11 novembro 2011

PATRIMÓNIO DE TORRES VEDRAS - TERMAS DOS CUCOS

Vista geral do edifício principal

Está na categoria de "Imóvel em vias de classificação". Há poucas informações disponíveis ou de fácil acesso sobre este belíssimo conjunto edificado.
O nosso associado Rui Prudêncio indicou-nos uma ligação que, pela oportunidade, colocamos AQUI. Também pode ser consultada no blogue do Venerando de Matos.
Para imediata informação, transcrevemos o texto, referindo que ele se reporta a 2002. Infelizmente, parece-nos que nada se modificou desde essa altura, a não ser o crescente desinteresse por este património por parte de quem poderia fazer alguma coisa por ele.
As termas estão inativas e os edifícios fechados. Há um guarda residente que toma conta do espaço e faz a manutenção do Parque.
Exteriormente os edifícios estão pintados e mostram bom aspeto, o que se deve ao facto de aquele espaço ter sido utilizado como cenário de uma telenovela.

As fotos, de 2010,  são do nosso associado Joaquim Moedas Duarte, a quem agradecemos.


Edifício principal




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Edifício do restaurante e zona de lazer

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Edifício para alojamentos - Lado Poente da álea de acesso




Edifício de alojamentos - A nascente da álea de acesso

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Álea de acesso, a partir da estrada que sai de Torres Vedras em direcção ao Sobral de Monte Agraço





 Época termal
As termas encontram-se encerradas sem data prevista para reabertura
Indicações
Reumatismo, doenças da pele e da nutrição (Acciaiuoli, 1944)
Para o tratamento da gota, artrite-reumática, linfantismo e doenças das senhoras, particularmente metro-anexites. As lamas empregam-se nas afecções do aparelho locomotor tendo por origem a gota (Contreiras.1951)
Doenças metabólico-endócrinas, reumáticas e músculos esqueléticas.


Tratamentos/ caracterização de utentes
Balneoterapia com banhos de lama; inalações e ingestão de água.
Apesar das suas características e dos tratamentos com lamas próprias, caso único no atual panorama do termalismo entre nós, o número dos seus frequentadores, pelo menos depois da década de 30, nunca foi muito elevado. Nos relatórios de Acciaiuoli de 1939-46 as inscrições são em média na casa das duas centenas, nos últimos três ano que tiveram abertas, 1996 a 98 as inscrições foram em média um pouco inferiores ao milhar.

LOCALIZAÇÃO

Distrito
Lisboa

Concelho
Torres Vedras

Freguesia
Matacães

Povoação/Lugar
Termas de Cucos
Localização
Na margem direita do Rio Sizandro, no sopé da colina dos Macheia.

Província hidromineral
A / Bacia hidrográfica do Rio: Ribeiras de Costa - Oeste

Zona geológica
Orlas Meso- cenozoicas

Fundo geológico (factor geo.)
Rochas sedimentares, predominante Arenitos.

Dureza águas subterrâneas
100 a 300 mg/l CACO3


Instalações/ património construído e ambiental

Inaugurado em 15 de Maio de 1893 o complexo termal dos Cucos, com traça do engenheiro António José Freire, por encomenda do proprietário José Gonçalves Dias Neiva.
Mas em 1892 já o novo estabelecimento balnear se encontrava a trabalhar em fase experimental, que Lopes (1892) elogia e descreveu: “O seu primeiro pavimento – das piscinas – situado a 3,4m abaixo do nível do solo, consta de três salas: duas para banhos de lama, tendo um, quatro piscinas e outras três, ambas com as competentes tinas de lavagem; e a terceira com duas divisões, das quais uma tem cinco tinas e outra quatro, destinadas aos banhos de 3ª classe. Neste pavimento, e num plano superior, estão instaladas ainda duas tinas, salas de inalações, maquinismo e a casa de engarrafamento das águas minerais. Há, ainda, um salão de espera e a elegante buvete com duas torneiras para água, fria ou quente.
No rés-do-chão, 1,5m acima do solo, estão estabelecidas, em gabinetes elegantes e confortáveis, as tinas para banho de imersão, em número de doze, os duches vaginais, perenais e rectais, e as de hidroterapia, com todo os aparelhos aperfeiçoados conhecidos até hoje.
São sete as nascentes existentes no parque dos Cucos: a dos Cucos Novos e Cucos Novos Fria localizam-se sob o balneário; a dos Cucos Modernos, fornece a buvete; A das Lamas no fundo de um poço para captação de lamas; A dos Cucos Velhos e do Olival não utilizadas. A sétima nascente encontra-se à entrada do parque e era de uso popular para doenças de pele e estômago, denominada dos Coxos ou dos Coches (como é atualmente mais conhecida).

Atualmente todas as dependências do complexo termal se encontram encerradas: Balneário, capela, mina de lamas; buvete; restaurante e pensão. Aberto e para usufruto da população está o agradável parque termal.

Natureza
Cloretada, bicarbonatada, sulfatada, muito radioactiva pelo radon (38º) (Lepierre, 1930)
Cloretada sódica (Calado, 1995)

Alvará de concessão
Decreto de 12 de Julho de 1858, determinado de 80réis o preço das garrafas da água de Cucos.
1ºalvara de 25 de Outubro de 1893 a favor de José Gonçalves Dias Neiva
Alvará de 26 de Março 1909 a favor de José António Vieira
Portaria de 8 de Junho de 1929 definindo a área reservada de 50hectares.

