17 setembro 2013

PORMENORES

... dos painéis de azulejo do Claustro do Convento da Graça de Torres Vedras, alusivos à vida de D. Frei Aleixo de Meneses, que foi prior deste Convento no séc. XVI.

Cenas da vida quotidiana, cheias de movimento e sugestões de sons ( as conversas, o coro a cantar, o marulhar das ondas...).
Há figuras orientais, nos paínéis que relatam a chegada de D. Frei Aleixo de Meneses a Goa.





















































11 setembro 2013

UM SÍTIO A REVISITAR


Sítio e Ermida do Senhor do Calvário, Matacães
A visitar no dia 22 de Setembro 2013, nas Jornadas Europeias do Património



















Um lugar deslumbrante!

Para saber mais:
http://historiasdetorresvedras.wordpress.com/2010/06/20/monte-do-calvario/


Fotos J. Moedas Duarte

07 setembro 2013

ESTAMOS NAS JORNADAS EUROPEIAS DO PATRIMÓNIO 2013


Já foi publicado o PROGRAMA NACIONAL no qual participamos através de uma VISITA GUIADA a Matacães e ao seu Património edificado e classificado, a realizar no dia 22 de Setembro.





P R O G R A M A
(Aberto ao público em geral, sem inscrição prévia)

22 Setembro 2013

15H00 - Concentração dos visitantes no Largo junto à Igreja de Matacães (Imóvel de Interesse Público)

15H15 - Visita à Igreja conduzida pelo Pároco P. José Miguel Ramos e P. José Manuel da Silva (antigo Pároco e um dos fundadores da Associação do Património de Torres Vedras)

16H15 - Visita ao Sítio e Ermida do Senhor do Calvário, recentemente classificado como Imóvel de Interesse Público

LEITURA DA PAISAGEM, no Largo fronteiro à Ermida:
Arq. Jorge Bonifácio: a residência solarenga do Juncal
Arqueólogo Emanuel Carvalho: o Castro da Fórnea (Imóvel de Interesse Público)

O Museu Municipal Leonel Trindade, de Torres Vedras participa nestas Jornadas através de uma pequena exposição do espólio do Castro da Fórnea, a qual estará acessível ao público de 22 a 29 de Setembro


01 setembro 2013

UMA SOLUÇÃO MUITO DISCUTÍVEL

Andei hoje pelo Turcifal. A Igreja Matriz, de Santa Maria Madalena, é Imóvel de Interesse Público, estatuto definido pelo Decreto n.º 5/2002, DR, 1ª Série-B. nº 42, de 19-02-2002.
Não entrei na Igreja, que estava fechada, fiquei-me pelo exterior. E fiquei surpreendido com o que vi, no lado poente do adro: quatro cabeceiras de sepulturas medievais a "decorarem" o murete do adro.

Veja-se:






Agora de mais perto:









Salvo melhor opinião, considero que esta solução é muito discutível. O Turcifal é uma das mais antigas povoações do nosso concelho, cujo topónimo é citado em documentos dos séc. XII e XIII ( TORRES VEDRAS, A VILA E O TERMO NOS FINAIS DA IDADE MÉDIA, Ana Maria Rodrigues, 1995).
É bem sabido que, ao lado da sua imponente Igreja (reconstrução setecentista do templo medieval) havia um cemitério, cujos vestígios chegaram até aos nossos dias, caso das cabeceiras de sepultura. Estas que aqui mostro são da época medieval, como bem se infere da sua tipologia, semelhante à colecção existente no nosso Museu Municipal e que José Beleza Moreira estudou no seu opúsculo "Catálogo das Cabeceiras de Sepultura do Concelho de Torres Vedras", editado em 1980 pela Associação do Património de Torres Vedras.




Estas estelas funerárias são um testemunho genuíno que vem do fundo dos séculos e nos traz a memória de quem ali viveu e foi sepultado. Ao contrário das peças de Museu, estas cabeceiras estavam in situ, e era aí que deveriam ser mantidas. Como memória e testemunho do passado.

O adro, que foi objecto de obras profundas terminadas em 2007 - como se lê na placa comemorativa - só teria a ganhar se nele tivesse sido preservado um lugar, talvez junto de uma das paredes da Igreja, em que estas cabeceiras fossem alinhadas, com um pequeno dístico a lembrar aos homens de hoje a existência dos antepassados. O que nos parece inaceitável é fazer delas objectos de decoração do muro do adro.

Joaquim Moedas Duarte

RESPONDENDO A UM CONVITE









Do ICEA - Instituto de Cultura Europeia e Atlãntica - da Ericeira, recebemos o convite para participarmos na comemoração dos 500 anos do Foral Manuelino da Ericeira.
 Lá estivemos, a ouvir duas comunicações  pelos investigadores Margarida Garcez Ventura e Carlos Margaça Veiga. A primeira, sobre o Foral de 1229; e a segunda, mais circunstanciada, sobre o Foral de D. Manuel, assinado em 31 de Agosto de 1513.
Os assistentes, que enchiam por completo o Auditório da Casa da Cultura Jaime Lobo e Silva, receberam gratuitamente um opúsculo com aqueles documentos históricos.







