11 setembro 2012

PATRIMÓNIOS no jornal BADALADAS


Publicado em 27 de Julho de 2012


O TRABALHO DOS EMPRESÁRIOS NO CENTRO HISTÓRICO
(IV Parte)
ARMANDO FERNANDES
( Business Coach )

Em artigo anterior afirmei que o Comércio Tradicional não tem as mesmas armas que as grandes superfícies. Por isso mesmo é imperioso modernizar a sua gestão e a sua organização para tornar a actividade mais profissional, e fazendo aquilo que é fundamental: estar junto das pessoas para ir encontrar das suas necessidades e satisfações.
Para tal vou indicar 13 pontos que devem ser orientados do ponto de vista das competências pessoais e empresariais, a fim de que o número de clientes possa crescer:
1. Implementar uma visão do negócio e estratégias de médio e longo prazo, efectuando uma previsão dos rendimentos e encargos, analisando regularmente as vendas e projectando as compras em função do tipo de clientes. 
2. Comunicar de forma educada com os clientes e exigir que os funcionários tenham uma atitude de apoio ao cliente que vai comprar. Um sorriso e a criação de empatia são fundamentais.
3. Ter cuidados especiais com a loja e/ou escritório, pois a imagem é o primeiro cartão de visita. Por isso, a melhoria dos espaços de atendimento, a disciplina na organização, a arrumação e limpeza são muito importantes.
4. O marketing é uma ferramenta de comunicação e vendas. O marketing não é só publicidade. Uma mensagem que se queira transmitir deverá estar presente nos contactos com os clientes, nos cartazes, nos sacos, nos anúncios e reclames, etc. As mensagens devem ser simples e objectivas para transmitir segurança e garantia. Exemplo: Desde 1958 para o servir. Estamos on-line (indicação de endereço e contactos).
5. Preparar todos os colaboradores para conseguirem retirar mais resultados. Lembrar que um cliente insatisfeito comentará a sua situação com amigos, razão por que uma má imagem reflectir-se-á para além do que você imagina. Por outro lado, se estiverem preparados para vender, será mais provável que o cliente se identifique convosco, e assim compre mais produtos ou serviços.
Fazer surpresas aos clientes expondo aprazivelmente os produtos e serviços, e apresentando de forma eficaz os benefícios e o prazer que o cliente obterá com eles
6. Imaginar e normalizar processos de venda para que cada empregado atenda os clientes da mesma maneira
7. Estabelecer parcerias e complementaridades com outras actividades na mesma zona, para criar o hábito dos clientes se deslocarem às lojas.
8. Criar uma «Proposição Única de Venda», demonstrando a valia dos produtos e serviços e quais os benefícios que podem trazer aos clientes.
9. Não criticar os seus concorrentes.
10. Tratar os colaboradores como parceiros, dando-lhes responsabilidades.
12. Estabelecer os preços de venda em função dos seus propósitos de rendimento, efectuando constantemente uma análise dos dados contabilísticos.
13. Por fim aprender com os clientes:
·        Implementar um serviço pós venda.

Termino este artigo com uma frase que me acompanha sempre «Os empresários são como os atletas, também precisam de treino».

PATRIMÓNIOS no BADALADAS


Publicado em 6 de Julho de 2012


O CENTRO HISTÓRICO – UM CENTRO COMERCIAL E CULTURAL A CÉU ABERTO
(III Parte)
ARMANDO FERNANDES
( Business Coach )