Contrato actual de 1 de Janeiro de 1999

Historial
Embora Lopes (1892) descreva que durante as obras para novas captagens e desvio do leito do rio Sizandro, foram descobertos antigos poços e canalizações de provável origem romana, as primeiras referências que surgem a esta nascente são de 1758. Nas Memórias Paroquias, o Padre António José de Faria, prior de S. Pedro, respondia do seguinte modo aos Quesitos Pombalinos, sobre a questão da existência de águas minerais na Freguesia: “Esteve esta água sempre incógnita até que um grande cirurgião do Partido da Câmara desta Vila pela observar no ano de 1746 a pões em uso na medicina. Chamado o Dr. Cirurgião Máximo Monis de Carvalho, e tem alcançado esta água notáveis efeitos em desterrar sarnas, lepras, caquechias, inchações, e de cura chagas sordicas, gotas arteticas, convulsões, paralisias, e obstruções dos olhos, servindo algumas de remédio paliatico a chagas cancrozas, e pode servir para remédio de muitas outras queixas se o pio zelo lhe mandasse por algum reparo, para assim comodamente se usar nos banhos como convêm; pois não é menos para admirar o grande numero de enfermos que ali de diversas partes tem concorridos a tomar banhos nos toscos lagos que com a sua industria fazem na terra expostos ao ar, e sem reparo algum, e a maior parte sem conselho de médico…”
Tavares, Dr. Francisco, escreveu em 1810: “… no sítio chamado dos Cucos nascem águas termais, em dez origens diversas, todas da mesma natureza e diferente temperatura […] como estas nascentes estão muito próximas à margem de um ribeiro, que ali corre, com qualquer pequena enchente se cobrem. Os banhos, com casas de madeira ali feitas, são defendidos por marachões, que o proprietário do terreno mandou construir, assim como algumas casas e quartos para acomodação de quem quiser usar das águas…
O proprietário era o Capitão – mor José Lourenço Peres, segundo nos informa o visconde Balsemão numa Memória apresentada à Academia Real das Ciências em 1813, que descreve os banhos em tinas de madeira enterradas na lama e resguardadas por barracas. A mesma descrição fez Silva (1815), que recomendava: “Se estas águas se procurassem mais no centro do monte… se desse outro curso ao rio, as construções dos banhos seriam permanentes
Agostinho Lourenço (1867) escreveu no seu Renseignent sur les eaux Minérales Portugaises, para a Exposição Universal de Paris « L’eau jaillit par diffeérents points dans un fossé oblong parallèle d’une petit rivière appelle «Cysandre», et dont elle est séparée par un étroit mur naturel […] A l’endroit même ou les eaux sourdent, on a enterre des baignoires en bois, qui reçoivent l’eau par les fissures que laissent entre elles les planches dont elles sont construites »
Na ocasião em que Agostinho Lourenço escrevia este texto, já a quinta de Vale dos Cucos era propriedade de João Gonçalves Neiva, que construiu, por volta de 1860, novas casas de banho ainda em madeira e casas para alojamento dos doentes, no local hoje chamado de Cucos Velhos. Mas será seu filho José Gonçalves Dias Neiva que a partir de 1890 inicia todo um processo de edificação de uma vila termal, iniciadas por escavações que vêem a descobrir uma nascente com grande manancial de água. O projecto que pretendia ser completamente inovador em serviços termais e de lazer, previa a construção do Balneário, Hotel, Casino, 40 moradias num parque termal que contava ainda com uma capela e mercado.
Em 1893 era inaugurado o estabelecimento termal, três anos depois foi a vez do Casino, segue-se lhe o Hotel, bem mais modesto do que o edifício programado de 300 quartos, das moradias projectadas concretizaram-se duas, construí-se também a capela e oficinas de preparo de lamas e de águas.
Ao fundo de uma alameda arborizada, que haveria de definir o eixo da vila termal encontra-se o balneário, com a sua fachada neo-clássica. Sobre este projecto escreveu Mangorrinha ( 2000): “ O plano das Termas dos Cucos é o único que traça de raiz o conjunto de equipamentos essenciais ao funcionamento de uma estância termal e, como tal, possui um valor analítico ímpar, embora nunca tenha sido concretizado na sua totalidade, perdendo o efeito urbano que projectava.
Em 1892 as águas foram analisadas por Joaquim dos Santos Silva, um ano depois Frederico de Albuquerque d’Orey fazia o seu Relatório de Reconhecimento para a concessão então pedida pelo proprietário.
Em 1896 Lepierre analisou as águas, classificando-as como mesossalinas, cloretadas sódicas, litínicas e siliciosas.
Sarzedas (1907) no seu relatório de inspecção elogia o estabelecimento com as palavras: “ são completas e de primeira grandeza as instalações”.
Em 1910 é o estudo da radioactividade das suas lamas por Oliveira Pinto. Estas lamas são extraídas em galerias de uma mina junto do leito do rio Sizandro, emergem depois de passadas por extractos calcários, são cloretadas, radioactivas, contêm biogeleias e são hipertermais.
Andrade (1926) apresenta o seu projecto de novas captagens no sítio dos Cucos Velhos, que levaram três anos a concluírem-se e sobre elas disse Lepierre (1930), na ocasião em procedeu a nova análise destas águas: “Depois de trabalhos de captação magistralmente efectuados […] A água foi captada numa talha de rocha e levada por um cano de chumbo, em galeria estanque e visível de uns 9 metros de comprimento, que visitei. Esta galeria vem abrir na parte inferior dum poço com uns 15m de profundidade. A água termal sobe por um tubo de chumbo, pela sua própria pressão até quase ao nível superior do terreno. A água fica assim, directamente colhida na rocha, e chega até cima sem contaminação de espécie alguma.” Nessa época foi edificada uma nova fonte buvete.
No Anuário (1963) foram descritas as instalações e os tratamentos, onde se destaca a Aplicação de Lamas: “… o doente repousa sobre tela impermeável num leito e a região doente: articulação ou trajecto de um nervo, está envolvida numa pasta de lama com a espessura de 3 a 6 centímetros e à temperatura de 42 a 45 graus. Esta lama é envolvida em panos, matem a temperatura quase constante durante uma hora e é esta também em regra a duração da aplicação.
Em 1974 é elaborado um projecto urbanístico para a Quinta da Macheia, situada no lado Sul da propriedade dos Cucos, para lá da colina do mesmo nome que a separa das termas, estavam previstas zonas habitacionais, zonas desportivas, escolares e comercial onde o complexo termal seria ampliado e valorizado” ladeando o estabelecimento, é proposto a construção de uma residencial, uma estalagem e um parque infantil. Para grande parte da área da quinta, e com ligação directa com o equipamento de equitação, são propostos percursos pedonais e a cavalo” (Mangorrinha,2000). Apesar do parecer positivo da Direcção Geral dos Serviços de Urbanização, nunca se chegou a concretizar e hoje a Quinta da Macheia é atravessada pelo Itinerário Complementar IC1.
Voltando ao texto de Mangorrinha (2000), um dos grandes problemas destas termas era: “ a poluição do rio Sizandro mantém-se, fornecendo um ambiente carregado de cheiros nauseabundos provocados por esgotos domésticos e industriais. O perigo situa-se, principalmente, junto à mina de lamas termais, já que o muro de separação desta com o leito do rio está em deficiente estado de conservação, perdendo-se parte do recurso” (Mangorinha, 2000).

