20 janeiro 2012

AS OBRAS NO CHAFARIZ DOS CANOS









AQUI falámos das obras de restauro do Chafariz dos Canos, assim como da sua envolvente.
As obras continuam, com alguns atrasos relativos à falta de entrega de alguns materiais - segundo nos informaram no local.
Aqui ficam as fotos mais recentes que de lá trouxemos esta semana. O monumento já está envolto em andaimes e telas de proteção. Lá para o verão teremos um novo Chafariz.
Não temos quaisquer responsabilidades na obra. Somos uma associação independente, formada por cidadãos interessados no nosso Património. Daí o nosso interesse em acompanhar o que se passa com o monumento mais emblemático de Torres Vedras. Confiamos que saia obra limpa, muito temos pugnado por isso.
Entretanto já fizemos propostas concretas à Junta de Freguesia e à Câmara Municipal para colaborarmos na requalificação daquele espaço, aguardamos que sejam criadas condições para isso. Temos mantido contactos regulares com os autarcas, que também estão empenhados na realização do Centro Interpretativo da Corredoura.

PATRIMÓNIOS 21 ( BADALADAS, 20 janeiro 2012)

RESSUSCITAR O CENTRO HISTÓRICO (II Parte)

André Tavares, Arquitecto


Neste artigo gostaria de transmitir algumas ideias que tenho vindo a desenvolver sobre a recuperação dos Centros Históricos e urbanos.

O ponto de partida será sempre identificar o problema. Não conseguimos definir estratégias sem sabermos do que estamos a falar. Assim sendo, deveríamos começar por inventariar todos os edifícios devolutos existentes no centro das nossas cidades. Tem de haver rigor neste inventário e é a partir daqui que é possível informação suficiente para se proceder à sua classificação, de maneira a podermos definir quais devemos manter, alterar ou demolir.

Até aqui nada de novo, pois já foram com certeza elaborados inúmeros inventários deste género no nosso País; no entanto é absolutamente necessário, através desta ferramenta, descobrir quem são os proprietários deste património desperdiçado. Temos de ser, então, mais pró-activos nesta pesquisa. E se, esgotando todos os meios legais para os encontrar, ou ao ser encontrado o proprietário este não apresentar condições para recuperar e manter o imóvel, temos de o tomar sob a nossa alçada e criar as condições necessárias para que seja reabilitado. Temos de ser mais céleres e mais concretos a conduzir estes processos, temos de agir. Tem de haver prazos definidos para apresentação dos proprietários e na eventualidade da atribuição de uma compensação esta deve ser de um valor justo, tabelado e não baseado em percepções distorcidas de valor e negociações intermináveis. Não nos podemos esquecer do foco central: a protecção do nosso Centro Histórico e urbano. Quando deixamos um edifício degradar-se estamos não só a danificar a paisagem e a denegrir a imagem das nossas cidades, mas também a pôr em risco a integridade das construções vizinhas e a vida de todos os que habitam na sua proximidade e passam diariamente por ele.

Uma vez identificados os pontos de acção, há que definir estratégias urbanas à volta dos Centros, identificando as suas necessidades e pontos fortes, definindo quais destes imóveis recuperar ou reconstruir e com que funções – habitação, comércio, serviços – e quais teriam de ser demolidos para criação de espaços públicos abertos no tecido urbano ou para bolsas de estacionamento.

Seguidamente há que elaborar cuidadosamente os programas individuais de cada unidade, com um foco mais preciso no público-alvo que se pretende, para os habitar e dinamizar.
Aproveitando uma altura em que muitos gabinetes e profissionais liberais nos campos da Arquitectura, Engenharia e Design se encontram com pouco trabalho, seria extremamente interessante promover-se concursos de ideias para jovens profissionais. Teríamos assim um maior dinamismo junto do mercado de trabalho e beneficiaríamos de uma série de perspectivas ambiciosas e inovadoras para um problema específico, procurando a solução dentro da faixa etária que seria ao mesmo tempo o grupo alvo desta iniciativa.
O objectivo seria a apropriação ou aquisição de imóveis devolutos a um custo muito baixo e a promoção criativa da sua recuperação junto de investidores externos. A estas apresentações seguir-se-iam uma série de estratégias bem definidas e estruturadas pelos concursos de ideias elaborados anteriormente, de maneira a que o produto apresentado fosse sólido e atractivo. Os intervenientes neste processo, –os municípios, os técnicos e criativos cujas ideias tenham ganho os concursos, assim como eventuais proprietários sem condições de recuperar o seu património, –seriam ressarcidos apenas no momento em que o investidor aceitasse o negócio.
*****
O leitor terá reparado que este texto foi escrito na primeira pessoa do plural. Porque o Estado e os Municípios somos todos nós. E se todos tentarmos contribuir com o nosso trabalho e o nosso conhecimento, se nos tentarmos envolver nos problemas e não desistirmos à primeira dificuldade, então viveremos com certeza numa cidade melhor desenhada e pensada por nós e para nós.


