17 dezembro 2011

PATRIMÓNIOS 19 (in: BADALADAS - 9 DEZEMBRO 2011)



Foto (C) Moedas Duarte

É ÚTIL LEMBRAR A IMPORTÂNCIA TURÍSTICA DO CASTELO
NO CONTEXTO DO CENTRO HISTÓRICO

PAULO MOREIRA
(Arquitecto)

O Plano de Salvaguarda do Centro Histórico já é passado. Teve uma função importante ao inventariar e preservar um núcleo patrimonial da cidade. Mas durou seguramente tempo demasiado para quem ansiava pela reabilitação daquele espaço torriense.  
Estamos agora numa nova fase, a do Plano de Pormenor e de Reabilitação. A designação, só por si, implica uma fase activa de intervenção.
Em parceria, e bem, promoveu a Câmara um programa de acção que designou de «Torres ao Centro» tendo em conta o lançamento de um conjunto de iniciativas integradas para a implementação deste plano; para além de organizar alguns foruns de discussão e apresentação de projectos que ocorreram na primeira quinzena do passado mês de Outubro. Para tal fez convites à participação de munícipes e entidades interessadas, e colocou alguns anúncios na imprensa.
Nos tempos que correm, face às dificuldades por que passamos – e com evidente definhar do tecido comercial a que assistimos no centro da cidade – julgo corajosa esta iniciativa do município por constituir a resposta possível para a procura de oportunidades em tempo de crise.
Serão provavelmente estas iniciativas potenciadoras de futuras pistas para o desenvolvimento sustentável que desejamos.
Contudo, embora todos os processos tenham de começar por algum lado, torna-se premente um maior envolvimento da comunidade torriense. O Centro Histórico é território dos residentes, mas é sobretudo uma parte da cidade que deverá envolver todos. É fundamental usá-lo como zona integrante da cidade, ao invés de um canto de quintal esquecido.
Será pois importante que o programa «Torres ao Centro» se afirme como uma marca. Tenha uma maior divulgação junto da comunidade e seja portador de uma mensagem forte que a todos mobilize.
No contexto do Centro Histórico torna-se imperioso lançar um concurso de ideias para a utilização turística do Castelo – apesar de há anos atrás muito se ter falado sobre este desiderato – não esquecendo que este espaço poderá constituir uma âncora que permita potenciar a atracção do Centro Histórico, quer como destino de visita, quer para o desenvolvimento do comércio local.

10 dezembro 2011

À VOLTA DO CASTELO






















Existem tantas perspetivas das ruínas do Palácio dos Alcaides ( que por comodidade chamamos "castelo") quantas as paragens que fizermos num percurso circular em seu redor. Isto porque, como já relatava Fernão Lopes, o castelo está assente "numa formosa mota" que parece ter sido feita de propósito para nela se construir o que lá vemos.
Se juntarmos a esses olhares as diferentes horas do dia, bem como a diversidade de luz ao longo do ano, teremos possibilidades infinitas de fixarmos imagens sempre renovadas. De uma beleza cativante. 

(Fotos tiradas entre setembro e novembro de 2011 pelo nosso associado J Moedas Duarte)

07 dezembro 2011

PASSEANDO EM TORRES VEDRAS

Imagens da cidade numa destas tardes novembro...


Pátio Amarelo

 Casa da família Clemente

Travessa para o Largo Machado dos Santos







Torre da Igreja de Santiago


O "Castelo" visto de Santiago

27 novembro 2011

FADO: PATRIMÓNIO IMATERIAL DA HUMANIDADE




Um dia grande para a Cultura portuguesa.

Ver aqui: http://www.publico.pt/Cultura/o-fado-ja-e-patrimonio-mundial-1522758

Bem sabemos que o Fado é um repositório de contradições. Se foi canção nacional no tempo da Ditadura fascista e, como tal, funcionava como uma espécie de anestesiante social, a verdade é que ganhou uma dimensão cultural indesmentível a partir da renovação das letras e dos intérpretes, iniciada ainda com Amália e prosseguida com nomes como Carlos do Carmo e Ary dos Santos e toda a gama de fadistas e autores das gerações mais novas.

O Fado é Património Imaterial da Humanidade a partir de hoje.

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PATRIMÓNIO IMATERIAL, O QUE É

Jornal Público, Cláudia Carvalho

Proteger o património e as tradições que tornam cada país diferente e único no mundo foi o principal objectivo que esteve na base da criação da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) da classificação de Património Imaterial da Humanidade. Hoje, Portugal não tem nenhum bem inscrito nesta lista, mas tem 14 inscritos na lista de Património Mundial.

As primeiras preocupações começaram em 1972, quando, depois da Convenção para a Protecção do Património Mundial, Cultural e Natural, alguns países manifestaram interesse em ver criado um instrumento de protecção do património imaterial. Isto obrigaria a UNESCO a adoptar, em 1989, a Recomendação para a Salvaguarda da Cultura Tradicional e do Folclore, dividida em tesouros humanos vivos, línguas em perigo no mundo e música tradicional.

Dez anos depois, em 1999, o conselho executivo da UNESCO decidiu criar uma distinção internacional intitulada "Proclamação das Obras-primas do Património Oral e Imaterial da Humanidade", de forma a distinguir os exemplos mais notáveis de espaços culturais ou formas de expressão popular e tradicional. Só em 2006 é que a Convenção para Salvaguarda do Património Cultural Imaterial, aprovada no final de 2003, entrou em vigor.

A Convenção definiu que o património cultural imaterial não se resume apenas aos monumentos e colecções de objectos, mas abrange também as tradições, expressões de vida, conhecimentos e aptidões que constituem a cultura e a identidade de cada país. Características que colocaram o fado entre as sete candidaturas mais recomendadas pelos peritos da UNESCO.

Segundo um documento desses peritos, o fado “é um género de grande versatilidade poética e musical”, com “um forte sentimento de pertença e ligação a Lisboa”, podendo contribuir para futuras interacções com outros géneros musicais. A UNESCO destacou ainda os esforços de toda a comunidade, instituições e meio artístico que se uniram em torno da candidatura.

