20 julho 2010

Linhas de Torres Vedras

Julgamos oportuno divulgar este apontamento de vídeo criado pela Câmara Municipal de Torres Vedras.

Vemo-lo com muitas reservas. De facto, fazendo nós parte de grupo das associações que participaram na elaboração do programa comemorativo do bicentenário das Linhas de Torres Vedras, não fomos vistos nem achados para as decisões relativas ao Centro Interpretativo. Tal como as restantes associações.

A decisão foi tomada pelo anterior executivo municipal, sem consensos (toda a oposição votou contra), sem discussão pública, sem debate entre os cidadãos interessados.

Já denunciámos publicamente este projecto nas páginas do jornal BADALADAS. Consideramos que a sua localização é errada e o seu desenho aponta para uma construção dispendiosíssima, de um exibicionismo chocante, completamente contrário ao fim em vista, além de começar por propor um edificío sem que ninguém saiba qual o projecto museológico que lhe está subjacente.

Apontamos para outro tipo de solução, muito mais barata e adequada, perto do Forte de S. Vicente, com leitura visual das Linhas desde o Forte do Alqueidão até perto da costa, num projecto que seja participado pelas populações e que corresponda a um programa museológico previamente delineado.

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Transcrevemos aqui o artigo publicado no Badaladas no início deste ano:

O CENTRO INTERPRETATIVO DAS LINHAS DE TORRES

E A SUA LOCALIZAÇÃO

Sobre o projecto de um centro interpretativo das Linhas de Torres aprovado pela Câmara em Março de 2007, na zona norte da cidade, têm surgido neste jornal vários artigos de opinião, questionando o processo seguido, e, sobretudo, a sua localização no morro da Forca.

Posições pertinentes, oriundas de gente abalizada, com provas dadas nos campos da reflexão político-cultural (Rui Matoso), do planeamento urbanístico (António João Bastos), da prática política (Jorge Ralha) e da historiografia (Henrique Vieira). São opiniões que, em qualquer circunstância, devem contar.

E são posições que, na sua generalidade, esta associação partilha.

SOBRE O PROCESSO

Desde o anúncio sensacionalista surgido na primeira página do Badaladas, ilustração de página inteira, que nos pareceu haver algo de errado neste processo. É consensual que em qualquer obra, primeiro estabelece-se o conteúdo e depois procura-se a forma. Ora, aqui dá-se o inverso: - é proposta uma forma exterior (um boneco) sem que nada se saiba sobre o programa museológico – que espólio se vai expor, que narrativa é que se vai contar, que aspectos vão ser acentuados, a que tipo de público se vai dirigir, que valências/funções vai contemplar, que meios tecnológicos se vão utilizar.

E, não menos importante, quem o vai fazer?

Falta, pois, o Guião para se fazer o Filme!

Sobre a atitude que subjaz a este procedimento, por parte dos autores, muito haveria certamente a questionar, desde logo o significado da “oferta” de um projecto deste tipo. Mas não é esse o objectivo deste texto, para já.

Trata-se, de qualquer modo, de um equipamento cultural que diz respeito à comunidade, que implica diferentes valências e deverá ser objecto de várias contribuições.

SOBRE A LOCALIZAÇÃO

Interessa-nos aqui focar essencialmente a questão do local, que constitui já por si um factor interpretativo, sobretudo quando está em causa uma realidade histórico-geográfica como foi o complexo de fortificações que travou o exército de Massena.

O REDUTO DA FORCA

O morro da Forca insere-se num dos espaços geográficos mais simbólicos do complexo defensivo das Linhas – o triângulo S.Vicente, Castelo, Forca – que defendia a estrada de Coimbra para Lisboa, às portas de Torres Vedras. Contém vestígios do que terá sido um reduto fortificado,

Nesse sentido, é um local elegível para o efeito

Encontra-se, no entanto, muito adulterado na forma que tinha à data dos acontecimentos. A sua configuração é apenas observável a partir de alguns relevos muito esbatidos no terreno. A escarpa a norte, outrora impressionante como barreira natural, encontra-se hoje muito alterada pelos cortes efectuados para a construção das vias ferroviária e rodoviária, assim como pela proximidade de equipamentos comerciais recentes, criando uma vizinhança incómoda, como muito pertinentemente referiu J. Ralha. Assim, o que seria relevante do ponto de vista interpretativo – a ideia de barreira – está largamente comprometido face à dificuldade de leitura da actual configuração e ao ruído do aparato comercial.

Por outro lado, como refere A.J. Bastos, existem incompatibilidades com o PDM, a nível dos índices de construção previstos para a área – verde ecológico urbano – que implicam uma baixa percentagem da área de construção.

Movidos pela curiosidade deste argumento, quisemos certificar-nos da disponibilidade do espaço existente.

E, in loco, percebe-se claramente que o espaço disponível é insuficiente para receber um equipamento desta natureza, o qual supõe acessos fáceis, parques de estacionamento para ligeiros e autocarros, etc. O cimo do morro ficou reduzido a uma magra faixa de terreno, depois do corte efectuado para a construção de uma superfície comercial.

Fica-se, pois, com a sensação de que quem projectou e quem aprovou não conhecia bem a área.

Percebe-se, no entanto, a tentação que levou à sua escolha: - Se, como acima se referiu, a sua encosta norte está descaracterizada, impossibilitando uma leitura da estratégia militar de defesa, é certo que a vista de sul (desde o centro da cidade) está desimpedida e a implantação do edifício no alto do morro criaria um forte impacto visual, criando uma referência urbana positiva. Além de que a forma proposta garantia uma forte visibilidade, suscitando alguma curiosidade no habitante e no visitante.

Para quem elege a cultura-espectáculo até se percebe…!

O FORTE DE S. VICENTE

Se o objectivo é dar a conhecer as Linhas de Torres há que procurar como é que a geografia e o património construído nos permitem, ainda hoje, perceber o modo como se tentou obstar ao avanço das forças invasoras. Isto implica desde logo dois modos de abordagem: - uma visão de proximidade sobre os elementos que pontuavam as ditas linhas – os fortes, que nos fornecem elementos sobre as estratégias de defesa e combate; e uma visão de conjunto ou de largo alcance sobre o conjunto de elevações, que desde Torres Vedras se podem enxergar, e nos permitem perceber o próprio conceito de “linhas defensivas”.

Só depois, haverá que recorrer a outros auxiliares – museológicos, didácticos – para completar o quadro perceptivo dos acontecimentos – os mapas, o armamento, as fardas, as gravuras da época, a narração dos factos, os dados quantitativos, e outros elementos – que são tarefa do tal Centro Interpretativo. Com mais ou menos informática!

Ora, existe um local de eleição para fazer tudo isto – o Forte de S. Vicente!

O estado de conservação das suas estruturas e a sua altitude respondem aos dois primeiros requisitos que acima referimos, permitindo a observação de um dos mais importantes locais de aquartelamento e proporcionando uma ampla visão sobre uma parte considerável das linhas, para leste e para oeste. Dali divisa-se toda a cidade, o rio Sizandro, o Varatojo, o Monte da Archeira, a Serra do Socorro, o Sobral de Monte Agraço, etc.)

Quem sobe ao monte de S. Vicente percebe o essencial das Linhas!

Por outro lado existe nas proximidades um outro Reduto, em bom estado de conservação – o Forte dos Olheiros.