08 janeiro 2012

PATRIMÓNIOS 20


Publicado no BADALADAS em 30 dezembro 2011



RESSUSCITAR O CENTRO HISTÓRICO

André Tavares, Arquitecto



Face aos tempos difíceis em que vivemos torna-se cada vez mais urgente pensar sobre a recuperação dos Centros Históricos e o papel da arquitectura nesse contexto.
Mesmo antes de nos confrontarmos com a crise que assola o país e a Europa em geral, já o mercado habitacional sofria de graves problemas, nomeadamente o excesso de imóveis construídos comparativamente à dimensão da população nacional, o que contribuiu grandemente para o progressivo crescimento das periferias pouco estruturadas do ponto de vista urbano e arquitectónico.
Parece-me assim óbvio, já há bastante tempo, que é necessária uma nova abordagem à recuperação dos Centros Históricos das cidades portuguesas. Porquê criar uma série de pequenas «cidades bolsa», subúrbios que servem apenas de dormitórios, ficando dependentes do comércio e serviços prestados nos centros urbanos? Porquê, como acontece mais particularmente em Torres Vedras, insistir nas urbanizações e loteamentos isolados sem qualquer noção de planeamento urbano ou infraestruturas, para além de um pequeno e triste espaço verde e muito alcatrão? Porquê, quando uma grande parte dos edifícios antigos dos centros das cidades se encontram em péssimo estado de conservação, abandonados ou devolutos?
Este é um tema já amplamente discutido, mas aparentemente com muito poucas conclusões retiradas. É no entanto necessário revisitá-lo de maneira a que de uma vez por todas suscite dinâmicas suficientemente fortes para mobilizar todos os agentes envolvidos.
É absolutamente necessário injectar nova vida nos Centros Históricos. É necessário recuperar, classificar e preservar o que merece ser preservado, é necessário adaptar, modernizar e melhorar de acordo com os padrões actuais de qualidade e conforto, é necessário construir um diálogo coerente entre o passado e a arquitectura contemporânea e é principalmente necessário ter coragem e bom senso suficientes para demolir e substituir o que já não tem utilidade ou interesse.
Nos três textos que me convidaram a escrever para esta coluna, sendo este uma espécie de nota introdutória, tentarei aprofundar cada um destes temas, deixando o leitor desde já com uma ideia. São muito poucos os produtos que se vendem a si próprios, sendo por vezes necessário encarar estas estratégias como isso mesmo, uma venda.
Não podemos pensar que é apenas a falar sobre o assunto repetidamente, ou implementando medidas obscuras, mal estruturadas e pouco publicitadas que vamos atrair nova população ao Centro Histórico. Não é só apostando no charme romântico atribuído a estes espaços, nem na ínfima parte da população que aprecia este tipo de vivência. Como em qualquer actividade, é preciso conhecer o cliente, aprender com ele, saber o que pensa e o que deseja, interpretar o que realmente necessita e finalmente motivá-lo a alcançar o seu objectivo.
Parece-me que antes de mais será necessário criar uma boa política de incentivos. Mais do que exigir ao Estado e aos Municípios que paguem ou subsidiem as condições necessárias, temos sim de exigir a estes organismos uma política de incentivos bem estruturada, que ofereça benefícios e condições que permitam aos investidores privados apostarem na recuperação, que amplie perspectivas e saiba demonstrar e reforçar as vantagens de investir e habitar no centro histórico, e sucessivamente saber estender e publicitar esses conceitos às famílias jovens.
Com as devidas condições estas iniciativas poderiam não só dar um novo fôlego aos centros históricos, como também ao comércio tradicional e às actividades lúdicas e culturais no espaço urbano, abrindo as portas a uma nova geração que, se a oportunidade lhe fosse devidamente apresentada, viveria o centro