Em 1996 foi efetuado um novo furo de captação de águas termais, comprovativo de que as características hidromedicinais das águas se mantinham, projetava-se a construção de um novo balneário, destinando as instalações existentes para outros fins: “…já sabemos que temos água suficiente e de qualidade para expandir o negócio”, dizia Hélder Pinto Santos, administrador da sociedade formada por herdeiros da Família Neiva, ao repórter do JN em 1 de Agosto de 1999, justificando a razão porque não abriam as termas nesse ano, mas não voltaram a abrir até ao presente (2006), nem foi iniciada nenhuma obra dentro da propriedade.
Entretanto o rio Sizandro foi objeto de grandes obras de regulamentação das suas margens e tratamento de afluentes.


Embora as termas não tenham data prevista de reabertura, o seu parque continua a ser local eleito para passeios e lazer dos habitantes da região.

Alojamentos

Pensão das Termas dos Cucos, com 31 quartos encontra-se encerrada, alojamentos só na vizinha cidade de Torres Vedras, com uma razoável oferta de hoteleira.


Recortes

JN- 1/8/99 – (Paulo Pinto) Termas dos cucos fecham para obras – É a primeira vez em mais de cem anos que as portas do balneário encerram

Bibliografia

Acciaiuoli: 1936; 1937; 1940; 1941; 1942; 1944; 1947;1948a; 1948b; 1949-50; 1953. Albino 1849, Almeida 1944, Almeida 1947, Alves 1851, Andrade 1926, Andrade 1930, Andrade 1933, Ayuso 1946, Baptista 1874-79, Balsemão 1813, Barbosa 1865, Lobo 1849, Brandt 1881, Calado 1995, Carvalho 1930, Castro 1900, Chernovitz 1878, Choffat 1893, Contreiras 1937, Contreiras 1941, Contreiras 1951, Correia 1922, Costa 1851, Costa 1891, Cunha 1920, Durão 18? , Ennes 1893, Félix 1877, Freire 1894 a 1915, Graça 1914, Leal 1875-80, Lepierre: 1896; 1896b; 1929; 1930; 1932; 1933. Lobo 1849, Lopes 1892, Lourenço 1867, Lourenço 1867b, Mangorrinha 2000, Mangorrinha 2002, Melo 1923, Mira 1948, Morais 1947, Narciso: 1920; 1920b; 1933; 1947. Orey 1893, Ortigão 1875, Pamplona 1935, Rodrigues 1850, Sá 1946, Sarreira 1933, Sarzedas 1907, Silva 1908, Silva 1892, Silva 1893, Silva 1845, Tavares 1810, Torres 1819, Trigoso 1815, Vieira 1947, Vieira 1926, Águas minerais do continente e Ilha de S. Miguel 1940, Águas e Termas portuguesas 1918, Anuário Médico-hidrológico de Portugal 1963, Banhos dos Cucos 1891, Excursão dos alunos do Instituto de hidrologia de Lisboa às Termas dos Cucos, Caldas da Rainha, Cúria, Luso, Monte Real e Estoril 1943, Le Portugal hidrologique e Climatique 1930-42, Termas dos Cucos, torres Vedras, Águas e lamas minero-medicinais s/data, Termas de Portugal 1947.


08 novembro 2011

RESTAURO DO CHAFARIZ DOS CANOS



Estamos a seguir com interesse e atenção o processo de requalificação do espaço envolvente e, de seguida, o trabalho de restauro do Monumento.