Além do fado, foram recomendadas as candidaturas do Peru, sobre o conhecimento dos jaguares pelos xamãs da tribo ameríndia colombiana Yurupari, da música Mariachi, apresentada pelo México, das danças Nijemo Kolo da Dalmácia pela Croácia, da música e dança tsiattista do Chipre e da cavalgada de reis da Morávia, pela República Checa. O Comité Intergovernamental, porém, tinha um total 38 candidaturas para analisar.

Embora Portugal não tenha nenhum bem inscrito na lista de património imaterial, possui sítios, monumentos ou paisagens classficadas como património mundial da UNESCO: o centro histórico de Angra do Heroísmo (Açores), o Mosteiro dos Jerónimos (Lisboa), a Torre de Belém (Lisboa), o Mosteiro da Batalha (Batalha), o Convento de Cristo (Tomar), o centro histórico de Évora (Évora), o Mosteiro de Alcobaça (Alcobaça), a paisagem cultural de Sintra (Sintra), o centro histórico do Porto, os sítios de arte rupestre do Vale do Côa, a floresta Laurissilva da ilha da Madeira, o centro histórico de Guimarães, a região vinhateira do Alto Douro e a paisagem da cultura da vinha da ilha do Pico (Açores


23 novembro 2011

PATRIMÓNIOS 18 (in: BADALADAS, 18 novembro 2011

OPORTUNIDADES DE INVESTIMENTO NO CENTRO 

HISTÓRICO
(III Parte)


EZEQUIEL DUARTE
( Economista )


Nestes tempos difíceis que vivemos, com o prolongamento de uma crise sem fim à vista, poderão passar vários anos sem investimentos empresariais significativos no Centro Histórico de Torres Vedras, tudo apontando no sentido contrário, para o aumento da intensidade na cessação de actividades.
A qualificação urbana, o rigor na intervenção do edificado e a reconversão de espaços vazios descaracterizados, cujo preenchimento de recurso tem sido o parqueamento automóvel, poderão dar melhores indicações para o futuro da actividade económica no Centro Histórico de Torres Vedras.
Um espaço singular que se distingue pelas particularidades arquitectónicas de uma longa herança, pelas ruas estreitas apropriadas para outros modos de transporte, onde o automóvel terá que desempenhar apenas um papel secundário ou de recurso, num cenário em que não é o espaço que se adapta ao automóvel mas sim o contrário.
Com um Centro Histórico com outra feição, num ciclo ascendente da economia, que se espera, existirão condições para um impulso na instalação de novas funções económicas e para o surgimento de jovens empreendedores com um espírito inovador e com capacidade de lidar com a mudança perante novos paradigmas organizacionais e tecnológicos.
Ninguém sabe ao certo quando se verificará a retoma económica, prevê-la, hoje em dia, é um exercício doloroso que, perante a situação actual, ninguém levará a sério por muito consistentes que sejam os pressupostos.
 Empreender é pois uma raridade nos tempos que correm, apesar de ser a altura certa para programar as estruturas que poderão no futuro alavancar o investimento.
 A palavra empreendedorismo surgiu em Portugal no início da última década do século XX e andou sempre a reboque de acções pontuais em função dos financiamentos comunitários existentes.
Há muito que se defende na teoria económica que a oferta de empreendedores é controlável e que, em função das políticas de apoio existentes, da sua consistência e persistência, poderão resultar, a médio prazo, em aumentos significativos no número de empreendedores.
A tradução territorial de uma política de apoio ao empreendedorismo terá nas cidades médias um dos seus pilares e os centros históricos serão atractivos para jovens empreendedores na fixação de residência e de local de trabalho numa relação de proximidade, assim haja a percepção da oferta e organizações facilitadoras da instalação.
Cidades médias como Torres Vedras, que assegurem programas de tutoria com a participação dos empresários locais, com uma educação que desenvolva o espírito empreendedor desde os primeiros níveis de ensino, com organizações locais que proporcionem novas relações de sociabilidade e de minimização do risco.
O Centro Histórico de Torres Vedras poderá ter um papel preponderante na fixação de jovens empreendedores no futuro, aproveitando a qualificação urbana em curso, o movimento de fixação de associações culturais em grande parte direccionadas para a juventude e a capacidade dos agentes locais para incorporar estruturas de apoio ao empreendedor.

17 novembro 2011

VISITA AO CASTRO DO ZAMBUJAL


Eram 27 visitantes de uma excursão cultural organizada pela Associação Portuguesa dos Amigos dos Castelos. Gente viajada e informada. Mas ninguém conhecia o Zambujal.
No final a impressão foi de admiração e surpresa pelo monumento pré-histórico que lhes foi revelado.
No entanto, as conversas posteriores mostraram também uma perspetiva crítica quanto ao que viram e ao modo como aquele património está mal cuidado, o que nos levou a manifestar um certo sentimento de vergonha pois nos sentimos, de algum modo, responsáveis pela incúria e abandono daquele espaço.

Vejamos. A Câmara Municipal já fez alguma coisa, é um facto: adquiriu os terrenos, apoiou as campanhas arqueológicas, colocou um painel informativo, fez obras de melhoramento no Casal onde vive a senhora e o filho que "guardam" o sítio.
Mas falta muito mais. Há a ideia/projeto de um Centro interpretativo, no qual será exposto o valioso espólio arqueológico encontrado até agora mas as três entidades que intervêm no processo - o Município, o IGESPAR e o Instituto Arqueológico Alemão ( que tem feito a exploração arqueológica desde 1964) - não encontram formas de articulação que permitam avançar para a sua concretização.