06 janeiro 2012

CURSOS DE CONSERVAÇÃO E RESTAURO - VALORIZAR O NOSSO PATRIMÓNIO




Aqui está uma proposta interessante: a criação, em Torres Vedras, de um Polo da Universidade Autónoma de Lisboa, com Cursos de Conservação e Restauro nas áreas de Pintura, Mobiliário, Escultura, Talha e Cerâmica Arqueológica. Vão iniciar as atividades em Fevereiro, em instalações perto do Castelo. Já abriram as inscrições. Contactos: 963 005 599.

Simultaneamente iniciam trabalhos de restauro de alguns altares da Igreja de S. Pedro, na nossa cidade.

A formação nestas áreas destina-se a pessoas de todas as idades que tenham gosto pelas obras que fazem parte da nossa Arte histórica

02 janeiro 2012

NÃO AO PARQUE EÓLICO DE MONTEJUNTO



NÃO AOS PARQUES EÓLICOS NA SERRA DE MONTEJUNTO!!!
Um grupo de Associações (QUERCUS - ESPELEO CLUBE De TORRES VEDRAS - ALAMBI/Associação para o Estudo e Defesa do Ambiente do Concelho de Alenquer - ALT/Associação Leonel Trindade/Sociedade de História Natural - AEP/Associação de Escoteiros de Portugal/Grupo 129 Torres Vedras -ADDPCTV/Associação para a Defesa do Património de Torres Vedras - Associação de Marchas e Passeios do Concelho de Torres Vedras) lançou uma “Petição contra a instalação do Parque Eólico na Paisagem Protegida da Serra de Montejunto R21; dirigida à Ministra da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território, dado que se encontra em processo público de Avaliação de Impacte Ambiental o projecto de instalação do Parque Eólico do Cercal (concelho do Cadaval), que prevê a colocação de 17 aerogeradores em plena Paisagem Protegida Serra de Montejunto e Sítio de Importância Comunitária da Rede Natura 2000.
Salienta-se que: R20;A serra de Montejunto constitui um repositório de vegetação natural de importância nacional, para além do interesse de ordem geológica, traduzido nos afloramentos rochosos, que proporcionam aspectos de grande interesse paisagístico, encenando panorâmicas de grande beleza natural.” (in Decreto Regulamentar n.º 19/99 de 22Julho)" tem 1 erro que é o número do decreto. Devia ser o 11/99 e está 19/99 (ver em http://dre.pt/pdf1sdip/1999/07/169B00/45614565.pdf).
A fundamentação para esta tomada de posição, vem no texto da petição, em que “as organizações signatárias consideram que a instalação do Parque Eólico constituirá um grave atentado à conservação dos valores naturais e à salvaguardada paisagem”.

Convidamos todos os amgos da Natureza a assinarem a petição:

Para dar mais força a esta forma de participação democrática, uma das mais antigas, pede-se que, além da identificação, escrevam um comentário próprio, ou inscrevam o comentário seguinte:
"Basta de parques eólicos em paisagens protegidas: a geração presente tem o dever de preservar espaços naturais livres de actividade industrial, como legado para as gerações futuras e para que nós próprios possamos desfrutar a Natureza no seu estado de desenvolvimento espontâneo."
Tomemos partido e mostremos a nossa indignação pela ocupação frenética e abusiva da nossa paisagem pelas já omnipresentes torres eólicas!


