28 outubro 2012

CHAFARIZ DOS CANOS - ENFIM RESTAURADO






CHAFARIZ – ENFIM RESTAURADO

Com o recente restauro do Chafariz dos Canos o município torriense redime-se de um longo período de menosprezo por aquele que é, sem dúvida, o seu mais precioso monumento histórico.
São sete séculos a proporcionar um bem essencial – a água – configurados na melhor arquitectura medieval, que se oferecem ainda hoje ao nosso deslumbramento, perante esta obra pública de parceria régia e municipal do tempo em que a municipalidade se afirmava na construção de Portugal. Um monumento assim tão rico de implicações históricas e sociais e tão raro valor artístico só merecia ser dignificado.
Por isso deve merecer-nos a maior gratidão o empenho posto no seu restauro da histórica fonte gótica assim como a devolução do protagonismo que lhe era devido naquele espaço, retirando-lhe da frente todo o ruído que se interpunha à sua leitura integral.

NO ENTANTO…
No entanto, se o essencial foi feito e por todos deve ser reconhecido, alguns aspectos, certamente corrigíveis, se nos afiguram como menos conseguidos.
É provável que, por agora, estranhemos o ar de cara lavada ou o aspecto de “pó de talco” que parece envolver toda a construção, consequência da limpeza da pedra e do tratamento das argamassas. Mas o tempo se encarregará de lhe devolver uma “patine” mais familiar. Pena é que a solução final da pintura não mantivesse a cor amarelo ocre
na corda manuelina e no friso superior do muro, que longe de ser um devaneio popular, constitui característica da a”arte mudéjar” que inspira toda a parte superior do conjunto – o coroamento de merlões e coruchéus.

Quanto ao arranjo do largo, pesa um pouco a sensação de vazio, talvez devida à uniformidade do piso, que assim se amplia visualmente. Mas estranho mesmo é a opção por formas e materiais pouco conviventes com o monumento (embora saibamos que é essa a intenção) como é o caso do enorme banco de mármore branco e o candeeiro preto, a um dos cantos. Também aquela árvore ali plantada, frente ao passo, nos aparece como forçada, sem função nem contributo estético que se veja.
A ideia do espelho de água justifica-se, conjugando memória histórica do tanque e valorização cénica. Mas não precisava de ocupar todo o espaço do pequeno largo (e ninguém se lembrou dos pombos!).



E porque não reintegrar os pilares esculpidos com “golfinhos” que eram parte da estrutura do tanque e se encontram desterrados em frente à capela de S.João?





Embora se trate de pormenores, sempre remediáveis, são aspectos que não contribuem para a criação de uma atmosfera de intemporalidade que, quanto a nós, deve presidir a intervenções em espaços carregados de passado.

José Pedro Sobreiro






* * * 


UM TRABALHO NOTÁVEL

Em 2 de Junho de 2006 o BADALADAS trazia na primeira página, em grandes destaque, uma fotografia do Chafariz dos Canos com o título “Chafariz perto da ruína”. Na pág. 3 a jornalista Ana Alcântara dava conta do alerta lançado pela Associação para a Defesa e Divulgação do Património de Torres Vedras - o tempo e a incúria dos homens estavam a arruinar, de modo quase irreversível, aquele monumento, de características únicas no país.
Seis anos passados, aquela Associação saúda calorosa e publicamente, o trabalho de restauro que acaba de ser realizado. E sublinha: ele resulta de uma escolha acertada da Câmara Municipal que o adjudicou a uma das melhores empresas do sector, com valiosos trabalhos realizados em Portugal e no estrangeiro, a empresa Nova Conservação, com sede em Lisboa (www.ncrestauro.pt). 




* * *

Durante alguns meses vimos o velho monumento entaipado e rodeado do estaleiro de obra



Andámos lá por dentro, a ver as obras, com as explicações pacientes e sabedoras dos técnicos.









* * * 

AO LONGO DO TEMPO



"Arquivo pitoresco" 1865




No princípio do século XX era o formoso tanque com seu gradeamento em ferro forjado apoiado em pilares esculpidos (golfinhos), que estendia ao gado muar a generosa dádiva do chafariz, onde a população se abastecia.






Depois, cerca dos anos 40, veio o progresso e a higiene, foram-se os burros e vieram os automóveis...! E o tanque foi à vida.





Nos anos setenta retirou-se o “stand” mas, para não ficar muito vazio, embelezou-se com um pequeno jardim, com bancos de costas voltadas para o monumento, que ficava lá atrás.





Hoje, finalmente, o monumento respira, restaurado, ocupando o seu lugar na praça, oferecendo-se na sua beleza à nossa admiração de monumento singular.



Este post reproduz e amplia a página LUGAR ONDE publicada no jornal BADALADAS em 26 de Outubro de 2012.
Fotos de José Pedro Sobreiro, Joaquim Moedas Duarte e do arquivo da Biblioteca Municipal de Torres Vedras.

22 outubro 2012

OBRIGADO PELAS VOSSAS VISITAS



Os gráficos de visitas ao blog da Associação do Património de Torres Vedras indicam que estamos a ser seguidos e lidos por um crescente número de pessoas.

Veja-se o do mês (23 Set a 23 Out):






Em relação ao tempo total, desde o início do blog em Maio de 2008 até hoje:




O contador de visitas indica um total de 42 019 desde 2008.
Aos amigos e pessoas interessadas que aqui nos visitam expressamos o nosso reconhecimento. As vossas visitas são o melhor incentivo para prosseguirmos este trabalho de defesa e divulgação do nosso Património.