Pela nossa parte, que podemos fazer? Divulgar! Alertar! E isso temos feito.
E podemos também dar sugestões que nos parecem viáveis e de fácil concretização:

1ª - Disponibilizar ao público interessado a mostra do espólio do Zambujal.
Esse já foi o núcleo principal do Museu no tempo de Leonel Trindade, e era admirado como um dos mais expressivos espólios nacionais do Calcolítico. Agora está encaixotado. Recentemente os funcionarios do Museu tiveram a iniciativa - que aplaudimos! - de colocar uma vitrina com algum desse espólio à vista do público, no primeiro andar do Museu, mas em condições deprimentes de exposição. Quem lá for perceberá porquê. Entendamo-nos: visitar o Castro do Zambujal sem ter a contrapartida de admirar o seu espólio é como matar a fome com a leitura de uma revista sobre culinária...

2ª - No próprio espaço do Castro impõe-se a construção de um passadiço de madeira que permita a visualização sem que os visitantes destruam as estruturas de pedra. É que a parte mais espetacular do Castro é a barbacã e a sua apreciação exige que as pessoas percorram um caminho penoso - e perigoso! - entre as pedras. O que se impõe, portanto, é uma estrutura simples em madeira de pinho tratado, à semelhança, aliás, do que há noutros lugares, como é o caso do Castro de Leceia (Barcarena, Oeiras) como se vê nestas fotos:


Castro de Leceia

Alunos de uma escola em visita ao Castro de Leceia ( fotos tiradas da net)


Enquanto não se constrói o tal Centro Interpretativo ( coisa dispendiosa e demorada) - por que não fazer estas pequenas ações de valorização do nosso Património?
Anda muita gente por aí a passear ou em visitas de estudo, sobretudo os "aposentados" e as nossas escolas. Há que lhes dar condições de fruição do nosso riquíssimo património sem que nos sintamos envergonhados...

14 novembro 2011

VISITA GUIADA


 16 de novembro, entre as 14H30 e as 17H30
faremos uma VISITA GUIADA a dois monumentos nacionais de Torres Vedras:
Castro do Zambujal e Convento do Varatojo.




Já em 7 de junho acompanhámos um grupo da APAC numa visita à Quinta das Lapas e à Rota das Ermidas.

VISITAS GUIADAS são uma área de atividade que está no nosso programa de ação e que disponibilizamos a quem nos solicitar


13 novembro 2011

GRAVURAS DA COLEÇÃO "TEMPOS IDOS"

Na Biblioteca Municipal de Torres Vedras encontra-se uma interessante coleção de gravuras de revistas portuguesas do século XIX, de que são exemplos as que aqui publicamos, a partir de fotocópias que tirámos há já alguns anos.


in: "Arquivo pitoresco", 1865



In: "Ilustração Portuguesa", 1885



in: "Universo ilustrado", 1880

11 novembro 2011

PATRIMÓNIO DE TORRES VEDRAS - TERMAS DOS CUCOS

Vista geral do edifício principal

Está na categoria de "Imóvel em vias de classificação". Há poucas informações disponíveis ou de fácil acesso sobre este belíssimo conjunto edificado.
O nosso associado Rui Prudêncio indicou-nos uma ligação que, pela oportunidade, colocamos AQUI. Também pode ser consultada no blogue do Venerando de Matos.
Para imediata informação, transcrevemos o texto, referindo que ele se reporta a 2002. Infelizmente, parece-nos que nada se modificou desde essa altura, a não ser o crescente desinteresse por este património por parte de quem poderia fazer alguma coisa por ele.
As termas estão inativas e os edifícios fechados. Há um guarda residente que toma conta do espaço e faz a manutenção do Parque.
Exteriormente os edifícios estão pintados e mostram bom aspeto, o que se deve ao facto de aquele espaço ter sido utilizado como cenário de uma telenovela.

As fotos, de 2010,  são do nosso associado Joaquim Moedas Duarte, a quem agradecemos.


Edifício principal




...

Edifício do restaurante e zona de lazer

...

Edifício para alojamentos - Lado Poente da álea de acesso




Edifício de alojamentos - A nascente da álea de acesso

...


Álea de acesso, a partir da estrada que sai de Torres Vedras em direcção ao Sobral de Monte Agraço





 Época termal
As termas encontram-se encerradas sem data prevista para reabertura
Indicações
Reumatismo, doenças da pele e da nutrição (Acciaiuoli, 1944)
Para o tratamento da gota, artrite-reumática, linfantismo e doenças das senhoras, particularmente metro-anexites. As lamas empregam-se nas afecções do aparelho locomotor tendo por origem a gota (Contreiras.1951)
Doenças metabólico-endócrinas, reumáticas e músculos esqueléticas.


Tratamentos/ caracterização de utentes
Balneoterapia com banhos de lama; inalações e ingestão de água.
Apesar das suas características e dos tratamentos com lamas próprias, caso único no atual panorama do termalismo entre nós, o número dos seus frequentadores, pelo menos depois da década de 30, nunca foi muito elevado. Nos relatórios de Acciaiuoli de 1939-46 as inscrições são em média na casa das duas centenas, nos últimos três ano que tiveram abertas, 1996 a 98 as inscrições foram em média um pouco inferiores ao milhar.

LOCALIZAÇÃO

Distrito
Lisboa

Concelho
Torres Vedras

Freguesia
Matacães

Povoação/Lugar
Termas de Cucos
Localização
Na margem direita do Rio Sizandro, no sopé da colina dos Macheia.

Província hidromineral
A / Bacia hidrográfica do Rio: Ribeiras de Costa - Oeste

Zona geológica
Orlas Meso- cenozoicas

Fundo geológico (factor geo.)
Rochas sedimentares, predominante Arenitos.

