19 outubro 2012

TERMAS DOS CUCOS: MONUMENTO DE INTERESSE PÚBLICO



O processo de classificação das Termas dos Cucos como Monumento de Interesse Público (MIP) tem estado em estudo há já alguns anos. Por isso, registámos com muito agrado, o "PARECER" da Secção do Património Arquitectónico e Arqueológico do Conselho Nacional de Cultura, datado de 26 de Março de 2012, no qual se propõe a classificação das Termas como MIP - Monumento de Interesse Público - bem como a definição de uma Zona Especial de Protecção (ZEP).
Aguardamos, agora, que o processo seja concluído com a promulgação governamental das classificações propostas.



Entretanto foi publicado em DR no dia 4 de Setembro de 2012 o Anúncio nº13380/2012 no qual se estabeleceu o prazo de 30 dias de consulta pública do processe de classificação, o qual já terminou. Aguardamos, pois, a publicação no Diário da República.


17 outubro 2012

TERMAS DOS CUCOS - A História





VEDROGRAFIAS, o excelente blog de Venerando de Matos, é um repositório precioso sobre a História de Torres Vedras.
Deixamos aqui a ligação para os apontamentos que nele encontramos sobre as Termas dos Cucos:

15 outubro 2012

TERMAS DOS CUCOS - A nossa próxima VISITA GUIADA




No dia 20 de Outubro, pelas 14H30, iniciaremos uma visita guiada às Termas dos Cucos, em que seremos acompanhados por um dos seus proprietários, Paulo Neiva Vieira e por Ramiro Fernandes que lá trabalha há 61 anos.

As fotos do lugar e o artigo muito interessante  publicado há 20 anos pelo semanário torriense BADALADAS servem aqui de motivação para mais esta jornada de divulgação do nosso património








Fotos (C) J. Moedas Duarte - Nov 2011

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TERMAS DOS CUCOS – HOJE COMO DANTES
J. Paulino Pereira

BADALADAS ( Semanário de Torres Vedras), 
11 / Dezembro / 1991

Há mais de dois séculos que as águas mineromedicinais dos Cucos têm sido notícia e tema de conversa.
Já em 1646, o Dr. Moniz de Carvalho, médico do partido mu­nicipal de Torres Vedras, descobria o seu valor terapêutico, muito embora a população as usasse, empiri­camente, tempos antes para alívio dos diversos males.
Desde então multiplicaram-se os estudos e as publicações médi­cas, iniciadas em 1810 pelo Dr. Francisco Tavares, da Universidade de Coimbra, até ao consagrado hidrologista, Professor Armando Narciso, de Lisboa, que sublinhou no seu último trabalho sobre as termas dos. Cucos, a sua essencial vocação para reumáticos e gotosos.
Será, todavia, em 1815, a partir da arrematação em hasta pública da Quinta da Macheia e o Sítio dos Cucos, por João Goncalves Dias Neiva, que as Termas conhecem um período de grande desenvol­vimento. Através dos tempos, esta propriedade tem-se mantido una e indivisa, transmítindo-se como um vínculo, de tios a sobrinhos e de pais a filhos. Para sua valorização realizaram-se melhoramentos das instalações balneares, protegendo-as das arremetidas do Sizandro, então pujante e despoluído no seu curso.

11 outubro 2012

A TORRE DE VIGIA DA QUINTA DAS LAPAS



Está situada na colina Sul, fronteira ao Solar da Quinta das Lapas. Para que serviria?
Destinar-se-ia a vigiar os arredores da Quinta? Um membro da nossa Associação levantou a hipótese, muito plausível, de que seria uma torre construída para observação astronómica. De facto, no séc. XVIII houve uma voga, entre as nossas elites, de estudos científicos.

 Não temos elementos que nos elucidem sobre a época da construção. Pela observação empírica, avançamos com a hipótese de ser da época da última fase de construção do Solar, séc. XVIII. 


 Para lá chegar, há que vencer um declive acentuado, seguindo por um estradão de apoio à exploração do eucaliptal






Inscrição sobre a porta


O nosso colaborador e amigo Dr. André Simões, ilustre latinista de Torres Vedras, avança com a seguinte transcrição, tradução e comentário :


Haec aedicula tanquam

specula editiori loco ex-

tructa fuit ut longius a
terra et coelum propius
alteru(m) suspicere alteram
despicere facilius possis



Ou seja, em linguagem:

"Esta capela (ou casinha), tal como uma atalaia, foi construída num lugar mais elevado de modo a que, mais longe da terra e mais perto do céu, mais facilmente possas admirar este, e desprezar aquela."


Isto em português perde a graça toda, porque o latim joga com a oposição "suSPICERE" / "deSPICERE", que significam literalmente "olhar para cima" ou seja "admirar" (mas também "observar"); e "olhar para baixo", "desprezar".

Uma clarificação:
a inscrição diz "proprius" ("mais propriamente"), mas é certamente um erro, por "propius" ("mais perto"), que é a única coisa que ali faz sentido, por oposição a "longius" ("mais longe").












Abóbada do piso térreo. A construção denota uma grande solidez






 Escadas de acesso à plataforma superior, em dois lanços


 Plataforma superior da torre









 Diversos panoramas a partir do alto da torre, em diversas direcções. 
Destacamos as duas fotos da Quinta, com a mata murada do lado direito.





 Pormenores da construção


 No alto da colina coberta de eucaliptos, 
a torre vista do terreiro fronteiro ao Solar das Lapas


Outro aspecto da colina onde se situa a torre
...