18 dezembro 2011

MONUMENTOS NACIONAIS DE TORRES VEDRAS - ERMIDA DE NOSSA SENHORA DO AMIAL

Foto de Júlio Vieira, 
in:  TORRES VEDRAS ANTIGA E MODERNA, 1ª ed., Torres Vedras, 1926

O QUE DIZ JÚLIO VIEIRA SOBRE A ERMIDA 
DE NOSSA SENHORA DO AMIAL

«Não se deve esquecer na ordem de antiguidade, a pequena igreja ou ermida de Nossa Senhora do Amial ou Nossa Senhora do Pinheiro, que é de fundação tão remota que a tradição nos diz ter sido a primeira freguesia que teve esta vila, antes de se es­tabelecer a matriz de Santa Maria, facto citado entre outros, por Carvalho, na sua Corografia (livro II, tratado I)198.
Possivelmente a sua origem teria sido goda e assim o indica o manuscrito a que tenho feito alusão, narrando que por virtude de uns letreiros por detrás de uns painéis que levaram à descoberta de umas relíquias dentro do altar-mor, se infere «ter no dito sítio sido igreja no tempo em que se perdeu a Hespanha, vivendo nela os godos».
Esta ermida é sagrada, como se vê pelas pedras com cruzes em relevo metidas nas paredes interiores da mesma.
Deve ter sofrido uma reconstrução importante em 1565, data esta que se vê esculpida na cantaria de uma das janelas de­baixo do alpendre199, as quais foram tapadas, não se sabe quando, nem mesmo já se sabia no princípio do século XVIII, segundo o testemunho do citado manuscrito de 1729.
Em frente da porta principal, debaixo do alpendre, está uma sepultura antiga, cujas letras sumidas ou apagadas de todo se não podem ler, mas diziam o seguinte, conforme felizmente nos con­serva o aludido manuscrito:
Aqui jaz Álvaro Cayado Vassalo del-Rey D. João o segundo o qual se finou a nove dias de Novembro de 1524.
Comprova-se, pois, que até àquela época, ainda existia o an­tigo foro de vassalo.
No corpo da igreja existe uma pedra sepulcral, conforme o desenho que se vê no fim do capítulo.
A porta lateral de ordem dórica é muito interessante. A igrejazinha teve outra reconstrução também importante que data de 1719, ano em que foi feito o actual altar de Nossa Senhora de Rocamador, cuja imagem até ali estivera metida em um nicho da parede.
Edificada sobre uma pequena elevação de terreno, para cujo adro se subia por muitos degraus, está hoje, pode dizer-se, nive­lada com a estrada que lhe fica fronteira, mercê dos sucessivos aterros que aquele sítio tem sofrido.
Foi nas casas desta ermida que se instituiu o mais antigo hospital que se conhece ter existido em Torres Vedras, conforme no capítulo seguinte vai relatado.»

(pp 157/158 da 2ª edição da obra de Júlio Vieira, LivrodoDia e Associação do Património de Torres Vedras, Torres Vedras, 2011)

NOTAS:

198 A mesma tradição vem apontada no Dic. Geogr. de Port., do Padre Luís Cardoso,
T. XXXVII, p. 884 (Arquivo Nacional da Torre do Tombo).
199 O alpendre foi feito nessa data.

Pedra tumular existente na Igreja de N. S.ª do Amial 
(TORRES VEDRAS ANTIGA E MODERNA, 2ª ed. p. 160)


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Postal antigo, anos 30 do Séc XX

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Capela de Nossa Senhora do Amial (mon. nac.)

