suas necessidades. Dizem alguns que o seu trabalho é caro e, – não fosse a necessidade legal de o contratar, – desnecessário. O arquitecto serviria somente para fazer o “boneco para a Câmara”, e mal o projecto fosse aprovado tornar-se-ia dispensável. Se for uma obra de interiores que não necessite de projecto, então é absolutamente desnecessário.
Vamos tentar desmistificar estes pressupostos.
Existindo profissionais diferentes em todas as áreas, todos eles com feitios e métodos de trabalho distintos, é natural que algumas pessoas tenham tido más experiências com profissionais arrogantes ou prepotentes. No entanto, isto acontece com a mesma facilidade num consultório dentário ou num escritório de advocacia. Apesar de já existirem muitos exemplos de uma arquitectura democrática, de uma arquitectura para todos, participada e participativa, o mito subsiste, talvez por desconhecimento de melhores exemplos.
Um bom arquitecto será aquele que faz o possível para mostrar ao seu cliente novos caminhos e diferentes soluções para um mesmo problema, – para além dos convencionais, – para o resolver. A complexidade de questões que envolve a arquitectura não permite que o seu trabalho se limite a um desenho. Qualquer projecto necessita de mais questões resolvidas do que aquelas que cabem no esboço de uma planta à escala 1/100.
Ao se contratar um profissional tem de haver um espírito aberto e confiar-se na sua experiência. Se o arquitecto se limitar a seguir escrupulosamente o programa sem introduzir nada de novo, o cliente está a ser mal servido.
Um projecto de arquitecto é caro. Será?
Só o preconceito leva muitas vezes a que o profissional nem sequer seja consultado. Um produto só se torna caro se for possível compará-lo com outro de qualidade equivalente e por menor valor. Acontece que muitas vezes se confunde um mero desenho técnico com um estudo aprofundado e cuidado, construído à medida de cada cliente e de acordo com as suas necessidades específicas.
Quanto ao “boneco”. Verifica-se que, se for bem feito, o trabalho do arquitecto não se reduz a um mero desenho, pois está intrinsecamente ligado à pormenorização, à escolha de materiais e soluções técnicas adequadas, e sobretudo a uma capacidade de síntese e de gestão do programa definido pelo cliente e em função de uma ideia de habitar.
A construção do projecto de execução é, ao contrário do que se pensa, a parte mais importante do trabalho do arquitecto, pois que uma organização cuidada pré-obra antecipa grande parte dos problemas e conduz à sua resolução à priori. Seguido de um acompanhamento rigoroso em obra, por parte de um técnico especializado, leva não só a espaços mais equilibrados, confortáveis e apetecíveis, como também, na grande maioria dos casos, a uma maior economia, suplantando não só os honorários iniciais do técnico, como prevenindo as tradicionais derrapagens orçamentais.

**********

Voltando aos Centros Históricos, parece-me óbvio que os promotores e construtores só beneficiariam da colaboração com técnicos especializados. O mercado está saturado de recuperações amadoras e de má qualidade estética e técnica, tanto na habitação como no comércio e serviços, e que na procura do “barato” acabam por ficar não só mais caras como aquém dos objectivos previstos.
É necessário que no novo esforço de recuperação haja uma maior sinergia entre profissionais da construção, arquitectos, urbanistas e designers, que permitam produtos finais qualificados e atractivos com orçamentos equilibrados, a fim de nos devolver as cidades e fazer ressuscitar os nossos Centros Históricos.  



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18 fevereiro 2012

Carnaval de Torres 1932


Uma curiosidade histórica. Muito interessante comparar as ruas de então com as de agora.
E as pessoas? Onde estarão agora?
Viver o carnaval hoje em Torres Vedras é, de alguma forma, homenagear a memória dos que o criaram, nos primeiros anos do séc. XX.
Carnaval: uma saudável transgressão do cinzento quotidiano em que vivemos tantas vezes.

14 fevereiro 2012

IMAGENS DO CARNAVAL TORRIENSE

Imagens retiradas do livro A LITERATURA NOS CARNAVAIS DE TORRES, de Jaime Umbelino, ed. da Câmara Municipal de Torre Vedras, 2005


Anos 2o do séc. XX. Largo da Estação

Anos 20 do séc. XX. Avenida 5 de Outubro. O primeiro prédio da esquerda é onde hoje se situa a loja Corte Ideal.

Espontâneos, no carnaval de 1934. Do lado direito era o Bairro Tertuliano. As casinhas baixas do lado direito ao fundo era onde até há poucos anos existia a taberna do Venceslau, junto à Igreja daGraça.

Carnaval de 1931. Bem visível à direita, o pórtico da Igreja de S. Pedro.

* * *

Este livro reune os textos escritos por Jaime Umbelino para as "cerimónias" do Carnaval torriense a partir dos anos trinta do séc. XX: discursos aos reis do carnaval, testamentos para o enterro, piadas...