E já que ali estávamos, adquirimos numa livraria local o livro de José Constantino Costa, ERICEIRA - UMA FOTOBIOGRAFIA, ed. Mar de Letras, para cujo lançamento em 4 de Agosto corrente havíamos sido convidados e a que não pudemos assistir.
 É um belíssimo livro/álbum, com fotos antigas e um roteiro pelas memórias daquela vila centenária.

23 agosto 2013

JORNADAS EUROPEIAS DO PATRIMÓNIO 2013



A ADDPCTV vai participar, mais uma vez, nas Jornadas Europeias do Património.

No site da Direcção Geral do Património Cultural pode ler-se:

«As Jornadas Europeias do Património são uma iniciativa anual do Conselho da Europa e da União Europeia, envolvendo cerca de 50 países, tendo como objectivo a sensibilização dos cidadãos para a importância da protecção do Património. Em cada país é promovido, anualmente, um programa de actividades a nível nacional, de acesso gratuito na sua grande maioria.
A Direção-Geral do Património Cultural, entidade responsável pela coordenação do evento a nível nacional propõe, para as Jornadas Europeias do Património de 2013, o tema Património / LUGARES, com o qual pretende chamar a atenção para a dimensão humana de que o património se reveste, expressa materialmente em espaços e paisagens – urbanos e não urbanos – que nos marcam, que exploramos e com que convivemos numa relação de proximidade.
Os lugares estruturam o desenvolvimento pessoal e social, sustentam identidades, exprimem a dimensão cultural da sociedade, interessando conhecê-los para além do aparente, para os podermos estimar e proteger; a importância dos lugares é a importância da nossa identificação e o nosso sentimento de pertença a algum sítio, tornando-se fundamental sensibilizar os cidadãos para a sua protecção através de acções que estimulem a aproximação física e emocional ao património.»

* * *
Desde já divulgamos o pequeno PROGRAMA que preparámos para estas Jornadas:

MATACÃES, UM LUGAR A REDESCOBRIR
22 SETEMBRO 2013
15H00 – concentração dos visitantes no largo junto à igreja de Matacães
15H15 – Visita à Igreja de Nª Srª da Oliveira, conduzida pelo Pároco José Miguel Ramos e P. José Manuel da Silva (antigo pároco e um dos fundadores da Associação do Património de Torres Vedras). Igreja classificada como Imóvel de Interesse Público.
16H15 – Visita ao Sítio e Ermida do Senhor do Calvário, recentemente classificada como Imóvel de Interesse Público.
Leitura da paisagem, no largo fronteiro à Ermida:
                        Arquitecto Jorge Bonifácio: a Residência Solarenga do Juncal
                        Arqueólogo Emanuel Carvalho: o Castro da Fórnea
.
Trata-se, pois, de uma visita guiada aberta a todos quantos queiram participar. A sua divulgação será feita no jornal BADALADAS, facebook e contactos-mail.




11 agosto 2013

MONOGRAFIAS DAS FREGUESIAS DE TORRES VEDRAS




Algumas pessoas têm-nos pedido opinião sobre uns livros publicados pelo sr. Fernando Pereira Sá dedicados à História e ao Património Cultural de algumas freguesias do nosso concelho.
É-nos penoso escrever estas linhas pois, do pouco que conhecemos do autor, sabemos que é pessoa esforçada e persistente. Mas isso não chega para garantir qualidade ao que faz. Temos diante de nós dois desses livros, um sobre a Carvoeira e o outro, muito recente, sobre Runa e a honestidade obriga-nos a dizer que são obras muito más. 
O autor não sabe escrever Português. Não há um parágrafo que se aproveite, tantos são os erros de concordância, de vocabulário e de construção da frase. 
Do ponto de vista do  conhecimento histórico, estes livros são uma calamidade, pouco ou nada se aproveita. Não há uma referência bibliográfica, uma citação, um estudo conhecido. O livro está cheio de legendas pouco rigorosas e de apreciações pueris. Mas o que é mais grave são os erros resultantes de invenções ou de ter ouvido a alguém uma opinião qualquer que ele refere como se fosse uma fonte histórica. 

Como é que o autor consegue fazer livros tão volumosos - o de Runa tem mais de 500 páginas - ?
Simples: junta dezenas e dezenas de fotos com que vai enchendo as páginas do livro. A maior parte não tem qualquer relevância como é o caso do cemitério do CAS de Runa que levou o autor a encher dez páginas com vistas do exterior e interior - juntando a uma delas esta legenda: "Aqui chegou a estar sepultada a Princesa Benedita até à trasladação para o Panteão...", uma pura invenção que não tem qualquer suporte documental. Bastaria ao autor consultar a biografia de D. Maria Francisca Benedita escrita por Paulo Drumond Braga e publicada pela Câmara Municipal de Torres Vedras. E este é apenas um exemplo entre muitos.