Existem acessos – e espaço para outros – bem como terreno disponível nas imediações, capazes de suportar uma edificação com suas áreas de apoio envolventes Estamos a pensar na encosta sul do monte, em local aprazível, de boa visibilidade desde a cidade e da circular poente - aspecto importante para o projecto e desfrutando de panorâmica grandiosa sobre a cidade e paisagem em redor.

É legítimo, pois, concluir que este é o local mais significativo e mais apropriado para receber um Centro Interpretativo das Linhas de Torres.

Isto se o conhecimento da História for o objectivo primeiro!

Janeiro de 2010 A Direcção da ADDPCTV

15 julho 2010

Jornadas Europeias do Património 2010.


Património: Um Mapa da História



As Jornadas Europeias do Património, iniciativa do Conselho da Europa e da União Europeia, realizam-se anualmente no mês de Setembro, tendo como principal objectivo sensibilizar a população para a importância da protecção e da valorização do Património.

Em Portugal, as Jornadas Europeias do Património realizar-se-ão este ano nos dias 24, 25 e 26 de Setembro.

O IGESPAR, coordenador nacional do evento, lançou o tema “PATRIMÓNIO: UM MAPA DA HISTÓRIA”, pretendendo vincar a estreita relação entre os sítios patrimoniais e os acontecimentos históricos que lhes estão associados. O Património, nas suas diferentes manifestações, documenta um percurso espaço-tempo das sociedades; viajar pelas cidades, percorrer o território observando vestígios, interpretando os cenários urbanos e rurais de factos históricos e políticos, da humanização das paisagens, da produção técnica e científica, literária ou artística, é como ter, entre mãos, um inesgotável mapa que nos ajuda a entender de onde viemos e a escolher para onde podemos seguir.

O IGESPAR convida as entidades públicas e privadas a associarem-se a esta iniciativa através da organização e implementação de acções e actividades que estimulem a aproximação física e emocional do público aos monumentos, conjuntos e sítios, incentivando-o a conhecer e explorar, no património, o mapa da História.



Sugestões de actividades culturais:

- visitas g uiadas e temáticas;

- espectáculos artísticos (música, dança, teatro, circo;

- exposições de artes plásticas e visuais;

- concertos e apontamentos musicais (música antiga e contemporânea);

- animação de rua, recriações e encenações históricas;

- workshops, palestras, conferências, debates e seminários;

- maratonas fotográficas;

- sessões de leitura;

- rotas patrimoniais, itinerários culturais, peddy-papers e rally-papers;

- ateliers lúdicos e oficinas pedagógicas;

- jogos tradicionais, de época e jogos de descoberta;

- feiras e festivais;

- lançamento de publicações;

- documentários, filmes.

As propostas de actividades deverão ser enviadas até ao dia 30 de Julho.

11 julho 2010

PATRIMÓNIO CLASSIFICADO DO CONCELHO DE TORRES VEDRAS

Para uma consulta rápida, aqui fica a lista do património arqueológico e arquitectónico, com a respectiva classificação:

1. PATRIMÓNIO ARQUEOLÓGICO

Monumentos nacionais:

  • Castro do Zambujal (Santa Maria)
  • Tholos do Barro ou da Pena - Monumento funerário do Eneolítico (S. Pedro e Santiago)
  • Gruta Artificial da Época Calcolítica da Ermegeira (Maxial)
Imóveis de Interesse Público:

  • Castro da Fórnea ( Matacães)
  • Duas grutas junto à Maceira (Maceira)
2. PATRIMÓNIO ARQUITECTÓNICO

Monumentos Nacionais:
  • Elementos românicos da Igreja de Santa Maria do Castelo (perímetro urbano de TVedras)
  • Ermida de Nossa Senhora do Ameal (id)
  • Chafariz dos Canos (id)
  • Igreja de S. Pedro (id)
  • Aqueduto de Torres Vedras (id)
  • Mosteiro do Varatojo (arredores de T Vedras)

Imóveis de Interesse Público:

  • Ruínas do Convento de Penafirme (A-dos-Cunhados)
  • Ermida de Nª Sª da Purificação, no Sirol ( Dois Portos )
  • Igreja de S. Pedro de Dois Portos
  • Igreja de Nª Sª da Oliveira ( Matacães )
  • Quinta das Lapas ( Monte Redondo )
  • Edifício do antigo Asilo de Veteranos Militares de Runa ( Runa )
  • Castelo de Torres Vedras ( Perímetro urbano de TVedras)
  • Capela e Forte de S. Vicente ( arredores de TVedras)
  • Igreja e Convento da Graça (perímetro urbano de TVedras)
  • Azenha de Santa Cruz ( Silveira)
  • Igreja de Santa Mª Madalena ( Turcifal )
  • Povoado da Serra do Socorro e capela de Nª Sª do Socorro ( Turcifal )
Imóveis em Vias de Classificação:
  • Igreja de S. Lucas ( Freiria )
  • Ermida e sítio do Senhor Jesus do Calvário ( Matacães )
  • Moinho da Gondruzeira ( Ponte de Rol )
  • Igreja de Santiago ( perímetro urbano de TVedras )
  • Capela do Sanatório do Barro ( S. Pedro e Santiago )
  • Reduto dos Olheiros ( S. Pedro e Santiago )
  • Capela do Espírito Santo ( Turcifal )
Imóveis de Valor Concelhio:

  • Casa da Quinta Nova ( Matacães )
  • Residência solarenga da Quinta do Juncal ( Matacães )

10 julho 2010

PLANO DIRECTOR MUNICIPAL DE TORRES VEDRAS - 2006

No PLANO DIRECTOR MUNICIPAL DE TORRES VEDRAS - 2006 podemos encontrar a enumeração do património arqueológico e edificado do concelho, com as respectivas classificações, assim como a referência à legislação. Comecemos por esta:


«LEGISLAÇÃO APLICÁVEL


. Decreto nº 20985/1932 de 7 de Março – Protecção, conservação, restauro dos monumentos nacionais e imóveis de interesse público e sua classificação.

. Decreto-Lei nº 46349/1965 de 2 de Maio – Determina que, em casos especiais, os monumentos
nacionais e os imóveis de interesse público poderão ter zonas de protecção superiores a 50 metros.

. Decreto-Lei nº 116-B/76 de 9 de Fevereiro – Altera o artº. 44º do Decreto nº 20985 e determina que os proprietários de imóveis classificados são obrigados a realizar obras de conservação.

. Decreto-lei nº 205/88 de 16 de Junho – Define quais os técnicos que podem assinar projectos em zonas de protecção de monumentos nacionais e imóveis de interesse público.

. Decreto-Lei nº 426/89 de 6 de Dezembro – Promulga o regulamento de segurança contra incêndios de centros históricos antigos.

. Dec. nº 29/90 de 17 de Julho – Classifica diversos imóveis como monumentos nacionais e imóveis de interesse público.

. Dec. Nº 26-A/92 de 1 de Junho – Procede à classificação de imóveis arqueológicos como monumentos nacionais, imóveis de interesse público e imóveis de interesse concelhio.

. Decreto-Lei nº 284/93 de 18 de Agosto – Nova Lei Orgânica da DGEMN.

. Decreto-Lei nº 67/97 de 31 de Dezembro – Classifica como monumentos nacionais, imóveis de interesse público e imóveis de valor concelhio vários imóveis de relevante interesse arquitectónico e arqueológico.

. Lei nº 159/99 de 14 de Setembro – Estabelece o quadro de transferência de atribuições e competências para as autarquias locais.

. Decreto do Presidente da República nº 74/97 de 16/12 – Convenção Europeia para a Protecção do Património Arqueológico (Revista).

