A partir de agora teremos todo o gosto em partilhar as fotos dos nossos amigos que no-las queiram facultar. Elas irão sendo publicadas na página GALERIA. Começamos com Eduardo Catarino. Obrigado.
10 maio 2011
04 maio 2011
UM GRANDE ACONTECIMENTO CULTURAL - CONVITE
LANÇAMENTO PÚBLICO EM 9 DE MAIO
TORRES VEDRAS ANTIGA E MODERNA,
de Júlio Vieira
A Associação do Património de Torres Vedras teve a iniciativa, a Livrododia associou-se, a Câmara Municipal apoiou e a obra aí está, em segunda edição. A primeira, de 1926, estava há muito esgotada. Livro imprescindível para quem quiser conhecer a História torriense.
Mas uma obra com 85 anos não estará desactualizada? A resposta é clara: não! Apesar do extraordinário incremento dos estudos recentes que vieram esclarecer e completar aspectos particulares do conhecimento do nosso passado, o livro de Júlio Vieira mantém uma indiscutível actualidade. Debruçando-se sobre a História de Torres Vedras, a cidade e o concelho, continua a ser de consulta imprescindível. Mais ainda: não perdeu a frescura da escrita. O estilo elegante, rigoroso e sóbrio garante-lhe uma surpreendente proximidade com o leitor de hoje.
É sabido que outra obra básica sobre a História torriense é a do P. Agostinho Madeira Torres, publicada em 1819, com as anotações posteriores dos responsáveis da 2ª edição em 1861, que a enriqueceram mas tornaram de difícil consulta. Está apenas disponível hoje numa edição de 1988, fac-similada, de fraca qualidade gráfica.
Júlio Vieira incorporou essa informação e ampliou-a por investigação própria, apoiando-se em fontes documentais que cita abundantemente, num trabalho de grande probidade intelectual. O resultado foi esta obra publicada em 1926. Sai agora, finalmente, a segunda edição, que respeita integralmente o original mas enriquecida com anotações dos historiadores locais nossos contemporâneos, Carlos Guardado da Silva e Venerando Aspra de Matos, e com utilíssimos índices onomástico, toponímico e didascálico.
(Do blogue http://lugaronde.blogspot.com/)
Júlio Vieira (1880-1930)
Um dos objectivos da Associação para a Defesa e Divulgação do Património Cultural de Torres Vedras é contribuir para um maior interesse de todos os torrienses pela sua História. Ao longo de 32 anos de existência (1979-2011) esta tem sido uma das suas linhas de orientação, expressa nas inúmeras intervenções e actividades que desenvolve, quer nas páginas da imprensa regional quer nos debates públicos ou nos pareceres sobre projectos autárquicos.
A iniciativa de reeditar o livro de Júlio Vieira é mais um contributo da ADDPCTV para o conhecimento da nossa história local.
A Associação do Património de Torres Vedras, através desta reedição, presta público reconhecimento ao ilustre cidadão torriense que foi Júlio Vieira.
* * *
Esta foto ajuda-nos a recuar no tempo. É um postal dos anos 20 do século passado. À direita, a rua Dias Neiva – é agora a 9 de Abril. Ao centro, o edifício de dois pisos, onde está hoje o prédio de três andares da Havaneza, construído nos anos 30/40.
Olhando à esquerda, vemos o edifício pertencente à Misericórdia, que ainda hoje existe. Mas a loja – actualmente o “Luís Pereira” – era a Sapataria Vieira, pertencente a Júlio Vieira, de quem falamos a propósito da História torriense. Os vultos em que se fixa agora o nosso olhar eram seus contemporâneos.
Homem de prodigiosa actividade! Viveu apenas 49 anos mas deixou marcas indeléveis na terra que tanto amou: além de comerciante com sucesso na área do calçado, foi proprietário e redactor de jornais locais, dirigente político republicano, activista sindical e associativo, impulsionador de iniciativas de desenvolvimento regional, publicista e historiador.
O nosso olhar perde-se nesta contemplação e encontra na História, escrita por homens como Júlio Vieira, a ponte que vem do passado para ligar os de hoje aos que já aqui viveram e morreram.
