05 fevereiro 2012

LARGO DUQUE DE WELLINGTON

Já foi praça do peixe e largo do Rosário, por nela se situar a ermida da Srª do Rosário que já antes fora Srª dos Farpados, anexa ao hospital dos Farpados. Neste terreiro  correram-se touros em 9 de Agosto de 1652, quando o rei D. João IV passou três dias em Torres Vedras (Ver Júlio Vieira, Torres Vedras Antiga e Moderna, 2ª ed., LivrodoDia / ADDPCTV,  pp.164-5, 169, 273 e 300)

Era assim até há três semanas:



Agora está em obras:






Veremos como vai ficar...

04 fevereiro 2012

IMAGENS DE TORRES VEDRAS


O inimitável "Chico da Bola", homem sobejamente conhecido em Torres Vedras, um dos grandes obreiros do Carnaval, artista de bonecos e de histórias como só ele sabe contar.
Este ano fará pela 67ª vez o "Boneco do Entrudo" que será queimado na quarta-feira de cinzas, depois de carpido, julgado e condenado. 
Chico da Bola, 84 anos de partilha da festa torriense. A nossa homenagem, nesta série de fotos que o Daniel Abreu lhe apanhou em manhã de conversa frente à Igreja de S. Pedro, no coração da cidade.










Fotos (C) Daniel Abreu

 
*  *  *

 
Prédio no largo Duque de Wellington,  por trás da Igreja de S. Pedro






Fotos (C) Daniel Abreu

03 fevereiro 2012

GRUPO DE COIMBRA VISITA TORRES VEDRAS




Um grupo de 26 pessoas de Coimbra esteve hoje de visita ao nosso Património monumental: Varatojo, Igrejas da Graça e Misericórdia, Museu Municipal. Acompanhámos e partilhámos este dia de convívio cultural. Ficou a promessa: para o ano voltam cá, para verem o Chafariz dos Canos restaurado e o Forte de S. Vicente, hoje fechado ao público devido às filmagens sobre a Guerra Peninsular.
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01 fevereiro 2012

OLH ' Ó BARRETE !

No ano passado foi assim:



Está na forja o deste ano. Dizem que é pr'a rir. Rir, numa época destas?
A malta do Património é careta, retrógrada, imobilista, radical ? Se calhar é por isso que saem todos os anos com esta barretada. Chatos. Têm a mania. Não fazem nada, só tretas, falar, falar...
Calem-se! Estejam quietos! Este país só lá vai se conseguirmos consensos! Como no Alto de S. Miguel! Todos juntos, estendidos, de pés para a frente, caladinhos! Com muitas flores, que é mais bonito.

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Veja-se o desatino do TESTAMENTO no BARRETE DE 2005. Uma pouca vergonha:



CARNAVAL 2005 – TESTAMENTO





Desta vez o meu legado

É bué de mal cheiroso

Digno do rio Sizandro

E daquele industrial

Que empesta o ar da cidade

Que nunca cheirou tão mal.



Quando há dias cá cheguei

Foi isso que vim encontrar:

Um cheirete do catano

Que me fez arrepiar.



É solene este momento

E por isso decidi

Deixar no meu testamento

Não só as notas de mil

Mas os peidos que largar

Quando esticar o pernil.



É pouco? Olhó caraças!

Vão ter com o Félix Bagão,

Prometeu saldar as contas

E vejam como elas estão!



De política não falo,

Vou morrer…já não me ralo…



Só quero testamentar

Este pouco que aqui junto

P’ra  despedir o Governo

Que está como eu, já defunto.



Gostavas de passeatas?

Pu…ras donzelas na cama?

Mas não te queixes, ó Lopes,

O mau foi teres essa fama.

Pode ser qu’inda te safes

O povo tem má memória…

Deixo-te um ponto final

Numa página da História!



O que ganhei derreti

Na gandaia… bebedeiras…

Por isso só deixo aqui

O que sobrou das asneiras.

Tudo lego aos torrienses

Que não  levarão a mal

Els são donos do Entrudo

O melhor de Portugal.



Comecemos pois a ditar

Tudo quanto vou legar.




Ao Valdemar Neves mecenas

Do Barrete no Entrudo,

Deixo uma caixa de Scotch

E um peido com gelo e tudo.



Ao José Pedro Sobreiro

Exímio desenhador

Aqui fica o meu tinteiro

E um peido no estirador.