O que nos deixa perplexos não é a ignorância ou a falta de rigor  manifestadas pelo autor destes livros pois é sabido que uma das características dos ignorantes é o atrevimento. O que nos espanta é o facto de ter acolhimento entre pessoas que tinham obrigação de serem prudentes e rigorosas com as encomendas. Caso das Juntas de Freguesia que apadrinham estas publicações, as quais em nada as prestigiam ou, até, da Associação Leader Oeste que financiou uma destas monografias. Alguns desses responsáveis disseram-nos que acreditaram na boa vontade e no voluntarismo do autor. Na boa-fé e no desejo legítimo dos autarcas de valorizar as suas terras, nós também acreditamos.  Mas isso chega para dar crédito a um trabalho público? Leram previamente os escritos? Aconselharam-se com pessoas credenciadas? 


Respeitamos o senhor Pereira Sá como pessoa, nada temos contra ele, embora nos incomode a prosápia de se considerar um investigador, caso típico de publicidade enganosa. Mas o respeito pelos leitores, muitos deles alunos das nossas escolas em busca de elementos para os seus trabalhos, obriga-nos a denunciar vigorosamente as suas publicações que, pela falta de qualidade redactorial e notório desconhecimento da História, temos de classificar como autênticas fraudes. 


SANTA SUSANA DO MAXIAL



Hoje, 11 de Agosto, é o dia consagrado pela Igreja a Santa Susana.
A freguesia do Maxial, concelho de Torres Vedras, tem Santa Susana como padroeira. No cemitério local existe uma capela com a designação desta santa, capela que é, afinal, o que resta do antigo templo, destruído pelo terramoto de 1755. A Junta de Freguesia decidiu, em iniciativa que louvamos, proceder a obras de restauro e beneficiação daquela relíquia patrimonial. Assinalando o acontecimento, ontem, dia 10, foi lá celebrada Missa pelo Pároco P. José Miguel Ramos, cerimónia para a qual a Junta convidou a população, estendendo o convite aos amigos do Património e, como tal, à nossa Associação.
Como sinal e testemunho, publicou um pequeno opúsculo que reproduzimos, bem como a totalidade do texto, da autoria do Dr. Carlos Guardado da Silva, responsável pelo Arquivo Municipal de Torres Vedras e Presidente da Assembleia Geral da Associação do Património de Torres Vedras.
Associamo-nos, assim, à festa de Santa Susana e à meritória iniciativa da Junta de Freguesia do Maxial.







Contracapa do opúsculo, com a imagem de Santa Susana
















Folha interior do opúsculo com as referências de publicação.









Para uma biografia de Santa Susana do Machial


A igreja paroquial

A existência da igreja de Santa Susana do Machial, então com a designação de Santa Susana de Alcabrichel, remonta, muito provavelmente, ao início do domínio cristão da Estremadura, na sequência da conquista definitiva da linha do Tejo, em Outubro de 1147, por D. Afonso Henriques, no contexto da Segunda Cruzada. A fundação da paróquia teria sido instituída mais tarde, no século XIV, com pia baptismal, sino e fregueses, em data posterior a 1315, uma vez que consta da lista de todas as igrejas, comendas e mosteiros que havia nos reinos de Portugal e Algarves, de 1320-1321. O seu quantitativo demográfico bastaria, por si só, para justificar a independência administrativa e eclesial, em inícios da centúria de trezentos. Constando a igreja de Santa Susana do Alcabrichel do rol das igrejas de que o rei era padroeiro em 1258-59, a sua independência das matrizes da vila não estaria provavelmente completa.
Aquando da sua fundação e ao longo da Baixa Idade Média, Santa Susana era uma paróquia anexa da matriz de São Miguel da vila de Torres Vedras, encontrando-se a igreja paroquial fora do lugar.
Entre 1315 e 1317, o bispo de Lisboa D. Frei Estêvão atribuiu a cada uma das quatro igrejas urbanas de Torres Vedras o seu território paroquial, cujos limites rurais foram definidos, embora a parte urbana tivesse ficado completamente silenciada. Santa Maria do Castelo, São Pedro e São Tiago partilhavam, entre si, áreas de dimensão idêntica na vila. São Miguel obteria uma porção exígua do espaço urbano, recebendo, em contrapartida, a maior parte do espaço periurbano.
Ao longo do século XIV manter-se-iam contendas sobre os direitos eclesiásticos, sobretudo no que dizia respeito à receita das dízimas. Certo é que a imprecisão dos limites territoriais das paróquias, assim como as diversas transformações ocorridas no povoamento contribuíam para relançar, de vez em quando, a discussão sobre quem detinha os direitos dizimais. As crises económicas exigiam igualmente a cada igreja a defesa dos seus interesses, meio de sustentação da sua comunidade ou de cumprimento dos ofícios, assim como de manutenção do edifício. É neste contexto que surge um contencioso entre a colegiada de São Miguel e o prior de Santa Susana de Alcabrichel acerca dos limites das respectivas paróquias. Se em 1315 D. Frei Estêvão havia atribuído um extenso território à colegiada, que cobria a parte norte e leste do termo torriense, o pároco de Santa Susana do Maxial, já elevada esta a igreja paroquial, reclamaria os direitos sobre o território que anteriormente se encontrava sob a influência material e espiritual de São Miguel.
Como as demais igrejas de Torres Vedras, Santa Susana de Alcabrichel era de padroado régio. Um facto que não exclui a possibilidade de ter sido instituída pelos fregueses que, em dado momento, seriam substituídos naquela função pelo monarca. Na década de 30 do século XVI, a igreja foi objecto de nova construção.