“A maioria das pessoas não planeia fracassar, fracassa por não planear.”  John L. Beckley
Há que planear, sim. Mas há que pôr mãos à obra, concertando posições, gerindo com sabedoria recursos financeiros, sensibilizando e convocando para cada problema os sectores e os agentes respectivos. O Centro Histórico é um mar de problemas acumulados de todo o tipo, sobretudo económicos e sociais, e não resolúveis numa só geração. Por isso mesmo é preciso planear, e planear não deixando ninguém de fora. Caberá naturalmente ao poder político o seu papel próprio e decisivo, porque nossos legítimos representantes. Mas a comunidade, no seu todo, não deve ficar alheia, nomeadamente o tecido empresarial e associativo
 Na sequência da sistematização anterior em que foram elencadas algumas acções que ao poder político caberia olhar com atenção e pensar com firmeza, passo a enumerar um conjunto de sugestões – dirigidas ao sector cultural e empresarial – que poderão atrair as pessoas ao Centro Histórico a fim de acelerar a sua regeneração.
Neste sentido, e por iniciativa das Associações Culturais e Empresariais é possível:
·        O envolvimento com a Marca “Torres ao Centro”;
·        A criação do Cartão “Torres ao Centro” com benefícios para quem o use no comércio e actividades culturais lá instaladas;
·        O estabelecimento de parcerias com outras Associações Culturais, Associações Empresarias, Sindicatos, Associações Sectoriais, e Empresas, a fim de partilharem os processos de comunicação e marketing e gerarem mais sinergias para trazerem pessoas ao Centro Histórico. 
·        A ligação do sector da cultura com o meio empresarial para trazer pessoas;
·        O envolvimento com o sector social para apoiar e trazer mais pessoas;
·        A construção de planos de actividades capazes de garantir o equilíbrio financeiro das Associações;
·        A implicação do tecido cultural, tendo em conta as incubadoras de negócios e o empreendedorismo;
·        Os Jovens frequentam o centro histórico de Torres à noite. É possível atrair jovens durante o dia criando espaços e actividades para o empreendedorismo jovem;
·        O comprometimento de associações de outras localidades, gerando intercâmbios;
·        O apoio à autarquia na criação de espaços dedicados a actividades similares;
Todos sabemos que a gestão das grandes superfícies são efectuadas de forma profissional e integrada por uma só entidade ou por uma empresa que gere um condomínio. Tal gestão tem simplesmente um objectivo: atrair clientes.
Gerir uma cidade, nomeadamente um Centro Histórico, é deveras mais difícil, pois os intervenientes têm objectivos muito dispersos e a dificuldade em se concentrarem no essencial que é trazer cada vez mais pessoas ao Centro! 
Considero pois que só haverá VIDA no «Centro Histórico de Torres Vedras» se houver um alinhamento dos objectivos de todos intervenientes, orientado estrategicamente para transformar «Torres ao Centro» num Centro Comercial e Cultural a céu aberto.

PATRIMÓNIOS no jornal BADALADAS


Publicado em 29 de Junho de 2012


O CENTRO HISTÓRICO – UM CENTRO COMERCIAL E CULTURAL A CÉU ABERTO
(II Parte)
ARMANDO FERNANDES
( Business Coach )

“A maioria das pessoas não planeia fracassar, fracassa por não planear.” John L. Beckley

As Autarquias têm um papel muito importante no desenvolvimento dos centros históricos. A Câmara Municipal de Torres Vedras está a implementar um processo de mudança com o programa «Torres ao Centro», assente em processos de reabilitação urbana e criação de espaços pedonais, integrando espaços sociais e culturais. 
Este processo irá transformar o Centro Histórico. Esta transformação deverá ser orientada para a promoção do uso e vivência deste espaço. Por isso entendo que há que atrair novos habitantes, novos negócios, novos visitantes e novas actividades.
Assim, passo a enumerar algumas acções que poderão atrair as pessoas. Algumas já estão previstas nos planos de alguns intervenientes.

