16 abril 2010
CONGRESSO PATRIMÓNIO 2010
Congresso sobre o Património, a decorrer nos dias 14, 15 e 16 de Abril no Porto.
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Associação para a Defesa e Divulgação do Património Cultural de Torres Vedras
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Congresso Património 2010
PATRIMÓNIO E CONTEMPORANEIDADE
Arttigo da revista PEDRA & CAL, nº 45, 1º trimestre de 2010:
Património e contemporaneidade
O património representa, em termos gerais, uma herança, um conjunto de bens naturais ou culturais, de importância reconhecida num determinado lugar, região, país ou, até, da humanidade. O caso particular do património arquitectónico engloba todos os monumentos, conjuntos arquitectónicos e sítios. Representa a herança cultural de um povo, com os seus costumes e a sua história. Também se aplica às obras modestas que, com o tempo, adquiriram significado cultural. Conseguimos, as¬sim, identificar imediatamente um monumento ou um sítio nas regiões por onde os nossos antepassados andaram e deixaram memória. É esse o objectivo que se pretende atingir: salvaguardar a herança arquitectónica e cultural de um povo intervindo nela com respeito pelas suas origens, de modo a preservar as partes ou características que transmitem o seu valor histórico, cultural, arquitectónico e simbólico.
É do conhecimento comum o mau estado em que se encontra uma grande parte dos nossos monumentos, conjuntos arquitectónicos e sítios, fruto do abandono, de acidentes, de maus critérios de intervenção, entre outros factores. As razões destes problemas perdem-se no tempo. Poder-se-á referir, por exemplo, o desconhecimento das técnicas tradicionais, postas em causa nos últimos tempos com o desaparecimento da mão-de-obra especializada, e o ritmo cada vez mais elevado exigido à construção nos nossos dias.
No final do século passado, e durante muitos anos, verificou-se um ritmo descontrolado de construção nova, de baixo nível de qualidade, com o abandono e consequente degradação das construções e centros históricos.
Com a construção de novos edifícios para habitação e das grandes superfícies comerciais na periferia dos centros urbanos, os centros históricos ficaram cada vez mais desertificados, não favorecendo a preservação dos valores culturais, ao contrário dos centros históricos de uma grande parte das cidades europeias. Esta situação originou o abandono, delinquência e desmotivação das pessoas que nos visitam, com reflexos em termos económicos e na imagem que é transmitida. Actualmente, verifica-se, paulatinamente, uma revolução na mentalidade dos cidadãos, em parte fruto da crise no investimento na construção nova e, também, de uma nova maneira de olhar para o nosso património e de o entender. São tempos de reflexão, de acerto de estratégia, considerando a reabilitação como a saída natural para a crise criada com a estratégia errada nos finais do século passado.
Com o alargamento da Europa, em termos de unidade europeia, na sequência da Carta de Veneza e de vária produção doutrinária internacional, surgiu, em 2000, a Carta de Cracóvia. Esta vem sublinhar a grande diversidade das múltiplas identidades que constituem a Europa actual e assegurar o respeito e a coexistência de todas as diferentes identidades, de modo a que o projecto de conservação e restauro do património construído reflicta uma evolução dos seus valores sociais e científicos.
Na conservação dos monumentos e edifícios com valor histórico terá de se ter em conta a sua autenticidade e integridade.
As decisões e escolhas a fazer deverão equacionar-se numa perspectiva de fruição futura, acompanhando o alargamento do conceito de património construído, considerando os vários conceitos de manutenção, reparação, restauro, renovação e reabilitação, bem como a sua consideração em cada caso específico de intervenção. Para estes objectivos poderem ser atingidos, de modo a não se cometerem os mesmos erros do passado, deverá ser encorajado o recurso a novas tecnologias e novas práticas, fazendo uso dos critérios de eficácia, compatibilidade, durabilidade, reversibilidade e, também, eficiência, de uma forma responsável e sustentada. A sustentabilidade é, segundo Chrisna du Plessis, "o regime capaz de permitir a existência continuada do ser humano, possibilitando uma vida segura, saudável e produtiva às sucessivas gerações, em harmonia com a natureza e com os valores culturais e espirituais locais".
Por último, mas não menos importante para a salvaguarda do nosso património construído, as intervenções deverá ser sempre executadas por empresas com qualificação específica, devendo o lançamento de concursos de obras de intervenção ser realizado em moldes que assegurem que os concorrentes possuem a necessária qualificação. Este requisito vem, aliás, na sequência das cartas e declarações internacionais, que o nosso país subscreveu e se comprometeu a implementar. Não nos podemos esquecer de que o nosso património é a nossa herança, o que recebemos dos nossos antepassados, mas, também, é o que, por sua vez, iremos deixar aos nossos sucessores. Para isso, deveremos tratá-lo e acarinhá-lo da melhor forma.
Filipe Ferreira, director do GECoRPA ( Grémio das Empresas de Conservação e Restauro do Património Arquitectónico)
Património e contemporaneidade
Fala-se muito, nos nossos dias, sobre "Património", "Conservação e Restauro", "Intervenções
com carácter contemporâneo", entre outros temas. Embora seja muito animador verificarmos
um crescente interesse por estes assuntos que finalmente despertam o justo interesse da nossa sociedade, sinal de que estão em plena ordem do dia, importa interrogarmo-nos sobre o que é o nosso património, o que representa, o respeito que deveremos ter por ele e que se reflecte, por exemplo, no tipo de intervenções a que o vamos submeter.
O património representa, em termos gerais, uma herança, um conjunto de bens naturais ou culturais, de importância reconhecida num determinado lugar, região, país ou, até, da humanidade. O caso particular do património arquitectónico engloba todos os monumentos, conjuntos arquitectónicos e sítios. Representa a herança cultural de um povo, com os seus costumes e a sua história. Também se aplica às obras modestas que, com o tempo, adquiriram significado cultural. Conseguimos, as¬sim, identificar imediatamente um monumento ou um sítio nas regiões por onde os nossos antepassados andaram e deixaram memória. É esse o objectivo que se pretende atingir: salvaguardar a herança arquitectónica e cultural de um povo intervindo nela com respeito pelas suas origens, de modo a preservar as partes ou características que transmitem o seu valor histórico, cultural, arquitectónico e simbólico.
É do conhecimento comum o mau estado em que se encontra uma grande parte dos nossos monumentos, conjuntos arquitectónicos e sítios, fruto do abandono, de acidentes, de maus critérios de intervenção, entre outros factores. As razões destes problemas perdem-se no tempo. Poder-se-á referir, por exemplo, o desconhecimento das técnicas tradicionais, postas em causa nos últimos tempos com o desaparecimento da mão-de-obra especializada, e o ritmo cada vez mais elevado exigido à construção nos nossos dias.
No final do século passado, e durante muitos anos, verificou-se um ritmo descontrolado de construção nova, de baixo nível de qualidade, com o abandono e consequente degradação das construções e centros históricos.
Com a construção de novos edifícios para habitação e das grandes superfícies comerciais na periferia dos centros urbanos, os centros históricos ficaram cada vez mais desertificados, não favorecendo a preservação dos valores culturais, ao contrário dos centros históricos de uma grande parte das cidades europeias. Esta situação originou o abandono, delinquência e desmotivação das pessoas que nos visitam, com reflexos em termos económicos e na imagem que é transmitida. Actualmente, verifica-se, paulatinamente, uma revolução na mentalidade dos cidadãos, em parte fruto da crise no investimento na construção nova e, também, de uma nova maneira de olhar para o nosso património e de o entender. São tempos de reflexão, de acerto de estratégia, considerando a reabilitação como a saída natural para a crise criada com a estratégia errada nos finais do século passado.
Com o alargamento da Europa, em termos de unidade europeia, na sequência da Carta de Veneza e de vária produção doutrinária internacional, surgiu, em 2000, a Carta de Cracóvia. Esta vem sublinhar a grande diversidade das múltiplas identidades que constituem a Europa actual e assegurar o respeito e a coexistência de todas as diferentes identidades, de modo a que o projecto de conservação e restauro do património construído reflicta uma evolução dos seus valores sociais e científicos.
Na conservação dos monumentos e edifícios com valor histórico terá de se ter em conta a sua autenticidade e integridade.
As decisões e escolhas a fazer deverão equacionar-se numa perspectiva de fruição futura, acompanhando o alargamento do conceito de património construído, considerando os vários conceitos de manutenção, reparação, restauro, renovação e reabilitação, bem como a sua consideração em cada caso específico de intervenção. Para estes objectivos poderem ser atingidos, de modo a não se cometerem os mesmos erros do passado, deverá ser encorajado o recurso a novas tecnologias e novas práticas, fazendo uso dos critérios de eficácia, compatibilidade, durabilidade, reversibilidade e, também, eficiência, de uma forma responsável e sustentada. A sustentabilidade é, segundo Chrisna du Plessis, "o regime capaz de permitir a existência continuada do ser humano, possibilitando uma vida segura, saudável e produtiva às sucessivas gerações, em harmonia com a natureza e com os valores culturais e espirituais locais".
Por último, mas não menos importante para a salvaguarda do nosso património construído, as intervenções deverá ser sempre executadas por empresas com qualificação específica, devendo o lançamento de concursos de obras de intervenção ser realizado em moldes que assegurem que os concorrentes possuem a necessária qualificação. Este requisito vem, aliás, na sequência das cartas e declarações internacionais, que o nosso país subscreveu e se comprometeu a implementar. Não nos podemos esquecer de que o nosso património é a nossa herança, o que recebemos dos nossos antepassados, mas, também, é o que, por sua vez, iremos deixar aos nossos sucessores. Para isso, deveremos tratá-lo e acarinhá-lo da melhor forma.