01 agosto 2013

(Clicar sobre a imagem)

A Associação do Património de Torres Vedras está a organizar a sua participação nestas Jornadas, à semelhança do que tem feito em anos anteriores.
Desta vez vamos centrar-nos no rico Património de Matacães, freguesia que conta com três IMÓVEIS DE INTERESSE PÚBLICO e dois de INTERESSE CONCELHIO (Ver coluna lateral deste blogue).
Dentro de alguns dias colocaremos aqui o programa de visitas que estamos a organizar.

30 julho 2013

ADEUS A UM AMIGO


JOÃO SARZEDAS

Faleceu em 27 de Julho ( Sábado), depois de doença prolongada. Grande amigo do Património torriense, homem de cultura, inconformado com a sociedade consumista e, por isso mesmo, militante do despojamento pessoal, João Sarzedas tinha uma personalidade multifacetada que fomos descobrindo ao longo de muitos anos de convívio. Trabalhador das artes gráficas, fazia da criatividade e da imaginação o seu principal instrumento de trabalho. 
Rigoroso, meticuloso, exigente no que fazia. Mas havia nele um outro cambiante que se foi apurando com a experiência: o sentido da observação refinado pelo humor. E isso ficou bem patente nos cartoons com que enriqueceu muitos números do BARRETE, Revista de Carnaval publicada anualmente pela Associação do Património de Torres Vedras.
Veja-se um dos que publicou este ano:


Diz-se que ninguém é perfeito e, sendo assim, temos de referir que João Sarzedas gostava de brincar com os amigos que não eram adeptos do seu clube, fazendo bonecos a condizer. Como este em que ele mesmo se caricaturiza:


Vamos ter saudades dele, do seu riso contido, da sua forma discreta de apreciar o mundo, dos seus desenhos onde se entornava tanta sensibilidade e ternura.
Obrigado por tanto que nos deste, querido amigo!

PUBLICADO no SEMANÁRIO BADALADAS em 19 de JULHO


EU CRESCI NO CENTRO HISTÓRICO
(1ª Parte)


QUIM GAGO


Passei a minha infância no Largo dos Polomes, também conhecido por Largo dos Ferradores. Nesse tempo existiam duas oficinas: a do Heliodoro, com o velho Abel; e a do João Martins, com o seu empregado João. Por sinal, o João Martins era um excelente músico que chegou a tocar na banda dos Bombeiros e na orquestra ‘Os Lusitanos’. Porém, o número de ferradores estendia-se além dos Polomes. Lembro-me do velho Zé Trinta e do Miguel na Corredoura e do amigo Malaquias na Rua Santos Bernardes, em frente onde hoje se encontra o Banco Totta. Mas a actividade deste Largo não se cingia aos ferradores. Casas de bicicletas eram cinco: a do Zé Bonabal, a do Flores, a do Celestino (ainda vivo), a do velho Cola e a do Francisco Inácio, natural de Casalinhos de Alfaiata – o primeiro ciclista do concelho a ganhar uma volta a Portugal, (em 1941, pelo Sporting Clube de Portugal). Por sua vez, a Rua Dias Neiva, que liga o Largo dos Polomes ao Largo de São Pedro, era a rua mais movimentada da vila, pois nela existia a maior parte dos armazenistas, tais como o Raul Alves, o Fonseca & Lisboa, o Florêncio Augusto Chagas, a Central Cafeeira e ainda lojas diversas.
Enfim, ao olharmos para trás, registe-se com alguma nostalgia o nome de actividades que foram inevitavelmente desaparecendo, pois, nesse tempo, para além do comércio tradicional, distribuíam-se pelas ruas do centro histórico os correeiros e os albardeiros, os funileiros e o amola-tesouras, os ferreiros, os barbeiros, os sapateiros e as ajuntadeiras, e outros artesãos.
No princípio dos anos cinquenta – época da minha infância – as ruas e os largos eram os locais privilegiados para os miúdos brincarem, desenvolvendo as suas aptidões físicas e a sua capacidade inventiva. O futebol era sem dúvida o jogo mais desejado, pois em qualquer recanto que desse para colocar duas pedras no chão a servir de baliza estava montado o sítio para jogar. E havia muitos. No meu caso, era o pátio Alfazema – mais conhecido pela Caldeira, porque havia aí uma caldeira de destilação de bagaço pertencente à casa Neiva Vieira, onde até há pouco esteve a laborar uma oficina de mármores. Mas se houvesse uma bola lá estávamos nós. Ainda me lembro de jogar com os irmãos Campos – no beco (agora com o topónimo Travessa Madeira Torres), ou no pátio da Casa Primavera (nas traseiras da Tuna), e serem estes os primeiros palcos da nossa infância. Por vezes as jogadas eram interrompidas pela presença inesperada dos polícias que moravam na Encosta de São Vicente, mais a do Pencudo que vinha do Paul. Eram homens que nunca nos incomodavam, embora a sua presença imprimisse respeito. Porém, mal nos viravam as costas a jogatina recomeçava.