Dureza águas subterrâneas
100 a 300 mg/l CACO3


Instalações/ património construído e ambiental

Inaugurado em 15 de Maio de 1893 o complexo termal dos Cucos, com traça do engenheiro António José Freire, por encomenda do proprietário José Gonçalves Dias Neiva.
Mas em 1892 já o novo estabelecimento balnear se encontrava a trabalhar em fase experimental, que Lopes (1892) elogia e descreveu: “O seu primeiro pavimento – das piscinas – situado a 3,4m abaixo do nível do solo, consta de três salas: duas para banhos de lama, tendo um, quatro piscinas e outras três, ambas com as competentes tinas de lavagem; e a terceira com duas divisões, das quais uma tem cinco tinas e outra quatro, destinadas aos banhos de 3ª classe. Neste pavimento, e num plano superior, estão instaladas ainda duas tinas, salas de inalações, maquinismo e a casa de engarrafamento das águas minerais. Há, ainda, um salão de espera e a elegante buvete com duas torneiras para água, fria ou quente.
No rés-do-chão, 1,5m acima do solo, estão estabelecidas, em gabinetes elegantes e confortáveis, as tinas para banho de imersão, em número de doze, os duches vaginais, perenais e rectais, e as de hidroterapia, com todo os aparelhos aperfeiçoados conhecidos até hoje.
São sete as nascentes existentes no parque dos Cucos: a dos Cucos Novos e Cucos Novos Fria localizam-se sob o balneário; a dos Cucos Modernos, fornece a buvete; A das Lamas no fundo de um poço para captação de lamas; A dos Cucos Velhos e do Olival não utilizadas. A sétima nascente encontra-se à entrada do parque e era de uso popular para doenças de pele e estômago, denominada dos Coxos ou dos Coches (como é atualmente mais conhecida).

Atualmente todas as dependências do complexo termal se encontram encerradas: Balneário, capela, mina de lamas; buvete; restaurante e pensão. Aberto e para usufruto da população está o agradável parque termal.

Natureza
Cloretada, bicarbonatada, sulfatada, muito radioactiva pelo radon (38º) (Lepierre, 1930)
Cloretada sódica (Calado, 1995)

Alvará de concessão
Decreto de 12 de Julho de 1858, determinado de 80réis o preço das garrafas da água de Cucos.
1ºalvara de 25 de Outubro de 1893 a favor de José Gonçalves Dias Neiva
Alvará de 26 de Março 1909 a favor de José António Vieira
Portaria de 8 de Junho de 1929 definindo a área reservada de 50hectares.

Contrato actual de 1 de Janeiro de 1999

Historial
Embora Lopes (1892) descreva que durante as obras para novas captagens e desvio do leito do rio Sizandro, foram descobertos antigos poços e canalizações de provável origem romana, as primeiras referências que surgem a esta nascente são de 1758. Nas Memórias Paroquias, o Padre António José de Faria, prior de S. Pedro, respondia do seguinte modo aos Quesitos Pombalinos, sobre a questão da existência de águas minerais na Freguesia: “Esteve esta água sempre incógnita até que um grande cirurgião do Partido da Câmara desta Vila pela observar no ano de 1746 a pões em uso na medicina. Chamado o Dr. Cirurgião Máximo Monis de Carvalho, e tem alcançado esta água notáveis efeitos em desterrar sarnas, lepras, caquechias, inchações, e de cura chagas sordicas, gotas arteticas, convulsões, paralisias, e obstruções dos olhos, servindo algumas de remédio paliatico a chagas cancrozas, e pode servir para remédio de muitas outras queixas se o pio zelo lhe mandasse por algum reparo, para assim comodamente se usar nos banhos como convêm; pois não é menos para admirar o grande numero de enfermos que ali de diversas partes tem concorridos a tomar banhos nos toscos lagos que com a sua industria fazem na terra expostos ao ar, e sem reparo algum, e a maior parte sem conselho de médico…”
Tavares, Dr. Francisco, escreveu em 1810: “… no sítio chamado dos Cucos nascem águas termais, em dez origens diversas, todas da mesma natureza e diferente temperatura […] como estas nascentes estão muito próximas à margem de um ribeiro, que ali corre, com qualquer pequena enchente se cobrem. Os banhos, com casas de madeira ali feitas, são defendidos por marachões, que o proprietário do terreno mandou construir, assim como algumas casas e quartos para acomodação de quem quiser usar das águas…
O proprietário era o Capitão – mor José Lourenço Peres, segundo nos informa o visconde Balsemão numa Memória apresentada à Academia Real das Ciências em 1813, que descreve os banhos em tinas de madeira enterradas na lama e resguardadas por barracas. A mesma descrição fez Silva (1815), que recomendava: “Se estas águas se procurassem mais no centro do monte… se desse outro curso ao rio, as construções dos banhos seriam permanentes
Agostinho Lourenço (1867) escreveu no seu Renseignent sur les eaux Minérales Portugaises, para a Exposição Universal de Paris « L’eau jaillit par diffeérents points dans un fossé oblong parallèle d’une petit rivière appelle «Cysandre», et dont elle est séparée par un étroit mur naturel […] A l’endroit même ou les eaux sourdent, on a enterre des baignoires en bois, qui reçoivent l’eau par les fissures que laissent entre elles les planches dont elles sont construites »
Na ocasião em que Agostinho Lourenço escrevia este texto, já a quinta de Vale dos Cucos era propriedade de João Gonçalves Neiva, que construiu, por volta de 1860, novas casas de banho ainda em madeira e casas para alojamento dos doentes, no local hoje chamado de Cucos Velhos. Mas será seu filho José Gonçalves Dias Neiva que a partir de 1890 inicia todo um processo de edificação de uma vila termal, iniciadas por escavações que vêem a descobrir uma nascente com grande manancial de água. O projecto que pretendia ser completamente inovador em serviços termais e de lazer, previa a construção do Balneário, Hotel, Casino, 40 moradias num parque termal que contava ainda com uma capela e mercado.
Em 1893 era inaugurado o estabelecimento termal, três anos depois foi a vez do Casino, segue-se lhe o Hotel, bem mais modesto do que o edifício programado de 300 quartos, das moradias projectadas concretizaram-se duas, construí-se também a capela e oficinas de preparo de lamas e de águas.
Ao fundo de uma alameda arborizada, que haveria de definir o eixo da vila termal encontra-se o balneário, com a sua fachada neo-clássica. Sobre este projecto escreveu Mangorrinha ( 2000): “ O plano das Termas dos Cucos é o único que traça de raiz o conjunto de equipamentos essenciais ao funcionamento de uma estância termal e, como tal, possui um valor analítico ímpar, embora nunca tenha sido concretizado na sua totalidade, perdendo o efeito urbano que projectava.
Em 1892 as águas foram analisadas por Joaquim dos Santos Silva, um ano depois Frederico de Albuquerque d’Orey fazia o seu Relatório de Reconhecimento para a concessão então pedida pelo proprietário.
Em 1896 Lepierre analisou as águas, classificando-as como mesossalinas, cloretadas sódicas, litínicas e siliciosas.
Sarzedas (1907) no seu relatório de inspecção elogia o estabelecimento com as palavras: “ são completas e de primeira grandeza as instalações”.
Em 1910 é o estudo da radioactividade das suas lamas por Oliveira Pinto. Estas lamas são extraídas em galerias de uma mina junto do leito do rio Sizandro, emergem depois de passadas por extractos calcários, são cloretadas, radioactivas, contêm biogeleias e são hipertermais.
Andrade (1926) apresenta o seu projecto de novas captagens no sítio dos Cucos Velhos, que levaram três anos a concluírem-se e sobre elas disse Lepierre (1930), na ocasião em procedeu a nova análise destas águas: “Depois de trabalhos de captação magistralmente efectuados […] A água foi captada numa talha de rocha e levada por um cano de chumbo, em galeria estanque e visível de uns 9 metros de comprimento, que visitei. Esta galeria vem abrir na parte inferior dum poço com uns 15m de profundidade. A água termal sobe por um tubo de chumbo, pela sua própria pressão até quase ao nível superior do terreno. A água fica assim, directamente colhida na rocha, e chega até cima sem contaminação de espécie alguma.” Nessa época foi edificada uma nova fonte buvete.
No Anuário (1963) foram descritas as instalações e os tratamentos, onde se destaca a Aplicação de Lamas: “… o doente repousa sobre tela impermeável num leito e a região doente: articulação ou trajecto de um nervo, está envolvida numa pasta de lama com a espessura de 3 a 6 centímetros e à temperatura de 42 a 45 graus. Esta lama é envolvida em panos, matem a temperatura quase constante durante uma hora e é esta também em regra a duração da aplicação.
Em 1974 é elaborado um projecto urbanístico para a Quinta da Macheia, situada no lado Sul da propriedade dos Cucos, para lá da colina do mesmo nome que a separa das termas, estavam previstas zonas habitacionais, zonas desportivas, escolares e comercial onde o complexo termal seria ampliado e valorizado” ladeando o estabelecimento, é proposto a construção de uma residencial, uma estalagem e um parque infantil. Para grande parte da área da quinta, e com ligação directa com o equipamento de equitação, são propostos percursos pedonais e a cavalo” (Mangorrinha,2000). Apesar do parecer positivo da Direcção Geral dos Serviços de Urbanização, nunca se chegou a concretizar e hoje a Quinta da Macheia é atravessada pelo Itinerário Complementar IC1.
Voltando ao texto de Mangorrinha (2000), um dos grandes problemas destas termas era: “ a poluição do rio Sizandro mantém-se, fornecendo um ambiente carregado de cheiros nauseabundos provocados por esgotos domésticos e industriais. O perigo situa-se, principalmente, junto à mina de lamas termais, já que o muro de separação desta com o leito do rio está em deficiente estado de conservação, perdendo-se parte do recurso” (Mangorinha, 2000).