«Esta venerável capela, de remota fundação medie­val, foi reconstruída por completo em meados do sé­culo XVI, época que melhor se testemunha nas facha­das e em certos elementos do interior.
É tradição ter sido aqui instituída a primeira fre­guesia de Torres Vedras, antes portanto da matriz de Santa Maria do Castelo, e foi seguramente em casas suas que se estabeleceu o mais antigo hospital da vila. Do passado mais antigo subsiste apenas a inespe­rada sineira gótica, a velha imagem policromada de Nossa Senhora de Rocamador (século XIV?) e uma curiosa laje sepulcral com escudo de tipo de cadeado — em campo uma quaderna de crescentes-— e atra­vessado por uma espada. Ao lado do escudo, igual­mente esculpido, um estandarte medieval.
Anteriormente à grande reconstrução quinhentista, há dois muito interessantes vestígios do primeiro quar­tel do mesmo século XVI. Um deles é a pia de água benta, recortada e de lavor de tipo manuelino. O outro passará mais despercebido, mas não é menos impor­tante, reclamando sempre a sua cuidadosa conserva­ção, tanto mais que será parte mínima de uma decora­ção já estendida decerto a todo este banco de alvenaria como ao outro da parede oposta. Trata-se de um pe­queno e admirável rodapé de azulejos mudéjares ditos hispano-árabes, de estrelas geométricas e belos esmal­tes. De manter igualmente em qualquer futuro restauro os retábulos setecentistas, quer o do altar do lado do Evangelho, onde está a imagem de Nossa Senhora de Rocamador, excelente obra de talha datada da remo­delação de 1719 e possivelmente da mesma oficina de alguns altares da Igreja de S. Pedro, quer o do altar--mor, mais tardio e onde se venera a imagem policro­mada de Nossa Senhora com o Menino. Pertencem às mesmas obras de 1719 os arcos de mármores, tanto de um como de outro altar. A outra pia de água benta, oval, de mármore rosado, datará também de 1719.
Mas, certamente, o que avulta são as obras à roda de 1550-1560, datas autorizadas pelo estilo arquitec­tónico da reconstrução e pelas inscrições: na parede do lado do Evangelho, uma lápide de 1551; no pavi­mento da capela-mor, uma laje sepulcral também de 1551, de Ana de Aguiar, mulher do licenciado João de Camões, fidalgo da casa real; e outra laje datada de 1552, no pavimento da pequena nave. Cita-se ainda a data de 1565 numa janela do alpendre.
Típica desta época é a galilé, de composição paladiana, de arco redondo ao centro e colunas do dórico.
Do recheio desta valiosa capela fazia parte a série de quatro tábuas, S. Pedro, S. Paulo, S. Lourenço e S. Sebastião, pinturas de meados do século XVI que hoje se expõem no Museu Municipal.
No altar-mor está de há muito a velha imagem de madeira, bastante repintada, de S. Vicente, que se vene­rava na derruída ermida do Forte, imagem que é uma relíquia e, ao mesmo tempo, uma peça de valor icono­gráfico a reunir às várias representações do padroeiro da cidade de Lisboa.»

(Texto do livro: MONUMENTOS E EDIFÍCIOS NOTÁVEIS DO DISTRITO DE LISBOA - Torres Vedras, Lourinhã, Sobral de Monte Agraço; Junta Distrital de Lisboa, 1963.)

N. S.ª do Amial. Pia de água benta, à entrada, do lado da epístola.
In: APONTAMENTOS SOBRE O MANUELINO NO DISTRITO DE LISBOA,
Fernando Pereira Bastos, Imprensa Nacional - Casa da Moeda, Lisboa, 1990

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Fotos (C) ADDPCTV












17 dezembro 2011

PATRIMÓNIOS 19 (in: BADALADAS - 9 DEZEMBRO 2011)



Foto (C) Moedas Duarte

É ÚTIL LEMBRAR A IMPORTÂNCIA TURÍSTICA DO CASTELO
NO CONTEXTO DO CENTRO HISTÓRICO

PAULO MOREIRA
(Arquitecto)

O Plano de Salvaguarda do Centro Histórico já é passado. Teve uma função importante ao inventariar e preservar um núcleo patrimonial da cidade. Mas durou seguramente tempo demasiado para quem ansiava pela reabilitação daquele espaço torriense.  
Estamos agora numa nova fase, a do Plano de Pormenor e de Reabilitação. A designação, só por si, implica uma fase activa de intervenção.
Em parceria, e bem, promoveu a Câmara um programa de acção que designou de «Torres ao Centro» tendo em conta o lançamento de um conjunto de iniciativas integradas para a implementação deste plano; para além de organizar alguns foruns de discussão e apresentação de projectos que ocorreram na primeira quinzena do passado mês de Outubro. Para tal fez convites à participação de munícipes e entidades interessadas, e colocou alguns anúncios na imprensa.
Nos tempos que correm, face às dificuldades por que passamos – e com evidente definhar do tecido comercial a que assistimos no centro da cidade – julgo corajosa esta iniciativa do município por constituir a resposta possível para a procura de oportunidades em tempo de crise.
Serão provavelmente estas iniciativas potenciadoras de futuras pistas para o desenvolvimento sustentável que desejamos.
Contudo, embora todos os processos tenham de começar por algum lado, torna-se premente um maior envolvimento da comunidade torriense. O Centro Histórico é território dos residentes, mas é sobretudo uma parte da cidade que deverá envolver todos. É fundamental usá-lo como zona integrante da cidade, ao invés de um canto de quintal esquecido.
Será pois importante que o programa «Torres ao Centro» se afirme como uma marca. Tenha uma maior divulgação junto da comunidade e seja portador de uma mensagem forte que a todos mobilize.
No contexto do Centro Histórico torna-se imperioso lançar um concurso de ideias para a utilização turística do Castelo – apesar de há anos atrás muito se ter falado sobre este desiderato – não esquecendo que este espaço poderá constituir uma âncora que permita potenciar a atracção do Centro Histórico, quer como destino de visita, quer para o desenvolvimento do comércio local.