Filipe Ferreira, director do GECoRPA ( Grémio das Empresas de Conservação e Restauro do Património Arquitectónico)
14 abril 2010
DADOS TÉCNICOS SOBRE O FORTE DA FORCA
CARACTERIZAÇÃO DA TÉCNICA CONSTRUTIVA E DIAGNÓSTICO DO ESTADO DE PRESERVAÇÃO DO FORTE DA FORCA
O Forte da Forca localiza-se no concelho de Torres Vedras, freguesia de Santa Maria, a Nordeste da cidade de Torres Vedras. Topograficamente encontra-se no topo de uma paleoarriba do Rio Sizandro. Implanta-se perto do vértice Este formado entre a Vala dos Amiais, e a Ribeira das Voltas. Nesta zona a Vala segue de Norte para Sul e intercepta a Ribeira que segue de Este para Oeste. A referida Vala é afluente do rio Sizando. Os fortes que estão mais perto do forte da Forca são o Forte de S. Vicente a Oeste e a estrutura defensiva que estaria no antigo castelo a Sul de Torres Vedras. Este conjunto pretendia garantir a defesa na entrada em Torres Vedras e progresso para Lisboa, pela antiga estrada real.
O conjunto integra no seu interior pelo menos um trave s, duas praças altas e paiol. No interior verifica-se a existência de dois grandes buracos, provavelmente relacionados com infiltração de águas para cavidades internas no arenito em que o forte foi construído. Uma realidade semelhante regista-se também no lado Norte do fosso, só que neste caso é possível verificar a existência permanente de água, o que provavelmente estará relacionado com a existência de uma nascente.
Ao longo do perímetro exterior do Forte (poligonal de forma Maio ou menos quadrangular, com cerca de 245 m) existem oito canhoeiras que cobrem num ângulo de 180° entre o lado Norte e Nordeste. Estas estão dispostas em duas dos quatro lados principais da poligonal que define a planta da obra. O fosso desenvolve-se entre os lados Nascente Norte e Poente, estando aberto sobre o lado Sul, que é um escarpa natural. Este fosso está escavado em mais de metade da sua profundidade no substrato geológico (Grés de Torres Vedras CGP 30C), material que aparece, como é óbvio, na construção dos reparos, não só como depósito "batido", mas também como blocos talhados, actualmente bastante erodidos.
O estado de conservação do Forte pode ser considerado bastante razoável, tendo em conta que, são visíveis de forma relativamente clara todos os aspectos formais do mesmo. Existem, no entanto, algumas perdas significativas ao nível da volumetria dos reparos, travéses e praças altas, bem como no entulhamento e derrube de partes significativas do fosso.
Os principais problemas de preservação observados nas partes em terra do Forte são:
Existência de vegetação de grande e médio porte
Esta vegetação, ao contrário da de pequeno porte, que funciona como elemento controlador da erosão, promove a desagregação de partes significativas do Forte devido à dimensão das suas raízes. Para além do aspecto de desgaste físico das estruturas de médio porte, impede a visualização, circulação e interpretação da geometria da fortificação. As plantas concretas que promovem as patologias referidas estão discriminadas em estudo realizado pela FLOREST. Esta alteração verifica-se quer no interior quer no exterior do forte. Esta patologia é um dos principais problemas na preservação do forte em causa.
Zonas de deslizamento e lacunas estruturais
Estes fenómenos caracterizam-se pelo abatimento significativo de troços devido à dissolução e remoção de sedimento junto à base, provocada pelo empoçamento e lavragem do terreno envolvente. Tal leva à existência de lacunas mais ou menos significativas, bem como ao aparecimento de superfícies instáveis e facilmente erodidas. O não controle das causas de tal fenómeno leva a que este contribua exponencialmente para a alteração do forte. Esta alteração verifica-se fundamentalmente no fosso, na zona em que existem diferentes níveis de resistência do grés.
Zonas de escorrência e erosão muito activa
Este fenómeno caracteriza-se pela perda significativa de material devido ao arrastamento provocado pela água das chuvas e ou acção humana, como seja o pisoteio ou passagem de veículos. Esta alteração verifica-se no topo e ao longo do reparo, provocando em alguns casos rampas que podem simular acessos.
Zonas de empoçamento
Fenómeno que ocorre no interior e exterior do forte. No lado interno deve-se sobretudo à escorrência de material dos traveses e reparos que obstrui o provável sistema de drenagem antigo. No fosso deve-se sobretudo às escorrências anteriormente referidas. Este fenómeno é um problema, na medida em que dificulta a visita ao forte durante todo o ano, contribui para a existência de tipos de solos significativamente distintos no seu interior o que promove crescimentos irregulares de vegetação. Porém, o aspecto mais pernicioso do ponto de vista material do forte é o facto de ser catalizador dos deslizamentos já anteriormente referidos.
Ausência de estrutura de acesso à entrada
Um dos aspectos mais ou menos comuns, referidos na documentação existente, é que o acesso aos fortes era feito a partir de plataformas de madeira colocadas sobre o fosso. Em muitos fortes tal zona está preenchida por sedimentos. No caso do Forte da Forca estes não são suficientes para garantir tal acesso pela zona de entrada original. A referida entrada localiza-se sensivelmente a meio do lado Oeste do forte. Tal realidade é visível no local pela interrupção existente no já diminuto reparo.
PLANO DE INTERVENÇÃO DO FORTE DA FORCA
PRINCÍPIOS DE ACTUAÇÃO E ACÇÕES A DESENVOLVER NO FORTE DA FORCA
O Forte da Forca, alvo do presente capítulo, apresenta-se como um elemento patrimonial de grande relevância, não só por manter grande parte da sua originalidade preservada, mas também como elemento que faz parte de um conjunto maior que lhe reforça o sentido. Ao mesmo tempo, este forte documenta de forma particular as técnicas construtivas e a estratégia militar que estiveram na sua origem. Apresenta-se igualmente como elemento que evidencia a relevância e significado que a região teve dum dado momento para a História Europeia em geral e Portuguesa em particular.
Assim sendo, consideramos que a recuperação do imóvel deve assentar na perspectiva de preservação de documento histórico, arqueológico e pedagógico. Ou seja, as acções a desenvolver devem privilegiar a estabilização e consolidação do existente em detrimento de restauros, de forma a não comprometer as intenções do passado. Os métodos e as técnicas que se apresentam enquadram-se nas recomendações internacionais para a salvaguarda de património arquitectónico com valor histórico.
Os métodos de trabalho a implementar encontram-se descritos no capítulo 10 deste documento, as áreas específicas de implementação dos trabalhos estão assinaladas nos levantamentos gráficos.
A intervenção no Forte da Forca passará pela implementação das seguintes acções:
Escavação das áreas definidas
• Corte de toda a vegetação
• Corte específico de árvores, arbustos e canas
• Remoção de entulhos e descarga em vazadouro autorizado.
• Reforço pontual das áreas em risco devido a lacunas, deslizamentos, escorrências e
erosão muito significativas.
• Restauro segundo a lógica construtiva identificada nas áreas escavadas até ao volume da
envolvente actual.
• Selagem de poços
• Regularização da superfície interna e externa do forte.
• Construção de plataforma de acesso a forte (projecto especifico arquitectura)
PLANO DE INTERVENÇÃO ARQUEOLÓGICA NO FORTE DA FORCA
Escavação arqueológica
No Forte da Forca propõe-se a escavação arqueológica de cinco áreas, tal como assinalado na planta em anexo.
Os principais objectivos da realização deste trabalho são:
• Sondagens 1, 2, 3 e 5: minimizar os impactos sobre o património decorrentes dos trabalhos de remoção de sedimentos que actualmente obstruem o fosso em zonas específicas e que são utilizados de forma imprópria para aceder ao interior do forte. Com esta escavação será possível compreender melhor a técnica de construção das canhoeiras e do fosso naquela zona, bem como, identificar o seu fundo. Prevê-se, para isso, a escavação de uma área de 130 m2.
• Sondagem 4: determinar a eventual existência de estruturas na zona da entrada original e minimizar os impactos sobre o património decorrentes dos trabalhos de instalação de nova estrutura de acesso. Prevê-se a escavação de uma área de 30 m2.
Acompanhamento arqueológico
Deverá efectuar-se o acompanhamento arqueológico das áreas no interior do forte com vista à regularização de pavimentos e solução de problemas actuais de drenagem. Propõe-se, igualmente, o acompanhamento em virtude dos impactos previstos pelo projecto de valorização da paisagem.
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Forte da Forca,
Linhas de Torres Vedras
09 abril 2010
FORTE DA FORCA - TORRES VEDRAS
Por isso a Associação do Património vai fazer uma
VISITA GUIADA AO FORTE DA FORCA
18 de ABRIL
Está a pouco mais de 15 minutos a pé. Venha conhecê-lo connosco.
Continuando a evocação dos acontecimentos históricos relacionados com a Guerra Peninsular, a Associação para a Defesa e Divulgação do Património Cultural de Torres Vedras propõe hoje aos nossos leitores a participação numa VISITA GUIADA ao Forte da Forca, situado à saída de Torres Vedras, no morro fronteiro ao Choupal e ao Forte de S. Vicente.
Não é precisa inscrição prévia. Trata-se de um passeio pedestre aberto a toda a população. Basta aparecer. Venha conhecer o nosso Património e desfrutar a Primavera.
PROGRAMA:
• 15.00 – Concentração à porta do Museu Municipal Leonel Trindade, junto ao Jardim da Graça.
• 15.30 – Partida e passagem por alguns locais evocativos da Guerra Peninsular.
• 16.15 – Chegada ao Forte da Forca. Observação e interpretação do lugar.
• 16.30 – Regresso
Este passeio está integrado no programa nacional de actividades do DIA INTERNACIONAL DOS MONUMENTOS E SÍTIOS, coordenado pelo IGESPAR – Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico e é um complemento de outras iniciativas programadas no âmbito da Comemoração do Bicentenário das Linhas de Torres Vedras.