Temos realizado visitas de observação, algumas delas com o acompanhamento e as explicações do Arquitecto Tiago Baptista, Director do Projecto. Verificámos que as sondagens arqueológicas iniciais tinham alguns aspectos de abordagem que nos pareceram insuficientes e disso demos conta.
Fomos informados de que, pelo facto de terem surgido ossadas humanas, se tornou necessária nova e mais profunda abordagem. Dados os encargos financeiros que tal implica, os trabalhos foram suspensos para novo concurso e redefinição de financiamento.

Foram-nos facultados dois dossiês - copiados para um DVD que nos foi oferecido e que está à disposição dos nossos associados -  que constituem o Relatório do estudo e apreciação sobre o estado de conservação do Monumento. Lêmo-los com atenção e proveito. São documentos de grande valor (in)formativo. Com efeito:

1 - Foram elaborados por uma equipa de restauro da empresa NOVA CONSERVAÇÃO, que tem largo currículo neste tipo de trabalhos, como sejam as intervenções na Torre de Belém, no Claustro dos Jerónimos, na Porta Especiosa da Sé Velha de Coimbra ou no Convento de Cristo em Tomar.

2 - Resultam de uma metodologia de observação e análise baseada em modernos meios de pesquisa laboratorial e realizada de forma sistemática.

Continuaremos a seguir os trabalhos que se seguem e deles iremos dando conta neste espaço.
Ao Arquitecto Tiago Baptista e sua equipa, os nossos agradecimentos pela disponibilidade demonstrada.

07 novembro 2011

TORRES VEDRAS: UMA PERSPETIVA DIFERENTE

O Castelo, a Igreja de Santa Maria e, mais aicima, à direita, a Ermida de S. Vicente, no Forte.
Foto tirada hoje por  JMD do alto da Serra dos Cucos.

30 outubro 2011

PATRIMÓNIOS 17

OPORTUNIDADES DE INVESTIMENTO
PARA O CENTRO HISTÓRICO DE TORRES VEDRAS
(II Parte)
                                                          
EZEQUIEL DUARTE
( Economista )

O sentido da oportunidade de um investimento empresarial tem o seu momento próprio. Circunscreve-se a um período de tempo curto quando comparado com o “tempo” do planeamento urbano. É na maioria das situações uma iniciativa individual, um promotor que decidiu passar de uma ideia para um plano de negócios e de imediato quer avançar com o investimento. Uma decisão suportada por múltiplos factores e com um único responsável.

É pois difícil que um Plano de Valorização do Centro Histórico contemple previsões para o investimento privado, acentuando-se essa dificuldade quando são identificados sectores de actividade a instalar cruzados com localizações à escala do arruamento.

Planos de Valorização do Centro Histórico com premissas bem-intencionadas na delimitação de usos direccionados para a actividade económica podem resultar, a médio prazo, numa eficácia nula. Permanece a substituição frequente da antiga porta aberta de um estabelecimento por uma parede de tijolo à vista, ou a substituição de um manequim vestido de novidades por uma montra vazia.

Esta evidência não invalida o cumprimento de objectivos de reabilitação do espaço público e o retorno do elevado esforço financeiro efectuado pelo aumento da qualidade de vida do cidadão. Contudo não existe correlação entre o esforço de investimento público na requalificação urbana e a introdução de novas actividades económicas, porque as dinâmicas de investimento empresarial não são controláveis pelo planeamento urbano.

No caso de Torres Vedras, as tentativas de avançar com um Programa de Investimentos conjunto (Público e Privado) foram infrutíferas. Das duas tentativas efectuadas aquando do lançamento dos dois programas comunitários de apoio ao urbanismo comercial nos anos 90, o Procom e o Urbcom, não houve adesão por parte dos comerciantes, gorando-se a oportunidade.

A desconfiança na efectividade dos financiamentos, ou a mentalidade do investidor que se concentra apenas no seu negócio, foram dois dos principais factores explicativos para a aparente falta de interesse.

O comerciante mantém-se na actividade, até ao inevitável encerramento, centrado no seu estabelecimento e no pressuposto que um investimento passado é um passaporte para uma estabilidade do negócio a longo prazo. Não identifica novas necessidades de mudança com regularidade, nem vê a sua envolvente como uma área comercial com problemas e potencialidades que pertencem a um colectivo.

Com o encerramento continuado de estabelecimentos comerciais e de prestação de serviços no Centro Histórico de Torres Vedras, poderão surgir novas oportunidades de negócio. Perante o esvaziamento de funções económicas, abrir-se-á a possibilidade para um novo ciclo de dinâmicas de investimento, mas com um perfil diferente, que não dependa apenas da iniciativa individual e incorpore, na mesma linha de importância, mecanismos de concertação de oportunidades.

Uma visão para o Centro Histórico de Torres Vedras, como um pólo de comércio e serviços especializados onde se concertam economias de aglomeração baseadas em elevados graus de diferenciação, necessita de potenciais investidores que avancem com o seu plano de negócios, que articulem iniciativas com outros investidores, que participem nos factores comuns de valorização da actividade económica do Centro Histórico.

Contribuir para a criação de serviços comuns de promoção, de organização e logística, identificar melhorias no espaço público que possam potenciar a actividade, integrar uma bolsa de investidores onde se apresentem novas ideias e plano de negócios, coordenar as oportunidades e prazos de investimento, serão algumas das posturas que um potencial investidor, a nosso ver, deverá interiorizar para viabilizar actividades num contexto territorial tão particular.