Em 1996 foi efetuado um novo furo de captação de águas termais, comprovativo de que as características hidromedicinais das águas se mantinham, projetava-se a construção de um novo balneário, destinando as instalações existentes para outros fins: “…já sabemos que temos água suficiente e de qualidade para expandir o negócio”, dizia Hélder Pinto Santos, administrador da sociedade formada por herdeiros da Família Neiva, ao repórter do JN em 1 de Agosto de 1999, justificando a razão porque não abriam as termas nesse ano, mas não voltaram a abrir até ao presente (2006), nem foi iniciada nenhuma obra dentro da propriedade.
Entretanto o rio Sizandro foi objeto de grandes obras de regulamentação das suas margens e tratamento de afluentes.


Embora as termas não tenham data prevista de reabertura, o seu parque continua a ser local eleito para passeios e lazer dos habitantes da região.

Alojamentos

Pensão das Termas dos Cucos, com 31 quartos encontra-se encerrada, alojamentos só na vizinha cidade de Torres Vedras, com uma razoável oferta de hoteleira.


Recortes

JN- 1/8/99 – (Paulo Pinto) Termas dos cucos fecham para obras – É a primeira vez em mais de cem anos que as portas do balneário encerram

Bibliografia

Acciaiuoli: 1936; 1937; 1940; 1941; 1942; 1944; 1947;1948a; 1948b; 1949-50; 1953. Albino 1849, Almeida 1944, Almeida 1947, Alves 1851, Andrade 1926, Andrade 1930, Andrade 1933, Ayuso 1946, Baptista 1874-79, Balsemão 1813, Barbosa 1865, Lobo 1849, Brandt 1881, Calado 1995, Carvalho 1930, Castro 1900, Chernovitz 1878, Choffat 1893, Contreiras 1937, Contreiras 1941, Contreiras 1951, Correia 1922, Costa 1851, Costa 1891, Cunha 1920, Durão 18? , Ennes 1893, Félix 1877, Freire 1894 a 1915, Graça 1914, Leal 1875-80, Lepierre: 1896; 1896b; 1929; 1930; 1932; 1933. Lobo 1849, Lopes 1892, Lourenço 1867, Lourenço 1867b, Mangorrinha 2000, Mangorrinha 2002, Melo 1923, Mira 1948, Morais 1947, Narciso: 1920; 1920b; 1933; 1947. Orey 1893, Ortigão 1875, Pamplona 1935, Rodrigues 1850, Sá 1946, Sarreira 1933, Sarzedas 1907, Silva 1908, Silva 1892, Silva 1893, Silva 1845, Tavares 1810, Torres 1819, Trigoso 1815, Vieira 1947, Vieira 1926, Águas minerais do continente e Ilha de S. Miguel 1940, Águas e Termas portuguesas 1918, Anuário Médico-hidrológico de Portugal 1963, Banhos dos Cucos 1891, Excursão dos alunos do Instituto de hidrologia de Lisboa às Termas dos Cucos, Caldas da Rainha, Cúria, Luso, Monte Real e Estoril 1943, Le Portugal hidrologique e Climatique 1930-42, Termas dos Cucos, torres Vedras, Águas e lamas minero-medicinais s/data, Termas de Portugal 1947.