Assim, por iniciativa das Autarquias (Câmara e Juntas de Freguesia) é possível:
·        Criar espaços estacionamentos;
·        Pôr a funcionar transportes adaptados às condições do local;
·        Incrementar uma política de recuperação de habitações;
·        Beneficiar com taxas e impostos municipais mais reduzidos, quem reside e tem actividade no centro histórico;
·        Estabelecer parcerias com Associações Culturais e Empresariais para a realização de actividades regulares e calendarizadas de atracção de visitantes 
·        Manter a Feira Rural;
·        Facilitar os mecanismos burocráticos e económicos na implementação de novos negócios;
·        Estudar e promover – com as Associações Empresariais – espaços dedicados a actividades similares (Ex: zona de sapatarias, zona de restauração, etc.).
·        Apoiar criação de empresas e serviços de apoio social e do sector de saúde e bem-estar na zona histórica;
·        Identificar factos de interesse da história local e promover uma actividade anual no Centro Histórico para trazer mais pessoas.
·        Fundar – em parceria – uma «Incubadora de Negócios», para a instalação de novas actividades, como por exemplo:
o   Negócios de Arte;
o   Negócios nas áreas da Inovação e Design;
o   Negócios Web;
o   Escritórios virtuais;
o   Centros de domiciliação de actividades;
o   Empreendedorismo jovem (com protocolos com Universidades);
o   Indústria de Serviços que se possa deslocar para a zona histórica (Bancos, Companhias de Seguros)

Por iniciativa das Associações Culturais e Empresariais é possível:
·        O envolvimento com a Marca “Torres ao Centro”;
·        A criação do Cartão “Torres ao Centro” com benefícios para quem o use no comércio e actividades culturais lá instaladas;
·        O estabelecimento de parcerias com outras Associações Culturais, Associações Empresarias, Sindicatos, Associações Sectoriais, e Empresas, a fim de partilharem os processos de comunicação e marketing e gerarem mais sinergias para trazerem pessoas ao Centro Histórico. 
·        A ligação do sector da cultura com o meio empresarial para trazer pessoas;
·        O envolvimento com o sector social para apoiar e trazer mais pessoas;
·        A construção de planos de actividades capazes de garantir o equilíbrio financeiro das Associações;
·        A implicação do tecido cultural, tendo em conta as incubadoras de negócios e o empreendedorismo;
·        Os Jovens frequentam o centro histórico de Torres à noite. É possível atrair jovens durante o dia criando espaços e actividades para o empreendedorismo jovem;
·        O comprometimento de associações de outras localidades, gerando intercâmbios;
·        O apoio à autarquia na criação de espaços dedicados a actividades similares;
Todos sabemos que a gestão das grandes superfícies são efectuadas de forma profissional e integrada por uma só entidade ou por uma empresa que gere um condomínio. Tal gestão tem simplesmente um objectivo: atrair clientes.
Gerir uma cidade, nomeadamente um Centro Histórico, é deveras mais difícil, pois os intervenientes têm objectivos muito dispersos e a dificuldade em se concentrarem no essencial que é trazer cada vez mais pessoas ao Centro! 
Considero pois que só haverá VIDA no «Centro Histórico de Torres Vedras» se houver um alinhamento dos objectivos de todos intervenientes, orientado estrategicamente para transformar «Torres ao Centro» num Centro Comercial e Cultural a céu aberto.

PATRIMÓNIOS no jornal BADALADAS


Publicado em 8 de Junho de 2012



ACTIVIDADES ECONÓMICAS
NO CENTRO HISTÓRICO DE TORRES VEDRAS
(I Parte)
ARMANDO FERNANDES
( Business Coach )

c“Loucura é fazer o mesmo de sempre e esperar resultados distintos” (AA)