Quem despoletará estes processos? Não há uma resposta clara, poderão ter como facilitadores as associações de comerciantes existentes, ou uma entidade gestora de uma bolsa de potenciais investidores, ou ainda um agente de mudança privado.

Sem uma postura colectiva para a criação de funções comuns de apoio e promoção da actividade económica no Centro Histórico não é possível almejar, neste espaço, por exemplo, de um pólo de restauração de referência metropolitana, nem a criação de nichos de prestação de serviços especializados nos domínios da cultura e do lazer.

(Publicado no jornal BADALADAS em 28 de outubro de 2011)

28 outubro 2011

PATRIMÓNIO CLASSIFICADO DO CONCELHO DE TORRES VEDRAS II - IGREJA E CONVENTO DA GRAÇA

Classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto 42007,de 6 - 12 - 1958


Aspetos do Convento da Graça, fotos de 2011







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"Universo Ilustrado", 1880, col. gravuras "Tempos Idos", Bibliot. Munic. Torres Vedras

"Ilustração Portuguesa", 1885, col. "Tempos Idos", Bibl. Munic. Torres Vedras



CONVENTO DA GRAÇA: foi de eremitas calçados de S.'° Agos­tinho. É o da segunda fundação (séc. XVI); o da pri­meira ficava mais ao centro da vila, defronte da igr. de S. Tiago.  No adro (galilé) há belos azulejos azuis e brancos, de albarradas, e nas paredes da frontaria outros de boa composição, com passos da vida de S. Gonçalo.
Interior de uma só nave coberta por abóbada de berço e revestida por um silhar de azulejos polícromos. Na capela-mor retábulo de talha do séc. XVII, exemplar interessante em que sobressaem, pela correção da escultura, as imagens de S.ta Mónica e S.to Agostinho. A primeira capela do fado do Evangelho contém a urna e estátua de S. Gonçalo de Lagos, prelado no antigo mosteiro (m. 1422), cujos ossos foram para aqui trasladados em 1559. A notar ainda, na segunda capela da Epístola, seis curiosas tábuas quinhentistas (Presépio. Adoração dos Magos, Anunciação, Visitação da Virgem S.ta Isabel, S. José e Nossa Senhora, Trânsito da Virgem) e os azulejos da 3-a capela do lado do Evangelho, belos pela cor, pelo desenho e pela composição. Esta decoração cerâmica repete-se ainda abundante­mente na sacristia, antessacristia e claustro, referindo-se os azulejos deste à vida do arcebispo D. Fr. Aleixo de Meneses, que em 1588 foi prior deste convento.
(Guia de Potugal, II, reprodução da 1ª ed da Bibl. Nac. de Lisboa de 1927, Fundação C. Gulbenkian, 1983)


Transcrição do texto sobre o Convento da Graça, do blogue VEDROGRAFIAS2 :


O primeiro convento da Graça de Torres Vedras, que já não existe, situava-se na chamada Varzea Grande, em frente à Igreja de Santiago.
A primeira autorização para a sua construção foi dada por D. Afonso III em 1228. Não foi contudo utilizada, pelo que voltou a ser solicitada a D. Pedro I que a concedeu em 14 de Março de 1328.
Só a partir de 1383 existe documentação comprovativa da sua construção, que ainda prosseguia em 1405.
Pouco tempo antes da autorização de D. Pedro, concedeu o papa Urbano V uma bula, datada de 29 de Março de 1364, autorizando a transferência dos eremitas de S.tº Agostinho do convento de Penafirme para o convento a fundar na vila de Torres Vedras.
É a esse desaparecido convento que está ligada a vida de Gonçalo de Lagos, beato, erradamente designado como santo, que foi seu prior entre 1412 e 1422.
A construção do actual convento da Graça teve lugar ao longo do século XVI para substituir o velho convento dos eremitas calçados de S.tº Agostinho.
No lugar onde foi construído o segundo mosteiro existia a gafaria de St.º André, cujo terreno foi doado à ordem agostiniana de Torres Vedras por alvará de D. João III, datado de 26 de Setembro de 1542, para aí se construir o novo convento.
A primeira escritura dessa doação teve lugar a 20 de Outubro de 1544, sabendo-se que em 1566 ainda estava em construção.
Em 1554 os frades ainda viviam no convento velho, como se refere num dos painéis de azulejos que relata a vida de S. Gonçalo.
Talvez tenha sido oficialmente inaugurado em 1559, pois foi neste ano que foi trasladado, do velho convento para o novo, o corpo de S. Gonçalo de Lagos.
Já era habitado nos finais do século XVI, como se comprova pelo facto de existir uma referência à morte de todos os seus frades na chamada “peste pequena” de 1579.
Funcionaram várias escolas no convento: uma de ensino de teologia moral, instituída em 1723 e uma escola pública a cargo dos eremitas fundada em 1780.
Em 1807 foi estabelecido na Igreja um Hospital para as tropas francesas
Por decreto de 30 de Maio de 1834 foi extinto o convento da Graça.
Em 21 de Abril de 1887, a Câmara Municipal comprou parte do edifício da Graça, na posse de um particular, instalando aí vários serviços municipais, a escola primária e a cadeia.
Pelo decreto nº 42007 de 6 de Dezembro de 1958, a Igreja e o Convento da Graça foram classificados como Imóveis de Interesse Público.
A partir de 1983 iniciou-se um movimento para o restauro do edifício. Desde 1992 aí funciona o Museu Municipal e o GAT.

