Duas turmas da Escola Secundária Henriques Nogueira e respectivos professores, acompanhados por dois técnicos superiores da Câmara Municipal, abordaram o programa TORRES AO CENTRO e depois visitaram os lugares que estão a ser intervencionados.
Tal como já tínhamos referido, foi mais uma iniciativa do "ANDAR NA RUA".
Fotos para memória futura:
08 novembro 2012
PONHA-SE NA RUA !
ANDAR NA RUA é um grupo de cidadãos que se constituiu há um ano e que passeia pelas ruas do Centro Histórico de Torres Vedras todas as Quinta-feiras às 21H00.
Hoje começam na sede da TRANSFORMA, no Largo do Município, com uma pequena palestra sobre o programa de reabilitação urbana TORRES AO CENTRO.
Numa noite destas, o grupo esteve junto do
Chafariz dos Canos, com o prof. Venerando de Matos.
Depois vão para a rua, passear!
Lá estaremos com eles.
Quer vir connosco? Se não puder ser hoje... pode ser para a semana...
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Associação para a Defesa e Divulgação do Património Cultural de Torres Vedras
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Andar na rua
06 novembro 2012
CENTENÁRIO DA ELECTRICIDADE EM TORRES VEDRAS
Torres Vedras, Praça do Município, início do séc XX.
Ao fundo, em cima de uma escada, é visível um homem a acender um candeeiro, presumivelmente a petróleo.
A janela da esquerda dos Paços do Concelho era a da cadeia.
Em 1 de Dezembro de 1902 foi inaugurada em Torres Vedras a central geradora de electricidade que colocou a vila de então na era da noite técnica ( Joel Serrão).
A Associação para a Defesa e Divulgação do Património Cultural de Torres Vedras está a preparar um pequeno programa comemorativo, em colaboração com a Câmara Municipal, de que daremos conta brevemente.
O FOGAREIRO DA CASA HIPÓLITO NO MUSEU MUNICIPAL DE TORRES VEDRAS
Fogão Hipólito nº 2
Atividade
“Peça do Mês” prossegue no Museu Municipal Leonel Trindade
O fogareiro a petróleo é em Novembro a “peça do mês” no Museu Municipal de Torres Vedras.
Esta “peça” vai ser apresentada
no próximo dia 14 de novembro, pelas 19h, neste local, por Rui Brás (Chefe de
Divisão da Câmara Municipal de Torres Vedras). Mais concretamente será apresentado o fogareiro n.º 2 da
marca “Hipólito” [MMLT.002918].
De referir, a propósito desta ação, que a Casa Hipólito
foi fundada em 1900 e especializou-se nomeadamente no fabrico de fogareiros,
fluxómetros e candeeiros tipo "petromax”. Ficou especialmente famosa pelo
fabrico do "Fogão Hipólito Nº 2", um fogareiro a petróleo que pela
sua economia e portabilidade se tornou num autêntico “campeão” de vendas a
nível internacional.
(Comunicado da Área de
Comunicação da Câmara Municipal de Torres Vedras)
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Fogão Hipólito nº 2,
fogareiro a petróleo
04 novembro 2012
PATRIMÓNIO DO CONCELHO : boas notícias!
No site do IGESPAR podemos verificar que há 4 processos de classificação de Imóveis ou de estabelecimento de Zonas de Protecção que estão em consulta pública, o que significa que podem estar em vias de deferimento positivo.
Veja-se:
PROPOSTAS
DE CLASSIFICAÇÃO E PROTECÇÃO
DE IMÓVEIS DO CONCELHO DE TORRES VEDRAS
Igreja de
Nossa Senhora da Oliveira, freguesia de Matacães, concelho de Torres Vedras,
distrito de Lisboa
Foi
publicado no Diário da República, 2ª. série, nº 198, 12 de outubro de 2012, o Anúncio nº 13554/2012,
de 04 de outubro de 2012, que respeita à Consulta Pública relativa à fixação da
zona especial de proteção (ZEP), da Igreja de Nossa Senhora da Oliveira,
freguesia de Matacães, concelho de Torres Vedras, distrito de Lisboa.