10 dezembro 2011

À VOLTA DO CASTELO






















Existem tantas perspetivas das ruínas do Palácio dos Alcaides ( que por comodidade chamamos "castelo") quantas as paragens que fizermos num percurso circular em seu redor. Isto porque, como já relatava Fernão Lopes, o castelo está assente "numa formosa mota" que parece ter sido feita de propósito para nela se construir o que lá vemos.
Se juntarmos a esses olhares as diferentes horas do dia, bem como a diversidade de luz ao longo do ano, teremos possibilidades infinitas de fixarmos imagens sempre renovadas. De uma beleza cativante. 

(Fotos tiradas entre setembro e novembro de 2011 pelo nosso associado J Moedas Duarte)

07 dezembro 2011

PASSEANDO EM TORRES VEDRAS

Imagens da cidade numa destas tardes novembro...


Pátio Amarelo

 Casa da família Clemente

Travessa para o Largo Machado dos Santos







Torre da Igreja de Santiago


O "Castelo" visto de Santiago

27 novembro 2011

FADO: PATRIMÓNIO IMATERIAL DA HUMANIDADE




Um dia grande para a Cultura portuguesa.

Ver aqui: http://www.publico.pt/Cultura/o-fado-ja-e-patrimonio-mundial-1522758

Bem sabemos que o Fado é um repositório de contradições. Se foi canção nacional no tempo da Ditadura fascista e, como tal, funcionava como uma espécie de anestesiante social, a verdade é que ganhou uma dimensão cultural indesmentível a partir da renovação das letras e dos intérpretes, iniciada ainda com Amália e prosseguida com nomes como Carlos do Carmo e Ary dos Santos e toda a gama de fadistas e autores das gerações mais novas.

O Fado é Património Imaterial da Humanidade a partir de hoje.

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PATRIMÓNIO IMATERIAL, O QUE É

Jornal Público, Cláudia Carvalho

Proteger o património e as tradições que tornam cada país diferente e único no mundo foi o principal objectivo que esteve na base da criação da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) da classificação de Património Imaterial da Humanidade. Hoje, Portugal não tem nenhum bem inscrito nesta lista, mas tem 14 inscritos na lista de Património Mundial.

As primeiras preocupações começaram em 1972, quando, depois da Convenção para a Protecção do Património Mundial, Cultural e Natural, alguns países manifestaram interesse em ver criado um instrumento de protecção do património imaterial. Isto obrigaria a UNESCO a adoptar, em 1989, a Recomendação para a Salvaguarda da Cultura Tradicional e do Folclore, dividida em tesouros humanos vivos, línguas em perigo no mundo e música tradicional.

Dez anos depois, em 1999, o conselho executivo da UNESCO decidiu criar uma distinção internacional intitulada "Proclamação das Obras-primas do Património Oral e Imaterial da Humanidade", de forma a distinguir os exemplos mais notáveis de espaços culturais ou formas de expressão popular e tradicional. Só em 2006 é que a Convenção para Salvaguarda do Património Cultural Imaterial, aprovada no final de 2003, entrou em vigor.

A Convenção definiu que o património cultural imaterial não se resume apenas aos monumentos e colecções de objectos, mas abrange também as tradições, expressões de vida, conhecimentos e aptidões que constituem a cultura e a identidade de cada país. Características que colocaram o fado entre as sete candidaturas mais recomendadas pelos peritos da UNESCO.