Irei apresentar – neste primeiro texto – a perspectiva de um Business Coach (Treinador Empresários) sobre o papel dos diversos agentes económicos na dinamização do Centro Histórico de Torres Vedras.
O trabalho de treino de empresários, permitiu-me contactar com muitas realidades e ajudar empreendedores a arranjar estratégias para melhorarem os seus negócios. Daí ter vários artigos publicados no meu blogue http://itaca-pensamento.blogspot.com, e outros publicados em jornais e revistas de outros concelhos e Associações Empresarias.
            Deste modo, quero simplesmente contribuir para uma reflexão e debate, uma vez que estão a decorrer na nossa cidade um conjunto de intervenções urbanísticas de fundo, com o envolvimento expresso da Autarquia, da Comunidade e dos Agentes Culturais.
Porém, considero que não é tão visível o envolvimento Empresarial, nomeadamente o Sector Comercial, e constato que:
·        a sociedade de consumo e o comércio nunca estiveram tão desenvolvidos como estão actualmente;
·        o comércio desenvolveu-se nos últimos anos com novos agentes que afunilaram a concorrência e alargaram a oferta (grandes superfícies);
·        o comércio electrónico está em franco desenvolvimento
·        a crise financeira internacional e os seus reflexos no nosso país levaram a uma diminuição do rendimento disponível das famílias, estando o consumo a diminuir
·        o comércio tradicional, que está em crise há mais de 20 anos, não conseguiu responder a estas transformações e foi apunhalado pelas costas através de politicas  de desenvolvimento urbano seguidas nas últimas 5 décadas. 

Considero a actividade empresarial, assim como a fixação de residentes, estratégias fundamentais para a revitalização dos centros históricos. Por isso, entendo que deverão ser criados novos paradigmas que permitam a viabilização de antigos e novos negócios nestes locais.
Acredito também que cada empresário deverá usar a sua inteligência e energia para se concentrar efectivamente no que é importante e estratégico para si, em vez de apresentar razões de culpabilização e abdicação.
O facto é que quando pergunto a um comerciante como exerce a sua participação cívica a resposta é que não tem tempo, e fala da Autarquia e das Associações como sendo Eles (Pronome pessoal – 3ª pessoa, plural) em vez de eu ou nós (Pronomes pessoais – 1ª pessoa).
Percebo a apreensão que têm sobre o presente e o futuro dos seus negócios, culpando o Mercado, o Estado, as Grandes Superfícies, a Autarquia, a crise, as opções de compra das novas gerações, pela actual situação.
 Considero pois que a primeira atitude é pôr estes empreendedores a pensar em colectivo e abandonar o “muro das lamentações” ocasionado pelos infortúnios. 
O Comércio Tradicional não tem as mesmas armas que as grandes superfícies, no entanto deve modernizar a sua gestão, a sua organização, tornar a actividade mais profissional e fazer aquilo que é fundamental: estar junto das pessoas para encontrar as suas necessidades e satisfazê-las.
Existem algumas acções simples, que não necessitam de grandes investimentos e podem gerar mais negócios no comércio tradicional, e que têm a ver com a relação personalizada om os clientes
Os desafios são enormes e há necessidade de um enorme envolvimento social onde deverão ser alinhados os objectivos dos Residentes, Autarquia, Empresários, Associações Empresariais e Culturais.
Sobre o papel de cada uma destas entidades irei debruçar-me nos próximos dois artigos.

PATRIMÓNIOS no jornal BADALADAS

Publicado em 18 de Maio de 2012



QUE FUTURO PARA O CENTRO HISTÓRICO
Parte II
Hugo Pedro, estudante mestrado em arquitectura