Prazo para pronúncia dos interessados – 26 de novembro de 2012
Prazo para pronúncia dos interessados – 26 de novembro de 2012
*
Ermida e Sítio do Senhor Jesus do Calvário, freguesia de
Matacães, concelho de Torres Vedras, distrito de Lisboa, como área non
aedificandi e à fixação da respetiva zona especial de proteção (ZEP).
Foi
publicado no Diário da República, 2ª. série, nº 197, de 11 de outubro de 2012,
o Anúncio nº 13544/2012, de 02 de
outubro de 2012, que respeita à Consulta Pública relativa à classificação como
Monumento de Interesse Público (MIP) da Ermida e Sítio do Senhor Jesus do
Calvário, freguesia de Matacães, concelho de Torres Vedras, distrito de Lisboa,
como área non aedificandi e à fixação da respetiva zona especial de proteção
(ZEP).
Prazo para pronúncia dos interessados – 23 de novembro de 2012.
Prazo para pronúncia dos interessados – 23 de novembro de 2012.
*
Igreja
Matriz de Freiria ou de São Lucas, freguesia de Freiria, concelho de Torres
Vedras, distrito de Lisboa, e à fixação da respetiva zona especial de proteção
(ZEP).
Foi
publicado no Diário da República, 2ª. série, nº 196, de 10 de outubro de 2012,
o Anúncio nº 13532/2012,
de 24 de setembro de 2012, que respeita à Consulta Pública relativa à
classificação como Monumento de Interesse Público (MIP) da Igreja Matriz de
Freiria ou de São Lucas, freguesia de Freiria, concelho de Torres Vedras,
distrito de Lisboa, e à fixação da respetiva zona especial de proteção (ZEP).
Prazo para pronúncia dos interessados – 22 de Novembro de 2012
Prazo para pronúncia dos interessados – 22 de Novembro de 2012
*
Estância Termal de Vale de Cucos e respectiva ZEP,
freguesia de S. Pedro e Santiago, concelho de Torres Vedras, distrito de Lisboa
Foi
publicado no Diário da República, 2ª série, Nº 171, de 4 de Setembro de 2012, o Anúncio n.º 13380/2012, de 27 de
Agosto, que respeita à Consulta Pública relativa à classificação como Monumento
de Interesse Público (MIP) da Estância Termal de Vale de Cucos, freguesia de S.
Pedro e Santiago, concelho de Torres Vedras, distrito de Lisboa, e à fixação da
respectiva zona especial de protecção (ZEP).
Prazo de pronúncia dos interessados – 17 de Outubro de 2012
Prazo de pronúncia dos interessados – 17 de Outubro de 2012
FONTE DAS FIGUEIRAS - SANTARÉM E CHAFARIZ DOS CANOS - TORRES VEDRAS
Fonte das Figueiras
Foto J Moedas Duarte
Quando se fala no Chafariz dos Canos, refere-se de caminho uma outra fonte da mesma época (Séc XIV) mas raramente se dão mais pormenores sobre ela.
Publicamos hoje algumas fotos desse Monumento Nacional, com o texto descritivo retirado do site do IGESPAR.
Será interessante comparar esta construção com a de Torres Vedras.
«Localizada num ponto estratégico da cidade medieval, dentro do perímetro muralhado mas mantendo ligações privilegiadas com os núcleos ribeirinhos, a Fonte das Figueiras é um dos raros exemplos que chegaram até hoje de arquitectura civil gótica e de abastecimento de água às populações na Idade Média portuguesa.
Neste panorama extremamente fragmentário, os paralelos funcionais e artísticos mais imediatos estabelecem-se com a Fonte de Nossa Senhora da Conceição, em Atouguia da Baleia, - cujo arco principal é quebrado e o registo superior era coroado de ameias - e com o Chafariz dos Canos de Torres Vedras - cuja construção é contemporânea, provavelmente dos derradeiros anos do reinado de D. Dinis -.