08 novembro 2011

RESTAURO DO CHAFARIZ DOS CANOS



Estamos a seguir com interesse e atenção o processo de requalificação do espaço envolvente e, de seguida, o trabalho de restauro do Monumento.

Temos realizado visitas de observação, algumas delas com o acompanhamento e as explicações do Arquitecto Tiago Baptista, Director do Projecto. Verificámos que as sondagens arqueológicas iniciais tinham alguns aspectos de abordagem que nos pareceram insuficientes e disso demos conta.
Fomos informados de que, pelo facto de terem surgido ossadas humanas, se tornou necessária nova e mais profunda abordagem. Dados os encargos financeiros que tal implica, os trabalhos foram suspensos para novo concurso e redefinição de financiamento.

Foram-nos facultados dois dossiês - copiados para um DVD que nos foi oferecido e que está à disposição dos nossos associados -  que constituem o Relatório do estudo e apreciação sobre o estado de conservação do Monumento. Lêmo-los com atenção e proveito. São documentos de grande valor (in)formativo. Com efeito:

1 - Foram elaborados por uma equipa de restauro da empresa NOVA CONSERVAÇÃO, que tem largo currículo neste tipo de trabalhos, como sejam as intervenções na Torre de Belém, no Claustro dos Jerónimos, na Porta Especiosa da Sé Velha de Coimbra ou no Convento de Cristo em Tomar.

2 - Resultam de uma metodologia de observação e análise baseada em modernos meios de pesquisa laboratorial e realizada de forma sistemática.

Continuaremos a seguir os trabalhos que se seguem e deles iremos dando conta neste espaço.
Ao Arquitecto Tiago Baptista e sua equipa, os nossos agradecimentos pela disponibilidade demonstrada.

07 novembro 2011

TORRES VEDRAS: UMA PERSPETIVA DIFERENTE

O Castelo, a Igreja de Santa Maria e, mais aicima, à direita, a Ermida de S. Vicente, no Forte.
Foto tirada hoje por  JMD do alto da Serra dos Cucos.

30 outubro 2011

PATRIMÓNIOS 17

OPORTUNIDADES DE INVESTIMENTO
PARA O CENTRO HISTÓRICO DE TORRES VEDRAS
(II Parte)
                                                          
EZEQUIEL DUARTE
( Economista )

O sentido da oportunidade de um investimento empresarial tem o seu momento próprio. Circunscreve-se a um período de tempo curto quando comparado com o “tempo” do planeamento urbano. É na maioria das situações uma iniciativa individual, um promotor que decidiu passar de uma ideia para um plano de negócios e de imediato quer avançar com o investimento. Uma decisão suportada por múltiplos factores e com um único responsável.

É pois difícil que um Plano de Valorização do Centro Histórico contemple previsões para o investimento privado, acentuando-se essa dificuldade quando são identificados sectores de actividade a instalar cruzados com localizações à escala do arruamento.

Planos de Valorização do Centro Histórico com premissas bem-intencionadas na delimitação de usos direccionados para a actividade económica podem resultar, a médio prazo, numa eficácia nula. Permanece a substituição frequente da antiga porta aberta de um estabelecimento por uma parede de tijolo à vista, ou a substituição de um manequim vestido de novidades por uma montra vazia.

Esta evidência não invalida o cumprimento de objectivos de reabilitação do espaço público e o retorno do elevado esforço financeiro efectuado pelo aumento da qualidade de vida do cidadão. Contudo não existe correlação entre o esforço de investimento público na requalificação urbana e a introdução de novas actividades económicas, porque as dinâmicas de investimento empresarial não são controláveis pelo planeamento urbano.

No caso de Torres Vedras, as tentativas de avançar com um Programa de Investimentos conjunto (Público e Privado) foram infrutíferas. Das duas tentativas efectuadas aquando do lançamento dos dois programas comunitários de apoio ao urbanismo comercial nos anos 90, o Procom e o Urbcom, não houve adesão por parte dos comerciantes, gorando-se a oportunidade.

A desconfiança na efectividade dos financiamentos, ou a mentalidade do investidor que se concentra apenas no seu negócio, foram dois dos principais factores explicativos para a aparente falta de interesse.

O comerciante mantém-se na actividade, até ao inevitável encerramento, centrado no seu estabelecimento e no pressuposto que um investimento passado é um passaporte para uma estabilidade do negócio a longo prazo. Não identifica novas necessidades de mudança com regularidade, nem vê a sua envolvente como uma área comercial com problemas e potencialidades que pertencem a um colectivo.

Com o encerramento continuado de estabelecimentos comerciais e de prestação de serviços no Centro Histórico de Torres Vedras, poderão surgir novas oportunidades de negócio. Perante o esvaziamento de funções económicas, abrir-se-á a possibilidade para um novo ciclo de dinâmicas de investimento, mas com um perfil diferente, que não dependa apenas da iniciativa individual e incorpore, na mesma linha de importância, mecanismos de concertação de oportunidades.

Uma visão para o Centro Histórico de Torres Vedras, como um pólo de comércio e serviços especializados onde se concertam economias de aglomeração baseadas em elevados graus de diferenciação, necessita de potenciais investidores que avancem com o seu plano de negócios, que articulem iniciativas com outros investidores, que participem nos factores comuns de valorização da actividade económica do Centro Histórico.

