Auto-estrada pode ser mais do que ligação viária se na sua construção se tiverem em conta certos elementos. Podem parecer pormenores mas fazem a diferença. É o que nos diz o Arq. José Aguiar neste oportuno artigo. Lembrámo-nos dele numa altura em que a A8, que serve Torres Vedras, está em obras de requalificação. Paisagem é Património. A defender!
26 agosto 2010
A PROPÓSITO DA A8 EM OBRAS
Auto-estrada pode ser mais do que ligação viária se na sua construção se tiverem em conta certos elementos. Podem parecer pormenores mas fazem a diferença. É o que nos diz o Arq. José Aguiar neste oportuno artigo. Lembrámo-nos dele numa altura em que a A8, que serve Torres Vedras, está em obras de requalificação. Paisagem é Património. A defender!
25 agosto 2010
COMO REQUALIFICAR OS RIOS
Sabemos que esta não é matéria fácil mas, por isso mesmo, há literatura especializada e um histórico de experiências que convém ter presente, como é o caso do estudo do Prof. Rui M. V. Cortes, da Univ. de Trás-os-Montes e Alto Douro.
Na revista PEDRA & CAL encontrámos um artigo interessante sobre o assunto, que transcrevemos com a devida vénia. Pena é que as três páginas de desenvolvimento se apresentem manuscritas, num maneirismo escusado, que nos obrigou a digitalizá-las como imagens e torna difícil a leitura.
18 agosto 2010
A VERGONHA DE TODOS NÓS
Em 26 de Março de 2004 a nossa Associação publicou um artigo no jornal BADALADAS, de Torres Vedras, que alertava para a degradação do mais emblemático monumento deste concelho.
De então para cá pouco se fez. A Câmara encomendou um projecto de intervenção, que apresentou a público no início de 2008, e sobre o qual nos pronunciámos. Sobre ele falaremos aqui em breve. Diga-se, no entanto, que esse projecto contemplava apenas o espaço envolvente, já que a intervenção no próprio monumento terá de ser feita sob a égide do IGESPAR (Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico).
Já lá vão dois anos. Continua a situação que denunciámos em 2004. Com uma alteração: os canteiros em frente do Chafariz foram rapados de vegetação e são agora vazadouro dos cãezinhos de estimação que os donos ali levam a aliviar-se.
Como infelizmente não perdeu actualidade, aqui fica de novo o tal artigo do jornal.
16 agosto 2010
PATRIMÓNIO: UMA NOTÍCIA HOJE NO PÚBLICO
Os leitores interessados poderão ler AQUI.
01 agosto 2010
UM TEXTO PERTINENTE
PEDRA & CAL
Já saiu a Revista PEDRA & CAL relativa ao 2º trismestre deste ano.
Mais um excelente conjunto de artigos dedicados ao nosso Património.
30 julho 2010
FINALMENTE O MUSEU DO CÔA
Venceu a sensatez cultural. Podemos ler no site do IGESPAR:
«A arte do Côa foi classificada como Monumento Nacional em 1997 e Património da Humanidade em 1998 pela UNESCO com os seguintes critérios:
“A arte rupestre do paleolítico superior do Vale do Côa é uma ilustração excepcional do desenvolvimento repentino do génio criador, na alvorada do desenvolvimento cultural humano;
A arte rupestre do Vale do Côa demonstra, de forma excepcional, a vida social, económica e espiritual do primeiro antepassado da humanidade”.»
Hoje, dia 30, foi finalmente inaugurado o Museu do Côa. A bem da defesa do nosso Património.
Numa breve pesquisa pela net encontrámos esta prosa saborosa sobre a arte rupestre do Côa.
20 julho 2010
Linhas de Torres Vedras
Julgamos oportuno divulgar este apontamento de vídeo criado pela Câmara Municipal de Torres Vedras.
Vemo-lo com muitas reservas. De facto, fazendo nós parte de grupo das associações que participaram na elaboração do programa comemorativo do bicentenário das Linhas de Torres Vedras, não fomos vistos nem achados para as decisões relativas ao Centro Interpretativo. Tal como as restantes associações.
A decisão foi tomada pelo anterior executivo municipal, sem consensos (toda a oposição votou contra), sem discussão pública, sem debate entre os cidadãos interessados.
Transcrevemos aqui o artigo publicado no Badaladas no início deste ano:
O CENTRO INTERPRETATIVO DAS LINHAS DE TORRES
E A SUA LOCALIZAÇÃO
Sobre o projecto de um centro interpretativo das Linhas de Torres aprovado pela Câmara em Março de 2007, na zona norte da cidade, têm surgido neste jornal vários artigos de opinião, questionando o processo seguido, e, sobretudo, a sua localização no morro da Forca.