Descrição do conteúdo (elaborado em 1998)

Entra-se para a Igreja por uma uma galilé, aberta em 3 arcos para norte e 2 arcos para nascente, com um Silhar de azulejos de albarrada do século XVIII, com motivos simétricos, com flores e cabeças de anjos.
A Igreja é de uma nave com abóboda de berço, nela existindo 4 capelas laterais de cada lado mais a capela mor. Logo à entrada, na parte superior da parede nascente pode apreciar-se uma bonita mísula barroca do orgão, recentemente restaurada.
Comecemos por descrever as capelas do lado nascente (à esquerda de quem entra), chamado o lado do evangelho:
- na primeira podemos observar o altar com imagem de S. Gonçalo de Lagos e no qual se encontram os restos mortais desse santo, num cofre mandado construir pelo príncipe D. Pedro, marido de D. Maria Iª, em agradecimento pela cura de uma ferida na sua perna, motivando a última trasladação dos restos mortais do santo, efectuada em 1784 ;
- na segunda o altar em talha com o Santíssimo Sacramento, dito do Menino Jesus do Bom Pastor, cuja imagem em marfim se encontra exposta no Museu Municipal;
- a terceira capela é a do Senhor dos Passos, construída em 1668, com altar de mármore embutido e azulejos do séc. XVIII com cenas da paixão ( 2 painéis narrativos da subida para o calvário). Nela existe, na parede da esquerda , uma sepultura dos finais do século XIX de Luiz de Abreu Bulhões (1810-1875) e de Maria da Conceição Bulhões (1816- 1872), antiga família de Trás-os-Montes, para aí trasladados pelos filhos em Março de 1890;
- a quarta é a capela de António Godinho da Cunha e sua mulher, brasonada, datada de 16 de Julho de 1626, com um altar em talha, dedicado a S. Nicolau Tolentino.
Eis-nos agora junto à capela-mor. No altar-mór existem dois espaços vazios onde deviam estar as imagens de Santo Agostinho e de Santa Mónica. No centro deste há uma imagem barroca, estofada, seiscentista, da padroeira da Igreja, N.ª Sr.ª da Graça e no cimo do altar um Crucifixo . Em baixo, ladeiam o coro duas esculturas em madeira, uma de S.tª Gertrudes Magna e outra de Santa Francisca Romana, ambas do séc. XVII, beneditinas, provenientes do convento de S. Bento de Coimbra, obra de Frei Cipriano da Cruz.
Na parede poente da capela-mor está o nicho com o túmulo medieval de S. Gonçalo de Lagos, construído em 1518, para aqui trasladado em 1559. O túmulo é em pedra calcária com estátua jacente num nicho.
Nessa mesma parede existe uma porta de ligação para a ante-sacristial, para a sacristia e para os lavabos, sítios com interessantes painéis de azulejos do século XVIII, narrativos, referentes a frades agostinianos beatificados, um deles datado de 1725.
Voltando à Igreja, falta-nos percorrer as capelas do lado poente, dito da epístola, na direcção da saída para o claustro:
- a mais próxima da capela-mor é a capela de Maria Cabreira e Maria Fróis, filhas de André Cabreira e de Margarida Preto, com brasão, mandada construir a 10 de Junho de 1638 e onde está o altar de Cristo cruxificado;
- segue-se a capela de Mª Serrão Borges e Bartolomeu Pacheco Sande, com brasão, mandada edificar em 20 de Maio de 1644, um dos mais antigos altares da igreja, ainda com traços renascentistas;
- podemos, depois, apreciar a capela de N.ª Sr.ª da Correia, com altar em talha;
- finalmente observamos a capela de N.ª Sr.ª das Dores, com imagem, ladeada, à sua direita por Stª Catarina e à sua esquerda por S. Pedro de Alcantara.
Podemos então sair para o claustro por uma porta lateral. Nele podem ser apreciados os painéis narrativos da vida de Frei Aleixo de Menezes, prior deste convento em 1588, que foi arcebispo de Goa e de Braga, homem de letras e frequentador da côrte de Filipe II. Parte destes azulejos foram retirados do claustro, talvez em 1834, estiveram algum tempo depositados no convento do Varatojo e acabaram no antigo convento franciscano de S. Bernardino, de onde foram recuperados a partir de 1991, para voltarem ao seu lugar de origem.
Será ainda interessante entrar na sala da portaria, que faz ligação entre o claustro e a galilé, com as paredes cobertas por 8 painéis de azulejos, do século XVIII, narrativos da vida de S. Gonçalo de Lagos.

Os Sinos

O som dos sinos da Igreja da Graça, colocados na sua torre, é hoje um dos momentos mais característicos desta cidade.
Em 1962, nela estavam colocados o sino “Santa Rita de Cássia, datado de 1737, o maior de Torres Vedras, com 1 metro de diâmetro, e a imagem da santa gravada, o qual, depois de restaurado, aí se mantém.
Durante anos esteve acompanhado por um outro sino, o “São Nicolau”, datado de 1725, com 0,76 m. de diâmetro, o terceiro maior de Torres, que já estava retirado em 1962.
Existiam mais dois, datados de 1822, mais pequenos. Um destes está actualmente no corredor de ligação à biblioteca do museu.
Actualmente, fazem companhia ao “Santa Rita de Cássia” três novos sinos, aí colocados em 1998, todos datados de 1997.
No exterior da torre sineira está instalado um relógio, que, desde o passado dia 14 de Julho de 1999, voltou a dar horas aos torrienses.