 ***
Pela amizade que sempre nos uniu quero, publicamente, deixar registada a minha solidariedade e preocupação para com Vítor Campos, velho companheiro das lides de infância, face ao momento difícil que atravessa.

(Texto escrito ao abrigo do antigo acordo ortográfico)


17 julho 2013

RECORDAR LEONEL TRINDADE





Hoje é dia do seu aniversário: nasceu  em 16 de Julho de 1903 - há 110 anos - e faleceu em 4 de Janeiro de 1992.

Marcou a arqueologia pré-histórica portuguesa pelas inúmeras jazidas que descobriu e investigou. As mais conhecidas são o Castro Eneolítico do Zambujal, (ver AQUI também) a cerca de 3 km da cidade de Torres Vedras, e o Tholos de Paimogo. Mas há muitas mais, como a necrópole do Cabeço da Arruda, a Cova da Moura ou o povoado eneolítico do Penedo. 








Em 1999 a Cooperativa de Comunicação e Cultura de Torres Vedras, com o apoio do Governo Civil de Lisboa e da Câmara Municipal de Torres Vedras, publicou a biografia de Leonel Trindade, da autoria de Cecília Travanca: Reconhecer Leonel Trindade. É um documento precioso para o conhecimento da figura e da obra deste ilustre torriense. 





Foto do livro RECONHECER LEONEL TRINDADE

Neste espaço, situado nas antigas instalações do Museu Municipal, na R. Serpa Pinto - hoje ocupado por instalações da Misericórdia -  passava Leonel Trindade muitas horas a estudar e a reconstruir peças de cerâmica a partir de fragmentos encontrados nas escavações.
As novas gerações de professores de História de Torres Vedras iam ali falar com ele para aprenderem um pouco do muito que ele sabia.

01 julho 2013

"PATRIMÓNIOS" no semanário BADALADAS

nº 45 - publicado em 28 de Junho de 2013

O MEU CLUBE É O TORREENSE – ALGUMAS ESTÓRIAS

 (3ª Parte)

 NINÉU

Não vou escrever sobre o Torreense, instituição que faz parte do nosso património, do qual nos orgulhamos, e que já por três vezes esteve entre os grandes do futebol nacional.
Aproxima-se 2017, ano em que se irá comemorar o 1º centenário do clube, designadamente com a publicação de um livro contendo toda a sua história.
Nesta circunstância, cabe-me apenas relatar alguns factos pessoais.
Comecei a ir ao Campo das Covas muito cedo, pela mão do meu pai. Ao domingo, depois do almoço, íamos ao café do Borba, em frente à igreja de São Pedro. Mal acabava de beber um garoto punha-me na alheta para ver os remates potentes do Sidónio que me deixavam entusiasmado.
Nessa altura fazia recortes dos jornais desportivos, pois o meu pai, sendo caixeiro-viajante, trazia resmas de jornais das suas viagens.

"PATRIMÓNIOS" no semanário BADALADAS


Nº 42 - publicado em 26 de Abril de 2013

PESQUISAS NO CENTRO HISTÓRICO – LARGOS, IGREJAS E GRANDES EDIFÍCIOS
(5ª Parte)

EMANUEL CARVALHO
(Assistente de Arqueólogo)

Algumas áreas do Centro Histórico foram objecto de intervenções de natureza arqueológica: no largo de São Tiago (popularmente conhecido como ‘praça da batata’) foram encontrados vestígios de casas, espólio cerâmico e diversas peças de osso utilizadas para afiar foices (designadas safra de osso), atribuídas aos séculos XIV/XV.
Na rua Cândido dos Reis (junto ao Chafariz dos Canos), foi revelado um troço da muralha fernandina, vestígios de habitações e foi ainda possível confirmar a existência da porta de entrada da vila, conhecida por ‘Porta da Corredoura’. É possível observar o que resta deste troço de muralha e das restantes estruturas arqueológicas, uma vez que foram integradas na obra e mantidas sob protecção, actualmente visíveis através de vidraças – sendo apenas de lamentar a não existência de qualquer sistema de iluminação e informação com interpretação no local.