Posições pertinentes, oriundas de gente abalizada, com provas dadas nos campos da reflexão político-cultural (Rui Matoso), do planeamento urbanístico (António João Bastos), da prática política (Jorge Ralha) e da historiografia (Henrique Vieira). São opiniões que, em qualquer circunstância, devem contar.
E são posições que, na sua generalidade, esta associação partilha.
SOBRE O PROCESSO
Desde o anúncio sensacionalista surgido na primeira página do Badaladas, ilustração de página inteira, que nos pareceu haver algo de errado neste processo. É consensual que em qualquer obra, primeiro estabelece-se o conteúdo e depois procura-se a forma. Ora, aqui dá-se o inverso: - é proposta uma forma exterior (um boneco) sem que nada se saiba sobre o programa museológico – que espólio se vai expor, que narrativa é que se vai contar, que aspectos vão ser acentuados, a que tipo de público se vai dirigir, que valências/funções vai contemplar, que meios tecnológicos se vão utilizar.
E, não menos importante, quem o vai fazer?
Falta, pois, o Guião para se fazer o Filme!
Sobre a atitude que subjaz a este procedimento, por parte dos autores, muito haveria certamente a questionar, desde logo o significado da “oferta” de um projecto deste tipo. Mas não é esse o objectivo deste texto, para já.
Trata-se, de qualquer modo, de um equipamento cultural que diz respeito à comunidade, que implica diferentes valências e deverá ser objecto de várias contribuições.
SOBRE A LOCALIZAÇÃO
Interessa-nos aqui focar essencialmente a questão do local, que constitui já por si um factor interpretativo, sobretudo quando está em causa uma realidade histórico-geográfica como foi o complexo de fortificações que travou o exército de Massena.
O REDUTO DA FORCA
O morro da Forca insere-se num dos espaços geográficos mais simbólicos do complexo defensivo das Linhas – o triângulo S.Vicente, Castelo, Forca – que defendia a estrada de Coimbra para Lisboa, às portas de Torres Vedras. Contém vestígios do que terá sido um reduto fortificado,
Nesse sentido, é um local elegível para o efeito
Encontra-se, no entanto, muito adulterado na forma que tinha à data dos acontecimentos. A sua configuração é apenas observável a partir de alguns relevos muito esbatidos no terreno. A escarpa a norte, outrora impressionante como barreira natural, encontra-se hoje muito alterada pelos cortes efectuados para a construção das vias ferroviária e rodoviária, assim como pela proximidade de equipamentos comerciais recentes, criando uma vizinhança incómoda, como muito pertinentemente referiu J. Ralha. Assim, o que seria relevante do ponto de vista interpretativo – a ideia de barreira – está largamente comprometido face à dificuldade de leitura da actual configuração e ao ruído do aparato comercial.
Por outro lado, como refere A.J. Bastos, existem incompatibilidades com o PDM, a nível dos índices de construção previstos para a área – verde ecológico urbano – que implicam uma baixa percentagem da área de construção.
Movidos pela curiosidade deste argumento, quisemos certificar-nos da disponibilidade do espaço existente.
E, in loco, percebe-se claramente que o espaço disponível é insuficiente para receber um equipamento desta natureza, o qual supõe acessos fáceis, parques de estacionamento para ligeiros e autocarros, etc. O cimo do morro ficou reduzido a uma magra faixa de terreno, depois do corte efectuado para a construção de uma superfície comercial.
Fica-se, pois, com a sensação de que quem projectou e quem aprovou não conhecia bem a área.
Percebe-se, no entanto, a tentação que levou à sua escolha: - Se, como acima se referiu, a sua encosta norte está descaracterizada, impossibilitando uma leitura da estratégia militar de defesa, é certo que a vista de sul (desde o centro da cidade) está desimpedida e a implantação do edifício no alto do morro criaria um forte impacto visual, criando uma referência urbana positiva. Além de que a forma proposta garantia uma forte visibilidade, suscitando alguma curiosidade no habitante e no visitante.
Para quem elege a cultura-espectáculo até se percebe…!