Planimetricamente, a Fonte das Figueiras segue um modelo com outros exemplos em solo nacional e que, pensamos, ter tido efectivo sucesso neste tipo de equipamentos civis durante a nossa Baixa Idade Média: planta quadrangular delimitada por cunhais que sustentam um alpendre ameado, com arco quebrado aberto em cada alçado, sendo o principal de maior amplitude. O mesmo esquema encontramos na já citada Fonte de Nossa Senhora da Conceição e, praticamente um século depois, na Fonte quatrocentista da Vila de Ourém. As circunstâncias que permitiram a sua edificação são igualmente pouco comuns no panorama medieval português. Como se comprova pela presença de duas pedras de armas nos alçados mais importantes da fonte (a S. e a O.), a obra ficou a dever-se à acção conjunta do Município e do Rei, "D. Dinis, senão mesmo (...) D. Afonso IV" (CUSTÓDIO, 1996, p.57). Este facto, que faz com que o monumento ostente "o valor simbólico da protecção régia às obras municipais" (SERRÃO, 1990, p.38), contribuiu certamente para a excelente qualidade dos seus elementos constitutivos, produto de mão-de-obra especializada e com experiência na vasta dinâmica construtiva que por essa altura animava Santarém.
Particularmente interessante deste ponto de vista qualitativo é a acção de um mestre canteiro específico - de nome, ao que tudo indica, Ioannis, "pela forma alfabetiforme da sua sigla" -, responsável por um dos mais belos capitéis do monumento - conhecido como o "capitel dos três florões" - e que é presumivelmente o mesmo canteiro que trabalha no claustro do Convento de São Francisco de Santarém, onde uma sigla em tudo idêntica aparece numa mísula (TEIXEIRA, 1994, pp.182-183).
A qualidade artística da Fonte das Figueiras reparte-se também por toda a equipa que trabalhou ao lado deste canteiro-escultor, como se comprova pela diversidade decorativa dos elementos vegetalistas que ornam os capitéis. Esta variedade de formas foi já objecto de análise por parte de Francisco Teixeira (TEIXEIRA, 1994, p.184), e ainda que os paralelos estilísticos mais imediatos não sejam facilmente identificáveis - em especial pela dificuldade que hoje sentimos em caracterizar o Gótico lisboeta -, a Fonte das Figueiras insere-se plenamente no percurso artístico que a escultura vegetalista de capitéis trilhou ao longo do século XIV, desde os ensaios ainda imperfeitos do claustro da Sé de Lisboa até ao exemplo acabado da igreja Matriz da Lourinhã, seguindo a linha evolutiva traçada por Mário Chicó (CHICÓ, 1954, pp.118-120).»
PAF
Mais algumas fotos:
Foto J. Moedas Duarte
Foto J. Moedas Duarte
* * *
Fotos do site do IGESPAR ( acedido em 4 de Novembro de 2012:
* * *
Chafariz dos Canos
Anos 20/30 séc XX
Restauro de 2012
Texto descritivo retirado do site do IGESPAR ( acedido em 4 de Novembro de 2012):
«O Chafariz dos Canos é a mais monumental fonte gótica nacional que chegou até hoje. A primeira referência que se conhece data de 1331, pelo que a sua construção deve incluir-se ainda no reinado de D. Dinis, praticamente ao mesmo tempo que se realizava outra importante fonte gótica, a das Figueiras, em Santarém.
A contemporaneidade destas duas obras é importante para compreender as diferenças que existem entre elas. Enquanto que, em Santarém, se optou pelo esquema mais comum de fonte, de planta quadrangular, alpendre seccionado por arcos quebrados em cada alçado e tanque anexo de perfil rectangular (como nas fontes de Nossa Senhora da Conceição, em Atouguia da Baleia, e na da Vila de Ourém, esta já do século XV), o modelo adoptado em Torres Vedras é distinto e destinado a reforçar a monumentalidade do equipamento.