Ao Carlos Ferreira eu juro,

Por ser homem dedicado,

Deixar tudo bem seguro

E um peido em muito bom estado.



Ao senhor José Almendro

Quando aqui chega cansado

Deixo um novo coração

E um peido já transplantado.



Ao Carlos Bartolomeu

Mais o seu computador

Deixo um boné p’rà careca

E um peido de grande fragor.



Para o Daniel Abreu

Curador das equimoses

Deixo um osso que era meu

E um peido cheio de artroses.



Com o Moedas Duarte

Terei de ser solidário:

Deixo mais inspiração

E o meu peido literário!



Ao senhor Jaime Umbelino

O testamento é assim:

As regras do Português

E um peido a falar latim.


Ao senhor  Andrade Santos

Aqui fica um obrigado

Por tanto nos fazer rir

Quando não fica calado

(E para se não queixar:

Um peido bem aviado.)



Para o jornal Badaladas

Um legado de feição:

Uma sede mais moderna

E um peido em primeira mão.



O Frente Oeste não escapa

Deste legado banal:

Deixo dez quilos de prosa

E um peido editorial.



Para o Estafeta coitado

Que tão breve se finou

Fica a pazada de cal

E um peido que me sobrou.



À Tuna já centenária

A quem a vida não cansa

Deixo à sua Lucilina

Um peido em passo de dança.



Ao nosso Teatro-Cine

E antes que a vontade mude,

Deixo um ciclo de cinema

E um peido de Hollywood.



Aos Bombeiros torrienses

um testamento solene:

poucos fogos p’ra apagar

e um peido em vez da sirene.



Destinado à nossa Banda

Envio por um gigantone

Dieta para o maestro

E um peido pelo trombone.



Ao Grémio Comercial

Deixo de caras, nas calmas,

Parabéns pelo trabalho

E um peido com muitas palmas.



Ao amigo Espeleo-Clube

Deixo uma coisa bem bruta:

Uma mola p’ró nariz

P’ra quem se peidar na gruta!



Vou deixar ao Património

Aquilo que me foi dado:

Mais uma demolição

De um peido classificado!



Para aquela associação

Que viaja sempre sem mim,

Deixo a reserva já feita

E um peido em forma de ASSIM.



À Cooperativa de Cultura

Creio que não fica mal

Deixar mais exposições

E um peido experimental.



À Camerata Vocal

Um legado definido:

Uma viagem musical

E um peido em fa sustenido.



E aos da Távola que arRasa

Nos palcos desta cidade,

Deixo como reportório

peidos da terceira idade.



Para os Amigos de Torres:

Não sei que deixar aos tais,

Se um peido com falta de ideias,

Se ideias com peidos a mais!



Ao Torriense já custa

Tanta dança e contra-dança:

Deixo o estádio hipotecado

E um peido a ponta de lança!.



Aos Rotários vou deixar

Este legado sem tino:

Discursos para o jantar

E um peido ao toque do sino.



Ao Presidente da Câmara

Aqui lhe deixo um bom furo:

Um gaio já sem moinho

E um peido encostado ao muro!



Aos senhores da  Oposição

Tenham muita paciência:

Em ano de votação,

Um peido de resistência!



Aos arquitectos da Câmara

Eis aqui o meu legado:

Um PDM já feito

E um peido mal projectado.



Ao Pelouro da Cultura

Eu penso que é boa malha

Deixar verbas p’rós subsídios

E um peido p’ró Jorge Ralha.



ou:



Ao pelouro da Cultura

Eu penso que é natural

Deixar verbas p’ra subsídios

E um peido bem cultural.



Para o sector das Obras

Este legado bem fino:

Luvas vazias nas mãos

Mais um peido clandestino!



O vereador do Mercado

Entra agora nesta liça:

Dou-lhe em paga do terrado

Um peido com hortaliça.



Para o vereador do Trânsito

Com quem a malta refila,

Deixo carros a apitar

E um peido em segunda fila.


Ao vereador do Turismo

Não encontro melhor sorte:

Deixo montes de turistas

E um peido num belo resort.



Ao edil dos Cemitérios

Eu brindo agora com Porto:

Deus lhe dê muita saúde

E um peido a cheirar a morto.



E a quem fala mal dos outros

Um bom legado lhes toca:

Metros de fita adesiva

E um peido a calar a boca!