28 abril 2011
PATRIMÓNIOS 9
Actividade comercial no centro histórico - como ultrapassar alguns constrangimentos
Fernando Jorge Fabião (Jurista)
(Publicado no BADALADAS EM 29 ABRIL 2011)
Não podemos esquecer que a qualidade de um centro histórico resulta necessariamente de um conjunto de valores que, para os seus habitantes, assumam um carácter emblemático, nomeadamente a preservação de espaço público. No entanto não existe espaço público de qualidade sem pessoas na rua e sem comércio activo. As soluções puramente urbanísticas são insuficientes. É necessário criar mecanismos jurídicos e aproveitar os já existentes, de apoio à manutenção e criação do pequeno comércio, de modo a propiciar a continuidade de um centro histórico com vida.
É no quadro de um ordenamento jurídico mais ágil e que crie incentivos indirectos ao pequeno investimento, que algumas soluções podem ser encontradas. Quer pela via de alterações do IMI (Imposto Municipal de Imóveis), já sugeridas nesta coluna por Rui Matoso, quer pela aplicação do RDP (Regime de Declaração Prévia), que regula a instalação dos estabelecimentos de comércio alimentar e de certos estabelecimentos de comércio não alimentar e de prestação de serviços.
Um pequeno centro histórico como o de Torres Vedras necessita urgentemente, para além da requalificação urbana, de uma divulgação, junto da população, dos mecanismos legais que permitam a criação de pequenos estabelecimentos que, com qualidade, criem e fidelizem consumidores.
Um dos pontos de partida terá de passar por alterações profundas ao regime de licenciamento constante do Decreto-Lei nº 370/99, de 18 de Setembro, o que foi iniciado pelo Decreto-Lei nº 259/2007 de 17 de Julho.
De que forma é que o RDP se poderá aplicar a estabelecimentos comerciais inseridos no centro histórico? É esta a questão a que tentarei responder.
No quadro legal vigente não está prevista, relativamente ao RDP, qualquer solução diferenciada para estabelecimentos existentes ou a instalar nos centros históricos. No entanto, cumpre relembrar que o RDP aplica-se não só à abertura de estabelecimento mas também à alteração do tipo de actividade ou ramo de comércio que explora o referido espaço.
O RDP consiste no essencial na necessidade de, no período até vinte dias úteis antes da abertura do estabelecimento ou da alteração de ramo, apresentar uma declaração na Câmara Municipal e cópia na Direcção-Geral de Empresa, na qual o titular se responsabiliza de que o estabelecimento cumpre os requisitos adequados ao tipo de actividade ou ao ramo de comércio por que tenha optado.
Posteriormente, as duas entidades acima mencionadas, emitem comprovativos da apresentação da referida declaração, que permitem proceder à abertura/alteração de ramo.
Sem prejuízo da obrigatoriedade de respeitar as regras estabelecidas em matéria de urbanização e edificação, é necessário ter presente que não é obrigatória a vistoria prévia à laboração e à emissão de alvará.
Por outro lado, as empresas passam a ser responsabilizadas no que concerne à segurança alimentar, responsabilização estabelecida pelos regulamentos (CE) nº 852/04 e nº 853/04 do Parlamento Europeu e do Conselho de 29 de Abril, nomeadamente no que diz respeito à necessidade de aplicação de sistemas de auto-controlo baseados nos princípios de análise de pontos críticos designado por HACCP (Hazard Analysys Critical Control Point).
O Regime de Declaração Prévia permite ultrapassar alguns constrangimentos que existiam em termos de licenciamento e que de uma forma relativamente célere permite o fomento de pequenas empresas em diversas áreas.
26 abril 2011
24 abril 2011
23 abril 2011
LARGO DE SANTO ANTÓNIO
É um espaço muito bonito, de facto, apesar do excesso de muros e poiais para as árvores que ali foram feitos em anos recentes.
Não há referências históricas a este largo, que na Idade Média não existia, dado que o pano da muralha corria paralelo à Rua dos Mercadores (actual Rua dos Cavaleiros da espora Dourada). O Largo de Santo António terá resultado da expansão da vila para poente, já nos séculos XVIII / XIX.
Aqui ficam algumas fotos tiradas há poucos dias.
Não há referências históricas a este largo, que na Idade Média não existia, dado que o pano da muralha corria paralelo à Rua dos Mercadores (actual Rua dos Cavaleiros da espora Dourada). O Largo de Santo António terá resultado da expansão da vila para poente, já nos séculos XVIII / XIX.
Aqui ficam algumas fotos tiradas há poucos dias.