. Decreto-Lei nº 117/97 de 14 de Maio – Lei Orgânica do Instituto Português de Arqueologia.

. Decreto-Lei nº 270/99 de 15 de Julho – Regulamento de Trabalhos Arqueológicos, e Decreto-Lei nº 287/00 de 10/11, com alterações ao Decreto-Lei anterior.

. Decreto-Lei nº 164/97 de 27 de Junho – Património Cultural Subaquático.

. Lei nº 121/99 de 20 de Agosto – Utilização de detectores de metais.

. Lei nº 107/2001 de 8 de Setembro – Estabelece as bases da política e regime de protecção e valorização do património cultural.

. Decreto-Lei nº 120/97 de 16 de Maio – Lei Orgânica do Instituto Português do Património Arquitectónico.

. Decreto-Lei nº 131/2002 de 11 de Maio – Estabelece a forma de criação e gestão de parques
arqueológicos, bem como os objectivos, o conteúdo material e o conteúdo documental do Plano de Ordenamento do parque arqueológico.

ENTIDADE COM JURISDIÇÃO

Compete ao Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR) conduzir os processos de

classificação e dar parecer sobre os pedidos de alteração, restauro, demolição e alienação de imóveis classificados, quer estes sejam propriedade particular ou do Estado.

Quando os imóveis pertencem ao Estado, compete à Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais executar as obras de restauro e eventualmente os respectivos projectos, que não estão sujeitos a licenciamento municipal.

Nas zonas de protecção de imóveis classificados, as Câmaras Municipais ou outras entidades não podem licenciar quaisquer obras sem prévio parecer favorável do IPPAR.

Compete à DGEMN, no domínio da salvaguarda e valorização do património arquitectónico, o
planeamento, concepção e execução das acções de valorização, recuperação e conservação dos bens imóveis classificados não afectos ao IPPAR.

No que respeita ao Património Arqueológico não classificado, compete ao Instituto Português de
Arqueologia efectuar os estudos e trabalhos relativos aos vestígios arqueológicos julgados necessários, para se proceder ao seu estudo de salvaguarda.»

Observe-se que entretanto o IPPAR passou a IGESPAR, com as respectivas alterações, que podem ser encontradas AQUI.

30 junho 2010

NA FEIRA de S. PEDRO 2010


Maqueta do reduto nº 20 do Forte de S. Vicente,  escala de 1/72, construída pelo Zé Pedro Sobreiro e o Carlos Ferreira. Trabalho bonito e motivador de muitas conversas com os visitantes.




O olhar curioso dos meninos é o melhor prémio para um trabalho de muitas dezenas de horas, ao longo de muitos serões...


23 junho 2010

FEIRA DE S. PEDRO











A nossa Associação vai estar presente.
Qual será a surpresa deste ano?
Deu muito trabalho... O Carlos Ferreira e o Zé Pedro que digam.
O melhor será ir lá ver. Estamos no Pavilhão multi-usos, o que fica mais próximo do Mercado Municipal.

16 junho 2010

UM TEXTO OPORTUNO



Retirámos DAQUI este texto que nos parece oportuno e relevante. Porque estamos em Junho... E porque se trata de património cultural.

Festas juninas – De Portugal ao Nordeste


Artigos • Nacional • 23 de maio de 2010 por Silvana Losekann

Professor da UFPB, Severino Alves de Lucena Filho traça um paralelo entre as festas juninas do Nordeste de hoje com as festas dos santos populares de Lisboa (Portugal), que passa pelo mesmo processo de modernização.

As festas juninas são uma herança pré-cristã, cujas marcas ainda são visíveis, apesar da ação da hierarquia da Igreja Católica para cristianizar as comemorações do equinócio. Sublinha-se a migração de portugueses para o Brasil que determinou a releitura da festa levando em consideração as condições ecológicas do hemisfério sul. A dinâmica cultural em ambas as margens do Atlântico determinou mudanças nas comemorações juninas a fim de compatibilizar com a sociedade atual no contexto da globalização, com a mudança de valores de forma acelerada.

Sublinha-se que no Brasil e em Portugal os eventos em louvor aos Santos Populares são concebidos como a uma festa urbana em constante movimento de criação, recriação, apropriações e conservação da tradição e como um acontecimento regional e construtor de identidades. Um acontecimento, não apenas para ser vivido, mas, sobretudo para ser visto e consumido pelas comunidades e visitantes durantes as festas do ciclo junino.

Nas folias juninas no Nordeste do Brasil, além das cerimônias religiosas, do banquete junino destacam-se as danças que se tornaram a mais expressiva manifestação folclórica, buscando preservar marcas da cultura popular rural, ao mesmo tempo em que se vive a modernização, percebida nos trajes, nas músicas e, em especial, nas coreografias modernosas.

As danças vivenciadas no ciclo de São João são uma das características mais marcantes dos festejos juninos. Referimo-nos entre outras, à quadrilha, o baião, o xaxado, o xote, o coco, o forró e o arrasta-pé. Estas são apresentadas em grupos de danças ou mostradas de forma espontânea nas comunidades, com objetivos de entretenimento e comemoração.

A quadrilha se destaca por ser um dos símbolos mais constantes no evento do ciclo junino. Esta dança, de origem europeia, chegou ao Brasil trazida pelos colonizadores portugueses. Era uma dança de elite, formada nos salões dos palácios. Depois desceu as escadarias do palácio e caiu no gosto popular, sofrendo várias modificações estética, musical e coreográfica.

A quadrilha é o baile de comemoração do casamento. Esta representação inseriu-se na dinâmica da cultura, passando por criações e recriações estabelecendo certa tradição como forma de preservar as origens, embora contaminada pela modernização pelo poder da mídia, do capitalismo.

As centenas de quadrilhas juninas na atualidade se apresentam durantes as festas do ciclo junino no Nordeste do Brasil como operetas com performances carnavalizadas para atender as exigências das empresas de comunicação organizadoras dos festivais de quadrilhas em níveis nacional, regional e municipal.

Nesse contexto de apropriações e refuncionalização dos elementos da cultura rural, sublinha-se que não devemos ter uma visão radical e saudosista com relação à manifestação segundo a tradição. È importante levarmos em consideração o momento de grandes transformações culturais. Registra-se também que elas promovem a aglutinação da juventude nas periferias como também a valorização, a inclusão social além de movimentarem a roda da economia do mercado informal na comunidade onde atuam.

Em Portugal, as festas em louvor dos Santos Populares (Santo Antônio, São João e São Pedro) festejam-se durante o mês de junho. Em especial, a de Santo Antônio é o maior acontecimento etnográfico lisboeta. Lisboa à luz destes festejos populares se constitue em um mosaico de vários elementos marcantes da urbanidade e das marcas cotidianas que habitam nos lugares, ruas, vielas, escadas que a edificam na singularidade de todas suas gentes e de todas as suas crenças.

As marchas populares, que constituem o ponto alto dos festejos em comemoração a Santo Antônio, são um evento aglutinador de centenas de pessoas, forças vivas da cidade constituídas pelas coletividades, marchantes, ensaiadores, coreógrafos, figurinistas, músicos e as estrelas anônimas dos bairros que, na sua dedicação e empenho, permitem a continuidade deste acontecimento cultural popular. Trata-se, enfim, de um conjunto de pessoas unidas pelo seu amor ao bairro onde vivem e que cada marcha representa. As festas que na sua origem aconteciam ao redor da Sé, Alfama e do Castelo na cidade de Lisboa, alargaram-se aos novos espaços urbanos.