O FORTE DE S. VICENTE
Se o objectivo é dar a conhecer as Linhas de Torres há que procurar como é que a geografia e o património construído nos permitem, ainda hoje, perceber o modo como se tentou obstar ao avanço das forças invasoras. Isto implica desde logo dois modos de abordagem: - uma visão de proximidade sobre os elementos que pontuavam as ditas linhas – os fortes, que nos fornecem elementos sobre as estratégias de defesa e combate; e uma visão de conjunto ou de largo alcance sobre o conjunto de elevações, que desde Torres Vedras se podem enxergar, e nos permitem perceber o próprio conceito de “linhas defensivas”.
Só depois, haverá que recorrer a outros auxiliares – museológicos, didácticos – para completar o quadro perceptivo dos acontecimentos – os mapas, o armamento, as fardas, as gravuras da época, a narração dos factos, os dados quantitativos, e outros elementos – que são tarefa do tal Centro Interpretativo. Com mais ou menos informática!
Ora, existe um local de eleição para fazer tudo isto – o Forte de S. Vicente!
O estado de conservação das suas estruturas e a sua altitude respondem aos dois primeiros requisitos que acima referimos, permitindo a observação de um dos mais importantes locais de aquartelamento e proporcionando uma ampla visão sobre uma parte considerável das linhas, para leste e para oeste. Dali divisa-se toda a cidade, o rio Sizandro, o Varatojo, o Monte da Archeira, a Serra do Socorro, o Sobral de Monte Agraço, etc.)
Quem sobe ao monte de S. Vicente percebe o essencial das Linhas!
Por outro lado existe nas proximidades um outro Reduto, em bom estado de conservação – o Forte dos Olheiros.
Existem acessos – e espaço para outros – bem como terreno disponível nas imediações, capazes de suportar uma edificação com suas áreas de apoio envolventes Estamos a pensar na encosta sul do monte, em local aprazível, de boa visibilidade desde a cidade e da circular poente - aspecto importante para o projecto e desfrutando de panorâmica grandiosa sobre a cidade e paisagem em redor.
É legítimo, pois, concluir que este é o local mais significativo e mais apropriado para receber um Centro Interpretativo das Linhas de Torres.
Isto se o conhecimento da História for o objectivo primeiro!
Janeiro de 2010 A Direcção da ADDPCTV
15 julho 2010
Jornadas Europeias do Património 2010.
As Jornadas Europeias do Património, iniciativa do Conselho da Europa e da União Europeia, realizam-se anualmente no mês de Setembro, tendo como principal objectivo sensibilizar a população para a importância da protecção e da valorização do Património.
Em Portugal, as Jornadas Europeias do Património realizar-se-ão este ano nos dias 24, 25 e 26 de Setembro.
O IGESPAR, coordenador nacional do evento, lançou o tema “PATRIMÓNIO: UM MAPA DA HISTÓRIA”, pretendendo vincar a estreita relação entre os sítios patrimoniais e os acontecimentos históricos que lhes estão associados. O Património, nas suas diferentes manifestações, documenta um percurso espaço-tempo das sociedades; viajar pelas cidades, percorrer o território observando vestígios, interpretando os cenários urbanos e rurais de factos históricos e políticos, da humanização das paisagens, da produção técnica e científica, literária ou artística, é como ter, entre mãos, um inesgotável mapa que nos ajuda a entender de onde viemos e a escolher para onde podemos seguir.
O IGESPAR convida as entidades públicas e privadas a associarem-se a esta iniciativa através da organização e implementação de acções e actividades que estimulem a aproximação física e emocional do público aos monumentos, conjuntos e sítios, incentivando-o a conhecer e explorar, no património, o mapa da História.
Sugestões de actividades culturais:
- visitas g uiadas e temáticas;
- espectáculos artísticos (música, dança, teatro, circo;
- exposições de artes plásticas e visuais;
- concertos e apontamentos musicais (música antiga e contemporânea);
- animação de rua, recriações e encenações históricas;
- workshops, palestras, conferências, debates e seminários;
- maratonas fotográficas;
- sessões de leitura;
- rotas patrimoniais, itinerários culturais, peddy-papers e rally-papers;
- ateliers lúdicos e oficinas pedagógicas;
- jogos tradicionais, de época e jogos de descoberta;
- feiras e festivais;
- lançamento de publicações;
- documentários, filmes.
As propostas de actividades deverão ser enviadas até ao dia 30 de Julho.