Escadinhas de Santo António com o muro da "cerca da Josefa"
Largo de Santo António
Casas do Largo de Santó António
21 abril 2011
CHAFARIZ DOS CANOS - IMAGENS POUCO HABITUAIS
A zona do Chafariz dos Canos entrou em obras. Os Serviços Municipalizados informam no seu site que "vão proceder à remodelação das infraestruturas de água e saneamento da zona do Chafariz dos Canos, parte da rua Cândido dos Reis, rua João de Meneses, travessa S. Pedro e Travessa do Rosário. Por este motivo, estas vias irão ser cortadas ao trânsito a partir do próximo dia 11 de Abril, prevendo-se que as obras terminem no início do mês de Junho, após o que a Câmara Municipal iniciará os trabalhos de repavimentação, no âmbito das referidas obras de requalificação da zona."
Passámos por lá na visita guiada, domingo dia 17, e não gostámos de ver o espaço fronteiro ao Chafariz transformado em estaleiro, com veículos de apoio a taparem completamente a vista do Monumento. Felizmente, o apelo que fizemos junto do responsável da obra teve resposta positiva, como pudemos confirmar hoje.
Vejam-se agora as fotos , algumas delas com perspectivas pouco habituais, tiradas neste últimos dias. A reportagem é de J. Moedas Duarte, que muito agradece aos proprietários que facilitaram o acesso para tirar fotografias.
Passámos por lá na visita guiada, domingo dia 17, e não gostámos de ver o espaço fronteiro ao Chafariz transformado em estaleiro, com veículos de apoio a taparem completamente a vista do Monumento. Felizmente, o apelo que fizemos junto do responsável da obra teve resposta positiva, como pudemos confirmar hoje.
Vejam-se agora as fotos , algumas delas com perspectivas pouco habituais, tiradas neste últimos dias. A reportagem é de J. Moedas Duarte, que muito agradece aos proprietários que facilitaram o acesso para tirar fotografias.
18 de ABRIL . Estava assim o estaleiro de obras dos Serviços Municipalizados
Vista do 3º andar do prédio contíguo
Idem
O terraço do Chafariz dos Canos, cheio de ervas
Pormenor das ameias do Chafariz
20 ABRIL 2011. Estaleiro dos SM, já arrumado.
Terraço do Chafariz. 20 ABRIL 2011
Terraço
Terraço. 20 ABRIL 2011
Edifício nas traseiras do Chafariz dos Canos, com acesso ao terraço do Chafariz
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Chadariz dos Canos
16 abril 2011
MEMÓRIAS DA ÁGUA - Visita guiada no próximo domingo 17 ABRIL
A Associação do Património de Torres Vedras associa-se a esta data através de uma parceria com o Museu Municipal Leonel Trindade para a realização de uma VISITA GUIADA aos lugares históricos da água, no dia 17 de Abril, das 15H30 às 17H30. O ponto de partida será o Claustro do Convento da Graça. Mais pormenores AQUI.
Largo do Município, início do séc. XX, com o Chafariz ao fundo
15 abril 2011
PATRIMÓNIOS - 8
A Antropologia Urbana e a etnografia dos centros históricos – III
As flores da Rua de S. Miguel
Joaquim Ribeiro *
(Publicado no BADALADAS em 8 ABRIL 2011)
No meu último texto evoquei o conceito de “comunidade imaginada”, de Benedict Anderson, para sugerir a necessidade de “requalificar” a memória da população local. Na verdade, todas as propostas para um centro histórico urbano são válidas: recuperação dos edifícios degradados, atracção de novos moradores ou o desenvolvimento de projectos artísticos e turísticos. No entanto, para a consolidação da memória de uma zona histórica de uma cidade não é suficiente fazer obras em prédios antigos para os tornar mais resistentes ou até mais modernos no seu interior de forma a atrair novos moradores, que, no fundo, vão lá apenas pernoitar. O aproveitamento de edifícios para outros fins, como o da atracção turística, desenvolvimento de projectos artísticos ou animação nocturna, são óptimos para chamar visitantes ao local, mas o processo esgota-se aí. Os moradores mais antigos que assistem a estes movimentos já lá estavam e lá continuam depois da fugaz incursão dos forasteiros.
A noção de vizinhança deve ser estimulada pelo convívio entre os membros da comunidade, na partilha de práticas culturais e de interesses mútuos, em redor do espaço comum que habitam. Aqui é fundamental o papel das associações, como o Atlético Clube Torreense, na encosta entre o Largo de Santo António o Largo Coronel Morais Sarmento. Actualmente a sua actividade resume-se provavelmente ao mais importante: ponto de encontro diário dos moradores, a maioria idosos, que ali passam as tardes e os serões.