Informação mais aprofundada e actualizada pode ser consultada na seguinte obra:
SILVA, Paula Correia da, O Convento da Graça de Torres Vedras – a comunidade eremítica e o património, ed. CMTV e Livro do Dia, Torres Vedras, 2007, 171 páginas.




Pormenores dos azulejos do Claustro:

Do site da Câmara Municipal:
http://www.cm-tvedras.pt/visitar/monumentos/convento-graca/

Este post está em construção.

24 outubro 2011

PATRIMÓNIO CLASSIFICADO DO CONCELHO DE TORRES VEDRAS I



Capela de Nossa Senhora da Purificação

Classificada como " Imóvel de Interesse Público" 
(Decreto 47508 de 24.01.1967)



SIROL, freguesia de Dois Portos



«Pequena e de aspeto modesto, a Capela de Nossa Senhora da Purificação encerra no seu interior um conjunto surpreendente de estuques da segunda metade do século XVIII, que revestem completamente paredes e abóbada. De um lado e de outro, quatro grandes pai­néis de estuque, representando os Evangelistas, e, ladeando o arco triunfal, S. Sebastião e Santa Bárbara. Alguns motivos decorativos, de excelente desenho, reve­lam modelos eruditos e são característicos da época.
Bons os silhares de azulejos, do final do séc. XVIII.
Na capela-mor é possível apreciar ainda melhor a qualidade dos estuques, por estarem menos engrossados por caiações posteriores, e bem assim o verdadeiro azul que servia de fundo, que no corpo da capela é menos fino. Ao centro do altar, uma notável imagem de Nossa Senhora com o Menino.
Na fachada, uma inscrição diz ter sido benta a capela a 26 de Julho de 1749.»

(in: Monumentos e edifícios notáveis do distrito de Lisboa – Torres Vedras, Lourinhã, Sobral de Monte Agraço, Junta Distrital de Lisboa, 1963)























Fotos (C) J Moedas Duarte, 
ADDPCTV, 2011

11 outubro 2011

PATRIMÓNIOS 16


Oportunidades de Investimento
para o Centro Histórico de Torres Vedras
                                                      
EZEQUIEL DUARTE
( Economista )

Com a aprovação do QREN (Quadro de Referência Estratégico Nacional – 2007 a 2013), que sistematiza as condições de acesso ao financiamento da União Europeia, cresceram as expectativas dos agentes para novas oportunidade de investimento.

A preocupação com o domínio da requalificação urbana e a pronunciada especificidade dos Centros Históricos, elevou a mobilização de agentes públicos e privados para averiguar as condições de acesso a financiamento para projectos de investimento direccionados para este território singular.

 Dos domínios identificados, as Parcerias para a Regeneração Urbana destacavam-se pela particularidade de obrigar a conjugação num programa estratégico comum de parceiros públicos e entidades privadas sem fins lucrativos com vocação para actuar na requalificação do espaço público e na criação de equipamentos culturais, sociais e de apoio à actividade económica.

 A operação desenvolvida para o Centro Histórico de Torres Vedras, aprovada pelo Programa Operacional Regional do Centro, enquadrou-se neste domínio com a participação de vários parceiros e liderada pelo Município de Torres Vedras.

 A crescente necessidade de apresentar bons níveis de execução a curto prazo levou a entidade financiadora a optar por uma solução que enviesa todo o esforço de planeamento realizado pelos parceiros locais. Segundo as novas orientações cada projecto funcionará por si e o programa estratégico anteriormente delineado acabou por ser esquecido.

 Se adicionarmos, a esta situação, os outros domínios do QREN que concorrem para acções de valorização do Centro Histórico, verificamos que estamos perante uma manta de retalhos.

 Há um Sistema de Incentivos às Acções Colectivas, que tem como objectivo a promoção da actividade económica no Centro Histórico e cujo regulamento obriga a uma estrutura própria, independente da Estrutura de Apoio Técnico então criada para a operação “Torres ao Centro”.

 Foi lançada para as empresas localizadas nas áreas de actuação das Operações de Regeneração Urbana uma única oportunidade de apresentação de candidaturas e com limites ao investimento, onde as microempresas não cumpriam os requisitos de inovação pretendidos e, por sua vez, os investimentos empresariais âncora referidos no Programa Estratégico, eram muito superiores aos limites impostos. Concluía-se que a oportunidade dada pela entidade gestora dos fundos comunitários não era aplicável aos investimentos empresariais referidos na operação “Torres ao Centro”.

 Não existe qualquer medida de financiamento comunitário prevista para o apoio ao investimento na requalificação dos espaços residenciais, nem esquema que indicie a integração dos fundos comunitários vocacionados para apoiar iniciativas no Centro Histórico com fundos de outra proveniência.

 Perante a acelerada desertificação do Centro Histórico, com a consequente perda de funções urbanas e degradação do edificado, é desejável que o significativo volume financeiro disponibilizado pelos fundos comunitários assente num programa geral que incorpore linhas de financiamento dirigidas para os vários domínios de actuação necessários para a requalificação global dos Centros Históricos.