01 abril 2010
Mais uma iniciativa do IGESPAR por ocasião do DIA INTERNACIONAL DOS MONUMENTOS E SÍTIOS.
Diga-se, entretanto, que o Programa Nacional de Actividades relacionadas com este DIA, conta com uma forte participação de Torres Vedras, como se pode ver no site do IGESPAR, AQUI.
A Associação para a Defesa e Divulgação do Património Cultural de Torres Vedras também lá está representada, com a já nunciada Visita Guiada ao Forte da Forca, a qual voltaremos a anunciar em breve.
26 março 2010
ACTIVIDADES: RELATÓRIO DE 2009 / PLANO PARA 2010
Amanhã, na Assembleia Geral, serão apresentados aos sócios o Relatória e o Plano de Actividades 2009 / 2010, da ADDPCTV
RELATÓRIO DE ACTIVIDADES - 2019
1. ADMINISTRAÇÃO
i. Dado o carácter temporário da instalação da Sede em edifício camarário, não têm sido realizados investimentos e melhoramentos nos espaços que ocupamos. Devido a futuras obras num espaço anexo que ocupávamos como armazém, tivemos de transferir os equipamentos para outro espaço, no edifício da Sede actual.
ii. Os ficheiros de sócios e o arquivo de documentação têm sido actualizados sempre que necessário.
2. ESTUDO, INVENTARIAÇÃO E PRESERVAÇÃO DO PATRIMÓNIO
i. Scanização de alguns materiais gráficos do arquivo.
ii. Realização de contactos informais com vista à concretização de um inventário actualizado do património torriense. Ainda incipiente, esta actividade é uma das que constituem um desafio à nossa missão associativa.
iii. Apresentação à Câmara Municipal de Torres Vedras de um parecer escrito sobre o projecto de intervenção urbanística no Largo Morais Sarmento, junto ao Castelo.
iv. Resposta a uma notificação do Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa, pedindo um perito na área da molinologia. Foi indicado o nosso associado, estudioso desse assunto, Ezequiel Duarte.
3. PUBLICAÇÕES
i. Continuámos a publicação quinzenal da rubrica “Bicentenário das Invasões Francesas” no semanário Badaladas. Até ao presente foram publicados 47 artigos.
ii. No mesmo jornal foi publicado em 14 de Agosto de 2009, o 2º Suplemento sobre a Guerra Peninsular, com quatro páginas a cores.
iii. Foram publicados 24 artigos da rubrica “Imagens da Guerra Peninsular” no extinto semanário “Em Frente Oeste”
iv. Continuámos a publicação na internet do blogue Linhas de Torres, dedicado à Guerra Peninsular, (http://linhasdetorres,blogspot.cmo/), que tem tido uma média diária de 20 a 30 visitas.
v. Criámos em Novembro de 2009 o novo blogue Património de Torres Vedras, (http://patrimoniodetorresvedras.blogspot.com/) , que constitui o espaço da nossa Associação no mundo da Net e que desejamos que seja, cada vez mais, um lugar de informação rápida e actualizada junto dos nossos associados e amigos.
vi. Foram feitos contactos para a criação de um site, que será a continuação natural do trabalho realizado até agora no âmbito da nossa presença na net.
vii. Livro de Júlio Vieira, Torres Vedras Antiga e Moderna: a sua publicação, que esteve prevista para 2009, não foi possível por diversas razões de carácter técnico. Está na editora e esperamos que seja possível – finalmente! – a sua publicação em Maio p.f.
viii. Foi editado o nº 13 da revista O BARRETE.
4. ACÇÕES DIVERSAS
i. Passeio Cultural de dois dias a Almeida e Buçaco, lugares da III invasão francesa, orientada pelo dr. Pedro Fiéis.
ii. Presença na Feira de S. Pedro, no pavilhão das associações, com resultados muito positivos no que diz respeito à divulgação das nossas actividades e aos contactos realizados.
iii. Apoio a alguns grupos de jovens que pediram a nossa colaboração em trabalhos escolares.
iv. Preparação de materiais de divulgação e apoio para as sessões AO ENCONTRO DA HISTÓRIA, no âmbito da nossa participação nas actividades comemorativas dos 200 anos das Linhas de Torres Vedras.
v. Trabalhos preparatórios da 3ª edição da Exposição TRAÇOS DE IDENTIDADE, a realizar em Abril de 2011.
vi. Participação activa no projecto FORUM DAS ASSOCIAÇÕES DE TORRES VEDRAS
vii. Participação activa na Comissão Executiva das Comemorações dos 200 anos das Linhas de Torres Vedras.
ix. Participação regular no FORUM do site da Câmara Municipal, um espaço de apresentação e discussão de problemas do quotidiano torriense.
x. Elaboração de um projecto de Programa semanal na Rádio Oeste com o título “Patrimónios”, o qual terá início durante o próximo mês de Abril.
PLANO DE ACTIVIDADES PARA 2010
Dado que estamos a meio do mandato de dois anos, a Direcção propõe-se dar continuidade às actividades em curso e renovar alguns projectos antigos que ainda não foram concretizados.
1. DEFESA DO PATRIMÓNIO:
i. Actualização de inventários e de registos fotográficos
ii. Organização de debates públicos: “Direitos urbanos e Cidadania”; “ Património Hoje”
iii. Divulgação de Legislação e de textos de referência sobre questões do Património
iv. Denúncia pública de actuações incorrectas no âmbito do Património
v. Elaboração de pareceres, ao abrigo das competências legalmente atribuídas às associações de defesa do Património reconhecidas pela Lei nº 107/2001 de 8 de Setembro.
2. DIVULGAÇÃO:
I. Intervenção regular na imprensa, rádios e televisões regionais: continuidade das rubricas na imprensa; edição de dois Suplementos no Badaladas sobre a Guerra Peninsular; Programa semanal na Rádio Oeste; criação de um apontamento sobre Património Local na TV regional
II. Edição de folhetos, guias, desdobráveis, painéis: material actualizado sobre a ADDPCTV; núcleo expositivo no torreão do Castelo, com painéis ilustrados; Núcleo interpretativo da muralha de Torres Vedras, junto ao Chafariz dos Canos
III. Organização de visitas guiadas: às Linhas de Torres Vedras; ao Forte de S. Julião da Barra
IV. Prestação de Serviços: guias turísticos, sessões de divulgação, formação
V. Utilização dos meios informáticos disponíveis: site, blogues, redes sociais
VI. Intercâmbio com outras associações: continuação do primeiro encontro realizado na Ericeira
3. VISIBILIDADE E PARTILHA DA ACÇÃO
i. Participação activa em eventos e acontecimentos relacionados com o Património: Feira de S. Pedro, Carnaval (O Barrete nº 14), sessões públicas por iniciativa de terceiros
ii. Criação de Núcleos Escolares de Defesa do Património, em colaboração com os grupos disciplinares de História
iii. Participação na Direcção do FORUM DAS ASSOCIAÇÕES
iv. Participação na Comissão Municipal dos 200 anos das Linhas de Torres Vedras
v. Edição do livro de Júlio Vieira, Torres Vedras Antiga e Moderna
vi. Exposição fotográfica TRAÇOS DE IDENTIDADE: trabalhos preparatórios
vii. Costa Viva – limpeza do litoral, em colaboração com as Escolas, Espeleo-Clube e Pelouro do Ambiente da Câmara Municipal de Torres Vedras
RELATÓRIO DE ACTIVIDADES - 2019
1. ADMINISTRAÇÃO
i. Dado o carácter temporário da instalação da Sede em edifício camarário, não têm sido realizados investimentos e melhoramentos nos espaços que ocupamos. Devido a futuras obras num espaço anexo que ocupávamos como armazém, tivemos de transferir os equipamentos para outro espaço, no edifício da Sede actual.
ii. Os ficheiros de sócios e o arquivo de documentação têm sido actualizados sempre que necessário.
2. ESTUDO, INVENTARIAÇÃO E PRESERVAÇÃO DO PATRIMÓNIO
i. Scanização de alguns materiais gráficos do arquivo.
ii. Realização de contactos informais com vista à concretização de um inventário actualizado do património torriense. Ainda incipiente, esta actividade é uma das que constituem um desafio à nossa missão associativa.
iii. Apresentação à Câmara Municipal de Torres Vedras de um parecer escrito sobre o projecto de intervenção urbanística no Largo Morais Sarmento, junto ao Castelo.
iv. Resposta a uma notificação do Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa, pedindo um perito na área da molinologia. Foi indicado o nosso associado, estudioso desse assunto, Ezequiel Duarte.
3. PUBLICAÇÕES
i. Continuámos a publicação quinzenal da rubrica “Bicentenário das Invasões Francesas” no semanário Badaladas. Até ao presente foram publicados 47 artigos.
ii. No mesmo jornal foi publicado em 14 de Agosto de 2009, o 2º Suplemento sobre a Guerra Peninsular, com quatro páginas a cores.
iii. Foram publicados 24 artigos da rubrica “Imagens da Guerra Peninsular” no extinto semanário “Em Frente Oeste”
iv. Continuámos a publicação na internet do blogue Linhas de Torres, dedicado à Guerra Peninsular, (http://linhasdetorres,blogspot.cmo/), que tem tido uma média diária de 20 a 30 visitas.
v. Criámos em Novembro de 2009 o novo blogue Património de Torres Vedras, (http://patrimoniodetorresvedras.blogspot.com/) , que constitui o espaço da nossa Associação no mundo da Net e que desejamos que seja, cada vez mais, um lugar de informação rápida e actualizada junto dos nossos associados e amigos.
vi. Foram feitos contactos para a criação de um site, que será a continuação natural do trabalho realizado até agora no âmbito da nossa presença na net.
vii. Livro de Júlio Vieira, Torres Vedras Antiga e Moderna: a sua publicação, que esteve prevista para 2009, não foi possível por diversas razões de carácter técnico. Está na editora e esperamos que seja possível – finalmente! – a sua publicação em Maio p.f.
viii. Foi editado o nº 13 da revista O BARRETE.