Com efeito, trata-se de uma obra de planta centralizada, sextavada, cuja face maior (a fundeira) se adossa a uma muralha que delimita a praça onde se implanta a fonte. Cada uma das cinco faces desafogadas possui ângulos reforçados por contrafortes formados por colunas adossadas com capitéis vegetalistas de dois andares, semelhantes a outros dos claustros de Lisboa e de Alcobaça, aquele da transição para o século XIV e este das primeiras décadas de Trezentos. Os panos do pentágono são uniformemente seccionados por arcos apontados de duas arquivoltas de aduelas molduradas, a interior repousando sobre finos colunelos adossados à caixa murária e a exterior em pequenas colunas, ambos dotados de capitéis vegetalistas de florões escassamente salientes do suporte. O coroamento destes panos é efectuado por modilhões de proa tipicamente góticos. O interior é preenchido por tanque rectangular de duas bicas e um pequeno corredor em seu redor, enquanto que a cobertura é em abóbada de cruzaria de ogivas apoiada em mísulas de perfil cónico.
Verificadas as diferenças ao nível da concepção planimétrica e volumétrica entre as fontes de Torres Vedras e de Santarém, há que notar a existência de outros pontos de contacto de vital importância. Um deles é o idêntico vocabulário estilístico, que coincide com a renovação escultórica aplicada ensaiada durante o governo de D. Dinis, em que se passou dos capitéis de crochet característicos do século XIII para uma flora comprovadamente naturalista. Outro é a preocupação que os promotores tiveram em deixar a sua marca através de brasões alusivos ao seu patrocínio. Quer em Santarém, quer em Torres Vedras, conservam-se lápides com as armas reais e municipais, o que revela não apenas "a convergência de esforços das duas autoridades" (ALMEIDA e BARROCA, 2002, p.154), como, principalmente, a relevância social e a importância económica de uma obra desta natureza, a ponto de os principais poderes do reino deixarem a marca inequívoca e propagandística da sua participação.
Praticamente dois séculos depois de concluído, o chafariz foi objecto de uma campanha arquitectónica que introduziu alguns elementos quinhentistas. Ela foi patrocinada pela infanta D. Maria, filha de D. Manuel I, em 1561, e deve ter sido motivada pela necessidade de reparações ao nível da cobertura. A estrutura inferior não parece ter sido alterada, mas ao nível do coroamento introduziram-se grossos merlões e pináculos de feição manuelina, assim como gárgulas com animais fantásticos. Mais que uma actualização estrutural ou estética, esta empreitada destinou-se a reforçar a monumentalidade da obra, que se viu beneficiada em altura e impacto visual.
Em 1613, refere-se que o chafariz apresentava sinais de degradação. No entanto, a documentação só menciona uma empreitada reparadora em 1831, por iniciativa do corregedor Pedro Quintela Emauz, que comemorou a sua acção com duas lápides em latim. No século XX, a DGEMN procedeu a obras de restauro em 1958 e 1966 e, em 2000, escavações arqueológicas revelaram parte da muralha medieval da cidade (Porta da Corredoura), que passava junto à fonte, protegendo-a.»
PAF
01 novembro 2012
CHEGAR MAIS LONGE
Temos como lema que A MELHOR FORMA DE DEFENDER O NOSSO PATRIMÓNIO É CONHECÊ-LO MELHOR.
Estamos a fazer um esforço para chegarmos até mais pessoas, levando mais longe esse conhecimento. Uma forma eficaz de o fazermos é aumentar a nossa visibilidade no FACEBOOK. Esta plataforma informática é como uma imensa Praça onde podemos encontrar muita gente e conversar, distribuir informações e convites para iniciativas públicas.
No entanto o facebook não permite a aceitação de mais de 5 000 amigos, número que já atingimos há muito. Por isso pedimos que optem pela opção SUBSCRITORES que não tem limitação de aderentes e permite receberem as nossas notícias.
O nosso objectivo é atingirmos o número de 5 000 SUBSCRITORES.
Pedimos que divulguem esta opção entre os vossos contactos.
É uma forma concreta de divulgar o nosso Património.
Obrigado.