Contribuir para a criação de serviços comuns de promoção, de organização e logística, identificar melhorias no espaço público que possam potenciar a actividade, integrar uma bolsa de investidores onde se apresentem novas ideias e plano de negócios, coordenar as oportunidades e prazos de investimento, serão algumas das posturas que um potencial investidor, a nosso ver, deverá interiorizar para viabilizar actividades num contexto territorial tão particular.

Quem despoletará estes processos? Não há uma resposta clara, poderão ter como facilitadores as associações de comerciantes existentes, ou uma entidade gestora de uma bolsa de potenciais investidores, ou ainda um agente de mudança privado.

Sem uma postura colectiva para a criação de funções comuns de apoio e promoção da actividade económica no Centro Histórico não é possível almejar, neste espaço, por exemplo, de um pólo de restauração de referência metropolitana, nem a criação de nichos de prestação de serviços especializados nos domínios da cultura e do lazer.

(Publicado no jornal BADALADAS em 28 de outubro de 2011)

28 outubro 2011

PATRIMÓNIO CLASSIFICADO DO CONCELHO DE TORRES VEDRAS II - IGREJA E CONVENTO DA GRAÇA

Classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto 42007,de 6 - 12 - 1958


Aspetos do Convento da Graça, fotos de 2011







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"Universo Ilustrado", 1880, col. gravuras "Tempos Idos", Bibliot. Munic. Torres Vedras

"Ilustração Portuguesa", 1885, col. "Tempos Idos", Bibl. Munic. Torres Vedras



CONVENTO DA GRAÇA: foi de eremitas calçados de S.'° Agos­tinho. É o da segunda fundação (séc. XVI); o da pri­meira ficava mais ao centro da vila, defronte da igr. de S. Tiago.  No adro (galilé) há belos azulejos azuis e brancos, de albarradas, e nas paredes da frontaria outros de boa composição, com passos da vida de S. Gonçalo.
Interior de uma só nave coberta por abóbada de berço e revestida por um silhar de azulejos polícromos. Na capela-mor retábulo de talha do séc. XVII, exemplar interessante em que sobressaem, pela correção da escultura, as imagens de S.ta Mónica e S.to Agostinho. A primeira capela do fado do Evangelho contém a urna e estátua de S. Gonçalo de Lagos, prelado no antigo mosteiro (m. 1422), cujos ossos foram para aqui trasladados em 1559. A notar ainda, na segunda capela da Epístola, seis curiosas tábuas quinhentistas (Presépio. Adoração dos Magos, Anunciação, Visitação da Virgem S.ta Isabel, S. José e Nossa Senhora, Trânsito da Virgem) e os azulejos da 3-a capela do lado do Evangelho, belos pela cor, pelo desenho e pela composição. Esta decoração cerâmica repete-se ainda abundante­mente na sacristia, antessacristia e claustro, referindo-se os azulejos deste à vida do arcebispo D. Fr. Aleixo de Meneses, que em 1588 foi prior deste convento.
(Guia de Potugal, II, reprodução da 1ª ed da Bibl. Nac. de Lisboa de 1927, Fundação C. Gulbenkian, 1983)


Transcrição do texto sobre o Convento da Graça, do blogue VEDROGRAFIAS2 :


O primeiro convento da Graça de Torres Vedras, que já não existe, situava-se na chamada Varzea Grande, em frente à Igreja de Santiago.
A primeira autorização para a sua construção foi dada por D. Afonso III em 1228. Não foi contudo utilizada, pelo que voltou a ser solicitada a D. Pedro I que a concedeu em 14 de Março de 1328.
Só a partir de 1383 existe documentação comprovativa da sua construção, que ainda prosseguia em 1405.
Pouco tempo antes da autorização de D. Pedro, concedeu o papa Urbano V uma bula, datada de 29 de Março de 1364, autorizando a transferência dos eremitas de S.tº Agostinho do convento de Penafirme para o convento a fundar na vila de Torres Vedras.
É a esse desaparecido convento que está ligada a vida de Gonçalo de Lagos, beato, erradamente designado como santo, que foi seu prior entre 1412 e 1422.
A construção do actual convento da Graça teve lugar ao longo do século XVI para substituir o velho convento dos eremitas calçados de S.tº Agostinho.
No lugar onde foi construído o segundo mosteiro existia a gafaria de St.º André, cujo terreno foi doado à ordem agostiniana de Torres Vedras por alvará de D. João III, datado de 26 de Setembro de 1542, para aí se construir o novo convento.
A primeira escritura dessa doação teve lugar a 20 de Outubro de 1544, sabendo-se que em 1566 ainda estava em construção.
Em 1554 os frades ainda viviam no convento velho, como se refere num dos painéis de azulejos que relata a vida de S. Gonçalo.
Talvez tenha sido oficialmente inaugurado em 1559, pois foi neste ano que foi trasladado, do velho convento para o novo, o corpo de S. Gonçalo de Lagos.
Já era habitado nos finais do século XVI, como se comprova pelo facto de existir uma referência à morte de todos os seus frades na chamada “peste pequena” de 1579.
Funcionaram várias escolas no convento: uma de ensino de teologia moral, instituída em 1723 e uma escola pública a cargo dos eremitas fundada em 1780.
Em 1807 foi estabelecido na Igreja um Hospital para as tropas francesas
Por decreto de 30 de Maio de 1834 foi extinto o convento da Graça.
Em 21 de Abril de 1887, a Câmara Municipal comprou parte do edifício da Graça, na posse de um particular, instalando aí vários serviços municipais, a escola primária e a cadeia.
Pelo decreto nº 42007 de 6 de Dezembro de 1958, a Igreja e o Convento da Graça foram classificados como Imóveis de Interesse Público.
A partir de 1983 iniciou-se um movimento para o restauro do edifício. Desde 1992 aí funciona o Museu Municipal e o GAT.