4. ACÇÕES DIVERSAS
i. Passeio Cultural de dois dias a Almeida e Buçaco, lugares da III invasão francesa, orientada pelo dr. Pedro Fiéis.
ii. Presença na Feira de S. Pedro, no pavilhão das associações, com resultados muito positivos no que diz respeito à divulgação das nossas actividades e aos contactos realizados.
iii. Apoio a alguns grupos de jovens que pediram a nossa colaboração em trabalhos escolares.
iv. Preparação de materiais de divulgação e apoio para as sessões AO ENCONTRO DA HISTÓRIA, no âmbito da nossa participação nas actividades comemorativas dos 200 anos das Linhas de Torres Vedras.
v. Trabalhos preparatórios da 3ª edição da Exposição TRAÇOS DE IDENTIDADE, a realizar em Abril de 2011.
vi. Participação activa no projecto FORUM DAS ASSOCIAÇÕES DE TORRES VEDRAS
vii. Participação activa na Comissão Executiva das Comemorações dos 200 anos das Linhas de Torres Vedras.
ix. Participação regular no FORUM do site da Câmara Municipal, um espaço de apresentação e discussão de problemas do quotidiano torriense.
x. Elaboração de um projecto de Programa semanal na Rádio Oeste com o título “Patrimónios”, o qual terá início durante o próximo mês de Abril.
PLANO DE ACTIVIDADES PARA 2010
Dado que estamos a meio do mandato de dois anos, a Direcção propõe-se dar continuidade às actividades em curso e renovar alguns projectos antigos que ainda não foram concretizados.
1. DEFESA DO PATRIMÓNIO:
i. Actualização de inventários e de registos fotográficos
ii. Organização de debates públicos: “Direitos urbanos e Cidadania”; “ Património Hoje”
iii. Divulgação de Legislação e de textos de referência sobre questões do Património
iv. Denúncia pública de actuações incorrectas no âmbito do Património
v. Elaboração de pareceres, ao abrigo das competências legalmente atribuídas às associações de defesa do Património reconhecidas pela Lei nº 107/2001 de 8 de Setembro.
2. DIVULGAÇÃO:
I. Intervenção regular na imprensa, rádios e televisões regionais: continuidade das rubricas na imprensa; edição de dois Suplementos no Badaladas sobre a Guerra Peninsular; Programa semanal na Rádio Oeste; criação de um apontamento sobre Património Local na TV regional
II. Edição de folhetos, guias, desdobráveis, painéis: material actualizado sobre a ADDPCTV; núcleo expositivo no torreão do Castelo, com painéis ilustrados; Núcleo interpretativo da muralha de Torres Vedras, junto ao Chafariz dos Canos
III. Organização de visitas guiadas: às Linhas de Torres Vedras; ao Forte de S. Julião da Barra
IV. Prestação de Serviços: guias turísticos, sessões de divulgação, formação
V. Utilização dos meios informáticos disponíveis: site, blogues, redes sociais
VI. Intercâmbio com outras associações: continuação do primeiro encontro realizado na Ericeira
3. VISIBILIDADE E PARTILHA DA ACÇÃO
i. Participação activa em eventos e acontecimentos relacionados com o Património: Feira de S. Pedro, Carnaval (O Barrete nº 14), sessões públicas por iniciativa de terceiros
ii. Criação de Núcleos Escolares de Defesa do Património, em colaboração com os grupos disciplinares de História
iii. Participação na Direcção do FORUM DAS ASSOCIAÇÕES
iv. Participação na Comissão Municipal dos 200 anos das Linhas de Torres Vedras
v. Edição do livro de Júlio Vieira, Torres Vedras Antiga e Moderna
vi. Exposição fotográfica TRAÇOS DE IDENTIDADE: trabalhos preparatórios
vii. Costa Viva – limpeza do litoral, em colaboração com as Escolas, Espeleo-Clube e Pelouro do Ambiente da Câmara Municipal de Torres Vedras
20 março 2010
Chegou o nº 2 da revista ITINERANTE!
Fizemos referência ao nº 1 AQUI, porque o tema se ajustava ao teor do nosso LINHAS DE TORRES.
Desta vez o tema é "Em Redor dos Faróis de Portugal". Uma viagem fascinante por essas construções emblemáticas que pontuam a nossa costa, de norte a sul.
Mas esta revista é muito mais. Nas secções "Caminhar", "Conhecer" e "Conviver" somos levados a visitar muitos lugares, a conhecer muitas pessoas e a deixar crescer água na boca com sugestões irrecusáveis.
Além do mais, a revista é um objecto gráfico muito bonito que apetece folhear.
Para conhecer mais: http://www.itinerante.pt/
Contactos: info@itinerante.pt
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12 março 2010
DIMS 2010 - Dia Internacional de Monumentos e Sítios - 18 de Abril - Tema - “Património Rural/Paisagens Culturais
"Visita guida ao FORTE DA FORCA"
Passeio pedestre de cerca de 4km (ida e volta), passando pela zona histórica, até ao Forte da Forca, a estrutura militar das LINHAS DE TORRES VEDRAS que se encontra mais próxima do centro da cidade - mas que é a menos conhecida.
Concentração: junto ao Museu Municipal Leonel Trindade, no Largo da Graça.
Partida: 15 H - Final provável: cerca das 17 H
Participantes: sem limite e sem inscrição prévia
Organização e apoio: Associação para a Defesa e Divulgação do Património Cultural de Torres Vedras
Informações: Joaquim Moedas Duarte, 962435928 / 261 332 854
04 março 2010
Recebemos da Revista SAPIENS este Comunicado:
«Informamos que a Sapiens. História, Património e Arqueologia está a admitir artigos e recensões críticas, comentários a exposições, seminários, colóquios, entre outros trabalhos, para publicação no número 3, a sair em Junho deste ano.
Os trabalhos deverão ser enviados para o e-mail artigos@revistasapiens.org até ao próximo dia 30 de Abril e deverão respeitar as "Normas para o Envio de Artigos", disponíveis na página web da Revista.»
Recordamos que esta é uma revista exclusivamente electrónica e pode ser lida AQUI
«Informamos que a Sapiens. História, Património e Arqueologia está a admitir artigos e recensões críticas, comentários a exposições, seminários, colóquios, entre outros trabalhos, para publicação no número 3, a sair em Junho deste ano.
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28 fevereiro 2010
INTERCÂMBIO ASSOCIATIVO
Dois elementos da Direcção da nossa Associação - Joaquim Moedas Duarte e Luís Filipe Rodrigues - participaram ontem num encontro de associações culturais do distrito de Lisboa ligadas à defesa e divulgação do Património, na Ericeira.
Ver a notícia divulgada no Cyberjornal AQUI.
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Encontro de associações
16 fevereiro 2010
VALORIZAÇÃO DAS CIDADES HISTÓRICAS
Já aqui fizemos referência à revista PEDRA & CAL. É um bom instrumento de trabalho para quantos trabalham na área do Património. Transcrevemos hoje um artigo publicado no nº 27, de Setembro de 2005. Parece-nos exemplar. Pelo enquadramento teórico inicial, quando faz referências aos textos fundadores do tratamento das questões do Património; pelo desenvolvimento do tema; e finalmente pela indicação de bibliografia oportuna.
A ILUMINAÇÃO URBANA E AMBIENTAL COMO INSTRUMENTO DE VALORIZAÇÃO
DAS CIDADES HISTÓRICAS E ÁREAS URBANAS
M. J. PINTO-COELHO, Arquitecta, Dip. Arch, M.Sc, Ph.D
Membro Professional da IALD (International Association of Lighting Designers), Lightmotif
Somos hoje confrontados com o valor da imagem mediática produzida como produto cénico a que a indústria patrimonial tende a obrigar e a subordinar os seus destinos, em declarada oposição ao sentido original do termo património, que apareceu ligado à ideia de herança e de transmissão legal de pais para filhos (1). A necessidade de recuperar estes valores levou a sucessivas tentativas de delimitar o que pode ser transmíssivel às gerações seguintes, como símbolo de identidade cultural. Assim, surgem ao longo do tempo sucessivos postulados que visam a valorização e salvaguarda do património histórico, embora reflectindo um pensamento teórico, sempre demasiadamente lento, para preencher as expectativas da realidade cultural construída pelo Homem.
Para melhor compreendermos esta situação, e no panorama das Cartas Internacionais, teríamos que recuar no tempo e identificar os três momentos em que o conceito de valorização do património histórico-artístico sofre uma notória evolução, sendo eles: a Carta de Atenas (1931), a Carta de Veneza(1964) e a Carta das Cidades Históricas (1987). A Carta de Atenas lançou os primeiros princípios que vão estar na base da conservação e restauro dos monumentos, embora toda a problemática que diz respeito à escala urbana seja completamente ignorada. A Carta de Veneza, que surge na sequência da explosão demográfica, do desenvolvimento das cidades industriais e da consequente degradação dos centros históricos, quebrou radicalmente a tradição de considerar o monumento como um objecto individual. Finalmente, a Carta Internacional de Cidades Históricas e Áreas Urbanas, adoptada pela 8ª Assembleia Geral da ICOMOS, em Washington, em 1987, vem agora articular as cidades com os monumentos históricos e os valores a proteger, dando, assim, continuidade ao mote lançado pela própria Carta de Veneza: uma cidade deverá evoluir no tempo e no espaço, a fim de salvaguardar equilíbrios e harmonias materiais e espirituais. Mas o que mais importa referir, neste momento, é a importância que este novo documento atribui à ideia de a protecção das cidades históricas e conjuntos ser considerada uma actividade que deverá associar não só as políticas económicas e sociais de desenvolvimento, como o planeamento (nacional, regional, local) à própria protecção dos monumentos históricos. Isto sugere uma outra compreensão da complexidade do espaço urbano como veículo que, ao transportar e conter um conjunto animado de referências e histórias, demonstra a capacidade de o sistema assimilar e articular o tempo no espaço.