Estou sequinho de todo

Já sem guita, sem cordel.

Esperavam enriquecer?

Leram mal este papel...

Havia pouco a esperar

Num testamento da treta.

Ponho-me já a cavar,

Seja a pé ou de lambreta,

Que é mesmo de me bazar

Deste país de opereta.



P’ró ano, se faz favor,

E não querem ficar mal,

Contratem um morto melhor

Que dê um peido maior

No enterro do Carnaval!


28 janeiro 2012

IMAGENS DE TORRES VEDRAS


Na cimalha do prédio de gaveto da rua 9 de Abril podemos ver duas estátuas, que parecem símbolos da Indústria. Andámos lá de volta, pedimos ao sr. Ricardo da Brasileira, e tirámos algumas fotos mais de perto, a partir das janelas do 2º andar do edifício onde está aquele Café.








Agradecemos a gentileza do sr. Ricardo que nos acompanhou na visita ao interior do prédio. Ali existiu até aos anos 50 a Pensão Abegão. Depois disso já teve escritórios. Agora está desabitada e em estado de ruína, embora o prédio tenha sido pintado por fora. Tirámos fotos do quintal que fica nas traseiras. Revelam bem o estado em que está o nosso Centro Histórico. 












Foto existente numa das paredes do Café a Brasileira de Torres, quando ainda existia a Pensão Abegão, como se lê no painel da varanda do lado esquerdo. Por baixo havia a papelaria Império e, ao lado desta, a Sapataria Gomes.


22 janeiro 2012

ASSOCIAÇÃO DO PATRIMÓNIO CONTRA PARQUE EÓLICO DE MONTEJUNTO




Há oito dias estivemos na Serra de Montejunto para protestar contra o projeto de um Parque Eólico naquele espaço. Deixamos aqui as fotos que documentam essa concentração de dirigentes das Associações signatárias do manifesto/petição enviado à Ministra da Agricultura, do Ambiente e do Ordenamento do Território, como se lê a seguir:



Petição contra a instalação do Parque Eólico na Paisagem Protegida da Serra de Montejunto - NÃO AOS PARQUES EÓLICOS NA SERRA DE MONTEJUNTO

Para:Ministra da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território
Petição contra a instalação do Parque Eólico na Paisagem Protegida da Serra de Montejunto -

“A serra de Montejunto constitui um repositório de vegetação natural de importância nacional, para além do interesse de ordem geológica, traduzido nos afloramentos rochosos, que proporcionam aspectos de grande interesse paisagístico, encenando panorâmicas de grande beleza natural.” (in Decreto Regulamentar n.º 19/99 de 22 Julho)" tem 1 erro que é o numero do decreto. Devida ser o 11/99 e está 19/99 (ver em http://dre.pt/pdf1sdip/1999/07/169B00/45614565.pdf)

Encontra-se em processo de Avaliação de Impacte Ambiental o projeto de instalação do Parque Eólico do Cercal (concelho do Cadaval), que prevê a colocação de 17 aerogeradores em plena Paisagem Protegida da Serra de Montejunto e Sítio de Importância Comunitária da Rede Natura 2000.

As organizações signatárias consideram que a instalação do Parque Eólico constituirá um grave atentado à conservação dos valores naturais e à salvaguarda da paisagem, pelas seguintes razões:

1 - Colocará em causa o estatuto de Paisagem Protegida e de Sítio de Importância Comunitária da Rede Natura 2000;

2 – Está em perigo a salvaguarda do último “ilhéu” ecológico do Oeste;

3 – Existem fortes probabilidades de que a presença dos aerogeradores venha a destruir uma comunidade de morcegos existente num abrigo de importância nacional (1.ª prioridade de conservação), onde ocorrem várias espécies ameaçadas, sendo que três possuem o estatuto de “Criticamente Em Perigo” de extinção: o Morcego-de-ferradura-mourisco, o Morcego-de-ferradura-mediterrânico e o Morcego-rato-pequeno;

4 – Afetará significativamente habitats naturais e seminaturais e espécies da flora protegidos por legislação nacional e comunitária;

5 – Afetará negativamente diversas espécies ameaçadas da avifauna, nomeadamente a Águia de Bonelli, espécie “Em Perigo” de extinção;

6 – Existem evidências que o Castro de Rocha Forte – Monumento Nacional – será destruído;

7 – Não foram estudadas alternativas de localização, contrariando a legislação nacional e comunitária em matéria de avaliação de impacte ambiental.