Um exemplo daquilo que reforça o sentimento de vizinhança na zona histórica são as flores da Rua de S. Miguel, artéria que vai desde o castelo até à ponte de S. Miguel (no extremo norte da Rua de S. Gonçalo de Lagos). Os seus moradores fazem questão de decorar o exterior das suas habituações com vasos de flores, uma prática cuja origem se perde no tempo e que reforça o sentimento de comunidade, na medida em que envolve os vizinhos e os une no orgulho de embelezar a sua rua. Por isso ficaram decepcionados quando o ano passado, pela primeira vez, a Procissão das Velas (na noite de 12 para 13 de Maio) saiu da igreja de Santa Maria mas já não passou pela Rua de S. Miguel. Antes, a procissão passava à frente daquelas casas, onde os moradores espalhavam flores na calçada e empenhavam-se colectivamente nas decorações florais às suas portas. Este é um exemplo de como a requalificação de um local com importância histórica deve sobretudo dar atenção à recuperação de tradições populares, como uma festa, o “almoço dos castelhanos” ou a passagem da Procissão das Velas sobre um manto de flores que os locais se empenharam em recolher e que era importante para a comunidade que voltasse a passar pela Rua de S. Miguel.
· Mestre em Antropologia pelo ISCTE-IUL
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Joaquim Ribeiro
09 abril 2011
IMAGENS ANTIGAS DE TORRES VEDRAS
Duas fotos panorâmicas de Torres Vedras a partir da encosta do Varatojo. Início do Séc. XX.
A Associação do Património vai fazer o lançamento da 2ª edição do livro de Júlio Vieira, TORRES VEDRAS ANTIGA E MODERNA, no próximo dia 9 de Maio, nos Paços do Concelho. Será apresentador D. Manuel Clemente, bispo do Porto, historiador e torriense ilustre.
Para assinalar este acontecimento fazemos aqui a divulgação de algumas fotos antigas de Torres Vedras.
Muito gostaríamos que nesta divulgação pudéssemos contar com a colaboração dos leitores e visitantes deste blogue. Caso as tenham, enviem-nos as vossas fotos digitalizadas, com a respectiva identificação e data exacta ou aproximada, se a souberem.
A sua publicação é uma forma importante de divulgação e preservação do nosso Património e constituirá um precioso instrumento de trabalho para os estudantes das nossas escolas.
Desde já agradecemos a vossa colaboração.
Para assinalar este acontecimento fazemos aqui a divulgação de algumas fotos antigas de Torres Vedras.
Muito gostaríamos que nesta divulgação pudéssemos contar com a colaboração dos leitores e visitantes deste blogue. Caso as tenham, enviem-nos as vossas fotos digitalizadas, com a respectiva identificação e data exacta ou aproximada, se a souberem.
A sua publicação é uma forma importante de divulgação e preservação do nosso Património e constituirá um precioso instrumento de trabalho para os estudantes das nossas escolas.
Desde já agradecemos a vossa colaboração.
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Fotos antigas de Torres Vedras
08 abril 2011
RECORDAÇÃO DA FONTE NOVA
Diz Júlio Vieira:
"O chafariz da Fonte Nova que fica ao sul da vila sobre a estrada que vai para Lisboa, é também um monumento antigo, mas a sua construção só oferece o interesse da antiguidade e de notável o facto de conter na parede do tanque, que é recortada de ameias, , o brasão das armas da vila com a data de 1529." (TORRES VEDRAS ANTIGA E MODERNA, Júlio Vieira, Torres Vedras, 1926)
Não sabemos quando foi demolido. Ao que parece, entrou em ruína e acabou por ser sacrificado ao alargamento da estrada. Salvou-se o bloco de pedra com o brasão da vila, que se encontra no Museu Municipal, como se pode ver:
Brasão de Torres Vedras, proveniente da Fonte Nova
Museu Municipal Leonel Trindade, Torres Vedras
No local foi contruído um novo fontanário nos anos 80 do século passado. Pretendeu-se evocar o antigo chafariz, lugar de paragem obrigatória dos almocreves e demais viajantes ou moradores. Na parede foi colocada uma réplica do antigo brasão.
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Fonte Nova
01 abril 2011
29 março 2011
PÓLIS DE TORRES VEDRAS - O CHOUPAL
O nosso associado Venerando de Matos chama a atenção para que o PÓLIS DE TORRES VEDRAS vai finalmente arrancar. Fazer aqui a ligação ao seu belíssimo blogue VEDROGRFIAS 2 - um espaço na net com um enorme manancial de dados para o conhecimento da História Local torriense.