Cada vez mais, se reconhece que "a cultura patrimonial" não está no edifício singular, nem no conjunto edificado, mas na relação constante entre o tipo de espaço público e a tipologia edificada (2). Edificar é fazer espaço e um espaço qualificado define um lugar de relações axiais (3).
Porém existe uma outra dimensão de espaço urbano que, por ignorância ou preconceito, tem vindo a ser deixada ao ritmo de intervenções isoladas que desconhecem o sentido do espaço urbano, a sua história e os seus mitos. Assim que as primeiras luzes inundam a cidade, e como por magia, esta toma inesperadamente novas formas: a unidade perde-se, as relações espaciais confundem-se e a hierarquia visual inverte-se. Estamos perante uma nova realidade em que a iluminação desempenha um papel determinante na recriação do espaço urbano como conjunto de relações interespaciais só perceptíveis quando traduzidas visualmente. A crescente descaracterização e fragmentação visual da imagem das cidades históricas obriga também, ao nível da iluminação, a estabelecer o sentido da unidade, que não poderá ser alcançado com intervenções dispersas que têm vindo a ser desencadeadas, um pouco por todo o lado.
Curiosamente, embora o gosto por projectos de iluminação se tenha conquistado com o crescente interesse pela conservação e valorização do património edificado, a filosofia subjacente à valorização da imagem do monumento no contexto urbano não tem acompanhado a própria evolução do conceito de bem patrimonial. Tal como os projectos que, neste século, deram origem à iluminação do Teatro Michell, St. George's Mansions ou da Ponte de Glasgow; da Pirâmide do Louvre, da Torre Eiffel e do Arco do Triunfo, em Paris; da Basílica de S. Marcos, do Campanário e da Igreja de St.a Maria delia Salute, em Veneza ou, ainda, do Coliseu e das célebres fontes de Roma, estas intervenções podem ser apenas consideradas operações de elevado charme visual em que os marcos patrimoniais são alvo de intervenções individualizadas, ainda que de carácter monumental, para a valorização pontual da imagem nocturna da cidade (4). Assim, cada uma das intervenções mencionadas estão apenas associadas ao monumento e à sua glória (5), não salvaguardando, portanto, a relação estética e espacial dos objectos iluminados com o próprio contexto urbano ou mesmo entre cada um dos monumentos ou objectos de arte expostos no tecido urbano de uma mesma cidade. Diríamos que é através da Iluminação Urbana e Ambiental (6) que se torna possível desenvolver uma filosofia de aproximação à iluminação dos conjuntos históricos com a definição de toda uma estratégia de intervenção que possa reflectir as hierarquias urbanas, distinguindo as relações axiais que as definem e as funções que as qualificam, tal como já tivemos oportunidade de afirmar: After having gained a comprehensive understanding of the role of each of those elements identified and seen by day voe are able to understand the visual hierarchy of the cíty and the relationship between its major elements as a clue to translating our intentions into an appropriate lighting design programme for the lighting of our cities by night (7).
Mas, se a valorização das cidades históricas só pode ser verdadeiramente encarada quando consideramos o espaço urbano como um master visual piece, produto de uma intervenção global e integrada, também a iluminação deverá ser construída de acordo com esse potencial urbano traduzido pelas relações axiais do sistema que geram um constante e consequente exercício de requintadas oportunidades de experiência urbana possíveis, quando traduzidas e interpretadas no quadro nocturno. É este o modelo que temos vindo a defender, através de uma acção conjunta e articulada não só com os planos de salvaguarda para as cidades históricas, mas com outros instrumentos de planeamento, reconhecidos como veículos de ordenamento espacial (e visual), que devem absorver as acções de conservação e preservação das cidades históricas e das áreas urbanas.
Em Portugal, os primeiros passos dados, para a definição de uma estratégia global de intervenção na área do design de Iluminação, foram desencadeados no Centro Histórico de Évora (UNESCO 1983) com o Programa de Iluminação Urbana e Ambiental (8). Mais tarde, também foi desenvolvido para o Centro Histórico de Sintra (UNESCO 1995), o qual a própria Câmara nunca virá a respeitar. Os programas pretendem conciliar todos os parâmetros de intervenção na percepção e estrutura do sistema urbano com o objectivo de criar uma antecipação visual de unidade urbana.
Assim, na sequência da análise e identificação urbana, efectuada a partir do objecto edificado e na relação interespacial do mesmo com o sistema urbano, foram definidos estados distintos de intervenção que se afirmam quanto às suas particularidades urbanas e ambientais (historicidade). Estes estados de intervenção não só reflectem o desenvolvimento urbano do sistema axial, como confirmam a importância de cada nível na percepção das relações axiais patentes no tecido urbano. Esta dimensão urbana é, pois, traduzida, clarificada e reforçada pela própria iluminação, sendo ainda possível visualmente repor equilíbrios perdidos devidos à criação de subsistemas não articulados com o sentido do sistema axial primário. Assim, com o Programa de Iluminação Urbana e Ambiental, estabelece um conjunto de linhas de orientação que viabiliza a criação de um sistema visual urbano criando, assim, uma nova oportunidade de vivência urbana e, portanto, de ordem espacial que complementará o entendimento e a percepção da evolução urbana deste tecido histórico. O próprio processo de transformação urbana leva-nos a procurar um sentido interdisciplinar nas políticas de conservação e reabilitação urbana onde a iluminação, até agora nunca considerada como instrumento modelador do espaço urbano, tem um papel decisivo na leitura das necessidades de salvaguardar o espírito do lugar. Pode-se, assim, deixar de estar nas mãos de 'promotores' da iluminação por catálogo, normalmente, da responsabilidade de fabricantes e distribuidores de produtos de iluminação que têm como único objectivo o de promover o 'negócio' da luz. Urge, pois, repor o sentido e o significado das cidades históricas no seu mais amplo quadro de referência histórica-urbana dentro de uma lógica funcional que potencialize o imaginário colectivo. Este tema foi, pela primeira vez, reconhecido pela Organização das Cidades Património Mundial, como parte integrante das políticas de conservação das cidades históricas, ao ser apresentado, no 8th World Symposium, um Poster Sesion of the Symposium, in Theme I. sobre "Urban Lighting Design Strategies as Part of Conservation Programmes", Cuzco, Peru, a ter lugar no próximo mês de Setembro 2005. Neste momento, outros centros históricos que se candidatam à classificação de Património Mundial recorrem a este instrumento de modelação de espaços e relações visuais como parte da sua política de intervenção e revalorização da identidade do lugar. Encontramo-nos, assim, envolvidos no projecto de Plano Maestro da Cidade de San Luis Potosi, México.
NOTAS
1 - Choay, Françoise, L’Allegorie du patrimoine, p.9.
2 - Portas, Nuno, em Conferência da Sociedade para a Preservação do Património Construído.
3 - Pinto-Coelho, Maria João, A importância da iluminação urbana na imagem da cidade: opções axiais e configuração urbana, tese de doutoramento.
4- Podemos falar igualmente do caso da cidade de Lisboa, onde as obras arquitectónicas monumentais são, ciclicamente, alvo de valorização da sua imagem, registando-se, ao longo do tempo, novas "imagens", consoante as soluções de iluminação encontradas, como forma de valorização da espaço histórico da cidade.
5- Trouvant l'épaisseur de la nuit, le monument, telle apparition d'une divinité en gloire, semble rayonner l'éternité. La lumière artificielle fait à l'ombre une part royale, pour en delivrer des figures sans rides, des formes perçues, des topographies inconnues. Choix, R, op. cit., p. 166.
6- Este conceito de iluminação por nós criado pretende incluir todos os aspectos funcionais mais emocionais que a luz artificial pode exprimir, exaltar ou sugerir. É uma operação ao nível do espaço urbano que oferece, atribui e interpreta o status do sítio, integrando e envolvendo todos os elementos geradores do espaço urbano a participar na imagem final.
7- Pinto-Coelho, Maria João, "Stepping out of Dark-ness. A Coordinated Approach to Lighting our Cicies After Dark", Msc Light é Lighting, p.19.
8 - Aprovado em reunião de Câmara, em 1993.
BIBLIOGRAFIA
AA.W, L 'espace et le temps aujourd'hui, Paris: Éditions du Seuil,1993.
CERDA, Ildefonso, La théorie générale de l 'urbanisation, apresentada e adaptada por Antonio Lopez de Aberasturi, Paris: Éditions du Seuil, 1979.
CHOAY, Françoise, Uallégorie du patrimoine, Paris: Éditions du Seuil, 1992.
Conventions and Recommendations of UNESCO Concerning the Protection ofthe Cultural Heritage, Paris: UNESCO, 1983.
Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, volume XLII, Angra do Heroísmo, 1985.
LE CORBUSIER, La Chartre d'Athènes, com um discurso inicial de Jean Giraudoux, Paris: Minuit, 1957.
Monuments historiques. Patrimoine Mondial. Monuments et sites français, n.° 182, Julho-Agosto, 1992.
Património arquitectónico e arqueológico classificado, volumes 2 e 3, Lisboa: I.P.P.A.R., 1993.
PINTO-COELHO, M.J., A importância da iluminação na imagem da cidade: opções axiais e configuração urbana, tese de doutoramento apresentada à Faculdade de Arquitectura de Lisboa, Universidade Técnica de Lisboa, 1996.
PINTO-COELHO, M.J., Programa de Iluminação Urbana e Ambiental para o Centro Histórico de Évora, Câmara Municipal de Évora, 1993.
PINTO-COELHO, M.J., "Stepping out of Darkness. A Coordinated Approach to Lighting our Cities after Dark", Msc Light & Lighting, Bartlett School of Architecture and Planning University College London, 1990.