11 julho 2010
PATRIMÓNIO CLASSIFICADO DO CONCELHO DE TORRES VEDRAS
1. PATRIMÓNIO ARQUEOLÓGICO
Monumentos nacionais:
- Castro do Zambujal (Santa Maria)
- Tholos do Barro ou da Pena - Monumento funerário do Eneolítico (S. Pedro e Santiago)
- Gruta Artificial da Época Calcolítica da Ermegeira (Maxial)
- Castro da Fórnea ( Matacães)
- Duas grutas junto à Maceira (Maceira)
Monumentos Nacionais:
- Elementos românicos da Igreja de Santa Maria do Castelo (perímetro urbano de TVedras)
- Ermida de Nossa Senhora do Ameal (id)
- Chafariz dos Canos (id)
- Igreja de S. Pedro (id)
- Aqueduto de Torres Vedras (id)
- Mosteiro do Varatojo (arredores de T Vedras)
Imóveis de Interesse Público:
- Ruínas do Convento de Penafirme (A-dos-Cunhados)
- Ermida de Nª Sª da Purificação, no Sirol ( Dois Portos )
- Igreja de S. Pedro de Dois Portos
- Igreja de Nª Sª da Oliveira ( Matacães )
- Quinta das Lapas ( Monte Redondo )
- Edifício do antigo Asilo de Veteranos Militares de Runa ( Runa )
- Castelo de Torres Vedras ( Perímetro urbano de TVedras)
- Capela e Forte de S. Vicente ( arredores de TVedras)
- Igreja e Convento da Graça (perímetro urbano de TVedras)
- Azenha de Santa Cruz ( Silveira)
- Igreja de Santa Mª Madalena ( Turcifal )
- Povoado da Serra do Socorro e capela de Nª Sª do Socorro ( Turcifal )
- Igreja de S. Lucas ( Freiria )
- Ermida e sítio do Senhor Jesus do Calvário ( Matacães )
- Moinho da Gondruzeira ( Ponte de Rol )
- Igreja de Santiago ( perímetro urbano de TVedras )
- Capela do Sanatório do Barro ( S. Pedro e Santiago )
- Reduto dos Olheiros ( S. Pedro e Santiago )
- Capela do Espírito Santo ( Turcifal )
- Casa da Quinta Nova ( Matacães )
- Residência solarenga da Quinta do Juncal ( Matacães )
10 julho 2010
PLANO DIRECTOR MUNICIPAL DE TORRES VEDRAS - 2006
«LEGISLAÇÃO APLICÁVEL
. Decreto nº 20985/1932 de 7 de Março – Protecção, conservação, restauro dos monumentos nacionais e imóveis de interesse público e sua classificação.
. Decreto-Lei nº 46349/1965 de 2 de Maio – Determina que, em casos especiais, os monumentos
nacionais e os imóveis de interesse público poderão ter zonas de protecção superiores a 50 metros.
. Decreto-Lei nº 116-B/76 de 9 de Fevereiro – Altera o artº. 44º do Decreto nº 20985 e determina que os proprietários de imóveis classificados são obrigados a realizar obras de conservação.
. Decreto-lei nº 205/88 de 16 de Junho – Define quais os técnicos que podem assinar projectos em zonas de protecção de monumentos nacionais e imóveis de interesse público.
. Decreto-Lei nº 426/89 de 6 de Dezembro – Promulga o regulamento de segurança contra incêndios de centros históricos antigos.
. Dec. nº 29/90 de 17 de Julho – Classifica diversos imóveis como monumentos nacionais e imóveis de interesse público.
. Dec. Nº 26-A/92 de 1 de Junho – Procede à classificação de imóveis arqueológicos como monumentos nacionais, imóveis de interesse público e imóveis de interesse concelhio.
. Decreto-Lei nº 284/93 de 18 de Agosto – Nova Lei Orgânica da DGEMN.
. Decreto-Lei nº 67/97 de 31 de Dezembro – Classifica como monumentos nacionais, imóveis de interesse público e imóveis de valor concelhio vários imóveis de relevante interesse arquitectónico e arqueológico.
. Lei nº 159/99 de 14 de Setembro – Estabelece o quadro de transferência de atribuições e competências para as autarquias locais.
. Decreto do Presidente da República nº 74/97 de 16/12 – Convenção Europeia para a Protecção do Património Arqueológico (Revista).
. Decreto-Lei nº 117/97 de 14 de Maio – Lei Orgânica do Instituto Português de Arqueologia.
. Decreto-Lei nº 270/99 de 15 de Julho – Regulamento de Trabalhos Arqueológicos, e Decreto-Lei nº 287/00 de 10/11, com alterações ao Decreto-Lei anterior.
. Decreto-Lei nº 164/97 de 27 de Junho – Património Cultural Subaquático.
. Lei nº 121/99 de 20 de Agosto – Utilização de detectores de metais.
. Lei nº 107/2001 de 8 de Setembro – Estabelece as bases da política e regime de protecção e valorização do património cultural.