O registro histórico relata que o primeiro concurso das marchas populares de Lisboa foi promovido pelo Diário de Lisboa e pelo Noticias Ilustrado no ano de 1932. Sublinha-se que o evento das marchas populares teve, desde a sua origem, a participação de veículos de comunicação de massa e a visão empreendedora de portugueses comprometidos com a criação de espaços de entretenimento com foco nas referências da cultura popular lisboeta além do seu aspecto comercial, que desde sua gênese teve patrocínios de empresas públicas e privadas.

O exemplo das 22 marchas populares em homenagem a Santo Antônio em Lisboa e das centenas de Quadrilhas Juninas no Nordeste do Brasil são, sem dúvida, um dos grandes ícones das festas dos santos juninos. Elas integram o cenário da festa numa perspectiva plural e diversificada em seu contexto organizacional, de mobilização e envolvimento da comunidade que representam. Elas se reinventam para assumir novos sentidos preservar marcas da tradição e criam novas linguagens e maneiras de se comunicar e motivar seus públicos alvos. Elas ajudam na composição da espetacularização da festa, são uma importante referência no universo do imaginário e discursivo na fabricação da festa junina nos espaços urbanos onde são vivenciados e representados.

Os megaeventos como a Festa dos Santos Populares em Portugal e dos Festejos Juninos no Nordeste do Brasil são espetáculos em que empresas públicas e privadas participam como organizadoras e patrocinadoras contribuindo para a criação de uma apresentação e refuncionalização da tradição. Buscam também edificar uma relação comunicacional nas quais exibem, via imagens, os produtos e serviços junto aos diferentes públicos, através de representações comunicativas simbólicas, onde o passado, o presente e o futuro são visibilizados como espetáculos em cenários multiculturais.

Evidenciamos que, no contexto das interfaces culturais tanto no Brasil como em Portugal, as festas populares do ciclo junino, nos espaços urbanos, são planejadas, montadas, executadas e comemoradas a partir das noções de pertencimento e de identidade da festa como uma marca cultural da cidade e como atração para o turismo cultural em níveis regional, nacional e internacional, onde a tradição e a modernidade convivem de maneira harmônica em uma mesma temporalidade espacial.

Severino Alves de Lucena Filho é professor do Departamento de Comunicação e Turismo da Universidade Federal da Paraíba. Pesquisador da Rede Brasileira de Folkcomunicação. Pos-Doutor pelo Departamento de Línguas e Culturas da Universidade de Aveiro em Portugal.



11 junho 2010

O PATRIMÓNIO É PASSADO OU É FUTURO?




O que é o património? Eis algumas respostas simples, por Simon Thurley


No mesmo dia em que a arquitecta Teresa Adresen escrevia o artigo destacado na última entrada, o Jornal Público trazia na secção cultura uma entrevista com Simon Thurley, presidente do English Heritage (homólogo do nosso IPPAR) . A entrevista não contém nada de surpreendentemente inovador, mas a forma simples como um alto responsável pelo património britânico coloca as coisas merece ficar em memória no vistas. Mais não seja porque nesta, como em tantas outras matérias, o esquecimento é um dos nossos principais dramas.

Aqui fica então o excerto que mais gostei de ler (a entrevista na integra, fica em copia no corpo da entrada):

(...)

Público: Qual é o vosso principal objectivo?

Simon Thurley: Garantir que o "ambiente histórico" é passado às gerações futuras tal como chegou até nós ou melhor. Passamos muito tempo a identificar os bens que queremos salvar e as soluções para a sua conservação.

Público: O que é que quer dizer exactamente com "ambiente histórico"?

Simon Thurley: Preferimos usar "ambiente histórico" porque abarca tudo: paisagens,

jardins, parques, sítios arqueológicos, edifícios medievais, palácios

do século XVIII, arranha-céus dos anos 60.

(..)

Público: O que é que define o património?

Simon Thurley: As pessoas. Há dois erros comuns no que diz respeito ao património. O primeiro é pensar que é sobre edifícios - é sobre as pessoas e o que elas investem nos tijolos. O segundo é pensar que é sobre o passado -é sobre o futuro, o que ficará depois de nós desaparecermos.

(...)

Por outras palavras, O que é o Património? Aquilo que uma dada geração considera dever ser deixado para o futuro. Nesta formulação, é evidente que as responsabilidades não dizem apenas respeito a entidades publicas. dizem respeito a todos per si, e nesta matéria desconfio que os Portugueses pretendem de facto deixar muito pouco.

PÚBLICO - EDIÇÃO IMPRESSA - CULTURA

Director: José Manuel Fernandes

Directores-adjuntos: Nuno Pacheco e Manuel Carvalho

POL nº 5475
Terça, 22 de Março de 2005

"É a mudança que cria a história"

O presidente do English Heritage, o instituto britânico do património,

esteve em Portugal. Simon Thurley diz que o grande desafio é convencer

as pessoas a não trabalharem contra o desenvolvimento económico.

Para este especialista, "o património são as pessoas". E o futuro.

Por Lucinda Canelas

Simon Thurley, o presidente do English Heritage, o equivalente

britânico ao Instituto Português do Património Arquitectónico (Ippar),

esteve três dias em Portugal a visitar mosteiros e palácios. Ippar e

English Heritage assinaram um protocolo de cooperação porque, segundo

Thurley, têm muito a aprender um com o outro. Não é para menos:

Portugal e o Reino Unido nunca trabalharam juntos nesta área.

Thurley, 42 anos, dirige desde 2002 um dos maiores e mais conceituados

institutos do património do mundo - é responsável por mais de 400

monumentos e sítios, recebe do governo 177 milhões de euros por ano e

tem 11 milhões de visitantes.

Ex-director do Museu de Londres, Thurley diz que os britânicos se

interessam cada vez mais pelo património e que os organismos que o

tutelam se devem preocupar mais em "gerir a mudança" do que em tentar

impedir que ela aconteça. "O património são as pessoas e o que elas

investem nos tijolos."

É autor de livros sobre edifícios históricos e, considerado um

comunicador nato, já fez vários programas de televisão para a BBC

sobre património. Um deles, no ano passado, foi visto por mais de 1,5

milhões de pessoas. Um homem que fala da necessidade de comunicar e

ter lucro sem complexos.

PÚBLICO - O que é que aproxima o English Heritage e o Ippar?

SIMON THURLEY - O English Heritage já trabalhou com todos os países da

Europa dos 15 à excepção de Portugal, o que é muito estranho. Pelo que

pude perceber, são provavelmente mais parecidos que qualquer outras

duas organização de património da Europa: ambos têm de cuidar de

monumentos, classificar edifícios e planear.

Que projectos quer realizar com o Ippar?

Ainda é cedo para adiantar pormenores. A maioria dos sítios do English

Heritage são muito mais comerciais do que os do Ippar. E nós temos

muito a aprender com a forma como o Ippar classifica os edifícios.

Em que medida?

Em Portugal, o processo de classificação é público, o proprietário é

consultado. Em Inglaterra tudo é feito em segredo. Só se sabe que o

edifício foi classificado quando o proprietário recebe uma carta. Não

devia ser assim. O sistema português, que é mais discutido, é melhor,

apesar de mais burocrático.

No Reino Unido quanto tempo demora classificar um edifício?

Uma semana, um mês...

Em Portugal pode levar dez anos...

É um dos custos da consulta pública. Gostávamos de ter um sistema que

não fosse tão lento como o vosso mas igualmente aberto.