PORTAS, Nuno, Conferência da Sociedade para a Preservação do Património Construído, Padrão dos Descobrimentos, Lisboa: 1996
Revista Científica 2. Ciudades Históricas, Xunta de Galiza, Comité Nacional Espanol de ICOMOS, 1993.
RIEGL, Alóis, Le Culte moderne des monuments. Son essence et sa génese, traduzido do alemão por Daniel Wieczorek, introdução de Françoise Choay, Paris: Éditions du Seuil, 1984.
SITTE, Camillo, L'Arí de batir les villes. Vurbanisme selon ses fondements artistiques, traduzido do alemão por Daniel Wieczorek, prefácio de Françoise Choay, Paris: Livre & Communication, 1990 (l.a ed. 1980).
WEBBER, Melvin M., VUrbain sans lieu ni bornes, traduzido do inglês por Xavier Guilot, prefácio e anotações de Françoise Choay, Paris: UAube, 1996 (l.a ed. 1964).
Zonas especiais de protecção, compilação de José Manuel Silva Passos, Lisboa: A.A.P, 1989.
IN: Revista PEDRA & CAL, Ano VI, nº 27, Set 2005
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05 fevereiro 2010
AO ENCONTRO DA HISTÓRIA
Notícia inserta no BADALADAS de 5 de Fevereiro de 2010:
INVASÕES FRANCESAS FORAM À ESCOLA
A Biblioteca / Centro de Recursos da Escola Básica 2/3 do Maxial (Torres Vedras) organizou no passado dia 28 de Janeiro à tarde, para os alunos, um colóquio sobre "Os Franceses em Torres Vedras". A sessão dedicada às Linhas de Torres foi dinamizada por Moedas Duarte, presidente da Associação de Defesa e Divulgação do Património Cultural de Torres Vedras, que fez uma apresentação das três invasões das tropas francesas em Portugal no início ao século XIX; e contou com a participação de Luís Filipe Rodrigues, na leitura de poemas do seu mais recente livro Escrito à Mão 200 Anos Depois. Entre a declamação de poemas de Luís Filipe Rodrigues, a apresentação do tema enquadrou a geografia política da Europa em finais do século XVIII, que levou Napoleão à liderança da França. Moedas Duarte explicou o conflito entre as duas grandes potências europeias da época, a Inglaterra e a França. Portugal pretendia permanecer neutro, ao prometer lealdade a Napoleão, mas ao mesmo tempo manter abertos os portos ã Inglaterra. Napoleão descobriu e decidiu invadir Portugal.(...)
Joaquim Ribeiro
INVASÕES FRANCESAS FORAM À ESCOLA
A Biblioteca / Centro de Recursos da Escola Básica 2/3 do Maxial (Torres Vedras) organizou no passado dia 28 de Janeiro à tarde, para os alunos, um colóquio sobre "Os Franceses em Torres Vedras". A sessão dedicada às Linhas de Torres foi dinamizada por Moedas Duarte, presidente da Associação de Defesa e Divulgação do Património Cultural de Torres Vedras, que fez uma apresentação das três invasões das tropas francesas em Portugal no início ao século XIX; e contou com a participação de Luís Filipe Rodrigues, na leitura de poemas do seu mais recente livro Escrito à Mão 200 Anos Depois. Entre a declamação de poemas de Luís Filipe Rodrigues, a apresentação do tema enquadrou a geografia política da Europa em finais do século XVIII, que levou Napoleão à liderança da França. Moedas Duarte explicou o conflito entre as duas grandes potências europeias da época, a Inglaterra e a França. Portugal pretendia permanecer neutro, ao prometer lealdade a Napoleão, mas ao mesmo tempo manter abertos os portos ã Inglaterra. Napoleão descobriu e decidiu invadir Portugal.(...)
Joaquim Ribeiro
HOJE, NA ESCOLA PROFISSIONAL CRISTÓVÃO COLOMBO, EM TORRES VEDRAS
A Associação do Património de Torres Vedras fez mais uma sessão da série AO ENCONTRO DA HISTÓRIA. O tema era TORRES VEDRAS E AS INVASÕES FARNCESAS.
Joaquim Moedas Duarte e Luís Filipe Rodrigues foram os responsáveis. O primeiro desenvolveu os aspectos históricos, apoiado numa apresentação em Power Point. O segundo leu quatro poemas da sua obra "Escrito à Mão, 200 Anos Depois".
Os alunos do Curso de Técnicas Comerciais participaram activamente e no final mostraram alguns trabalhos realizados em grupo, sobre património torriense. Trata-se de três blogues cujo endereço aqui fica para os interessados.
http://www.conventovaratojo.blogspot.com/
http://www.fortevirtual.blogspot.com/
http://www.cucos-torresvedras.blogspot.com/
http://torresvedrascastelomedieval.blogspot.com/
Joaquim Moedas Duarte e Luís Filipe Rodrigues foram os responsáveis. O primeiro desenvolveu os aspectos históricos, apoiado numa apresentação em Power Point. O segundo leu quatro poemas da sua obra "Escrito à Mão, 200 Anos Depois".
Os alunos do Curso de Técnicas Comerciais participaram activamente e no final mostraram alguns trabalhos realizados em grupo, sobre património torriense. Trata-se de três blogues cujo endereço aqui fica para os interessados.
http://www.conventovaratojo.blogspot.com/
http://www.fortevirtual.blogspot.com/
http://www.cucos-torresvedras.blogspot.com/
http://torresvedrascastelomedieval.blogspot.com/
31 janeiro 2010
DIVULGAÇÃO DAS LINHAS DE TORRES VEDRAS

AO ENCONTRO DA HISTÓRIA
À atenção de:
Escolas
Juntas de Freguesia
Paróquias
Associações recreativas e culturais
Centros de Dia
Outras entidades interessadas
A Associação do Património de Torres Vedras desloca-se a estes locais, sempre que solicitada, para realizar palestras sobre a Guerra Peninsular, adaptando-as às audiências e apoiando-as em projecção de imagens. Duração base: 1h 30m
Este serviço, totalmente gratuito e a cargo de Professores de História, está integrado no Programa Municipal das Comemorações dos 200 anos das Linhas de Torres Vedras, de cuja Comissão executiva a Associação do Património faz parte.
Disponível mediante marcação prévia. Contactos:
TM: 962 435 928 / 914 002 792 / 261 332 854
Apartado 50, 2564-909 TORRES VEDRAS
addpctvedras@gmail.com
Para saber mais sobre a Associação do Património de Torres Vedras, visitar os blogues:
http://patrimoniodetorresvedras.blogspot.com
http://linhasdetorres.blogspot.com
25 janeiro 2010
CONFERÊNCIA - ORGANIZAÇÃO DA SOCIEDADE DE HISTÓRIA NATURAL
Conferência por :
Filipa M. Ribeiro (co-autora do livro "O Património Genético Português"):
Auditório da Junta de Freguesia de Santa Maria do Castelo, Torres Vedras (junto ao Parque de Exposições)
30 de Janeiro de 2010, 15h
Entrada livre
Organização:
Associação Leonel Trindade
SOCIEDADE DE HISTÓRIA NATURAL
Apoios:
Câmara Municipal de Torres Vedras
Junta de Freguesia de Santa Maria do Castelo
Mecenas:
Ângelo Custódio Rodrigues, S.A.
19 janeiro 2010
Revista SAPIENS
Saíu o nº 2 da revista SAPIENS, semestral, que se define como: "revista de História, Património e Arqueologia, uma publicação exclusivamente electrónica, de acesso gratuito, que tem como principais objectivos a divulgação do conhecimento histórico e arqueológico, a partir de trabalhos académicos realizados no âmbito de mestrados e doutoramentos."
Vale pena ver AQUI
Na janela "Ligações" podemos encontrar os endereços electrónicos de inúmeras revistas de História, nacionais e internacionais. Um mundo a explorar...
Vale pena ver AQUI
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16 janeiro 2010
Oportuno: TERRORISMO REGULAMENTAR
Transcrevemos da edição mais recente da revista Pedra&Cal, nº 44
Terrorismo regulamentar
Diz-se, ciclicamente, que Portugal tem demasiados edifícios classificados (temos apenas cerca de 700 "monumentos nacionais"). Comparando com os 400 000 edifícios classificados e mais de 9 000 Conservation Areas da Grã-Bretanha, vemos a estreiteza dessa opinião.
Portugal classifica poucos objectos, pouquíssimos conjuntos, quase nada do que se refere a "Património Urbano". Todos querem inscrever os nossos "Centros Históricos" na Lista do Património Mundial, mas ninguém assume as consequências da conservação (e o mínimo, por lei, é declarar esses conjuntos como "Monumentos Nacionais"); poucas das nossas paisagens são protegidas e classificadas como "culturais".
O paradoxo está em que nós, portugueses, não consideramos as nossas cidades antigas e o território como um fabuloso recurso estratégico para a economia de serviços que todos os políticos dizem ser o futuro!
Ao contrário da França, que fez leis para proteger o litoral (Loi du Littoral), para assegurar a protecção e investir nas cidades (Loi Malraux) e paisagens históricas (Loi des Paysages), nós entregamos estes recursos a uma rápida delapidação.
Porquê? A razão essencial relaciona-se com nossa pouquíssima consideração pelas dimensões territoriais e urbanas, o nosso desconhecimento sobre o valor da arquitectura da cidade portuguesa. Por todo o mundo, escolhemos os mais belos lugares para construir as nossas cidades, soubemos como ninguém utilizar o genius loci, adaptar-nos aos contextos e circunstâncias topográficas, incrustar funcionalidades, desenhar com o território poupando recursos e maximizando qualidades. Mas, hoje, desconsideramos, nas nossas políticas territoriais, urbanísticas e patrimoniais, as escalas mais vastas, da cidade e das paisagens património, entregando-as ao atomismo dos interesses locais (no fim prático da REN e da RAN), não garantindo o interesse nacional, quanto mais o mundial.