30 junho 2013

"PATRIMÓNIOS" no BADALADAS

Nº 41 - Publicado em 5 de Abril de 2013


Pesquisas no Centro Histórico -antigos Paços do Concelho
(4a parte)

Emanuel Carvalho
[ Assistente de arqueólogo ]

De entre o conjunto de intervenções arqueológicas levadas a cabo no Centro Histórico de Torres Vedras nas últimas duas décadas, realizadas sobretudo no contexto de obras de construção civil, municipais e pri­vadas, temos a destacar as escavações no edifício dos antigos Paços do Concelho.
Nesse local, durante as obras de reabilitação, foi recolhido em toda a área do piso térreo um vasto conjunto arqueológico de grande im­portância para a compreensão da história torriense.
A escavação total de um poço rectangular com 16 metros de pro­fundidade, usado até ao século XX para captação de água, veio a re­velar aos arqueólogos um espólio verdadeiramente extraordinário, não só pela qualidade como pela quantidade e variedade dos elementos encontrados. O poço encontra-se actualmente integrado no espaço dos antigos Paços do Concelho, podendo ser observado no pátio do piso térreo.

29 junho 2013

A ASSOCIAÇÃO DO PATRIMÓNIO DE TORRES VEDRAS NA FEIRA DE S. PEDRO 2013






O nosso espaço encontra-se no Pavilhão B, Galeria Superior, junto de outras associações de carácter sócio-cultural.








O tema da exposição é o Centenário da Luz Eléctrica em Torres Vedras. Exposição documental da autoria de José Pinto Gouveia e José Pedro Sobreiro, mostra-nos em 7 painéis a evolução da luz eléctrica no nosso concelho desde 1912 até hoje.

Passe por lá.

21 junho 2013

MAIS QUATRO MONUMENTOS CLASSIFICADOS DO CONCELHO DE TORRES VEDRAS

Página do jornal BADALADAS, Torres Vedras
de 21 Junho 2013



RIQUEZA MONUMENTAL DE TORRES VEDRAS
MAIS QUATRO MONUMENTOS CLASSIFICADOS

Durante o primeiro semestre deste ano Torres Vedras viu mais quatro monumentos classificados como de “Interesse Público”: Igreja de Santiago, na cidade; Igreja de S. Lucas, na Freiria; Ermida do Senhor do Calvário, em Matacães; e Estância Termal de Vale dos Cucos. A importância deste reconhecimento é óbvia. O património edificado é, cada vez mais, um recurso inestimável para a valorização cultural e turística do território. Além disso, reforça o sentimento de pertença e de identidade da comunidade torriense, cada vez mais consciente da espessura histórica que a caracteriza. A relevância deste acto administrativo é sublinhada pela legislação que a suporta (Lei nº 107/2001, de 8 de Setembro) quando refere que o património cultural é «constituído por todos os bens – materiais e imateriais – que, sendo testemunhos com valor de civilização ou de cultura portadores de interesse cultural relevante, devem ser objecto de especial protecção e valorização.» E mais adiante: «O interesse cultural relevante (…) reflectirá valores de memória, antiguidade, originalidade, raridade, singularidade ou exemplaridade.»

*




ERMIDA E SÍTIO DO SENHOR JESUS DO CALVÁRIO

Lugar relevante na paisagem física e cultural do concelho de Torres Vedras. A capela foi reedificada em 1771 por intermédio de D. Francisco Mendo Trigoso, bispo de Viseu, que obteve do Papa Pio VI regalias de altar privilegiado, em 1779, conforme inscrição do lado direito da capela-mor. A primeira referência conhecida data de 1632, ano em que foi concedido ao templo licença para nele se celebrar missa. Integra alguns importantes elementos de património: mármores no altar-mor, pia baptismal e lavabo da sacristia; uma imagem tutelar de Cristo Crucificado, data de 1712; brasão de armas do bispo sobre o arco triunfal; azulejaria figurativa dedicada à Paixão de Cristo (na capela) e Santo António (na sacristia, constituindo este o anterior orago do templo) e diverso mobiliário litúrgico.