Desde já agradeço o convite em poder partilhar com o leitor a forma como penso e vivo o Centro Histórico de Torres Vedras..
Na sequência do meu artigo introdutório, a problemática da escala que importa analisar relativamente ao Centro Histórico foi iniciada em 2010, com a revisão do Plano de Pormenor de Reabilitação do Centro Histórico de Torres Vedras (PPRCHTV). Com este instrumento é possível entender a estrutura socioeconómica, saber o verdadeiro estado de conservação dos imóveis, a sua classificação, e quais as condicionantes que os afectam. Mas este é apenas o ponto de partida, porque é necessário raciocinar tendo em conta a “micro” escala, isto é, sendo cada caso individualizado, pois,  se nenhum habitante é igual ao outro, o mesmo acontece com os imóveis. Entendo que está nas mãos dos proprietários cuidar dos imóveis que possuem no Centro Histórico, apesar de serem urgentes os incentivos públicos (do Estado ou da Câmara Municipal), não só financeiros, como também de promoção e mediação entre os responsáveis de projecto, os agentes imobiliários e os profissionais da construção – e sempre em articulação com os respectivos proprietários. Em caso de abandono, desinteresse ou desconhecimento por parte do dono do imóvel, então haverá necessidade de uma intervenção da Câmara Municipal, ou na aquisição e em assumir a tarefa da sua reabilitação.
Em arquitectura o projecto é único e a “micro” escala refere-se à necessidade de desenvolver todo o projecto de reabilitação, nomeadamente, até às tarefas de escolha dos materiais, ao pormenor de remate de um vão, às técnicas de construção a aplicar, isto é, até ser ultimada a fase de projecto de execução. Assim, com o projecto de execução de arquitectura são desenhados – em consonância com os projectos de engenharia – todos os pormenores necessários para a construção, permitindo-se definir com rigor os materiais e as suas condições de aplicação e execução, auxiliando assim o empreiteiro em obra. O mapa de trabalhos deve ser incluído nesta fase, com o intuito de apoiar o empreiteiro a fornecer um orçamento sobre todos os trabalhos necessários. Com este nível de rigor obteremos um maior controlo financeiro sobre a obra e uma previsão antecipada de custos.
Assim, os proprietários de imóveis no Centro Histórico, ao reabilitá-los, beneficiarão com o investimento no projecto de execução, não só no melhoramento das condições de habitabilidade, como na sua classificação.
Com este estímulo anseio pelo dia em que sejam recuperados os imóveis que se encontram por agora adormecidos.

PATRIMÓNIOS no jornal BADALADAS

Em 27 de Abril de 2012


QUE FUTURO PARA O CENTRO HISTÓRICO ( I Parte )
HUGO PEDRO
( Estudante mestrado em arquitectura )
                                                          

Caro leitor, escrevo este primeiro texto como morador / utilizador comum do Centro Histórico de Torres Vedras e com a preocupação de qual o seu futuro nas próximas décadas. Será que podemos imaginar um futuro risonho? Claro que sim, cabendo-nos a nós, torrienses, a tarefa de tornar auspicioso o futuro e em cada dia usufruir do espaço herdado dos nossos antepassados, renovando ideias, vivências e sentimentos.
Depois de 26 anos a residir no Centro Histórico, ao mudar de residência tentei manter-me ligado a esta zona pois considero um sítio de grande inspiração para jovens casais. Porém, tal veio a tornar-se inviável pelas condições pouco adequadas que o imóvel alugado apresentava, tendo ainda como agravante o elevado valor mensal da renda. Assim perdi a possibilidade de continuar a desfrutar da vista solarenga do largo Coronel Morais Sarmento sobre a cidade.
Não só a degradação de um grande número de edifícios me inquieta, mas também o envelhecimento da população residente. Tenho verificado uma forte quebra na renovação de gerações no espaço do Centro Histórico, sendo muitos os que tenho visto desaparecer. Assim, ao herdarem dos seus antepassados o sítio – criando ideias, vivências e sentimentos – partem, deixando a imagem de um Centro Histórico cheio de potencialidades a ser redescoberto por novos indivíduos. São poucos a ousarem residir neste local pois, tal como tenho vindo a observar, as condições que encontramos não se adequam às novas exigências, isto na maioria dos casos, subsistindo a necessidade de procura de melhores condições habitacionais.
 Preferi manter a minha residência no centro da cidade, ao invés da periferia onde se situam urbanizações que um grande número de indivíduos elege para viver, porque por norma, sendo apartamentos recentes, têm rendas mais económicas e a sua localização facilita o estacionamento e o acesso a auto estradas e a centros comerciais. Apesar de criar uma enorme dependência de veículos motorizados para qualquer deslocação.
Atrair pessoas – através da requalificação dos edifícios e da melhoria das condições de habitabilidade – pode ser um passo importante para que a periferia deixe de ser a solução e volte a existir a preferência pelo Centro Histórico. Mas para tal temos de passar da teoria à prática. Será possível investir na reabilitação destes imóveis e obter a melhor solução possível? Existem exemplos de sucesso aplicados em outras cidades portuguesas ou estrangeiras? A que escala deve ser pensado o nosso Centro Histórico? No próximo texto argumentarei até que escala devemos pensar nos residentes, nos comerciantes, nos utentes e sobretudo nos imóveis do Centro Histórico de Torres Vedras. 