Qual é o vosso principal objectivo?

Garantir que o "ambiente histórico" é passado às gerações futuras tal

como chegou até nós ou melhor. Passamos muito tempo a identificar os

bens que queremos salvar e as soluções para a sua conservação.

O que é que quer dizer exactamente com "ambiente histórico"?

Preferimos usar "ambiente histórico" porque abarca tudo: paisagens,

jardins, parques, sítios arqueológicos, edifícios medievais, palácios

do século XVIII, arranha-céus dos anos 60.

Quantos bens têm de gerir?

Temos 420 sítios de gestão directa abertos ao público. Mas temos cerca

de 400 mil edifícios classificados e 30 mil sítios arqueológicos.

Quais são os principais desafios que o património britânico enfrenta?

A Inglaterra está a atravessar um período de profundas transformações

económicas, o que cria uma grande pressão nas infra-estruturas:

estradas, aeroportos. Todos estes equipamentos têm potencial para

afectar o património. O nosso desafio é fazer com que estas

transformações melhorem o "ambiente histórico".

Qual é a chave para conciliar "ambiente histórico" e desenvolvimento económico?

Convencer as pessoas de que é melhor trabalhar com o "ambiente

histórico" do que contra ele.

O financiamento não é um problema?

É um problema enorme. Este ano recebemos do Governo 177 milhões de

euros e tivemos de receitas próprias 72,4 milhões. Mas as

contribuições do Governo estiveram congeladas durante dez anos...

Os trabalhistas apoiam o património?

Não temos sido bem financiados, mas espero que no futuro venhamos a

ser porque o nosso trabalho é reconhecido assim como o papel social do

património.

Qual é o vosso ponto forte?

A mais-valia está na nossa grande experiência comercial. O sistema de

protecção do património costumava ser um dos mais avançados. Hoje não

é. É por isso que é preciso reformá-lo.

Que reforma é essa?

A conservação tinha a ver com preservação - impedir que as coisas

acontecessem. O que queremos agora é mudar a forma como as pessoas

pensam a conservação - ela tem sobretudo a ver com a gestão da

mudança. É ela que cria a história e, por isso, o "ambiente

histórico". Temos de ajudar as pessoas, que se interessam cada vez

mais pelo património, a aceitar a mudança.

Como é que explica esse interesse?

Com a própria mudança. O desenvolvimento económico faz com que as

pessoas olhem para trás à procura do que é permanente.

O que é que define o património?

As pessoas. Há dois erros comuns no que diz respeito ao património. O

primeiro é pensar que é sobre edifícios - é sobre as pessoas e o que

elas investem nos tijolos. O segundo é pensar que é sobre o passado -

é sobre o futuro, o que ficará depois de nós desaparecermos.

LIMPEZA DA COSTA

Desenho das camisolas que foram distribuídas pelos participantes



Quando há semanas se falou tanto no dia de LIMPAR PORTUGAL nós por aqui sorrimos de satisfação. É que a Associação de Defesa do Património e o Espeleo-Clube, ambos de Torres Vedras, lançaram há 15 anos uma iniciativa: a limpeza da costa, normalmente no dia mundial do Ambiente, em Junho ou em data próxima.As escolas do concelho aderiram com entusiasmo, a Câmara Municipal disponibilzou meios e a iniciativa passou a realizar-se todos os anos. Este foi o 15º do chamado COSTA VIVA.
Muitas dezenas de jovens percorreran as dunas e as arribas de Santa Rita e do Seixo, a recolherem lixo. No final houve um almoço no pinhal de Santa Cruz.

Uma evidência: a quantidade de lixo tem vindo a diminuir de ano para ano. Isso deve-se às campanhas de sensibilização e a estas iniciativas persistentes.

Algumas fotos deste ano, no dia 7 de Junho:


















Belíssima foto do Paulo Carocinho, a mostrar a fauna e a flora das dunas.

29 maio 2010

21 maio 2010

DE LUTO



Zé Almendro foi membro da nossa associação praticamente desde o início. Pertenceu à sua Direcção.
Há dois anos esteve muito doente mas recuperou. Embora debilitado, voltou a colaborar com o entusiasmo e o empenho de sempre.
Estava connosco no projecto para a presença da ADDPCTV na próxima Feira de S. Pedro, em Junho.
Ontem começámos os preparativos para aquele que seria mais um dos seus trabalhos preferidos: a construção de uma maqueta.
Hoje iríamos fazer a compra dos materiais.
Mas Zé Almendro deixou-nos à espera, foi traído pelo coração.
Para sempre! PARA SEMPRE!

José Luís Silveira Almendro.
Querido amigo!

01 maio 2010

UM LIVRO MUITO ÚTIL



TEXTO DA CONTRA-CAPA

«Os conceitos e as doutrinas sobre o património cultural evoluíram extraordinariamente ao longo do século XX e não permanecerão, obviamente, imutáveis no futuro.
O interesse pelo património arquitectónico e arqueológico, centrado inicialmente na preservação dos monumentos de maior significado histórico, alargou-se progressivamente a outras áreas (centros históricos, património rural, património industrial, jardins históricos, património cultural subaquático, etc). Mais recente¬mente, iniciou abordagens ao nível da globalidade da paisagem, tentando contrariar as agressões provocadas pelas rápidas e pouco qualificadas alterações urbanísticas das nossas cidades e pelas profundas alterações no meio ambiente. Esta publicação apresenta, para além de uma breve introdução sobre a evolução dos conceitos de salvaguarda do património arquitectónico e arqueológico, a tradução para português de 34 cartas, recomendações e convenções internacionais produzidas por organismos de grande projecção, como a UNESCO, o Conselho da Europa, o ICOMOS e outros. Uma listagem com uma centena de outras normas relevantes, uma bibliografia específica e um índice remissivo contribuem para que esta publicação seja de leitura obrigatória para estudantes, professores e profissionais ligados à salvaguarda do património arquitectónico e arqueológico.»

Lopes, Flávio; Correia, Miguel Brito, PATRIMÓNIO ARQUITECTÓNICO E ARQUEOLÓGICO - Cartas, Recomendações e Convenções Internacionais. Livros Horizonte, Lisboa, 2004.

28 abril 2010

PARABÉNS!

Ao VEDROGRAFIAS, do nosso associado Venerando de Matos.
Um blogue que perfaz um ano de vida. Tornou-se instrumento imprescindível para quem quer conhecer a História torriense.
Muitos parabéns!

16 abril 2010

CONGRESSO PATRIMÓNIO 2010


Congresso sobre o Património, a decorrer nos dias 14, 15 e 16 de Abril no Porto.
Ver pormenores AQUI

PATRIMÓNIO E CONTEMPORANEIDADE

Arttigo da revista PEDRA & CAL, nº 45, 1º trimestre de 2010:

Património e contemporaneidade

Fala-se muito, nos nossos dias, sobre "Património", "Conservação e Restauro", "Intervenções
com carácter contemporâneo", entre outros temas. Embora seja muito animador verificarmos
um crescente interesse por estes assuntos que finalmente despertam o justo interesse da nossa sociedade, sinal de que estão em plena ordem do dia, importa interrogarmo-nos sobre o que é o nosso património, o que representa, o respeito que deveremos ter por ele e que se reflecte, por exemplo, no tipo de intervenções a que o vamos submeter.