Segundo um documento desses peritos, o fado “é um género de grande versatilidade poética e musical”, com “um forte sentimento de pertença e ligação a Lisboa”, podendo contribuir para futuras interacções com outros géneros musicais. A UNESCO destacou ainda os esforços de toda a comunidade, instituições e meio artístico que se uniram em torno da candidatura.

Além do fado, foram recomendadas as candidaturas do Peru, sobre o conhecimento dos jaguares pelos xamãs da tribo ameríndia colombiana Yurupari, da música Mariachi, apresentada pelo México, das danças Nijemo Kolo da Dalmácia pela Croácia, da música e dança tsiattista do Chipre e da cavalgada de reis da Morávia, pela República Checa. O Comité Intergovernamental, porém, tinha um total 38 candidaturas para analisar.

Embora Portugal não tenha nenhum bem inscrito na lista de património imaterial, possui sítios, monumentos ou paisagens classficadas como património mundial da UNESCO: o centro histórico de Angra do Heroísmo (Açores), o Mosteiro dos Jerónimos (Lisboa), a Torre de Belém (Lisboa), o Mosteiro da Batalha (Batalha), o Convento de Cristo (Tomar), o centro histórico de Évora (Évora), o Mosteiro de Alcobaça (Alcobaça), a paisagem cultural de Sintra (Sintra), o centro histórico do Porto, os sítios de arte rupestre do Vale do Côa, a floresta Laurissilva da ilha da Madeira, o centro histórico de Guimarães, a região vinhateira do Alto Douro e a paisagem da cultura da vinha da ilha do Pico (Açores


23 novembro 2011

PATRIMÓNIOS 18 (in: BADALADAS, 18 novembro 2011

OPORTUNIDADES DE INVESTIMENTO NO CENTRO 

HISTÓRICO
(III Parte)


EZEQUIEL DUARTE
( Economista )


Nestes tempos difíceis que vivemos, com o prolongamento de uma crise sem fim à vista, poderão passar vários anos sem investimentos empresariais significativos no Centro Histórico de Torres Vedras, tudo apontando no sentido contrário, para o aumento da intensidade na cessação de actividades.
A qualificação urbana, o rigor na intervenção do edificado e a reconversão de espaços vazios descaracterizados, cujo preenchimento de recurso tem sido o parqueamento automóvel, poderão dar melhores indicações para o futuro da actividade económica no Centro Histórico de Torres Vedras.
Um espaço singular que se distingue pelas particularidades arquitectónicas de uma longa herança, pelas ruas estreitas apropriadas para outros modos de transporte, onde o automóvel terá que desempenhar apenas um papel secundário ou de recurso, num cenário em que não é o espaço que se adapta ao automóvel mas sim o contrário.
Com um Centro Histórico com outra feição, num ciclo ascendente da economia, que se espera, existirão condições para um impulso na instalação de novas funções económicas e para o surgimento de jovens empreendedores com um espírito inovador e com capacidade de lidar com a mudança perante novos paradigmas organizacionais e tecnológicos.
Ninguém sabe ao certo quando se verificará a retoma económica, prevê-la, hoje em dia, é um exercício doloroso que, perante a situação actual, ninguém levará a sério por muito consistentes que sejam os pressupostos.
 Empreender é pois uma raridade nos tempos que correm, apesar de ser a altura certa para programar as estruturas que poderão no futuro alavancar o investimento.
 A palavra empreendedorismo surgiu em Portugal no início da última década do século XX e andou sempre a reboque de acções pontuais em função dos financiamentos comunitários existentes.
Há muito que se defende na teoria económica que a oferta de empreendedores é controlável e que, em função das políticas de apoio existentes, da sua consistência e persistência, poderão resultar, a médio prazo, em aumentos significativos no número de empreendedores.
A tradução territorial de uma política de apoio ao empreendedorismo terá nas cidades médias um dos seus pilares e os centros históricos serão atractivos para jovens empreendedores na fixação de residência e de local de trabalho numa relação de proximidade, assim haja a percepção da oferta e organizações facilitadoras da instalação.
Cidades médias como Torres Vedras, que assegurem programas de tutoria com a participação dos empresários locais, com uma educação que desenvolva o espírito empreendedor desde os primeiros níveis de ensino, com organizações locais que proporcionem novas relações de sociabilidade e de minimização do risco.
O Centro Histórico de Torres Vedras poderá ter um papel preponderante na fixação de jovens empreendedores no futuro, aproveitando a qualificação urbana em curso, o movimento de fixação de associações culturais em grande parte direccionadas para a juventude e a capacidade dos agentes locais para incorporar estruturas de apoio ao empreendedor.