*



ESTÂNCIA TERMAL DE VALE DOS CUCOS

Foi inaugurada em 1893, no local onde há cerca de um século existam já algumas estruturas incipientes destinadas a banhos, aproveitando águas terapêuticas documentalmente
referenciadas desde meados do século XVIII e provavelmente canalizadas desde a época romana. O plano inicial, desenvolvido após a descoberta de uma nascente particularmente abundante, previa a construção de uma grandiosa vila termal. Apesar de ter sido apenas parcialmente implantado, trata -se do único exemplo a nível nacional onde é traçado
de raiz o conjunto de equipamentos essenciais ao funcionamento de um estabelecimento termal, detendo valor patrimonial ímpar. O conjunto termal é composto pelo edifício principal, centrado num largo de grandes dimensões, pela fonte termal ou buvette, por um hotel e casino, duas moradias, capela, oficinas de preparo de lamas e de águas e balneário, cuja fachada neo -clássica se levanta no extremo de extensa e imponente alameda arborizada. 



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IGREJA DE S. LUCAS – FREIRIA

Foi fundada nos finais do século XV, inícios do século XVI, apresentando vestígios arquitectónicos da época manuelina. A estrutura foi reformada e ampliada no século XVII. 
Fachada de linhas maneiristas, de gosto chão, rematada por frontão. Ao centro, foi rasgado o portal principal de moldura rectangular com pilastras toscanas e frontão triangular, encimado por janela com o mesmo modelo. Do lado direito, ergue-se a torre sineira. 
Na fachada lateral direita encontra-se um portal manuelino, de arco polilobado. Interior de naves, de cinco tramos, em arco redondo. A capela baptismal, que alberga uma pia manuelina, é decorada com silhar de azulejos de tapete seiscentistas. 
O espaço é decorado por vários conjuntos de tábuas, datadas de diferentes épocas. Retábulo de talha dourada, na capela-mor, de manufactura seiscentista, e nas paredes estão dispostas quatro tábuas, também datadas do século XVII. A sacristia possui um painel de azulejos polícromos, executado em 1656, com a seguinte inscrição: "QVINTELA FECIT". 





*


IGREJA DE SANTIAGO (cidade)

Reconstrução quinhentista de um edifício primitivo, tendo sofrido várias obras de remodelação, nomeadamente no século XVIII. Da primeira campanha de Quinhentos restam alguns janelões, contrafortes, e o portal principal, de arquivoltas redondas inteiramente cobertas por lavores manuelinos. A fachada é de remodelação mais tardia.
Abóbada de berço de caixotões na nave, única e muito larga, e abóbada de cruzaria simples na capela-mor, sendo esta revestida com grandes silhares de azulejos setecentistas. Pia baptismal, semelhante à da Igreja de Santa Maria do Castelo, e a escada de caracol do coro alto, em pedra, ambos do século XVI. O cadeiral do coro, muito danificado, é datado de 1634 e coevo do interessante púlpito de mármore que enriquece a nave. 



07 junho 2013

NOVOS MONUMENTOS CLASSIFICADOS DE TORRES VEDRAS

Termas dos Cucos

Aguardava-se há muito a classificação de alguns exemplares do património edificado do concelho de Torres Vedras. Os processos haviam sido abertos há alguns anos e já receávamos que não viessem a ser concluídos. Confirmámos agora a conclusão de quatro desses processos. A saber:

1 - Igreja matriz da Freiria, da invocação de S. Lucas, Torres Vedras.
      Classificado como MONUMENTO DE INTERESSE PÚBLICO pela Portaria nº 147/2013, no Dº
      República, 2ª série, nº 53, de 15 de Março de 2013.

2 - Ermida e Sítio do Senhor Jesus do Calvário em Matacães, Torres Vedras
      Classificada como SÍTIO DE INTERESSE PÚBLICO pela Portaria nº 232/2013, no Dº República, 2ª
      Série, nº 72, de 12 de Abril de 2013. Ver também:
       http://www.igespar.pt/media/uploads/consultaspublicas/ERCalvario2.pdf

3 - Igreja de Santiago de Torres Vedras.
      Classificada como MONUMENTO DE INTERESSE PÚBLICO pela Portaria nº 290/2013, no Dº
      República, 2ª Série, nº 92, de 14 de Maio de 2013. Ver também:
      http://www.igespar.pt/pt/patrimonio/pesquisa/geral/patrimonioimovel/detail/70832/
     

4 - Estância Termal de Vale dos Cucos.
      Classificada como MONUMENTO DE INTERESSE PÚBLICO pela Portaria nº 318/2013, no Dº
      República, 2ª Série, nº 106, de 3 de Junho de 2013. Ver também:
      http://dre.pt/pdf2sdip/2013/06/106000000/1770217702.pdf
     

 Recordamos que o património edificado tem três graus de classificação, por ordem decrescente de importância relativa: Monumento Nacional, Monumento de Interesse Público e Monumento de Interesse Municipal.
Para ver mais pormenores sobre o assunto:
 http://www.igespar.pt/pt/patrimonio/classificacaodebensimoveisefixacaodezep/

Aguarda-se a classificação das 1ª e 2ª Linhas de Defesa de Lisboa ( Linhas de Torres Vedras), cujo anúncio de abertura de procedimento foi publicado no Dº República, 2ª  série, em 2 de Janeiro de 2013.