Com base nestas sete razões, diga NÃO AOS PARQUES EÓLICOS NA SERRA DE MONTEJUNTO!!! Assine a petição, participe nas ações públicas de contestação a este atentado ecológico e tente saber QUEM QUER TRAMAR MONTEJUNTO!

ASSOCIAÇÕES SIGNATÁRIAS: 

QUERCUS - ESPELEO CLUBE TORRES VEDRAS - ALAMBI/Associação para o Estudo e Defesa do Ambiente do Concelho de Alenquer - ALT/Associação Leonel Trindade/Sociedade de História Natural - AEP/Associação de Escoteiros de Portugal/Grupo 129 Torres Vedras - ADDPCTV/Associação para a Defesa do Património de Torres Vedras

20 janeiro 2012

AS OBRAS NO CHAFARIZ DOS CANOS









AQUI falámos das obras de restauro do Chafariz dos Canos, assim como da sua envolvente.
As obras continuam, com alguns atrasos relativos à falta de entrega de alguns materiais - segundo nos informaram no local.
Aqui ficam as fotos mais recentes que de lá trouxemos esta semana. O monumento já está envolto em andaimes e telas de proteção. Lá para o verão teremos um novo Chafariz.
Não temos quaisquer responsabilidades na obra. Somos uma associação independente, formada por cidadãos interessados no nosso Património. Daí o nosso interesse em acompanhar o que se passa com o monumento mais emblemático de Torres Vedras. Confiamos que saia obra limpa, muito temos pugnado por isso.
Entretanto já fizemos propostas concretas à Junta de Freguesia e à Câmara Municipal para colaborarmos na requalificação daquele espaço, aguardamos que sejam criadas condições para isso. Temos mantido contactos regulares com os autarcas, que também estão empenhados na realização do Centro Interpretativo da Corredoura.

PATRIMÓNIOS 21 ( BADALADAS, 20 janeiro 2012)

RESSUSCITAR O CENTRO HISTÓRICO (II Parte)

André Tavares, Arquitecto


Neste artigo gostaria de transmitir algumas ideias que tenho vindo a desenvolver sobre a recuperação dos Centros Históricos e urbanos.

O ponto de partida será sempre identificar o problema. Não conseguimos definir estratégias sem sabermos do que estamos a falar. Assim sendo, deveríamos começar por inventariar todos os edifícios devolutos existentes no centro das nossas cidades. Tem de haver rigor neste inventário e é a partir daqui que é possível informação suficiente para se proceder à sua classificação, de maneira a podermos definir quais devemos manter, alterar ou demolir.

Até aqui nada de novo, pois já foram com certeza elaborados inúmeros inventários deste género no nosso País; no entanto é absolutamente necessário, através desta ferramenta, descobrir quem são os proprietários deste património desperdiçado. Temos de ser, então, mais pró-activos nesta pesquisa. E se, esgotando todos os meios legais para os encontrar, ou ao ser encontrado o proprietário este não apresentar condições para recuperar e manter o imóvel, temos de o tomar sob a nossa alçada e criar as condições necessárias para que seja reabilitado. Temos de ser mais céleres e mais concretos a conduzir estes processos, temos de agir. Tem de haver prazos definidos para apresentação dos proprietários e na eventualidade da atribuição de uma compensação esta deve ser de um valor justo, tabelado e não baseado em percepções distorcidas de valor e negociações intermináveis. Não nos podemos esquecer do foco central: a protecção do nosso Centro Histórico e urbano. Quando deixamos um edifício degradar-se estamos não só a danificar a paisagem e a denegrir a imagem das nossas cidades, mas também a pôr em risco a integridade das construções vizinhas e a vida de todos os que habitam na sua proximidade e passam diariamente por ele.

Uma vez identificados os pontos de acção, há que definir estratégias urbanas à volta dos Centros, identificando as suas necessidades e pontos fortes, definindo quais destes imóveis recuperar ou reconstruir e com que funções – habitação, comércio, serviços – e quais teriam de ser demolidos para criação de espaços públicos abertos no tecido urbano ou para bolsas de estacionamento.