17 novembro 2011

VISITA AO CASTRO DO ZAMBUJAL


Eram 27 visitantes de uma excursão cultural organizada pela Associação Portuguesa dos Amigos dos Castelos. Gente viajada e informada. Mas ninguém conhecia o Zambujal.
No final a impressão foi de admiração e surpresa pelo monumento pré-histórico que lhes foi revelado.
No entanto, as conversas posteriores mostraram também uma perspetiva crítica quanto ao que viram e ao modo como aquele património está mal cuidado, o que nos levou a manifestar um certo sentimento de vergonha pois nos sentimos, de algum modo, responsáveis pela incúria e abandono daquele espaço.

Vejamos. A Câmara Municipal já fez alguma coisa, é um facto: adquiriu os terrenos, apoiou as campanhas arqueológicas, colocou um painel informativo, fez obras de melhoramento no Casal onde vive a senhora e o filho que "guardam" o sítio.
Mas falta muito mais. Há a ideia/projeto de um Centro interpretativo, no qual será exposto o valioso espólio arqueológico encontrado até agora mas as três entidades que intervêm no processo - o Município, o IGESPAR e o Instituto Arqueológico Alemão ( que tem feito a exploração arqueológica desde 1964) - não encontram formas de articulação que permitam avançar para a sua concretização.

Pela nossa parte, que podemos fazer? Divulgar! Alertar! E isso temos feito.
E podemos também dar sugestões que nos parecem viáveis e de fácil concretização:

1ª - Disponibilizar ao público interessado a mostra do espólio do Zambujal.
Esse já foi o núcleo principal do Museu no tempo de Leonel Trindade, e era admirado como um dos mais expressivos espólios nacionais do Calcolítico. Agora está encaixotado. Recentemente os funcionarios do Museu tiveram a iniciativa - que aplaudimos! - de colocar uma vitrina com algum desse espólio à vista do público, no primeiro andar do Museu, mas em condições deprimentes de exposição. Quem lá for perceberá porquê. Entendamo-nos: visitar o Castro do Zambujal sem ter a contrapartida de admirar o seu espólio é como matar a fome com a leitura de uma revista sobre culinária...

2ª - No próprio espaço do Castro impõe-se a construção de um passadiço de madeira que permita a visualização sem que os visitantes destruam as estruturas de pedra. É que a parte mais espetacular do Castro é a barbacã e a sua apreciação exige que as pessoas percorram um caminho penoso - e perigoso! - entre as pedras. O que se impõe, portanto, é uma estrutura simples em madeira de pinho tratado, à semelhança, aliás, do que há noutros lugares, como é o caso do Castro de Leceia (Barcarena, Oeiras) como se vê nestas fotos:


Castro de Leceia

Alunos de uma escola em visita ao Castro de Leceia ( fotos tiradas da net)


Enquanto não se constrói o tal Centro Interpretativo ( coisa dispendiosa e demorada) - por que não fazer estas pequenas ações de valorização do nosso Património?
Anda muita gente por aí a passear ou em visitas de estudo, sobretudo os "aposentados" e as nossas escolas. Há que lhes dar condições de fruição do nosso riquíssimo património sem que nos sintamos envergonhados...

14 novembro 2011

VISITA GUIADA


 16 de novembro, entre as 14H30 e as 17H30
faremos uma VISITA GUIADA a dois monumentos nacionais de Torres Vedras:
Castro do Zambujal e Convento do Varatojo.




Já em 7 de junho acompanhámos um grupo da APAC numa visita à Quinta das Lapas e à Rota das Ermidas.

VISITAS GUIADAS são uma área de atividade que está no nosso programa de ação e que disponibilizamos a quem nos solicitar