 Sem um programa de financiamento coerente, único, que abranja os três grandes domínios de intervenção: requalificação do espaço público e criação de equipamentos colectivos, promoção da actividade económica e a integração das medidas comunitárias com outros apoios nacionais para o investimento no parque habitacional, não estarão reunidas as condições para percepcionar os fundos comunitários como um potente catalizador de dinâmicas de investimento abrangentes para o Centro Histórico de Torres Vedras, gorando-se assim as elevadas expectativas antes geradas em relação ao financiamento da União Europeia.

[ Publicado no jornal BADALADAS de 7 de outubro de 2011 ]


30 setembro 2011

BREVE EVOCAÇÃO DE JAIME UMBELINO

Em Dezembro de 2004 encontrei-me com Jaime Umbelino para uma conversa preparatória da página LUGAR ONDE que viria a ser publicada no jornal "Badaladas" em Fevereiro de 2005.


No Café Império, Dezº 2004

Conversa muito agradável, no Império e depois pela rua abaixo, até à porta de sua casa, onde lhe tirei as últimas fotos. "Não o convido a entrar porque isto está uma grande desarrumação ..." - desculpou-se à despedida.


Jaime Umbelino à porta de sua casa, Dezembro de 2004


No café já me havia oferecido alguns dos seus livros autografados e falara longamente da sua vida em Torres Vedras. Veio ao de cimo, várias vezes, um traço particular de que já me haviam falado: um senso crítico, por vezes exacerbado,  em relação a algumas pessoas  e acontecimentos, que relatava com um sorriso malicioso. Era um poço de memórias, de que deixou marcas no MIRANTE.
Queixou-se várias vezes da garganta e falava com alguma dificuldade. Eram os primeiros sintomas do mal que haveria de levá-lo no dia 17 de fevereiro de 2007.

Notícia necrológica

Deixo aqui esta breve evocação, agora que a sua casa, por ele doada à Câmara Municipal, tem sido motivo de alguma polémica.

* * *

JAIME UMBELINO
ESBOÇO BIOGRÁFICO *


Jaime Jorge Umbelino nasceu na Foz do Arelho, em 5 de Março de 1916. Com a vinda da família para Torres Vedras, tornou-se torriense com apenas 4 anos de idade.
Primeiro filho de uma série de irmãos, era ainda muito jovem quando se deparou com o encargo de toda a família. Com 19 anos iniciou a sua carreira de escri­turário na Conservatória do Registo Civil de Torres Vedras, na época localizada no andar superior do Convento da Graça. Foi desse "mirante" privilegiado, sobre a então vila, que o autor teceu as suas conhecidas crónicas e artigos, publicados na Imprensa local e agora coligidos nesta obra.
Entre a crítica humorística, a sensibilidade poética e a descrição realista de diver­sos problemas sociais, Jaime Umbelino permite-nos, nesta obra, reconhecer os traços mais característicos da sociedade torriense nos meados do Século. Apesar da responsabilidade familiar que herdara e dos seus compromissos profissionais, Jaime Umbelino conseguiu, com bastante sacrifício e determi­nação, licenciar-se em Filologia Românica, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
Passou então a dedicar-se ao ensino liceal e técnico. Respeitável pedagogo, o Dr. Jaime Umbelino, instruiu milhares de alunos de toda a região e ainda hoje se man­tém "no ativo", lecionando aulas particulares de latim e de língua portuguesa. Foi um dos fundadores do Jornal "Badaladas", a par do Pe. Joaquim Maria de Sousa, e Diretor do Jornal do Torriense.
Dirigiu a Biblioteca de Torres Vedras e participou muito ativamente em diversas obras de carácter social e assistencial.
Tem publicadas as seguintes obras: "A Quadra Popular no Azulejo"; "De Turres Veteras a Torres Vedras (Estudo Etimológico), As Esferas Armilares do Castelo de Torres Vedras (interpretação de uma sigla), O Foral de D. Afonso III" e "Musa Antiga - Sonetos". No prelo encontra-se "A Língua Portuguesa" - um volume que reúne as centenas de artigos publicados pelo autor, acerca deste tema, em diver­sos jornais.
*       Transcrito da contracapa do livro O MIRANTE, publicado em 1999, que reúne parte das crónicas publicadas por Jaime Umbelino na imprensa local.

[ Fotos e texto de Joaquim Moedas Duarte ]

25 setembro 2011

CONVENTO DO VARATOJO

Por lá andámos ontem, na Visita Guiada integrada nas JORNADAS EUROPEIAS DO PATRIMÓNIO. Cerca de 100 pessoas aceitaram o nosso convite e compareceram, com um interesse e uma atenção que foram o melhor prémio para o nosso trabalho.
Algumas fotos de ontem - que agradecemos à nossa associada, M.C.:


Início, no largo fronteiro à Portaria

Na Igreja


À entrada da mata

 
Mais umas palavrinhas...

No 1º andar do claustro quinhentista

Junto à capelinha de Nª Srª do Sobreiro, na mata conventual

 
Coro da Igreja

No átrio da Igreja
Campanário do Convento

22 setembro 2011

REPINTURAS NA CASA JAIME UMBELINO




 
É bonito? É feio? O problema não é esse.
Respeitamos e apreciamos o trabalho que está a ser realizado dentro da Casa das Histórias e não pomos em causa a validade e a qualidade artística de Marta Pereira, autora desta intervenção.

A pergunta que continuamos a fazer é esta: é aceitável "brincar" com a fachada de uma das poucas casas antigas de Torres Vedras (séc. XVIII/XIX)?