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28 outubro 2012
Rubrica PATRIMÓNIOS no BADALADAS
A Associação para a Defesa e Divulgação do Património Cultural de Torres Vedras - ADDPCTV - continua a publicar regularmente no semanário BADALADAS de Torres Vedras uma coluna intitulada PATRIMÓNIOS, que temos vindo a transcrever neste blog ( ver na página PATRIMÓNIOS ).
Aqui ficam os dois mais recentes.
Nº 33 - Publicado em 19 de Outubro de 2012:
INTERVENÇÕES
CONTEMPORÂNEAS
JOSÉ
PEDRO SOBREIRO
Tendo,
no artigo anterior, abordado a renovação do Largo de S. Pedro, procurarei
apontar, nos limites desta coluna, o que considero aceitável, excessivo, ou
injustificado nos restantes espaços recentemente renovados.
Desta
abordagem quero exceptuar o importantíssimo restauro efectuado no Chafariz dos
Canos, monumento ímpar que tão desprezado foi ao longo de quase um século, e
cuja atitude responsável da nossa Câmara Municipal aproveito para louvar.
±±±±±±±±±
Relativamente
à ampliação da plataforma em volta do edifício religioso sobre o Largo Wellington, sou dos que se
interrogaram, sobre a sua pertinência. Criou-se um espaço de lazer (?) argumentando-se
com uma valorização do monumento, argumento não muito visível, dado que a sua
leitura permanece a mesma. Apenas registo a melhoria efectuada no arruamento a
norte, com a retirada dos veículos.
Não
compreendo a pavimentação (leia-se impermeabilização) de todo o lado sul, com
revestimento de pedra.
No
novo adro da igreja, demasiado amplo (talvez para servir de palco para umas
noites de fados?), utilizam-se materiais polidos, que não asseguram, nem física
nem visualmente, uma ideia de segurança e de conforto (veja-se, por exemplo, a
falta de guardas nos limites laterais).
Relativamente
ao Largo do Chafariz, procedeu-se à retirada de elementos (os canteiros)
devolvendo-se o protagonismo à fonte, que se afirma, finalmente desimpedida,
como elemento patrimonial notável, como sempre defendi.
Devo
dizer que propus, em 2006, no âmbito da ADDPCTV, a ideia de um espelho de água,
com dimensão aproximada ao antigo tanque, como referência em que se conjugassem
memória histórica e valorização estética. Mas nunca com a dimensão que lhe foi
dada.
Por
outro lado, discordo dos restantes elementos que lhe foram colocados:
do
enorme banco de mármore branco luzidio; do
estranho poste de iluminação (?) de
cor negra que se ergue, rígido e frio, ao canto da praça; da árvore isolada,
plantada quase em frente da capela dos passos e no enfiamento de um percurso, que
me parece desenquadrada daquela zona; do tipo de pedra utilizado no piso
(granito?), cuja cor e uniformidade acentuam em demasia a sensação de vazio; da
floresta de pinos metálicos que povoam todo aquele troço da rua da Corredoura,
pela sensação de violência visual que criam no passante.
E
lamento a não inclusão dos dois pilares com golfinhos, que eram parte do tanque
setecentista.
±±±±±±±±±
Discordo
em suma, deste estilo de intervenção que, a despeito de ser muito contido na
utilização de elementos novos (muito minimal), não deixa de se afirmar pelo
contraste dos materiais (o liso, o polido, o brilhante) em relação às
ambiências históricas pré-existentes, evidenciando uma excessiva vontade de
marcar a sua “contemporaneidade”, cedendo a modas, em vez de se apagar perante
uma ideia de servir a intemporalidade dos espaços carregados de passado (1).
No
plano da política urbana, resulta como evidente uma grande aposta na retirada
do trânsito e estacionamento automóvel, mal recebida pelo comércio local, na
justa medida em que esta obsessão anti-carro – qual higienismo pedonal – também
contribui para a desertificação.