Seguidamente há que elaborar cuidadosamente os programas individuais de cada unidade, com um foco mais preciso no público-alvo que se pretende, para os habitar e dinamizar.
Aproveitando uma altura em que muitos gabinetes e profissionais liberais nos campos da Arquitectura, Engenharia e Design se encontram com pouco trabalho, seria extremamente interessante promover-se concursos de ideias para jovens profissionais. Teríamos assim um maior dinamismo junto do mercado de trabalho e beneficiaríamos de uma série de perspectivas ambiciosas e inovadoras para um problema específico, procurando a solução dentro da faixa etária que seria ao mesmo tempo o grupo alvo desta iniciativa.
O objectivo seria a apropriação ou aquisição de imóveis devolutos a um custo muito baixo e a promoção criativa da sua recuperação junto de investidores externos. A estas apresentações seguir-se-iam uma série de estratégias bem definidas e estruturadas pelos concursos de ideias elaborados anteriormente, de maneira a que o produto apresentado fosse sólido e atractivo. Os intervenientes neste processo, –os municípios, os técnicos e criativos cujas ideias tenham ganho os concursos, assim como eventuais proprietários sem condições de recuperar o seu património, –seriam ressarcidos apenas no momento em que o investidor aceitasse o negócio.
*****
O leitor terá reparado que este texto foi escrito na primeira pessoa do plural. Porque o Estado e os Municípios somos todos nós. E se todos tentarmos contribuir com o nosso trabalho e o nosso conhecimento, se nos tentarmos envolver nos problemas e não desistirmos à primeira dificuldade, então viveremos com certeza numa cidade melhor desenhada e pensada por nós e para nós.


08 janeiro 2012

PATRIMÓNIOS 20


Publicado no BADALADAS em 30 dezembro 2011



RESSUSCITAR O CENTRO HISTÓRICO

André Tavares, Arquitecto



Face aos tempos difíceis em que vivemos torna-se cada vez mais urgente pensar sobre a recuperação dos Centros Históricos e o papel da arquitectura nesse contexto.
Mesmo antes de nos confrontarmos com a crise que assola o país e a Europa em geral, já o mercado habitacional sofria de graves problemas, nomeadamente o excesso de imóveis construídos comparativamente à dimensão da população nacional, o que contribuiu grandemente para o progressivo crescimento das periferias pouco estruturadas do ponto de vista urbano e arquitectónico.
Parece-me assim óbvio, já há bastante tempo, que é necessária uma nova abordagem à recuperação dos Centros Históricos das cidades portuguesas. Porquê criar uma série de pequenas «cidades bolsa», subúrbios que servem apenas de dormitórios, ficando dependentes do comércio e serviços prestados nos centros urbanos? Porquê, como acontece mais particularmente em Torres Vedras, insistir nas urbanizações e loteamentos isolados sem qualquer noção de planeamento urbano ou infraestruturas, para além de um pequeno e triste espaço verde e muito alcatrão? Porquê, quando uma grande parte dos edifícios antigos dos centros das cidades se encontram em péssimo estado de conservação, abandonados ou devolutos?
Este é um tema já amplamente discutido, mas aparentemente com muito poucas conclusões retiradas. É no entanto necessário revisitá-lo de maneira a que de uma vez por todas suscite dinâmicas suficientemente fortes para mobilizar todos os agentes envolvidos.
É absolutamente necessário injectar nova vida nos Centros Históricos. É necessário recuperar, classificar e preservar o que merece ser preservado, é necessário adaptar, modernizar e melhorar de acordo com os padrões actuais de qualidade e conforto, é necessário construir um diálogo coerente entre o passado e a arquitectura contemporânea e é principalmente necessário ter coragem e bom senso suficientes para demolir e substituir o que já não tem utilidade ou interesse.
Nos três textos que me convidaram a escrever para esta coluna, sendo este uma espécie de nota introdutória, tentarei aprofundar cada um destes temas, deixando o leitor desde já com uma ideia. São muito poucos os produtos que se vendem a si próprios, sendo por vezes necessário encarar estas estratégias como isso mesmo, uma venda.
Não podemos pensar que é apenas a falar sobre o assunto repetidamente, ou implementando medidas obscuras, mal estruturadas e pouco publicitadas que vamos atrair nova população ao Centro Histórico. Não é só apostando no charme romântico atribuído a estes espaços, nem na ínfima parte da população que aprecia este tipo de vivência. Como em qualquer actividade, é preciso conhecer o cliente, aprender com ele, saber o que pensa e o que deseja, interpretar o que realmente necessita e finalmente motivá-lo a alcançar o seu objectivo.
Parece-me que antes de mais será necessário criar uma boa política de incentivos. Mais do que exigir ao Estado e aos Municípios que paguem ou subsidiem as condições necessárias, temos sim de exigir a estes organismos uma política de incentivos bem estruturada, que ofereça benefícios e condições que permitam aos investidores privados apostarem na recuperação, que amplie perspectivas e saiba demonstrar e reforçar as vantagens de investir e habitar no centro histórico, e sucessivamente saber estender e publicitar esses conceitos às famílias jovens.
Com as devidas condições estas iniciativas poderiam não só dar um novo fôlego aos centros históricos, como também ao comércio tradicional e às actividades lúdicas e culturais no espaço urbano, abrindo as portas a uma nova geração que, se a oportunidade lhe fosse devidamente apresentada, viveria o centro