Atenção ao post de hoje e aos imediatamente anteriores.
28 março 2011
[Setúbal na Rede] - Os Centros Históricos e os Seus Territórios - Uma reflexão
Um texto que nos parece interessante. A ler.
27 março 2011
PATRIMÓNIOS 7
A ANTROPOLOGIA URBANA E A ETNOGRAFIA DOS CENTROS HISTÓRICOS – II
OS CASTELHANOS OU A “COMUNIDADE IMAGINADA”
(Publicado no Badaladas em 18 Março 2011)
Joaquim Ribeiro
Tal como outros, o Centro Histórico de Torres Vedras tem uma delimitação territorial definida pela necessidade de centralizar o património. É um local que o poder político convencionou chamar assim. Fê-lo na tentativa de criar regras, para impedir que continuasse a sua descaracterização. Para isso foram definidos limites desse território: a norte no rio Sizandro, a poente na rua São Gonçalo de Lagos e a nascente na Corredoura e rua 1o de Dezembro. A sul termina na rua Paiva de Andrada e podemos para já questionar a exclusão, por exemplo, do convento da Graça. Esta delimitação terá resultado da necessidade de classificar edifícios consoante uma hierarquia de valores, de acordo com a Carta de Veneza (1964), considerando os monumentos como integrantes de um ambiente urbano que vale pelo seu conjunto e é assim mais eficaz uma preservação da memória colectiva.
Não existem muitos trabalhos de investigação antropológica sobre a patrimonialização destes locais, com excepção para o de Alice Carneiro, sobre o Centro Histórico de Guimarães. Sendo as pessoas o objecto de estudo principal num trabalho de campo antropológico, a minha pequena incursão centrou-se sobretudo na função actual dos edifícios, forma de apropriação dos mesmos e a importância do território para a população.
Não obstante o aparecimento de novas centralidades - grandes superfícies comerciais, zonas residenciais modernas, Centro de Saúde, parque verde da Várzea, praça Calouste Gulbenkian, avenida general Humberto Delgado, o parque escolar da Conquinha, etc -, a periferia do Centro Histórico continua a ser considerada o centro da cidade: a área entre os Paços do Concelho, igreja de São Pedro, Mercado Municipal e ruas pedonais Serpa Pinto, 9 de Abril e 10 de Dezembro, são ainda o coração da urbe. Contraditoriamente, se a periferia é o centro, à medida que avançamos para o núcleo do Centro Histórico aproximamo-nos da periferia da cidade. E também encontramos cada vez menos gente. A seguir ao largo frei Eugénio Trigueiros (antigo largo do Grilo) até ao largo coronel Morais Sarmento, às portas do Castelo, as ruas apresentam-se mais vazias e são as paredes que em si mesmas se revelam guardiãs da memória colectiva, embora profundamente descaracterizadas: prédios de arquitectura recente e outros com elementos modernos misturam-se no conjunto.
Não é fácil fazer conviver a requalificação urbana com a atracção de novos moradores, que vêem a sua intimidade usada como atractivo turístico. Se os moradores da zona "baixa" do Centro Histórico ainda podem usufruir da centralidade que o espaço lhes proporciona, já aqueles que residem na zona "alta" sentem-se marginalizados. O papel das associações é fundamental, como o Atlético Clube do Castelo, que continua de portas abertas cumprindo a sua função de ponto de encontro entre os moradores, a maiora de idade avançada. É o sentimento de pertença face ao território e a manutenção de laços de vizinhança, que sustentam a ideia de comunidade. Valores, rituais e tradições fortalecem também esse sentimento, que remete para o conceito de "comunidade imaginada". Muitos moradores, jovens ou com poder económico, mudaram-se para zonas mais modernas da cidade, outros emigraram, mas guardam a lembrança do seu local de origem, não apenas como um espaço físico, mas sobretudo um território comum de afectividades, relações e cumplicidades. Não sei se ainda se realiza, mas ainda há pouco tempo tinha lugar todos os anos o "almoço dos castelhanos", que reunia ` volta da mesa aqueles que mantinham laços com aquela zona da cidade de Torres Vedras. Talvez mais do que preservar a memória física de ruas e edifícios, importava também "requalificar" a memória da população local, para que, dentro da sua condição de torrienses, continuem a sentir-se acima de tudo "castelhanos".
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