02 junho 2013

MEMÓRIAS - O coreto do Jardim da Graça


Enquanto a Banda da Juventude Musical Ponterrolense enchia de sons vibrantes o espaço do Jardim da Graça, os assistentes que por ali andavam cumprimentavam-se em reencontros de conversas antigas. Pedro Carimbo conduzia a Banda no bairro dos sons e nós relembrávamos concertos de outras eras, tão intensamente ouvidos ontem e ainda tão presentes hoje.

O velho coreto, que mora só na saudade dos que o viram:




No abraço da despedida veio o pedido de um escrito que resgatasse do esquecimento o velho coreto.
Maria Laura Madeira respondeu. Comovidamente agradecemos este texto de Memória revisitada.

Um Coreto será, em qualquer terra portuguesa, um monumento daqueles que não deveria levantar polémicas a ninguém. Monumento, sim, património monumental que atesta e faz parte de um grande salto no progresso civilizacional dos povos. Era destinado a fazer conhecer e amar a música, a mais universal das linguagens. À volta do Coreto se reuniam as pessoas que queriam gostar de música, ouvir música, sentir o seu semelhante numa dimensão de fraterno respeito pela música e pelos seus valores.

         À volta do Coreto brincavam as crianças, em noite de concerto, obrigadas apenas a guardar silêncio e consideração pelos outros, e muitas delas já eram fascinadas pelos metais reluzentes, donde saíam sons maravilhosos. A Vila, em noite de concerto, inundava-se duma beleza quase mágica, o Jardim enchia, as esplanadas próximas fervilhavam de gente animada de um sorriso bom. Os nossos músicos das Bandas eram muitos deles também bombeiros voluntários, o que dava ainda mais valor ao evento.

         Gente de todas as idades, homens e mulheres, eram bem mais felizes nas noites de concerto. Por norma, as mulheres não frequentavam os cafés, saíam pouco, mas em noite de concerto da Banda a liberdade punha um retoque garrido e vinha espreitar a vida. A vida, que era difícil, com privações e muito trabalho, mas as pessoas acreditavam na força do estudo, do trabalho, da solidariedade. Era assim no meu Bairro, afortunadamente muito perto do Jardim da Graça, palco de sadias brincadeiras e de grande respeito pelas árvores, pelas flores, pelos animais que por ali se nos juntavam. O relógio da Graça comandava o tempo e, se algum fogo acontecia algures pelo concelho, logo alguém aparecia a correr para tocar o sino a rebate. Ninguém deveria ter levado a corda e retirado o sino. É dos pequenos monumentos humanos que mais nos devemos lembrar, eles são a semente de coisas que nunca deverão morrer entre os homens; a ajuda solidária é uma delas. Não desprezo as heranças monumentais de porte que embelezam as terras, todavia algumas não serão de todo repositório das melhores lembranças do passado.

          Sentindo-me alguém com direito a viver feliz, eu fui muitas vezes pendurada no braço do meu saudoso Avô, que usava a melhor gravata, assistir aos concertos das várias bandas que se exibiam no nosso Coreto. Quando o sr. Pombal batia com os pratos dourados, aquele «tchim» deixava-me arrepiada, ecoava na alma das crianças, que paravam todas para saborear o momento. O ilustre maestro, prof. Amorim, lindo como um Pierrot de porcelana sob a luz dum círculo de lâmpadas, é o quadro inesquecível que jamais conseguirei materializar.

           Meu querido Coreto, pintado de verde escuro, com um vão por baixo repleto de mistérios, onde foste parar?
            Ah, volta! Quem sabe podes ficar na praceta da rua Henriques Nogueira, ao pé do adorável Padre Joaquim Maria de Sousa, ali tão sozinho entre o limite de algumas colunas truncadas?... Pelos muros das Escolas e das casas da área, as pessoas podem ajeitar-se para ouvir música, muita música, toda a música.
          Salvem também o Coreto do Choupal, um elo na dinamização da área, para o embelezamento duma cidade que é de todos, onde poderão vir a nascer pequenos negócios, residenciais simpáticas, espaços amorosamente ajardinados nas margens do rio Sizandro, que merece vir a ser um espelho de água, o lugar para surgirem trabalhos de arte, esculturas, símbolos simples, onde cada um se expanda e se reveja.

           Deixo a pedido o testemunho duma menina de lacinho que se maravilhou da sua terra e não sabia que era poeta. Se pode valer alguma coisa, aqui fica.

Com amor, Maria Laura Madeira/2013