. Decreto-Lei nº 120/97 de 16 de Maio – Lei Orgânica do Instituto Português do Património Arquitectónico.
. Decreto-Lei nº 131/2002 de 11 de Maio – Estabelece a forma de criação e gestão de parques
arqueológicos, bem como os objectivos, o conteúdo material e o conteúdo documental do Plano de Ordenamento do parque arqueológico.
ENTIDADE COM JURISDIÇÃO
Compete ao Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR) conduzir os processos de
classificação e dar parecer sobre os pedidos de alteração, restauro, demolição e alienação de imóveis classificados, quer estes sejam propriedade particular ou do Estado.
Quando os imóveis pertencem ao Estado, compete à Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais executar as obras de restauro e eventualmente os respectivos projectos, que não estão sujeitos a licenciamento municipal.
Nas zonas de protecção de imóveis classificados, as Câmaras Municipais ou outras entidades não podem licenciar quaisquer obras sem prévio parecer favorável do IPPAR.
Compete à DGEMN, no domínio da salvaguarda e valorização do património arquitectónico, o
planeamento, concepção e execução das acções de valorização, recuperação e conservação dos bens imóveis classificados não afectos ao IPPAR.
No que respeita ao Património Arqueológico não classificado, compete ao Instituto Português de
Arqueologia efectuar os estudos e trabalhos relativos aos vestígios arqueológicos julgados necessários, para se proceder ao seu estudo de salvaguarda.»
Observe-se que entretanto o IPPAR passou a IGESPAR, com as respectivas alterações, que podem ser encontradas AQUI.
30 junho 2010
NA FEIRA de S. PEDRO 2010
Maqueta do reduto nº 20 do Forte de S. Vicente, escala de 1/72, construída pelo Zé Pedro Sobreiro e o Carlos Ferreira. Trabalho bonito e motivador de muitas conversas com os visitantes.
O olhar curioso dos meninos é o melhor prémio para um trabalho de muitas dezenas de horas, ao longo de muitos serões...
23 junho 2010
FEIRA DE S. PEDRO
A nossa Associação vai estar presente.
Qual será a surpresa deste ano?
Deu muito trabalho... O Carlos Ferreira e o Zé Pedro que digam.
O melhor será ir lá ver. Estamos no Pavilhão multi-usos, o que fica mais próximo do Mercado Municipal.
16 junho 2010
UM TEXTO OPORTUNO
Retirámos DAQUI este texto que nos parece oportuno e relevante. Porque estamos em Junho... E porque se trata de património cultural.Festas juninas – De Portugal ao Nordeste
Professor da UFPB, Severino Alves de Lucena Filho traça um paralelo entre as festas juninas do Nordeste de hoje com as festas dos santos populares de Lisboa (Portugal), que passa pelo mesmo processo de modernização.
As festas juninas são uma herança pré-cristã, cujas marcas ainda são visíveis, apesar da ação da hierarquia da Igreja Católica para cristianizar as comemorações do equinócio. Sublinha-se a migração de portugueses para o Brasil que determinou a releitura da festa levando em consideração as condições ecológicas do hemisfério sul. A dinâmica cultural em ambas as margens do Atlântico determinou mudanças nas comemorações juninas a fim de compatibilizar com a sociedade atual no contexto da globalização, com a mudança de valores de forma acelerada.
Sublinha-se que no Brasil e em Portugal os eventos em louvor aos Santos Populares são concebidos como a uma festa urbana em constante movimento de criação, recriação, apropriações e conservação da tradição e como um acontecimento regional e construtor de identidades. Um acontecimento, não apenas para ser vivido, mas, sobretudo para ser visto e consumido pelas comunidades e visitantes durantes as festas do ciclo junino.
Nas folias juninas no Nordeste do Brasil, além das cerimônias religiosas, do banquete junino destacam-se as danças que se tornaram a mais expressiva manifestação folclórica, buscando preservar marcas da cultura popular rural, ao mesmo tempo em que se vive a modernização, percebida nos trajes, nas músicas e, em especial, nas coreografias modernosas.
As danças vivenciadas no ciclo de São João são uma das características mais marcantes dos festejos juninos. Referimo-nos entre outras, à quadrilha, o baião, o xaxado, o xote, o coco, o forró e o arrasta-pé. Estas são apresentadas em grupos de danças ou mostradas de forma espontânea nas comunidades, com objetivos de entretenimento e comemoração.