Na segunda metade do século XX, estourámos com as periferias. Agora, com a crise ecológica e energética, regressamos em força aos centros antigos das cidades. Fazemo-lo com os métodos com que destruímos o território; com a mais selvagem das renovações, a mais imoral das arquitecturas: as fachadistas, i.e., que utilizam a fachada cadáver de antigos edifícios para encobrir vulgares construções, impedindo o nosso tempo de ter rosto.
Pior, mais do que mesquinhos interesses imobiliários, ameaçam hoje o nosso património antigo ou moderno, os apressados regulamentos que transcrevemos para o quadro nacional. No seminário Cidades Históricas e Vida Contemporânea (IHRU e ICOMOS -Portugal), apresentei as consequências da aplicação acrítica ao património urbano dos novos regulamentos térmicos, de segurança ao fogo, de acessibilidade. Chamei, em desespero, "Loucura Regulamentar" a um processo que considera (nos cálculos) as pedras dos vãos de uma fachada histórica como uma "ponte térmica", destruindo o património azulejar, os esgrafitos e stuccos, para colocar ETICs. Não houve orquestração; i.e., quem cumpre um regulamento cai fora do outro; quem assegura todas as exigências da fuga dos incêndios, escancara a casa à intrusão; a loucura de impor a edifícios históricos as exigências que se aplicam a um projecto ex nuovo.
O pior não chegou ainda, e referi a vontade de - perdida a mais eficaz das regras, a dos 45 graus - impor no RGEU a obrigatoriedade de cumprir TODAS as novas exigências quando a reabilitação ultrapassa 50% do custo de um edifício novo de área similar. Um atestado de morte aos edifícios que não são Monumento Nacional ou que não estejam dentro dos 50m "de protecção"; e eis como surge, de mansinho, a pior das renovações. Quantas áreas urbanas temos nós classificadas como de interesse nacional? Faça o leitor uma breve pesquisa (no IPPAR ou no arquivo online SIPA), e ficará estarrecido: nem cidades inscritas como Património Mundial estão classificadas.
Ditas estas coisas não há retorno, esperava reacções difíceis de uma assistência culta e técnica; quando me interpelou o eng.° João Appleton -gelei (arrependendo-me, logo ali, de todos os excessos verbais de antes, de hoje) - e disse: «Como é arquitecto, o Aguiar foi demasiado gentil... não é "Loucura" dos regulamentos, é TERRORISMO REGULAMENTAR!»
José Aguiar, Arquitecto
Terrorismo regulamentar
Diz-se, ciclicamente, que Portugal tem demasiados edifícios classificados (temos apenas cerca de 700 "monumentos nacionais"). Comparando com os 400 000 edifícios classificados e mais de 9 000 Conservation Areas da Grã-Bretanha, vemos a estreiteza dessa opinião.
Portugal classifica poucos objectos, pouquíssimos conjuntos, quase nada do que se refere a "Património Urbano". Todos querem inscrever os nossos "Centros Históricos" na Lista do Património Mundial, mas ninguém assume as consequências da conservação (e o mínimo, por lei, é declarar esses conjuntos como "Monumentos Nacionais"); poucas das nossas paisagens são protegidas e classificadas como "culturais".
O paradoxo está em que nós, portugueses, não consideramos as nossas cidades antigas e o território como um fabuloso recurso estratégico para a economia de serviços que todos os políticos dizem ser o futuro!
Ao contrário da França, que fez leis para proteger o litoral (Loi du Littoral), para assegurar a protecção e investir nas cidades (Loi Malraux) e paisagens históricas (Loi des Paysages), nós entregamos estes recursos a uma rápida delapidação.
Porquê? A razão essencial relaciona-se com nossa pouquíssima consideração pelas dimensões territoriais e urbanas, o nosso desconhecimento sobre o valor da arquitectura da cidade portuguesa. Por todo o mundo, escolhemos os mais belos lugares para construir as nossas cidades, soubemos como ninguém utilizar o genius loci, adaptar-nos aos contextos e circunstâncias topográficas, incrustar funcionalidades, desenhar com o território poupando recursos e maximizando qualidades. Mas, hoje, desconsideramos, nas nossas políticas territoriais, urbanísticas e patrimoniais, as escalas mais vastas, da cidade e das paisagens património, entregando-as ao atomismo dos interesses locais (no fim prático da REN e da RAN), não garantindo o interesse nacional, quanto mais o mundial.
Na segunda metade do século XX, estourámos com as periferias. Agora, com a crise ecológica e energética, regressamos em força aos centros antigos das cidades. Fazemo-lo com os métodos com que destruímos o território; com a mais selvagem das renovações, a mais imoral das arquitecturas: as fachadistas, i.e., que utilizam a fachada cadáver de antigos edifícios para encobrir vulgares construções, impedindo o nosso tempo de ter rosto.
Pior, mais do que mesquinhos interesses imobiliários, ameaçam hoje o nosso património antigo ou moderno, os apressados regulamentos que transcrevemos para o quadro nacional. No seminário Cidades Históricas e Vida Contemporânea (IHRU e ICOMOS -Portugal), apresentei as consequências da aplicação acrítica ao património urbano dos novos regulamentos térmicos, de segurança ao fogo, de acessibilidade. Chamei, em desespero, "Loucura Regulamentar" a um processo que considera (nos cálculos) as pedras dos vãos de uma fachada histórica como uma "ponte térmica", destruindo o património azulejar, os esgrafitos e stuccos, para colocar ETICs. Não houve orquestração; i.e., quem cumpre um regulamento cai fora do outro; quem assegura todas as exigências da fuga dos incêndios, escancara a casa à intrusão; a loucura de impor a edifícios históricos as exigências que se aplicam a um projecto ex nuovo.
O pior não chegou ainda, e referi a vontade de - perdida a mais eficaz das regras, a dos 45 graus - impor no RGEU a obrigatoriedade de cumprir TODAS as novas exigências quando a reabilitação ultrapassa 50% do custo de um edifício novo de área similar. Um atestado de morte aos edifícios que não são Monumento Nacional ou que não estejam dentro dos 50m "de protecção"; e eis como surge, de mansinho, a pior das renovações. Quantas áreas urbanas temos nós classificadas como de interesse nacional? Faça o leitor uma breve pesquisa (no IPPAR ou no arquivo online SIPA), e ficará estarrecido: nem cidades inscritas como Património Mundial estão classificadas.
Ditas estas coisas não há retorno, esperava reacções difíceis de uma assistência culta e técnica; quando me interpelou o eng.° João Appleton -gelei (arrependendo-me, logo ali, de todos os excessos verbais de antes, de hoje) - e disse: «Como é arquitecto, o Aguiar foi demasiado gentil... não é "Loucura" dos regulamentos, é TERRORISMO REGULAMENTAR!»
José Aguiar, Arquitecto
PEDRA & CAL
"Revista de Conservação do Património Arquitectónico e da Reabilitação do Edificado"
Trimestral, acaba de sair o nº 44, relativo a Outubro, Novembro e Dezembro de 2009. Tema de capa: "As Crianças e o Património"
Resumo do índice:
Crianças e Património (Helena de Gubernatis)
Um piscar de olhos ao património (Rita Canavarro, Sara Barriga)
PATRIMÓNIO PARA MIÚDOS
O Parque Arqueológico do Vale do Côa (Alexandra Cerveira Lima, Marta Mendes, Rosa Jardim)
A Arqueologia e a Ecologia. A interdisciplinaridade como modelo de ciência e de divulgação (João Pedro Tereso, Rita Gaspar)
Viajar no tempo através do património histórico e arqueológico do concelho de Mafra (Marta Miranda)
Mosteiro de São Martinho de Tibães Serviço de Educação e Comunicação (Paulo Oliveira)
Conservação e restauro dos revestimentos da Igreja do Espírito Santo – Arronches (Madalena Rodrigues, David Llanos, Fátima de Llera)
Património e acção educativa no Programa Gulbenkian Educação para a Cultura (Rui Vieira Nery, Rosário Azevedo, Susana Gomes da Silva)
As crianças e o patrimônio: algumas experiências no Brasil (Cybèle Celestino Santiago)
PREVENÇÃO & SEGURANÇA
As crianças e o parque edificado (Sara Eloy)
PROJECTOS & ESTALEIROS
Conservação e restauro do pórtico central, grupo escultórico e escadaria da Via Latina no Paço Real das Escolas da Universidade de Coimbra Uma intervenção muito pouco intrusiva num edifício emblemático (Filipe Ferreira)
Conservação e restauro do pórtico central, grupo escultórico e escadaria da Via Latina no Paço Real das Escolas da Universidade de Coimbra O material pétreo (Madalena Rodrigues, David Llanos, Fátima de Llera)
LEGISLAÇÃO
Mecanismos de responsabilização em conservação e restauro de bens culturais (José Maria Amador)
AS LEIS DO PATRIMÓNIO
A selecção de empreiteiros para a reabilitação do património histórico-artístico (A. Jaime Martins)
E-PEDRA E CAL
Esperança (ou a arte de ver muitos filmes) (António Pereira Coutinho)
PERSPECTIVAS
Terrorismo regulamentar (José Aguiar)
Capa da revista nº 27, Julho, Agosto e Setembro 2005
Publicada por
Associação para a Defesa e Divulgação do Património Cultural de Torres Vedras
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Revista Pedra e Cal
12 janeiro 2010
CENTRO INTERPRETATIVO DAS LINHAS DE TORRES VEDRAS
Texto da ADDPCTV publicado no jornal regional BADALADAS a 14 de Janeiro de 2010. É uma tomada de posição quanto à localização do futuro Centro Interpretativo das Linhas de Torres Vedras.
Sobre o projecto de um centro interpretativo das Linhas de Torres aprovado pela Câmara em Março de 2007, na zona norte da cidade, têm surgido neste jornal vários artigos de opinião, questionando o processo seguido, e, sobretudo, a sua localização no morro da Forca.