E
também se torna evidente uma opção clara de tornar o Centro Histórico numa
espécie de “luna parque”, que definha
durante o dia mas se “anima” nalgumas noites. Assim o demonstrou a pressa com
que se programou, recentemente, um conjunto de espectáculos para exibir a obra
feita!
(1)
Este aspecto é extensivo a outras intervenções no Centro Histórico, já
realizadas e a realizar.
Texto
escrito ao abrigo do antigo acordo ortográfico
.............................................................................................................................................
Nº 34 - Publicado em 28 de Setembro de 2012
LARGO
DE S. PEDRO, O LARGO DOS BICOS
J. P.
SOBREIRO
O recente arranjo “dito” urbanístico do Largo
de S. Pedro enquadra-se num conjunto de intervenções que a Câmara Municipal tem
vindo a efectuar, no quadro do plano de reabilitação do Centro Histórico, e
mais precisamente do programa “Torres ao Centro”. Neste conjunto de acções
recentes integram-se o restauro do Chafariz dos Canos, o arranjo do respectivo
largo, a praça Wellington e toda a envolvente da Igreja.
Sobre todos estes projectos haverá algo a dizer,
desde a sua pertinência e oportunidade até às opções finais, passando pelo
próprio processo.
Saudando o restauro do Chafariz, no que à
conservação física do monumento diz respeito, quero, por agora, deter-me nos
arranjos da envolvente da igreja e sobretudo do largo.
Desde logo para questionar se aqueles
espaços, que balizam o monumento nacional, se encontravam em estado de
necessidade de renovação. Com a plataforma ampliada em volta do edifício
religioso argumenta-se que este ficará valorizado, sobretudo pela retirada dos
veículos, o que se pode aceitar principalmente no arruamento a norte.
Aliás, parece ser esta obsessão contra os
automóveis o motor de tanta intervenção.(1) E o
aspecto mais agudo desta obstinação residiu na opção de retirar o trânsito do
Largo de S. Pedro, vindo da Rua Dias Neiva – como se existisse aí algum
conflito – e desviá-lo, pasme-se, para a rua Cândido dos Reis, fazendo uma
curva apertada. Reagiram, e muito bem, os pequenos comerciantes, que ainda
garantem alguma vida no C.H., obrigando a uma alteração que repôs a circulação
de veículos no largo.
E é aqui que assistimos à intervenção mais
surreal de todo este processo, quando se opta por sinalizar a faixa de
circulação de veículos (dos que se atreverem a “macular” a pureza de tão
excelsa contenção) com aqueles separadores de forma triangular, negros, de uma
agressividade latente, ao pé dos quais a visão de um carro se torna um bálsamo
para a vista.
Como garras afiadas que se desprendem do
solo, aqueles objectos em cunha de forma triangular reforçada pela cor negra
produzem um tal contraste sobre a superfície esbranquiçada do pavimento, que
reclamam imediatamente a nossa atenção, intrometendo-se e comprometendo a
harmonia do largo e da igreja quinhentista.
Não apetece passear ali.
Aquilo é para se tornar agradável ao peão?
Será para gincana de bicicletas? Ou, mais profundo, para lembrar aos fiéis,
frequentadores da matriz paroquial, os espinhos desta vida terrena?
É certo que S. Pedro era pescador! Mas no
lago de Genezaré, na Galileia, não consta que houvessem tubarões, rondando a
presa com o bico das suas barbatanas negras…!
Existe, nestas intervenções levadas a cabo
pela CMTV, alguma ânsia de exibicionismo, uma espécie de marketing projectual,
que é denunciado por acções de pura ostentação, como são os eventos para ali
programados.
Coerência, bom senso e alguma humildade são
condições necessárias para se intervir em espaços históricos, que não devem
servir para satisfazer caprichos de autoria ou de afirmação autárquica.
Nas zonas históricas as intervenções devem
ser contidas, neutras, silenciosas.
Devem servir e não exibir-se!
(1) Não
se infira daqui que sou insensível à presença do automóvel no C.H. Apenas quero
lembrar que a sobredosagem do medicamento
pode ser prejudicial.