Somos voluntários, sem qualquer interesse pecuniário. Gostaríamos de contar com mais colaboradores que se dispusessem a dar o seu contributo. Há muitas possibilidades de realizarmos coisas interessantes.

Contactem-nos, usando o nosso mail e deixando os vossos dados.

addpctvedras@gmail.com

Obrigado

21 outubro 2012

TERMAS DOS CUCOS - Imagens de uma visita guiada




Estamos habituados a ver as Termas dos Cucos apenas do lado de fora. O jardim bem arranjado e os edifícios pintados e bem conservados. 
A curiosidade gerava a interrogação: como estão as instalações por dentro?
Feito o contacto, agendámos a visita para 20 de Outubro.

Em baixo:
O sr. Paulo Neiva Vieira, um dos proprietários da estância termal, a quem agradecemos a disponibilidade para nos acompanhar e guiar pacientemente nesta visita em que participaram cerca de 150 pessoas.
Mais atrás, encostado à porta, o sr. Ramiro Fernandes, que trabalha nos Cucos há 61 anos e que mantém limpo e bem tratado o belo jardim envolvente. 
Aos dois, o nosso reconhecimento.





* * * 


Joaquim Moedas Duarte, da Direcção da Associação do Património de Torres Vedras, inicia a visita.


O interior do edifício principal mantém a grandeza e o carácter daquela que foi uma das principais estâncias termais do país na área das doenças reumatológicas e artríticas. Deixou de funcionar em 1998 e a degradação começa a instalar-se. Só com avultados investimentos será possível reactivá-la.






 A secretária do Dr. José António Neiva Vieira, o último médico proprietário das Termas, insigne hidrologista, tragicamente desaparecido num brutal acidente em 1987















No projecto inicial previa-se a construção de 40 chalets para habitação e alojamento de termalistas. Foram construídos 2. Este, "D. Feliciana", ainda foi usado como hotel. Entrámos lá dentro:







* * *

Voltámos ao jardim e dirijimo-nos ao edifício conhecido por "Casino" mas que era apenas um espaço de convívio e restaurante








Entremos:





* * * 

No lado oposto ao casino encontra-se a chamada buvette, captação de água na nascente:
















Cá fora, ali perto, parámos junto ao tanque das lamas medicinais. Era o fim da nossa visita.



Pela majestosa álea central regressámos à estrada que nos traria de volta a Torres Vedras.



(Fotos: Joaquim Moedas Duarte
@ Associação para a Defesa e Divulgação do Património Cultural de Torres Vedras)

19 outubro 2012

TERMAS DOS CUCOS: MONUMENTO DE INTERESSE PÚBLICO



O processo de classificação das Termas dos Cucos como Monumento de Interesse Público (MIP) tem estado em estudo há já alguns anos. Por isso, registámos com muito agrado, o "PARECER" da Secção do Património Arquitectónico e Arqueológico do Conselho Nacional de Cultura, datado de 26 de Março de 2012, no qual se propõe a classificação das Termas como MIP - Monumento de Interesse Público - bem como a definição de uma Zona Especial de Protecção (ZEP).
Aguardamos, agora, que o processo seja concluído com a promulgação governamental das classificações propostas.



Entretanto foi publicado em DR no dia 4 de Setembro de 2012 o Anúncio nº13380/2012 no qual se estabeleceu o prazo de 30 dias de consulta pública do processe de classificação, o qual já terminou. Aguardamos, pois, a publicação no Diário da República.


17 outubro 2012

TERMAS DOS CUCOS - A História





VEDROGRAFIAS, o excelente blog de Venerando de Matos, é um repositório precioso sobre a História de Torres Vedras.
Deixamos aqui a ligação para os apontamentos que nele encontramos sobre as Termas dos Cucos:

15 outubro 2012

TERMAS DOS CUCOS - A nossa próxima VISITA GUIADA




No dia 20 de Outubro, pelas 14H30, iniciaremos uma visita guiada às Termas dos Cucos, em que seremos acompanhados por um dos seus proprietários, Paulo Neiva Vieira e por Ramiro Fernandes que lá trabalha há 61 anos.

As fotos do lugar e o artigo muito interessante  publicado há 20 anos pelo semanário torriense BADALADAS servem aqui de motivação para mais esta jornada de divulgação do nosso património








Fotos (C) J. Moedas Duarte - Nov 2011

* * *

TERMAS DOS CUCOS – HOJE COMO DANTES
J. Paulino Pereira

BADALADAS ( Semanário de Torres Vedras), 
11 / Dezembro / 1991

Há mais de dois séculos que as águas mineromedicinais dos Cucos têm sido notícia e tema de conversa.
Já em 1646, o Dr. Moniz de Carvalho, médico do partido mu­nicipal de Torres Vedras, descobria o seu valor terapêutico, muito embora a população as usasse, empiri­camente, tempos antes para alívio dos diversos males.
Desde então multiplicaram-se os estudos e as publicações médi­cas, iniciadas em 1810 pelo Dr. Francisco Tavares, da Universidade de Coimbra, até ao consagrado hidrologista, Professor Armando Narciso, de Lisboa, que sublinhou no seu último trabalho sobre as termas dos. Cucos, a sua essencial vocação para reumáticos e gotosos.
Será, todavia, em 1815, a partir da arrematação em hasta pública da Quinta da Macheia e o Sítio dos Cucos, por João Goncalves Dias Neiva, que as Termas conhecem um período de grande desenvol­vimento. Através dos tempos, esta propriedade tem-se mantido una e indivisa, transmítindo-se como um vínculo, de tios a sobrinhos e de pais a filhos. Para sua valorização realizaram-se melhoramentos das instalações balneares, protegendo-as das arremetidas do Sizandro, então pujante e despoluído no seu curso.