A quadrilha se destaca por ser um dos símbolos mais constantes no evento do ciclo junino. Esta dança, de origem europeia, chegou ao Brasil trazida pelos colonizadores portugueses. Era uma dança de elite, formada nos salões dos palácios. Depois desceu as escadarias do palácio e caiu no gosto popular, sofrendo várias modificações estética, musical e coreográfica.
A quadrilha é o baile de comemoração do casamento. Esta representação inseriu-se na dinâmica da cultura, passando por criações e recriações estabelecendo certa tradição como forma de preservar as origens, embora contaminada pela modernização pelo poder da mídia, do capitalismo.
As centenas de quadrilhas juninas na atualidade se apresentam durantes as festas do ciclo junino no Nordeste do Brasil como operetas com performances carnavalizadas para atender as exigências das empresas de comunicação organizadoras dos festivais de quadrilhas em níveis nacional, regional e municipal.
Nesse contexto de apropriações e refuncionalização dos elementos da cultura rural, sublinha-se que não devemos ter uma visão radical e saudosista com relação à manifestação segundo a tradição. È importante levarmos em consideração o momento de grandes transformações culturais. Registra-se também que elas promovem a aglutinação da juventude nas periferias como também a valorização, a inclusão social além de movimentarem a roda da economia do mercado informal na comunidade onde atuam.
Em Portugal, as festas em louvor dos Santos Populares (Santo Antônio, São João e São Pedro) festejam-se durante o mês de junho. Em especial, a de Santo Antônio é o maior acontecimento etnográfico lisboeta. Lisboa à luz destes festejos populares se constitue em um mosaico de vários elementos marcantes da urbanidade e das marcas cotidianas que habitam nos lugares, ruas, vielas, escadas que a edificam na singularidade de todas suas gentes e de todas as suas crenças.
As marchas populares, que constituem o ponto alto dos festejos em comemoração a Santo Antônio, são um evento aglutinador de centenas de pessoas, forças vivas da cidade constituídas pelas coletividades, marchantes, ensaiadores, coreógrafos, figurinistas, músicos e as estrelas anônimas dos bairros que, na sua dedicação e empenho, permitem a continuidade deste acontecimento cultural popular. Trata-se, enfim, de um conjunto de pessoas unidas pelo seu amor ao bairro onde vivem e que cada marcha representa. As festas que na sua origem aconteciam ao redor da Sé, Alfama e do Castelo na cidade de Lisboa, alargaram-se aos novos espaços urbanos.
O registro histórico relata que o primeiro concurso das marchas populares de Lisboa foi promovido pelo Diário de Lisboa e pelo Noticias Ilustrado no ano de 1932. Sublinha-se que o evento das marchas populares teve, desde a sua origem, a participação de veículos de comunicação de massa e a visão empreendedora de portugueses comprometidos com a criação de espaços de entretenimento com foco nas referências da cultura popular lisboeta além do seu aspecto comercial, que desde sua gênese teve patrocínios de empresas públicas e privadas.
O exemplo das 22 marchas populares em homenagem a Santo Antônio em Lisboa e das centenas de Quadrilhas Juninas no Nordeste do Brasil são, sem dúvida, um dos grandes ícones das festas dos santos juninos. Elas integram o cenário da festa numa perspectiva plural e diversificada em seu contexto organizacional, de mobilização e envolvimento da comunidade que representam. Elas se reinventam para assumir novos sentidos preservar marcas da tradição e criam novas linguagens e maneiras de se comunicar e motivar seus públicos alvos. Elas ajudam na composição da espetacularização da festa, são uma importante referência no universo do imaginário e discursivo na fabricação da festa junina nos espaços urbanos onde são vivenciados e representados.
Os megaeventos como a Festa dos Santos Populares em Portugal e dos Festejos Juninos no Nordeste do Brasil são espetáculos em que empresas públicas e privadas participam como organizadoras e patrocinadoras contribuindo para a criação de uma apresentação e refuncionalização da tradição. Buscam também edificar uma relação comunicacional nas quais exibem, via imagens, os produtos e serviços junto aos diferentes públicos, através de representações comunicativas simbólicas, onde o passado, o presente e o futuro são visibilizados como espetáculos em cenários multiculturais.
Evidenciamos que, no contexto das interfaces culturais tanto no Brasil como em Portugal, as festas populares do ciclo junino, nos espaços urbanos, são planejadas, montadas, executadas e comemoradas a partir das noções de pertencimento e de identidade da festa como uma marca cultural da cidade e como atração para o turismo cultural em níveis regional, nacional e internacional, onde a tradição e a modernidade convivem de maneira harmônica em uma mesma temporalidade espacial.