±
Texto escrito ao abrigo do antigo acordo ortográfico
CHAFARIZ DOS CANOS - ENFIM RESTAURADO
CHAFARIZ – ENFIM RESTAURADO
Com o recente restauro do Chafariz dos Canos o município torriense
redime-se de um longo período de menosprezo por aquele que é, sem dúvida, o seu
mais precioso monumento histórico.
São sete séculos a proporcionar um bem essencial – a água –
configurados na melhor arquitectura medieval, que se oferecem ainda hoje ao
nosso deslumbramento, perante esta obra pública de parceria régia e municipal
do tempo em que a municipalidade se afirmava na construção de Portugal. Um
monumento assim tão rico de implicações históricas e sociais e tão raro valor
artístico só merecia ser dignificado.
Por isso deve merecer-nos a maior gratidão o empenho posto no seu
restauro da histórica fonte gótica assim como a devolução do protagonismo que
lhe era devido naquele espaço, retirando-lhe da frente todo o ruído que se
interpunha à sua leitura integral.
NO ENTANTO…
No entanto, se o essencial foi feito e por todos deve ser
reconhecido, alguns aspectos, certamente corrigíveis, se nos afiguram como
menos conseguidos.
É provável que, por agora, estranhemos o ar de cara lavada ou o
aspecto de “pó de talco” que parece envolver toda a construção, consequência da
limpeza da pedra e do tratamento das argamassas. Mas o tempo se encarregará de
lhe devolver uma “patine” mais familiar. Pena é que a solução final da pintura
não mantivesse a cor amarelo ocre
na corda manuelina e no friso superior do muro, que longe de ser
um devaneio popular, constitui característica da a”arte mudéjar” que inspira toda a parte superior do conjunto – o coroamento
de merlões e coruchéus.
Quanto ao arranjo do largo, pesa um pouco a sensação de vazio,
talvez devida à uniformidade do piso, que assim se amplia visualmente. Mas
estranho mesmo é a opção por formas e materiais pouco conviventes com o
monumento (embora saibamos que é essa a intenção) como é o caso do enorme banco
de mármore branco e o candeeiro preto, a um dos cantos. Também aquela árvore
ali plantada, frente ao passo, nos aparece como forçada, sem função nem contributo
estético que se veja.
A ideia do espelho de água justifica-se, conjugando memória
histórica do tanque e valorização cénica. Mas não precisava de ocupar todo o
espaço do pequeno largo (e ninguém se lembrou dos pombos!).
E porque não reintegrar os pilares esculpidos com “golfinhos” que
eram parte da estrutura do tanque e se encontram desterrados em frente à capela
de S.João?
Embora se trate de pormenores, sempre remediáveis, são aspectos
que não contribuem para a criação de uma atmosfera de intemporalidade que,
quanto a nós, deve presidir a intervenções em espaços carregados de passado.
José Pedro Sobreiro
* * *
UM TRABALHO NOTÁVEL
Em 2 de Junho de 2006 o BADALADAS trazia na primeira página, em grandes destaque, uma fotografia do Chafariz dos Canos com o título “Chafariz perto da ruína”. Na pág. 3 a jornalista Ana Alcântara dava conta do alerta lançado pela Associação para a Defesa e Divulgação do Património de Torres Vedras - o tempo e a incúria dos homens estavam a arruinar, de modo quase irreversível, aquele monumento, de características únicas no país.
Seis anos passados, aquela Associação saúda calorosa e publicamente, o trabalho de restauro que acaba de ser realizado. E sublinha: ele resulta de uma escolha acertada da Câmara Municipal que o adjudicou a uma das melhores empresas do sector, com valiosos trabalhos realizados em Portugal e no estrangeiro, a empresa Nova Conservação, com sede em Lisboa (www.ncrestauro.pt).
* * *
Durante alguns meses vimos o velho monumento entaipado e rodeado do estaleiro de obra
Andámos lá por dentro, a ver as obras, com as explicações pacientes e sabedoras dos técnicos.