06 janeiro 2012

CURSOS DE CONSERVAÇÃO E RESTAURO - VALORIZAR O NOSSO PATRIMÓNIO




Aqui está uma proposta interessante: a criação, em Torres Vedras, de um Polo da Universidade Autónoma de Lisboa, com Cursos de Conservação e Restauro nas áreas de Pintura, Mobiliário, Escultura, Talha e Cerâmica Arqueológica. Vão iniciar as atividades em Fevereiro, em instalações perto do Castelo. Já abriram as inscrições. Contactos: 963 005 599.

Simultaneamente iniciam trabalhos de restauro de alguns altares da Igreja de S. Pedro, na nossa cidade.

A formação nestas áreas destina-se a pessoas de todas as idades que tenham gosto pelas obras que fazem parte da nossa Arte histórica

02 janeiro 2012

NÃO AO PARQUE EÓLICO DE MONTEJUNTO



NÃO AOS PARQUES EÓLICOS NA SERRA DE MONTEJUNTO!!!
Um grupo de Associações (QUERCUS - ESPELEO CLUBE De TORRES VEDRAS - ALAMBI/Associação para o Estudo e Defesa do Ambiente do Concelho de Alenquer - ALT/Associação Leonel Trindade/Sociedade de História Natural - AEP/Associação de Escoteiros de Portugal/Grupo 129 Torres Vedras -ADDPCTV/Associação para a Defesa do Património de Torres Vedras - Associação de Marchas e Passeios do Concelho de Torres Vedras) lançou uma “Petição contra a instalação do Parque Eólico na Paisagem Protegida da Serra de Montejunto R21; dirigida à Ministra da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território, dado que se encontra em processo público de Avaliação de Impacte Ambiental o projecto de instalação do Parque Eólico do Cercal (concelho do Cadaval), que prevê a colocação de 17 aerogeradores em plena Paisagem Protegida Serra de Montejunto e Sítio de Importância Comunitária da Rede Natura 2000.
Salienta-se que: R20;A serra de Montejunto constitui um repositório de vegetação natural de importância nacional, para além do interesse de ordem geológica, traduzido nos afloramentos rochosos, que proporcionam aspectos de grande interesse paisagístico, encenando panorâmicas de grande beleza natural.” (in Decreto Regulamentar n.º 19/99 de 22Julho)" tem 1 erro que é o número do decreto. Devia ser o 11/99 e está 19/99 (ver em http://dre.pt/pdf1sdip/1999/07/169B00/45614565.pdf).
A fundamentação para esta tomada de posição, vem no texto da petição, em que “as organizações signatárias consideram que a instalação do Parque Eólico constituirá um grave atentado à conservação dos valores naturais e à salvaguardada paisagem”.

Convidamos todos os amgos da Natureza a assinarem a petição:

Para dar mais força a esta forma de participação democrática, uma das mais antigas, pede-se que, além da identificação, escrevam um comentário próprio, ou inscrevam o comentário seguinte:
"Basta de parques eólicos em paisagens protegidas: a geração presente tem o dever de preservar espaços naturais livres de actividade industrial, como legado para as gerações futuras e para que nós próprios possamos desfrutar a Natureza no seu estado de desenvolvimento espontâneo."
Tomemos partido e mostremos a nossa indignação pela ocupação frenética e abusiva da nossa paisagem pelas já omnipresentes torres eólicas!