PATRIMÓNIOS no jornal BADALADAS


Em 6 de Abril de 2012


TENTATIVA E ABANDONO DO CENTRO HISTÓRICO

J. P. Sobreiro


Quando a Associação do Património foi fundada, em 1979, o centro histórico de Torres Vedras apresentava já alguns sinais claros de descaracterização comprometedores do seu equilíbrio urbanístico. Por isso nele se centrou a prioridade da sua acção.
Adivinhava-se na vila, então promovida a cidade, um natural desejo de afirmação da modernidade que a nova era democrática inspirava, desígnio esse de que o crescimento urbano seria uma inevitável expressão.
Perante alguma impreparação dos novos autarcas e a inexistência de um quadro de protecção legal específico temia-se que a desqualificação avançasse pela zona histórica entregue aos apetites dos interesses imobiliários.
Foi assim que a ADDPCTV iniciou uma campanha de sensibilização visando alertar público e decisores para o valor histórico e patrimonial da zona antiga. Com efeito, em 1985 a Associação apresentou um documento base que viria a despoletar, alguns anos depois, a elaboração do Plano de Salvaguarda e Reabilitação do Centro Histórico de Torres Vedras, constituindo-se para o efeito um Gabinete Técnico Local.
Pertencendo à primeira fase da implementação deste tipo de planeamento (apenas Porto e Beja o possuíam), as dificuldades foram surgindo e algumas divergências ocorrendo.
Foi efectuado um levantamento exaustivo de todo o espaço público e dos edifícios, procedendo-se a uma classificação quanto ao seu valor histórico e arquitectónico e ao seu estado de conservação.
No plano das intervenções camarárias registou-se o calcetamento das ruas de comércio e o arranjo (não isento de polémica) dos Largos de S. Pedro, de Santiago e de S.to António.
Tratou-se, é certo, de um plano eminentemente arquitectónico, com pouca relevância no domínio do social. Mas lembramos que a situação era muito diferente da actual, sentindo-se ainda alguma vida nas suas artérias. Na nossa perspectiva, faltou a implementação de medidas efectivas de ajuda à requalificação – os instrumentos legais existentes não funcionaram – sobretudo na zona socialmente mais carenciada, o bairro do castelo.
Também se disse que o Plano era muito restritivo, o que por vezes inviabilizava o desejo de requalificar… mesmo assim assistiu-se à invasão dos alumínios e à demolição de um imóvel de qualidade.
Mas se esta fase não registou grande intervenção nos edifícios privados, também não comprometeu grandemente a identidade do espaço. Ficou, quanto a nós, a macular este primeiro plano a construção de dois prédios de habitação colectiva na rua da Horta Nova, completamente fora de escala e totalmente desinspirados.
De qualquer modo é justo referir o enorme contributo do plano na caracterização do edificado, na distinção das diferentes zonas e consequente definição de regras de intervenção.
Em suma, este primeiro plano colocou o Centro Histórico no mapa.

vvv vvv


Entretanto a cidade parecia ter redescoberto o valor simbólico do Centro Histórico mas foi incapaz de suster o seu abandono e degradação face aos desafios que uma nova lógica económica impunha.
Primeiro foram as classes mais abastadas que abandonaram as suas moradias na procura de maior conforto e sinais de modernidade. Depois seguiram-se as instituições administrativas e económicas (autarquias, bancos, etc.) que desandaram em busca de novas centralidades, de maior exposição pública e de maior operacionalidade.
Restaram algumas franjas sociais, de menores recursos, algumas actividades artesanais em fase de extinção e o comércio dito tradicional. Neste parecia residir a última forma de manter viva aquela zona, assegurando algum movimento diurno nas ruas comerciais, que foram ficando desabitadas, cedendo os seus pisos sobrados a armazéns, deixando a noite sem vida, que os raros cafés, restaurantes e bares não conseguiam animar.
Mas até esta terciarização – já de si sinal de uma amputação da vida social urbana – parece, hoje, incapaz de competir com a feroz e desumana concorrência das novas formas de comercialização: as grandes superfícies e as lojas chinesas.
É neste quadro de uma economia (demasiado) aberta que temos de enquadrar (e aceitar?) a perda de vitalidade dos centros históricos.