Severino Alves de Lucena Filho é professor do Departamento de Comunicação e Turismo da Universidade Federal da Paraíba. Pesquisador da Rede Brasileira de Folkcomunicação. Pos-Doutor pelo Departamento de Línguas e Culturas da Universidade de Aveiro em Portugal.
11 junho 2010
O PATRIMÓNIO É PASSADO OU É FUTURO?
No mesmo dia em que a arquitecta Teresa Adresen escrevia o artigo destacado na última entrada, o Jornal Público trazia na secção cultura uma entrevista com Simon Thurley, presidente do English Heritage (homólogo do nosso IPPAR) . A entrevista não contém nada de surpreendentemente inovador, mas a forma simples como um alto responsável pelo património britânico coloca as coisas merece ficar em memória no vistas. Mais não seja porque nesta, como em tantas outras matérias, o esquecimento é um dos nossos principais dramas.
Aqui fica então o excerto que mais gostei de ler (a entrevista na integra, fica em copia no corpo da entrada):
(...)
Público: Qual é o vosso principal objectivo?
Simon Thurley: Garantir que o "ambiente histórico" é passado às gerações futuras tal como chegou até nós ou melhor. Passamos muito tempo a identificar os bens que queremos salvar e as soluções para a sua conservação.
Público: O que é que quer dizer exactamente com "ambiente histórico"?
Simon Thurley: Preferimos usar "ambiente histórico" porque abarca tudo: paisagens,
jardins, parques, sítios arqueológicos, edifícios medievais, palácios
do século XVIII, arranha-céus dos anos 60.
(..)
Público: O que é que define o património?
Simon Thurley: As pessoas. Há dois erros comuns no que diz respeito ao património. O primeiro é pensar que é sobre edifícios - é sobre as pessoas e o que elas investem nos tijolos. O segundo é pensar que é sobre o passado -é sobre o futuro, o que ficará depois de nós desaparecermos.
(...)
Por outras palavras, O que é o Património? Aquilo que uma dada geração considera dever ser deixado para o futuro. Nesta formulação, é evidente que as responsabilidades não dizem apenas respeito a entidades publicas. dizem respeito a todos per si, e nesta matéria desconfio que os Portugueses pretendem de facto deixar muito pouco.
PÚBLICO - EDIÇÃO IMPRESSA - CULTURA
Director: José Manuel Fernandes
Directores-adjuntos: Nuno Pacheco e Manuel Carvalho
POL nº 5475
Terça, 22 de Março de 2005
"É a mudança que cria a história"
O presidente do English Heritage, o instituto britânico do património,
esteve em Portugal. Simon Thurley diz que o grande desafio é convencer
as pessoas a não trabalharem contra o desenvolvimento económico.
Para este especialista, "o património são as pessoas". E o futuro.
Por Lucinda Canelas
Simon Thurley, o presidente do English Heritage, o equivalente
britânico ao Instituto Português do Património Arquitectónico (Ippar),
esteve três dias em Portugal a visitar mosteiros e palácios. Ippar e
English Heritage assinaram um protocolo de cooperação porque, segundo
Thurley, têm muito a aprender um com o outro. Não é para menos:
Portugal e o Reino Unido nunca trabalharam juntos nesta área.
Thurley, 42 anos, dirige desde 2002 um dos maiores e mais conceituados
institutos do património do mundo - é responsável por mais de 400
monumentos e sítios, recebe do governo 177 milhões de euros por ano e
tem 11 milhões de visitantes.
Ex-director do Museu de Londres, Thurley diz que os britânicos se
interessam cada vez mais pelo património e que os organismos que o
tutelam se devem preocupar mais em "gerir a mudança" do que em tentar
impedir que ela aconteça. "O património são as pessoas e o que elas
investem nos tijolos."
É autor de livros sobre edifícios históricos e, considerado um
comunicador nato, já fez vários programas de televisão para a BBC
sobre património. Um deles, no ano passado, foi visto por mais de 1,5
milhões de pessoas. Um homem que fala da necessidade de comunicar e
ter lucro sem complexos.
PÚBLICO - O que é que aproxima o English Heritage e o Ippar?
SIMON THURLEY - O English Heritage já trabalhou com todos os países da
Europa dos 15 à excepção de Portugal, o que é muito estranho. Pelo que
pude perceber, são provavelmente mais parecidos que qualquer outras
duas organização de património da Europa: ambos têm de cuidar de
monumentos, classificar edifícios e planear.
Que projectos quer realizar com o Ippar?