* * *
AO LONGO DO TEMPO
"Arquivo pitoresco" 1865
No princípio
do século XX era o formoso tanque com seu gradeamento em ferro forjado apoiado
em pilares esculpidos (golfinhos), que estendia ao gado muar a generosa dádiva
do chafariz, onde a população se abastecia.
Depois,
cerca dos anos 40, veio o progresso e a higiene, foram-se os burros e vieram os
automóveis...! E o tanque foi à vida.
Nos anos
setenta retirou-se o “stand” mas, para não ficar muito vazio, embelezou-se com um
pequeno jardim, com bancos de costas voltadas para o monumento, que ficava lá
atrás.
Hoje,
finalmente, o monumento respira, restaurado, ocupando o seu lugar na praça,
oferecendo-se na sua beleza à nossa admiração de monumento singular.
Este post reproduz e amplia a página LUGAR ONDE publicada no jornal BADALADAS em 26 de Outubro de 2012.
Fotos de José Pedro Sobreiro, Joaquim Moedas Duarte e do arquivo da Biblioteca Municipal de Torres Vedras.
22 outubro 2012
OBRIGADO PELAS VOSSAS VISITAS
Os gráficos de visitas ao blog da Associação do Património de Torres Vedras indicam que estamos a ser seguidos e lidos por um crescente número de pessoas.
Veja-se o do mês (23 Set a 23 Out):
Em relação ao tempo total, desde o início do blog em Maio de 2008 até hoje:
Aos amigos e pessoas interessadas que aqui nos visitam expressamos o nosso reconhecimento. As vossas visitas são o melhor incentivo para prosseguirmos este trabalho de defesa e divulgação do nosso Património.
Somos voluntários, sem qualquer interesse pecuniário. Gostaríamos de contar com mais colaboradores que se dispusessem a dar o seu contributo. Há muitas possibilidades de realizarmos coisas interessantes.
Contactem-nos, usando o nosso mail e deixando os vossos dados.
addpctvedras@gmail.com
Obrigado
21 outubro 2012
TERMAS DOS CUCOS - Imagens de uma visita guiada
Estamos habituados a ver as Termas dos Cucos apenas do lado de fora. O jardim bem arranjado e os edifícios pintados e bem conservados.
A curiosidade gerava a interrogação: como estão as instalações por dentro?
Feito o contacto, agendámos a visita para 20 de Outubro.
Em baixo:
O sr. Paulo Neiva Vieira, um dos proprietários da estância termal, a quem agradecemos a disponibilidade para nos acompanhar e guiar pacientemente nesta visita em que participaram cerca de 150 pessoas.
Mais atrás, encostado à porta, o sr. Ramiro Fernandes, que trabalha nos Cucos há 61 anos e que mantém limpo e bem tratado o belo jardim envolvente.
Aos dois, o nosso reconhecimento.
* * *
Joaquim Moedas Duarte, da Direcção da Associação do Património de Torres Vedras, inicia a visita.
O interior do edifício principal mantém a grandeza e o carácter daquela que foi uma das principais estâncias termais do país na área das doenças reumatológicas e artríticas. Deixou de funcionar em 1998 e a degradação começa a instalar-se. Só com avultados investimentos será possível reactivá-la.
A secretária do Dr. José António Neiva Vieira, o último médico proprietário das Termas, insigne hidrologista, tragicamente desaparecido num brutal acidente em 1987
No projecto inicial previa-se a construção de 40 chalets para habitação e alojamento de termalistas. Foram construídos 2. Este, "D. Feliciana", ainda foi usado como hotel. Entrámos lá dentro:
* * *
Voltámos ao jardim e dirijimo-nos ao edifício conhecido por "Casino" mas que era apenas um espaço de convívio e restaurante
Entremos:
* * *
No lado oposto ao casino encontra-se a chamada buvette, captação de água na nascente:
Cá fora, ali perto, parámos junto ao tanque das lamas medicinais. Era o fim da nossa visita.
Pela majestosa álea central regressámos à estrada que nos traria de volta a Torres Vedras.
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Termas dos Cucos em Torres Vedras
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