O património representa, em termos gerais, uma herança, um conjunto de bens naturais ou culturais, de importância reconhecida num determinado lugar, região, país ou, até, da humanidade. O caso particular do património arquitectónico engloba todos os monumentos, conjuntos arquitectónicos e sítios. Representa a herança cultural de um povo, com os seus costumes e a sua história. Também se aplica às obras modestas que, com o tempo, adquiriram significado cultural. Conseguimos, as¬sim, identificar imediatamente um monumento ou um sítio nas regiões por onde os nossos antepassados andaram e deixaram memória. É esse o objectivo que se pretende atingir: salvaguardar a herança arquitectónica e cultural de um povo intervindo nela com respeito pelas suas origens, de modo a preservar as partes ou características que transmitem o seu valor histórico, cultural, arquitectónico e simbólico.

É do conhecimento comum o mau estado em que se encontra uma grande parte dos nossos monumentos, conjuntos arquitectónicos e sítios, fruto do abandono, de acidentes, de maus critérios de intervenção, entre outros factores. As razões destes problemas perdem-se no tempo. Poder-se-á referir, por exemplo, o desconhecimento das técnicas tradicionais, postas em causa nos últimos tempos com o desaparecimento da mão-de-obra especializada, e o ritmo cada vez mais elevado exigido à construção nos nossos dias.

No final do século passado, e durante muitos anos, verificou-se um ritmo descontrolado de construção nova, de baixo nível de qualidade, com o abandono e consequente degradação das construções e centros históricos.

Com a construção de novos edifícios para habitação e das grandes superfícies comerciais na periferia dos centros urbanos, os centros históricos ficaram cada vez mais desertificados, não favorecendo a preservação dos valores culturais, ao contrário dos centros históricos de uma grande parte das cidades europeias. Esta situação originou o abandono, delinquência e desmotivação das pessoas que nos visitam, com reflexos em termos económicos e na imagem que é transmitida. Actualmente, verifica-se, paulatinamente, uma revolução na mentalidade dos cidadãos, em parte fruto da crise no investimento na construção nova e, também, de uma nova maneira de olhar para o nosso património e de o entender. São tempos de reflexão, de acerto de estratégia, considerando a reabilitação como a saída natural para a crise criada com a estratégia errada nos finais do século passado.

Com o alargamento da Europa, em termos de unidade europeia, na sequência da Carta de Veneza e de vária produção doutrinária internacional, surgiu, em 2000, a Carta de Cracóvia. Esta vem sublinhar a grande diversidade das múltiplas identidades que constituem a Europa actual e assegurar o respeito e a coexistência de todas as diferentes identidades, de modo a que o projecto de conservação e restauro do património construído reflicta uma evolução dos seus valores sociais e científicos.
Na conservação dos monumentos e edifícios com valor histórico terá de se ter em conta a sua autenticidade e integridade.

As decisões e escolhas a fazer deverão equacionar-se numa perspectiva de fruição futura, acompanhando o alargamento do conceito de património construído, considerando os vários conceitos de manutenção, reparação, restauro, renovação e reabilitação, bem como a sua consideração em cada caso específico de intervenção. Para estes objectivos poderem ser atingidos, de modo a não se cometerem os mesmos erros do passado, deverá ser encorajado o recurso a novas tecnologias e novas práticas, fazendo uso dos critérios de eficácia, compatibilidade, durabilidade, reversibilidade e, também, eficiência, de uma forma responsável e sustentada. A sustentabilidade é, segundo Chrisna du Plessis, "o regime capaz de permitir a existência continuada do ser humano, possibilitando uma vida segura, saudável e produtiva às sucessivas gerações, em harmonia com a natureza e com os valores culturais e espirituais locais".

Por último, mas não menos importante para a salvaguarda do nosso património construído, as intervenções deverá ser sempre executadas por empresas com qualificação específica, devendo o lançamento de concursos de obras de intervenção ser realizado em moldes que assegurem que os concorrentes possuem a necessária qualificação. Este requisito vem, aliás, na sequência das cartas e declarações internacionais, que o nosso país subscreveu e se comprometeu a implementar. Não nos podemos esquecer de que o nosso património é a nossa herança, o que recebemos dos nossos antepassados, mas, também, é o que, por sua vez, iremos deixar aos nossos sucessores. Para isso, deveremos tratá-lo e acarinhá-lo da melhor forma.

Filipe Ferreira, director do GECoRPA ( Grémio das Empresas de Conservação e Restauro do Património Arquitectónico)

14 abril 2010

DADOS TÉCNICOS SOBRE O FORTE DA FORCA









CARACTERIZAÇÃO DA TÉCNICA CONSTRUTIVA E DIAGNÓSTICO DO ESTADO DE PRESERVAÇÃO DO FORTE DA FORCA

O Forte da Forca localiza-se no concelho de Torres Vedras, freguesia de Santa Maria, a Nordeste da cidade de Torres Vedras. Topograficamente encontra-se no topo de uma paleoarriba do Rio Sizandro. Implanta-se perto do vértice Este formado entre a Vala dos Amiais, e a Ribeira das Voltas. Nesta zona a Vala segue de Norte para Sul e intercepta a Ribeira que segue de Este para Oeste. A referida Vala é afluente do rio Sizando. Os fortes que estão mais perto do forte da Forca são o Forte de S. Vicente a Oeste e a estrutura defensiva que estaria no antigo castelo a Sul de Torres Vedras. Este conjunto pretendia garantir a defesa na entrada em Torres Vedras e progresso para Lisboa, pela antiga estrada real.

O conjunto integra no seu interior pelo menos um trave s, duas praças altas e paiol. No interior verifica-se a existência de dois grandes buracos, provavelmente relacionados com infiltração de águas para cavidades internas no arenito em que o forte foi construído. Uma realidade semelhante regista-se também no lado Norte do fosso, só que neste caso é possível verificar a existência permanente de água, o que provavelmente estará relacionado com a existência de uma nascente.

Ao longo do perímetro exterior do Forte (poligonal de forma Maio ou menos quadrangular, com cerca de 245 m) existem oito canhoeiras que cobrem num ângulo de 180° entre o lado Norte e Nordeste. Estas estão dispostas em duas dos quatro lados principais da poligonal que define a planta da obra. O fosso desenvolve-se entre os lados Nascente Norte e Poente, estando aberto sobre o lado Sul, que é um escarpa natural. Este fosso está escavado em mais de metade da sua profundidade no substrato geológico (Grés de Torres Vedras CGP 30C), material que aparece, como é óbvio, na construção dos reparos, não só como depósito "batido", mas também como blocos talhados, actualmente bastante erodidos.
O estado de conservação do Forte pode ser considerado bastante razoável, tendo em conta que, são visíveis de forma relativamente clara todos os aspectos formais do mesmo. Existem, no entanto, algumas perdas significativas ao nível da volumetria dos reparos, travéses e praças altas, bem como no entulhamento e derrube de partes significativas do fosso.



Os principais problemas de preservação observados nas partes em terra do Forte são:
Existência de vegetação de grande e médio porte
Esta vegetação, ao contrário da de pequeno porte, que funciona como elemento controlador da erosão, promove a desagregação de partes significativas do Forte devido à dimensão das suas raízes. Para além do aspecto de desgaste físico das estruturas de médio porte, impede a visualização, circulação e interpretação da geometria da fortificação. As plantas concretas que promovem as patologias referidas estão discriminadas em estudo realizado pela FLOREST. Esta alteração verifica-se quer no interior quer no exterior do forte. Esta patologia é um dos principais problemas na preservação do forte em causa.