Descrição do conteúdo (elaborado em 1998)

Entra-se para a Igreja por uma uma galilé, aberta em 3 arcos para norte e 2 arcos para nascente, com um Silhar de azulejos de albarrada do século XVIII, com motivos simétricos, com flores e cabeças de anjos.
A Igreja é de uma nave com abóboda de berço, nela existindo 4 capelas laterais de cada lado mais a capela mor. Logo à entrada, na parte superior da parede nascente pode apreciar-se uma bonita mísula barroca do orgão, recentemente restaurada.
Comecemos por descrever as capelas do lado nascente (à esquerda de quem entra), chamado o lado do evangelho:
- na primeira podemos observar o altar com imagem de S. Gonçalo de Lagos e no qual se encontram os restos mortais desse santo, num cofre mandado construir pelo príncipe D. Pedro, marido de D. Maria Iª, em agradecimento pela cura de uma ferida na sua perna, motivando a última trasladação dos restos mortais do santo, efectuada em 1784 ;
- na segunda o altar em talha com o Santíssimo Sacramento, dito do Menino Jesus do Bom Pastor, cuja imagem em marfim se encontra exposta no Museu Municipal;
- a terceira capela é a do Senhor dos Passos, construída em 1668, com altar de mármore embutido e azulejos do séc. XVIII com cenas da paixão ( 2 painéis narrativos da subida para o calvário). Nela existe, na parede da esquerda , uma sepultura dos finais do século XIX de Luiz de Abreu Bulhões (1810-1875) e de Maria da Conceição Bulhões (1816- 1872), antiga família de Trás-os-Montes, para aí trasladados pelos filhos em Março de 1890;
- a quarta é a capela de António Godinho da Cunha e sua mulher, brasonada, datada de 16 de Julho de 1626, com um altar em talha, dedicado a S. Nicolau Tolentino.
Eis-nos agora junto à capela-mor. No altar-mór existem dois espaços vazios onde deviam estar as imagens de Santo Agostinho e de Santa Mónica. No centro deste há uma imagem barroca, estofada, seiscentista, da padroeira da Igreja, N.ª Sr.ª da Graça e no cimo do altar um Crucifixo . Em baixo, ladeiam o coro duas esculturas em madeira, uma de S.tª Gertrudes Magna e outra de Santa Francisca Romana, ambas do séc. XVII, beneditinas, provenientes do convento de S. Bento de Coimbra, obra de Frei Cipriano da Cruz.
Na parede poente da capela-mor está o nicho com o túmulo medieval de S. Gonçalo de Lagos, construído em 1518, para aqui trasladado em 1559. O túmulo é em pedra calcária com estátua jacente num nicho.
Nessa mesma parede existe uma porta de ligação para a ante-sacristial, para a sacristia e para os lavabos, sítios com interessantes painéis de azulejos do século XVIII, narrativos, referentes a frades agostinianos beatificados, um deles datado de 1725.
Voltando à Igreja, falta-nos percorrer as capelas do lado poente, dito da epístola, na direcção da saída para o claustro:
- a mais próxima da capela-mor é a capela de Maria Cabreira e Maria Fróis, filhas de André Cabreira e de Margarida Preto, com brasão, mandada construir a 10 de Junho de 1638 e onde está o altar de Cristo cruxificado;
- segue-se a capela de Mª Serrão Borges e Bartolomeu Pacheco Sande, com brasão, mandada edificar em 20 de Maio de 1644, um dos mais antigos altares da igreja, ainda com traços renascentistas;
- podemos, depois, apreciar a capela de N.ª Sr.ª da Correia, com altar em talha;
- finalmente observamos a capela de N.ª Sr.ª das Dores, com imagem, ladeada, à sua direita por Stª Catarina e à sua esquerda por S. Pedro de Alcantara.
Podemos então sair para o claustro por uma porta lateral. Nele podem ser apreciados os painéis narrativos da vida de Frei Aleixo de Menezes, prior deste convento em 1588, que foi arcebispo de Goa e de Braga, homem de letras e frequentador da côrte de Filipe II. Parte destes azulejos foram retirados do claustro, talvez em 1834, estiveram algum tempo depositados no convento do Varatojo e acabaram no antigo convento franciscano de S. Bernardino, de onde foram recuperados a partir de 1991, para voltarem ao seu lugar de origem.
Será ainda interessante entrar na sala da portaria, que faz ligação entre o claustro e a galilé, com as paredes cobertas por 8 painéis de azulejos, do século XVIII, narrativos da vida de S. Gonçalo de Lagos.

Os Sinos

O som dos sinos da Igreja da Graça, colocados na sua torre, é hoje um dos momentos mais característicos desta cidade.
Em 1962, nela estavam colocados o sino “Santa Rita de Cássia, datado de 1737, o maior de Torres Vedras, com 1 metro de diâmetro, e a imagem da santa gravada, o qual, depois de restaurado, aí se mantém.
Durante anos esteve acompanhado por um outro sino, o “São Nicolau”, datado de 1725, com 0,76 m. de diâmetro, o terceiro maior de Torres, que já estava retirado em 1962.
Existiam mais dois, datados de 1822, mais pequenos. Um destes está actualmente no corredor de ligação à biblioteca do museu.
Actualmente, fazem companhia ao “Santa Rita de Cássia” três novos sinos, aí colocados em 1998, todos datados de 1997.
No exterior da torre sineira está instalado um relógio, que, desde o passado dia 14 de Julho de 1999, voltou a dar horas aos torrienses.

Informação mais aprofundada e actualizada pode ser consultada na seguinte obra:
SILVA, Paula Correia da, O Convento da Graça de Torres Vedras – a comunidade eremítica e o património, ed. CMTV e Livro do Dia, Torres Vedras, 2007, 171 páginas.




Pormenores dos azulejos do Claustro:

Do site da Câmara Municipal:
http://www.cm-tvedras.pt/visitar/monumentos/convento-graca/

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