PATRIMÓNIOS NO JORNAL BADALADAS



Em 9 de Março de 2012


A ESSÊNCIA DO CENTRO HISTÓRICO

                 J.P.Sobreiro

A eleição do “Centro Histórico” como categoria patrimonial merecedora de atenção e de cuidados de preservação no corpo legislativo de protecção da herança histórica, remonta aos anos setenta. Tratava-se de considerar que o “monumento” isolado, indiscutível testemunha da história e da arte de um povo ou comunidade – de há muito já consagrado pelas sociedades – carecia de uma zona de protecção que o defendesse de agressões estéticas e o tornasse legível do ponto de vista da própria importância histórica.
Impunha-se, pois, assegurar um enquadramento urbanístico que lhe conferisse maior coerência. Assim, do largo envolvente à Catedral ou da Rua Direita pontuada por fachadas típicas, a atenção passou a abarcar toda a vasta rede de artérias e espaços orgânicos que tornam compreensível, ainda hoje, a vida económica, social e religiosa das comunidades, as relações de poder, os traços de uma cultura arquitectónica enraizada na tradição. Em suma todo o “casco histórico”, onde pulsava ainda a vida, onde as funções de habitar, trabalhar e folgar ainda não estavam espartilhadas.
Reflectia-se, de resto, as tendências da própria evolução da historiografia moderna, com uma atenção cada vez maior centrada no social e consequente atenção ao fenómeno da história urbana. O conceito de centro histórico viria a impor-se em contraponto com a acelerada expansão urbanística descaracterizadora de vilas e cidades com história.

Mas como caracterizar, definir, delimitar um centro histórico? Então a História não é contínua? Em que parâmetros fundamentar a eleição do que é “histórico”? Obviamente que a questão permanecerá sempre em aberto e com o decorrer dos tempos a noção do que é “histórico” vai sendo actualizada, como se vai enriquecendo a nossa visão do que tem ou não qualidade para ser preservado, independentemente da sua época.
Mas para nos referirmos aos parâmetros que têm vigorado ate à data, podemos fundamentá-la através de uma análise do tempo histórico impresso na forma da cidade, numa visão de ciclo civilizacional.
Assim, podemos verificar que durante séculos (entre nós, desde a Idade Média até ao Século Vinte) o modo de construir e de organizar o espaço foi lento e contínuo, sujeito à limitação dos materiais e força de trabalho locais (salvo raras excepções) e a relações económicas de proximidade e vizinhança, o que conferiu ao tecido urbano, assim sedimentado, uma escala e uma coerência formal, uma unidade estética na diversidade dos tempos e dos estilos, onde se respira uma atmosfera única e não repetível.
O Centro Histórico pode então definir-se como o conjunto urbano primordial que acolhe espaços e edifícios de referência que constituem os cenários onde repousam as nossas memórias pessoais e colectivas.
Sem desvalorizar o seu potencial económico, o Centro Histórico é sobretudo um espaço afectivo. O seu encanto reside precisamente no orgânico das artérias, no formulário dos elementos, na proporção e na escala do construído, na irregularidade dos muros, na textura dos rebocos, na antiguidade dos materiais, na humanidade do seu espaço…
É esse o seu valor patrimonial. Uma herança que temos de saber gerir.
Por isso, intervir nele constitui sempre uma tarefa delicada, sem lugar para experimentalismos e modas. Antes com serenidade e conhecimento. Antes com diálogo e respeito por aqueles que até hoje lhe conferiram vida. Com uma contenção que não exclui a criatividade, mas que dispensa o capricho!
Creio ser importante relembrar isto quando todos nos preocupamos, justamente, com o crescente definhamento social e económico da nossa zona histórica.
Para que não matemos o doente pelo desejo da cura.