A título de exemplo, um trecho do discurso de 1940:



Estava a linda Inês posta em sossego
(Aonde não se sabe nem interessa)
Na margem do Sizandro ou do Mondego
- Era aí o teatro da tal peça –
Quando o Adamastor, irado e cego,
Se alevantou, sentado na tripeça,
E, calmo, disse assim, por entre as pedras:
Carnaval só há um: - em Torres Vedras!

E as ninfas e os faunos e as sereias,
Soprando na trombeta a alta Fama,
Trataram de secar ao sol as meias,
Dormiram... levantaram-se da cama,
E vieram calçando mil areias,
Sem medo ao sol, à chuva ao vento, à lama
Atravessando o mar e os oceanos ...
Só para ver o Chafariz dos Canos!...



10 fevereiro 2012

OLH ' Ó BARRETE ! AÍ ESTÁ O DE 2012!





O BARRETE 2012

Vai ser lançado amanhã, junto ao monumento do Carnaval, no Largo da Graça, a partir das 10H00. 

A coisa começou na brincadeira, em 1996. Agora já é um caso sério. Ano após ano, as barretadas sucedem-se ao ritmo do Carnaval torriense. Mentirolas verdadeiras ou verdades mentiradas, invenções e imaginações, desenhos e cartoons, sátiras e piadas, brincadeiras a mandar pró azar – é um ver se te avias, nesta lufada fresca que todos os anos rebenta na tola dos torrienses: O BARRETE!
Não fujam! Ele vem aí outra vez! Brincadeira pegada, não ofende nem maltrata, mesmo que alguns se sintam apalpados e outros fiquem amuados. E até há quem se ofenda por ser ignorado, por não aparecer na caricatura. Nisto, como no resto, não se pode agradar a todos. Mas TODOS podem ler O BARRETE! Baratinho – 1 €! – só para não se dizer que é à borla. Poucochinho mas agradecido, é o que diz a Associação do Património de Torres Vedras que vê no “Carnaval mais português de Portugal” um património a defender. Por isso, há 16 anos que inventa este BARRETE. Esperando que os torrienses o enfiem com a mesma alegria com que ele é feito.




07 fevereiro 2012

IMAGENS DE TORRES VEDRAS - Escavando o antigo cemitério


Até às primeiras décadas do século XIX os enterramentos eram feitos dentro das igrejas. Foram os governos constitucionais que, a partir de 1835, lançaram legislação que obrigava a que se fizessem fora dos templos, o que originou violentas revoltas populares, sobretudo no norte do país.
Mas, pouco a pouco, os terrenos contíguos às igrejas passaram a ser utilizados como cemitérios, o que se verifica ainda hoje em muitas aldeias por esse país fora. Nas povoações maiores, devido ao rápido aumento da população e à expansão urbana, os cemitérios foram sendo empurrados para a periferia. Em Torres Vedras isso aconteceu com o Cemitério de S. João, criado em meados do séc. XIX, fora do perímetro urbano, mas cem anos depois foi absorvido pela cidade, obrigando à criação do atual Cemitério de S. Miguel em finais dos anos 70 do séc. XX.


Vem isto a propósito das obras em redor da igreja de S. Pedro que se iniciaram há duas ou três semanas e que puseram a descoberto alguns túmulos oitocentistas. Duas arqueólogas estão a fazer um reconhecimento destes despojos, para posterior estudo. Como nos explicaram no local, não se trata de uma escavação pormenorizada e minuciosa, que não cabe no âmbito destas obras. É apenas o assinalar a existência deste tipo de cemitério.
Claro que gostaríamos que se fizesse uma investigação profunda, escavando, fotografando,desenhando e estudando os possíveis estratos de ocupação humana ao longo dos séculos. Todavia temos de reconhecer que isso implicaria muitos meses de estaleiro aberto, com os consequentes custos financeiros e incómodos incomportáveis para a vida urbana.


Vejamos algumas imagens do que vimos hoje quando por lá andámos:


Nesta vala, aberta na rua que passa pelas traseiras do Chafariz dos Canos ( junto à conhecida loja de cabedais) encontramos a base de um muro muito antigo em pedra que, pela orientação, pode muito bem ser os restos do aqueduto que alimentava o Chafariz e que, nesta zona, já era subterrâneo.





Mais à frente, nesta mesma vala, foram encontrados vários esqueletos ( um deles, coberto por plástico, na foto do início), objeto de registo meticuloso pela equipa que aqui trabalha, constituída por uma arqueóloga e uma antropóloga:










São visíveis as estruturas em pedra de alguns túmulos, com os blocos desenhando o comprimento do corpo: 




Outros ainda têm as pedras de cobertura, sob as quais estão os esqueletos:



Um último comentário: estes vestígios de inumações humanas, longe de serem achados macabros, permitem uma percepção mais profunda da memória coletiva, pois são testemunhos mudos de vidas que nos antecederam e transmitem-nos a dimensão temporal da ocupação de um espaço por uma comunidade secular como é a nossa.