Zonas de deslizamento e lacunas estruturais

Estes fenómenos caracterizam-se pelo abatimento significativo de troços devido à dissolução e remoção de sedimento junto à base, provocada pelo empoçamento e lavragem do terreno envolvente. Tal leva à existência de lacunas mais ou menos significativas, bem como ao aparecimento de superfícies instáveis e facilmente erodidas. O não controle das causas de tal fenómeno leva a que este contribua exponencialmente para a alteração do forte. Esta alteração verifica-se fundamentalmente no fosso, na zona em que existem diferentes níveis de resistência do grés.
Zonas de escorrência e erosão muito activa
Este fenómeno caracteriza-se pela perda significativa de material devido ao arrastamento provocado pela água das chuvas e ou acção humana, como seja o pisoteio ou passagem de veículos. Esta alteração verifica-se no topo e ao longo do reparo, provocando em alguns casos rampas que podem simular acessos.

Zonas de empoçamento

Fenómeno que ocorre no interior e exterior do forte. No lado interno deve-se sobretudo à escorrência de material dos traveses e reparos que obstrui o provável sistema de drenagem antigo. No fosso deve-se sobretudo às escorrências anteriormente referidas. Este fenómeno é um problema, na medida em que dificulta a visita ao forte durante todo o ano, contribui para a existência de tipos de solos significativamente distintos no seu interior o que promove crescimentos irregulares de vegetação. Porém, o aspecto mais pernicioso do ponto de vista material do forte é o facto de ser catalizador dos deslizamentos já anteriormente referidos.

Ausência de estrutura de acesso à entrada
Um dos aspectos mais ou menos comuns, referidos na documentação existente, é que o acesso aos fortes era feito a partir de plataformas de madeira colocadas sobre o fosso. Em muitos fortes tal zona está preenchida por sedimentos. No caso do Forte da Forca estes não são suficientes para garantir tal acesso pela zona de entrada original. A referida entrada localiza-se sensivelmente a meio do lado Oeste do forte. Tal realidade é visível no local pela interrupção existente no já diminuto reparo.


PLANO DE INTERVENÇÃO DO FORTE DA FORCA
PRINCÍPIOS DE ACTUAÇÃO E ACÇÕES A DESENVOLVER NO FORTE DA FORCA
O Forte da Forca, alvo do presente capítulo, apresenta-se como um elemento patrimonial de grande relevância, não só por manter grande parte da sua originalidade preservada, mas também como elemento que faz parte de um conjunto maior que lhe reforça o sentido. Ao mesmo tempo, este forte documenta de forma particular as técnicas construtivas e a estratégia militar que estiveram na sua origem. Apresenta-se igualmente como elemento que evidencia a relevância e significado que a região teve dum dado momento para a História Europeia em geral e Portuguesa em particular.
Assim sendo, consideramos que a recuperação do imóvel deve assentar na perspectiva de preservação de documento histórico, arqueológico e pedagógico. Ou seja, as acções a desenvolver devem privilegiar a estabilização e consolidação do existente em detrimento de restauros, de forma a não comprometer as intenções do passado. Os métodos e as técnicas que se apresentam enquadram-se nas recomendações internacionais para a salvaguarda de património arquitectónico com valor histórico.
Os métodos de trabalho a implementar encontram-se descritos no capítulo 10 deste documento, as áreas específicas de implementação dos trabalhos estão assinaladas nos levantamentos gráficos.



A intervenção no Forte da Forca passará pela implementação das seguintes acções:

Escavação das áreas definidas

       Corte de toda a vegetação
       Corte específico de árvores, arbustos e canas
       Remoção de entulhos e descarga em vazadouro autorizado.
       Reforço pontual das áreas em risco devido a lacunas, deslizamentos, escorrências e  
         erosão muito significativas.
       Restauro segundo a lógica construtiva identificada nas áreas escavadas até ao volume da
         envolvente actual.
       Selagem de poços
       Regularização da superfície interna e externa do forte.
     •       Construção de plataforma de acesso a forte (projecto especifico arquitectura)





PLANO DE INTERVENÇÃO ARQUEOLÓGICA NO FORTE DA FORCA
Escavação arqueológica
No Forte da Forca propõe-se a escavação arqueológica de cinco áreas, tal como assinalado na planta em anexo.

Os principais objectivos da realização deste trabalho são:


       Sondagens 1, 2, 3 e 5: minimizar os impactos sobre o património decorrentes dos trabalhos de remoção de sedimentos que actualmente obstruem o fosso em zonas específicas e que são utilizados de forma imprópria para aceder ao interior do forte. Com esta escavação será possível compreender melhor a técnica de construção das canhoeiras e do fosso naquela zona, bem como, identificar o seu fundo. Prevê-se, para isso, a escavação de uma área de 130 m2.
       Sondagem 4: determinar a eventual existência de estruturas na zona da entrada original e minimizar os impactos sobre o património decorrentes dos trabalhos de instalação de nova estrutura de acesso. Prevê-se a escavação de uma área de 30 m2.

   Acompanhamento arqueológico
Deverá efectuar-se o acompanhamento arqueológico das áreas no interior do forte com vista à regularização de pavimentos e solução de problemas actuais de drenagem. Propõe-se, igualmente, o acompanhamento em virtude dos impactos previstos pelo projecto de valorização da paisagem.

(Extractos de um documento da Câmara  Municipal de Torres Vedras)

09 abril 2010

FORTE DA FORCA - TORRES VEDRAS



É a estrutura militar das Linhas de Torres Vedras que fica mais próxima do centro da cidade de Torres Vedras e que, estranhamente, os torrienses não conhecem.
Por isso a Associação do Património vai fazer uma


VISITA GUIADA AO FORTE DA FORCA

18 de ABRIL


Está a pouco mais de 15 minutos a pé. Venha conhecê-lo connosco.

Continuando a evocação dos acontecimentos históricos relacionados com a Guerra Peninsular, a Associação para a Defesa e Divulgação do Património Cultural de Torres Vedras propõe hoje aos nossos leitores a participação numa VISITA GUIADA ao Forte da Forca, situado à saída de Torres Vedras, no morro fronteiro ao Choupal e ao Forte de S. Vicente.

Não é precisa inscrição prévia. Trata-se de um passeio pedestre aberto a toda a população. Basta aparecer. Venha conhecer o nosso Património e desfrutar a Primavera.

PROGRAMA:

• 15.00 – Concentração à porta do Museu Municipal Leonel Trindade, junto ao Jardim da Graça.

• 15.30 – Partida e passagem por alguns locais evocativos da Guerra Peninsular.

• 16.15 – Chegada ao Forte da Forca. Observação e interpretação do lugar.

• 16.30 – Regresso

Este passeio está integrado no programa nacional de actividades do DIA INTERNACIONAL DOS MONUMENTOS E SÍTIOS, coordenado pelo IGESPAR – Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico e é um complemento de outras iniciativas programadas no âmbito da Comemoração do Bicentenário das Linhas de Torres Vedras.


01 abril 2010


Mais uma iniciativa do IGESPAR por ocasião do DIA INTERNACIONAL DOS MONUMENTOS E SÍTIOS.
Diga-se, entretanto, que o Programa Nacional de Actividades relacionadas com este DIA, conta com uma forte participação de Torres Vedras, como se pode ver no site do IGESPAR, AQUI.
A Associação para a Defesa e Divulgação do Património Cultural de Torres Vedras também lá está representada, com a já nunciada Visita Guiada ao Forte da Forca, a qual voltaremos a anunciar em breve.  