16 agosto 2012

08 agosto 2012

AS OBRAS NA ZONA DA IGREJA DE S. PEDRO





A partir de uma nota no facebook e de uma postagem neste blogue os nossos leitores e amigos deixaram opiniões e comentários interessantes sobre o tema proposto, o que agradecemos. 

Propusemos também um pequeno inquérito sobre se gostavam ou não dos pinos ali colocados.
24 "gostaram muito"; 2 "gostaram, mas deviam ter outra côr"; 27 "não gostaram".
Este tipo de inquérito vale o que vale e não vamos tirar conclusões. Cada um pensará o que entender. Pretendemos apenas provocar reflexão.

Aguardamos o final das obras, tanto as da envolvente da Igreja de S. Pedro como as do largo fronteiro ao Chafariz dos Canos. 
Diga-se, no entanto, que esta Associação não tem uma posição consensual quanto à pertinência e adequação de todas as intervenções realizadas.
Sim, havia ali coisas que necessitavam de reformulação. Caso dos tanques circulares que em má hora uma vereação decidiu mandar construir e que nunca tiveram grande aceitação; e a pequena praça Duque de Wellington, sem dimensão, transformada em acanhado parque de estacionamento, assim como as ruas laterais da Igreja, pejadas de automóveis. No entanto as opiniões não são coincidentes quanto à forma de resolver essas anomalias.

No que respeita aos novos degraus frente à porta axial da Igreja verificamos que muitas opiniões são claramente contrárias, baseadas numa pretensa configuração original que estas obras teriam destruído. Ora isso não é verdade, como se prova pela foto acima, que será dos anos 30/40 do século passado e em que se vê uma plataforma com gradeamento, a qual foi desmontada para alargar a circulação viária. Quanto à forma original, do século XVI, ninguém sabe como seria, não há iconografia que o documente. Com certeza que teria uma configuração apropriada à época e à utilização.
Do mesmo modo, o logradouro das traseiras da Igreja sofreu modificações ao longo dos séculos. Terreiro da Ermida de Nª Srª do Rosário, que já não existe, aqui se correram touros aquando da visita do rei D. João IV em 1652 ( Júlio Vieira, 2ª ed, p. 222). Foi cemitério (J.Vieira, p. 141) até à construção do cemitério de S. João em 1848. Em 1880 ali foi construído o mercado do peixe, como diz Júlio Vieira, a p. 310, o qual ainda existia nos anos 30 do século passado. 

Antigo mercado do peixe, nas traseiras da Igreja de S. Pedro. Demolido aquando da construção do Mercado Municipal, nas primeiras décadas do séc. XX, aqui se abriu a Praça Duque de Wellington que foi parque de estacionamento até há poucos meses.



01 agosto 2012

TRILHO DE DINOSSAUROS?




Em 25 de Maio fizemos uma postagem em que deixámos a interrogação sobre se era mesmo um trilho de dinossauros o que aqui se observava:

http://www.blogger.com/blogger.g?blogID=5914245896613010128#editor/target=post;postID=1141999697464810431

Sobre este assunto recebemos o seguinte comentário / esclarecimento, da autoria do Presidente da Direcção da Associação Leonel Trindade - Sociedade de História Natural:

«De facto parece-me tratar-se de bioturbação, muito provavelmente produzidos por crustáceos decápodes (ordem da qual fazem parte os actuais caranguejos e lagostas) e os quais passavam parte do ciclo de vida enterrados no substrato...pena que não sejam pégadas de dinossauros.

Abraço
Bruno C. Silva »



Aqui fica o nosso agradecimento