Agradecemos a colaboração de:
 André Simões, latinista torriense, pela tradução da inscrição latina; 
 de Tiago Carvalho, jovem motivado pelo gosto das questões do nosso Património, que nos sensibilizou para a observação desta construção;
de Pedro Fiéis, responsável pela secção de visitas guiadas da Associação do Património de Torres Vedras, que nos acompanhou.
Fotos de J. Moedas Duarte

08 outubro 2012

QUINTA DAS LAPAS - Monte Redondo, Torres Vedras





Como membro da Direcção da Associação do Património de Torres Vedras, fui convidado há dias para uma visita à Quintas das Lapas. Dessa visita dei conta no meu blogue pessoal, com fotografias e mais alguns pormenores. 










Junto agora dois textos explicativos sobre a QUINTA.

Sobre a QUINTA DAS LAPAS

Diz Júlio Vieira no seu TORRES VEDRAS ANTIGA E MODERNA, p. 201/201:

«Uma família da velha nobreza que neste concelho tem tido residência, mais ou menos periódica, é a dos Teles da Silva, das casas Penalva e Alegrete, hoje representadas pelos senhores condes de Tarouca, possuidores da quinta das Lapas216, em Monte Re­dondo, a mais linda vivenda solarenga deste concelho.
Naquela quinta têm nascido alguns membros dessa ilustre família, como nomeadamente os filhos do 3o marquês de Penal­va, António e D. Eugênia.
Foi o representante dessa família, Nuno da Silva Teles, por muitos anos provedor da Misericórdia de Torres Vedras, e a cuja influência se deveu, nos meados do século XVIII, a construção da monumental sacristia daquela igreja. Nuno da Silva Teles era neto do conde de Vilar-Maior, Manuel Teles da Silva, e que foi o 1.° marquês de Alegrete feito por D. Pedro II em 19 de Agosto de 1687.
Os marqueses de Alegrete foram por largo período possui­dores do antigo relego desta vila, encontrando-se no arquivo da câmara numerosas referências a estes titulares.
Na interessante capela da quinta das Lapas, existe uma urna com as relíquias de S. Frei Gil de Santarém217, do qual era descendente D. Joana de Almeida, mulher do terceiro Marquês de Penalva.»


216 Além da quinta das Lapas e das quintas da Bogalheira, Ermegeira, A-de-Rainha,
do Espanhol e Conceição, já referidas, e da quinta da Patameira, a que adiante faço alusão, outras existem no concelho que foram solares de famílias nobres. Tais são: a quinta da De Guerra, junto à serra do Socorro e à beira da antiga estrada de Lisboa, no ponto onde existia a estalagem, e que foi residência de um ramo dos Távoras; a antiga quinta de Santa Margari­da, no Varatojo, hoje dividida, cujo palácio em ruínas pertenceu aos marqueses do Louriçal, condes da Ericeira e depois aos condes do Lumiar; e a quinta de Manjapão que foi d'el rei D. Dinis, o qual estando em Santarém a deu em 11 de Janeiro de 1280 à infanta D. Branca, e esta por seu turno a doou em 11 de Maio de 1286, estando cm Burgos, a Pêro Vicente, seu clérigo. Esta quinta pertencia em 1729 a Manuel de Pina Monis.

217 Por volta de 1991/92, as relíquias de Frei Gil voltaram para Santarém – Anot.

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Ainda:

(Folheto da Associação do Património de Torres Vedras, 1 a 4 de Abril de 1982, III Encontro das Associaçoes de Estudo, Defesa e Divulgação do Património Cultural e Natural)

«O palácio e jardins da Quinta daa Lapas, na freguesia de Monte Redondo, cons­tituem o conjunto mais notável no género existente na área do município.
Iniciado nos finais do sáculo XVII pelo primeiro Marquês do Alegrete, D. Manuel Tales da Silva, o edifício possui exem­plar equilíbrio de linhas, pelo que Júlio Vieira não teve dúvidas em o considerar "a mais linda vivenda solarenga deste con­celho". (Torres Vedras Antiga e Moderna, p. 200, 2ª ed.)
Apenas foi concluído no século XVIII pelo que revela um espírito setecentista, patente não só nas molduras das janelas, nos frontões e fogaréus como, no imponente muro com portão nobre, de decoração sóbria, os­tentando a pedra de armas da família numa cartela de recorte muito curioso, com caracte­rísticas já de uma época tardia.
Faz parte da Quinta a capela de N. Sra. do Rosário, (onde se guardam num co­fre as relíquias de S. Frei Gil, da Ordem dos Pregadores) (nota: que por volta de 1991/1992 foram para Santarém), cuja fachada com colunata é de espírito neoclássico, e onde se pode observar um bom silhar do azulejos do sé­culo XVIII com os símbolos das ladainhas, sendo o altar do final do mesmo século.
Num jardim da vegetação já pouco vulgar, encontramos o lago da Sereia, ro­deado por uma balaustrada de mármore, jun­to do qual podemos observar ricos painéis de azulejos do século XVIII.
A "Casa da Quinta das Lapas" é um imóvel de singular valor no conjunto do património cultural português, pelo que o Decreto-Lei número 129/77 de 29 de Se­tembro o classificou de imóvel de interes­se público.»















Este será um dos próximos destinos das visitas guiadas a locais de interesse patrimonial do concelho de Torres Vedras organizadas pela Associação do Património.


Fotos (C) J. Moedas Duarte