Ainda é cedo para adiantar pormenores. A maioria dos sítios do English
Heritage são muito mais comerciais do que os do Ippar. E nós temos
muito a aprender com a forma como o Ippar classifica os edifícios.
Em que medida?
Em Portugal, o processo de classificação é público, o proprietário é
consultado. Em Inglaterra tudo é feito em segredo. Só se sabe que o
edifício foi classificado quando o proprietário recebe uma carta. Não
devia ser assim. O sistema português, que é mais discutido, é melhor,
apesar de mais burocrático.
No Reino Unido quanto tempo demora classificar um edifício?
Uma semana, um mês...
Em Portugal pode levar dez anos...
É um dos custos da consulta pública. Gostávamos de ter um sistema que
não fosse tão lento como o vosso mas igualmente aberto.
Qual é o vosso principal objectivo?
Garantir que o "ambiente histórico" é passado às gerações futuras tal
como chegou até nós ou melhor. Passamos muito tempo a identificar os
bens que queremos salvar e as soluções para a sua conservação.
O que é que quer dizer exactamente com "ambiente histórico"?
Preferimos usar "ambiente histórico" porque abarca tudo: paisagens,
jardins, parques, sítios arqueológicos, edifícios medievais, palácios
do século XVIII, arranha-céus dos anos 60.
Quantos bens têm de gerir?
Temos 420 sítios de gestão directa abertos ao público. Mas temos cerca
de 400 mil edifícios classificados e 30 mil sítios arqueológicos.
Quais são os principais desafios que o património britânico enfrenta?
A Inglaterra está a atravessar um período de profundas transformações
económicas, o que cria uma grande pressão nas infra-estruturas:
estradas, aeroportos. Todos estes equipamentos têm potencial para
afectar o património. O nosso desafio é fazer com que estas
transformações melhorem o "ambiente histórico".
Qual é a chave para conciliar "ambiente histórico" e desenvolvimento económico?
Convencer as pessoas de que é melhor trabalhar com o "ambiente
histórico" do que contra ele.
O financiamento não é um problema?
É um problema enorme. Este ano recebemos do Governo 177 milhões de
euros e tivemos de receitas próprias 72,4 milhões. Mas as
contribuições do Governo estiveram congeladas durante dez anos...
Os trabalhistas apoiam o património?
Não temos sido bem financiados, mas espero que no futuro venhamos a
ser porque o nosso trabalho é reconhecido assim como o papel social do
património.
Qual é o vosso ponto forte?
A mais-valia está na nossa grande experiência comercial. O sistema de
protecção do património costumava ser um dos mais avançados. Hoje não
é. É por isso que é preciso reformá-lo.
Que reforma é essa?
A conservação tinha a ver com preservação - impedir que as coisas
acontecessem. O que queremos agora é mudar a forma como as pessoas
pensam a conservação - ela tem sobretudo a ver com a gestão da
mudança. É ela que cria a história e, por isso, o "ambiente
histórico". Temos de ajudar as pessoas, que se interessam cada vez
mais pelo património, a aceitar a mudança.
Como é que explica esse interesse?
Com a própria mudança. O desenvolvimento económico faz com que as
pessoas olhem para trás à procura do que é permanente.
O que é que define o património?
As pessoas. Há dois erros comuns no que diz respeito ao património. O
primeiro é pensar que é sobre edifícios - é sobre as pessoas e o que
elas investem nos tijolos. O segundo é pensar que é sobre o passado -
é sobre o futuro, o que ficará depois de nós desaparecermos.
LIMPEZA DA COSTA
Quando há semanas se falou tanto no dia de LIMPAR PORTUGAL nós por aqui sorrimos de satisfação. É que a Associação de Defesa do Património e o Espeleo-Clube, ambos de Torres Vedras, lançaram há 15 anos uma iniciativa: a limpeza da costa, normalmente no dia mundial do Ambiente, em Junho ou em data próxima.As escolas do concelho aderiram com entusiasmo, a Câmara Municipal disponibilzou meios e a iniciativa passou a realizar-se todos os anos. Este foi o 15º do chamado COSTA VIVA.
Muitas dezenas de jovens percorreran as dunas e as arribas de Santa Rita e do Seixo, a recolherem lixo. No final houve um almoço no pinhal de Santa Cruz.
Uma evidência: a quantidade de lixo tem vindo a diminuir de ano para ano. Isso deve-se às campanhas de sensibilização e a estas iniciativas persistentes.
Algumas fotos deste ano, no dia 7 de Junho:

