26 março 2010

ACTIVIDADES: RELATÓRIO DE 2009 / PLANO PARA 2010

Amanhã, na Assembleia Geral, serão apresentados aos sócios o Relatória e o Plano de Actividades 2009 / 2010, da ADDPCTV


RELATÓRIO DE ACTIVIDADES - 2019



1. ADMINISTRAÇÃO

i. Dado o carácter temporário da instalação da Sede em edifício camarário, não têm sido realizados investimentos e melhoramentos nos espaços que ocupamos. Devido a futuras obras num espaço anexo que ocupávamos como armazém, tivemos de transferir os equipamentos para outro espaço, no edifício da Sede actual.

ii. Os ficheiros de sócios e o arquivo de documentação têm sido actualizados sempre que necessário.


2. ESTUDO, INVENTARIAÇÃO E PRESERVAÇÃO DO PATRIMÓNIO

i. Scanização de alguns materiais gráficos do arquivo.

ii. Realização de contactos informais com vista à concretização de um inventário actualizado do património torriense. Ainda incipiente, esta actividade é uma das que constituem um desafio à nossa missão associativa.

iii. Apresentação à Câmara Municipal de Torres Vedras de um parecer escrito sobre o projecto de intervenção urbanística no Largo Morais Sarmento, junto ao Castelo.

iv. Resposta a uma notificação do Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa, pedindo um perito na área da molinologia. Foi indicado o nosso associado, estudioso desse assunto, Ezequiel Duarte.



3. PUBLICAÇÕES

i. Continuámos a publicação quinzenal da rubrica “Bicentenário das Invasões Francesas” no semanário Badaladas. Até ao presente foram publicados 47 artigos.

ii. No mesmo jornal foi publicado em 14 de Agosto de 2009, o 2º Suplemento sobre a Guerra Peninsular, com quatro páginas a cores.

iii. Foram publicados 24 artigos da rubrica “Imagens da Guerra Peninsular” no extinto semanário “Em Frente Oeste”

iv. Continuámos a publicação na internet do blogue Linhas de Torres, dedicado à Guerra Peninsular, (http://linhasdetorres,blogspot.cmo/), que tem tido uma média diária de 20 a 30 visitas.

v. Criámos em Novembro de 2009 o novo blogue Património de Torres Vedras, (http://patrimoniodetorresvedras.blogspot.com/) , que constitui o espaço da nossa Associação no mundo da Net e que desejamos que seja, cada vez mais, um lugar de informação rápida e actualizada junto dos nossos associados e amigos.

vi. Foram feitos contactos para a criação de um site, que será a continuação natural do trabalho realizado até agora no âmbito da nossa presença na net.

vii. Livro de Júlio Vieira, Torres Vedras Antiga e Moderna: a sua publicação, que esteve prevista para 2009, não foi possível por diversas razões de carácter técnico. Está na editora e esperamos que seja possível – finalmente! – a sua publicação em Maio p.f.

viii. Foi editado o nº 13 da revista O BARRETE.



4. ACÇÕES DIVERSAS

i. Passeio Cultural de dois dias a Almeida e Buçaco, lugares da III invasão francesa, orientada pelo dr. Pedro Fiéis.

ii. Presença na Feira de S. Pedro, no pavilhão das associações, com resultados muito positivos no que diz respeito à divulgação das nossas actividades e aos contactos realizados.

iii. Apoio a alguns grupos de jovens que pediram a nossa colaboração em trabalhos escolares.

iv. Preparação de materiais de divulgação e apoio para as sessões AO ENCONTRO DA HISTÓRIA, no âmbito da nossa participação nas actividades comemorativas dos 200 anos das Linhas de Torres Vedras.

v. Trabalhos preparatórios da 3ª edição da Exposição TRAÇOS DE IDENTIDADE, a realizar em Abril de 2011.

vi. Participação activa no projecto FORUM DAS ASSOCIAÇÕES DE TORRES VEDRAS

vii. Participação activa na Comissão Executiva das Comemorações dos 200 anos das Linhas de Torres Vedras.

ix. Participação regular no FORUM do site da Câmara Municipal, um espaço de apresentação e discussão de problemas do quotidiano torriense.

x. Elaboração de um projecto de Programa semanal na Rádio Oeste com o título “Patrimónios”, o qual terá início durante o próximo mês de Abril.


PLANO DE ACTIVIDADES PARA 2010


Dado que estamos a meio do mandato de dois anos, a Direcção propõe-se dar continuidade às actividades em curso e renovar alguns projectos antigos que ainda não foram concretizados.

1. DEFESA DO PATRIMÓNIO:


i. Actualização de inventários e de registos fotográficos

ii. Organização de debates públicos: “Direitos urbanos e Cidadania”; “ Património Hoje”

iii. Divulgação de Legislação e de textos de referência sobre questões do Património

iv. Denúncia pública de actuações incorrectas no âmbito do Património

v. Elaboração de pareceres, ao abrigo das competências legalmente atribuídas às associações de defesa do Património reconhecidas pela Lei nº 107/2001 de 8 de Setembro.


2. DIVULGAÇÃO:


I. Intervenção regular na imprensa, rádios e televisões regionais: continuidade das rubricas na imprensa; edição de dois Suplementos no Badaladas sobre a Guerra Peninsular; Programa semanal na Rádio Oeste; criação de um apontamento sobre Património Local na TV regional

II. Edição de folhetos, guias, desdobráveis, painéis: material actualizado sobre a ADDPCTV; núcleo expositivo no torreão do Castelo, com painéis ilustrados; Núcleo interpretativo da muralha de Torres Vedras, junto ao Chafariz dos Canos

III. Organização de visitas guiadas: às Linhas de Torres Vedras; ao Forte de S. Julião da Barra

IV. Prestação de Serviços: guias turísticos, sessões de divulgação, formação

V. Utilização dos meios informáticos disponíveis: site, blogues, redes sociais

VI. Intercâmbio com outras associações: continuação do primeiro encontro realizado na Ericeira


3. VISIBILIDADE E PARTILHA DA ACÇÃO


i. Participação activa em eventos e acontecimentos relacionados com o Património: Feira de S. Pedro, Carnaval (O Barrete nº 14), sessões públicas por iniciativa de terceiros

ii. Criação de Núcleos Escolares de Defesa do Património, em colaboração com os grupos disciplinares de História

iii. Participação na Direcção do FORUM DAS ASSOCIAÇÕES

iv. Participação na Comissão Municipal dos 200 anos das Linhas de Torres Vedras

v. Edição do livro de Júlio Vieira, Torres Vedras Antiga e Moderna

vi. Exposição fotográfica TRAÇOS DE IDENTIDADE: trabalhos preparatórios

vii. Costa Viva – limpeza do litoral, em colaboração com as Escolas, Espeleo-Clube e Pelouro do Ambiente da Câmara Municipal de Torres Vedras

20 março 2010

Chegou o nº 2 da revista ITINERANTE!
Fizemos referência ao nº 1 AQUI, porque o tema se ajustava ao teor do nosso LINHAS DE TORRES.
Desta vez o tema é "Em Redor dos Faróis de Portugal". Uma viagem fascinante por essas construções emblemáticas que pontuam a nossa costa, de norte a sul.
Mas esta revista é muito mais. Nas secções "Caminhar", "Conhecer" e "Conviver" somos levados a visitar muitos lugares, a conhecer muitas pessoas e a deixar crescer água na boca com sugestões irrecusáveis.
Além do mais, a revista é um objecto gráfico muito bonito que apetece folhear.
Para conhecer mais: http://www.itinerante.pt/