Posições pertinentes, oriundas de gente abalizada, com provas dadas nos campos da reflexão político-cultural (Rui Matoso), do planeamento urbanístico (António João Bastos), da prática política (Jorge Ralha) e da historiografia (Henrique Vieira). São opiniões que, em qualquer circunstância, devem contar.
E são posições que, na sua generalidade, esta associação partilha.
SOBRE O PROCESSO
Desde o anúncio sensacionalista surgido na primeira página do Badaladas, ilustração de página inteira, que nos pareceu haver algo de errado neste processo. É consensual que em qualquer obra, primeiro estabelece-se o conteúdo e depois procura-se a forma. Ora, aqui dá-se o inverso: - é proposta uma forma exterior (um boneco) sem que nada se saiba sobre o programa museológico – que espólio se vai expor, que narrativa é que se vai contar, que aspectos vão ser acentuados, a que tipo de público se vai dirigir, que valências/funções vai contemplar, que meios tecnológicos se vão utilizar.
E, não menos importante, quem o vai fazer?
Falta, pois, o Guião para se fazer o Filme!
Sobre a atitude que subjaz a este procedimento, por parte dos autores, muito haveria certamente a questionar, desde logo o significado da “oferta” de um projecto deste tipo. Mas não é esse o objectivo deste texto, para já.
Trata-se, de qualquer modo, de um equipamento cultural que diz respeito à comunidade, que implica diferentes valências e deverá ser objecto de várias contribuições.
SOBRE A LOCALIZAÇÃO
Interessa-nos aqui focar essencialmente a questão do local, que constitui já por si um factor interpretativo, sobretudo quando está em causa uma realidade histórico-geográfica como foi o complexo de fortificações que travou o exército de Massena.
O REDUTO DA FORCA
O morro da Forca insere-se num dos espaços geográficos mais simbólicos do complexo defensivo das Linhas – o triângulo S.Vicente, Castelo, Forca – que defendia a estrada de Coimbra para Lisboa, às portas de Torres Vedras. Contém vestígios do que terá sido um reduto fortificado,
Nesse sentido, é um local elegível para o efeito
Encontra-se, no entanto, muito adulterado na forma que tinha à data dos acontecimentos. A sua configuração é apenas observável a partir de alguns relevos muito esbatidos no terreno. A escarpa a norte, outrora impressionante como barreira natural, encontra-se hoje muito alterada pelos cortes efectuados para a construção das vias ferroviária e rodoviária, assim como pela proximidade de equipamentos comerciais recentes, criando uma vizinhança incómoda, como muito pertinentemente referiu J. Ralha. Assim, o que seria relevante do ponto de vista interpretativo – a ideia de barreira – está largamente comprometido face à dificuldade de leitura da actual configuração e ao ruído do aparato comercial.
Por outro lado, como refere A.J. Bastos, existem incompatibilidades com o PDM, a nível dos índices de construção previstos para a área – verde ecológico urbano – que implicam uma baixa percentagem da área de construção.
Movidos pela curiosidade deste argumento, quisemos certificar-nos da disponibilidade do espaço existente.
E, in loco, percebe-se claramente que o espaço disponível é insuficiente para receber um equipamento desta natureza, o qual supõe acessos fáceis, parques de estacionamento para ligeiros e autocarros, etc. O cimo do morro ficou reduzido a uma magra faixa de terreno, depois do corte efectuado para a construção de uma superfície comercial.
Fica-se, pois, com a sensação de que quem projectou e quem aprovou não conhecia bem a área.
Percebe-se, no entanto, a tentação que levou à sua escolha: - Se, como acima se referiu, a sua encosta norte está descaracterizada, impossibilitando uma leitura da estratégia militar de defesa, é certo que a vista de sul (desde o centro da cidade) está desimpedida e a implantação do edifício no alto do morro criaria um forte impacto visual, criando uma referência urbana positiva. Além de que a forma proposta garantia uma forte visibilidade, suscitando alguma curiosidade no habitante e no visitante.
Para quem elege a cultura-espectáculo até se percebe…!
O FORTE DE S. VICENTE
Se o objectivo é dar a conhecer as Linhas de Torres há que procurar como é que a geografia e o património construído nos permitem, ainda hoje, perceber o modo como se tentou obstar ao avanço das forças invasoras. Isto implica desde logo dois modos de abordagem: - uma visão de proximidade sobre os elementos que pontuavam as ditas linhas – os fortes, que nos fornecem elementos sobre as estratégias de defesa e combate; e uma visão de conjunto ou de largo alcance sobre o conjunto de elevações, que desde Torres Vedras se podem enxergar, e nos permitem perceber o próprio conceito de “linhas defensivas”.
Só depois, haverá que recorrer a outros auxiliares – museológicos, didácticos – para completar o quadro perceptivo dos acontecimentos – os mapas, o armamento, as fardas, as gravuras da época, a narração dos factos, os dados quantitativos, e outros elementos – que são tarefa do tal Centro Interpretativo. Com mais ou menos informática!
Ora, existe um local de eleição para fazer tudo isto – o Forte de S. Vicente!
O estado de conservação das suas estruturas e a sua altitude respondem aos dois primeiros requisitos que acima referimos, permitindo a observação de um dos mais importantes locais de aquartelamento e proporcionando uma ampla visão sobre uma parte considerável das linhas, para leste e para oeste. Dali divisa-se toda a cidade, o rio Sizandro, o Varatojo, o Monte da Archeira, a Serra do Socorro, o Sobral de Monte Agraço, etc.)
Quem sobe ao monte de S. Vicente percebe o essencial das Linhas!
Por outro lado existe nas proximidades um outro Reduto, em bom estado de conservação – o Forte dos Olheiros.
Existem acessos – e espaço para outros – bem como terreno disponível nas imediações, capazes de suportar uma edificação com suas áreas de apoio envolventes Estamos a pensar na encosta sul do monte, em local aprazível, de boa visibilidade desde a cidade e da circular poente - aspecto importante para o projecto e desfrutando de panorâmica grandiosa sobre a cidade e paisagem em redor.
É legítimo, pois, concluir que este é o local mais significativo e mais apropriado para receber um Centro Interpretativo das Linhas de Torres.
Isto se o conhecimento da História for o objectivo primeiro!
Janeiro de 2010 A Direcção da ADDPCTV
Forte da Forca
O CENTRO INTERPRETATIVO DAS LINHAS DE TORRES
E A SUA LOCALIZAÇÃO
Sobre o projecto de um centro interpretativo das Linhas de Torres aprovado pela Câmara em Março de 2007, na zona norte da cidade, têm surgido neste jornal vários artigos de opinião, questionando o processo seguido, e, sobretudo, a sua localização no morro da Forca.
Posições pertinentes, oriundas de gente abalizada, com provas dadas nos campos da reflexão político-cultural (Rui Matoso), do planeamento urbanístico (António João Bastos), da prática política (Jorge Ralha) e da historiografia (Henrique Vieira). São opiniões que, em qualquer circunstância, devem contar.
E são posições que, na sua generalidade, esta associação partilha.
SOBRE O PROCESSO
Desde o anúncio sensacionalista surgido na primeira página do Badaladas, ilustração de página inteira, que nos pareceu haver algo de errado neste processo. É consensual que em qualquer obra, primeiro estabelece-se o conteúdo e depois procura-se a forma. Ora, aqui dá-se o inverso: - é proposta uma forma exterior (um boneco) sem que nada se saiba sobre o programa museológico – que espólio se vai expor, que narrativa é que se vai contar, que aspectos vão ser acentuados, a que tipo de público se vai dirigir, que valências/funções vai contemplar, que meios tecnológicos se vão utilizar.
E, não menos importante, quem o vai fazer?
Falta, pois, o Guião para se fazer o Filme!
Sobre a atitude que subjaz a este procedimento, por parte dos autores, muito haveria certamente a questionar, desde logo o significado da “oferta” de um projecto deste tipo. Mas não é esse o objectivo deste texto, para já.
Trata-se, de qualquer modo, de um equipamento cultural que diz respeito à comunidade, que implica diferentes valências e deverá ser objecto de várias contribuições.
SOBRE A LOCALIZAÇÃO
Interessa-nos aqui focar essencialmente a questão do local, que constitui já por si um factor interpretativo, sobretudo quando está em causa uma realidade histórico-geográfica como foi o complexo de fortificações que travou o exército de Massena.
O REDUTO DA FORCA
O morro da Forca insere-se num dos espaços geográficos mais simbólicos do complexo defensivo das Linhas – o triângulo S.Vicente, Castelo, Forca – que defendia a estrada de Coimbra para Lisboa, às portas de Torres Vedras. Contém vestígios do que terá sido um reduto fortificado,
Nesse sentido, é um local elegível para o efeito
Encontra-se, no entanto, muito adulterado na forma que tinha à data dos acontecimentos. A sua configuração é apenas observável a partir de alguns relevos muito esbatidos no terreno. A escarpa a norte, outrora impressionante como barreira natural, encontra-se hoje muito alterada pelos cortes efectuados para a construção das vias ferroviária e rodoviária, assim como pela proximidade de equipamentos comerciais recentes, criando uma vizinhança incómoda, como muito pertinentemente referiu J. Ralha. Assim, o que seria relevante do ponto de vista interpretativo – a ideia de barreira – está largamente comprometido face à dificuldade de leitura da actual configuração e ao ruído do aparato comercial.
Por outro lado, como refere A.J. Bastos, existem incompatibilidades com o PDM, a nível dos índices de construção previstos para a área – verde ecológico urbano – que implicam uma baixa percentagem da área de construção.
Movidos pela curiosidade deste argumento, quisemos certificar-nos da disponibilidade do espaço existente.
E, in loco, percebe-se claramente que o espaço disponível é insuficiente para receber um equipamento desta natureza, o qual supõe acessos fáceis, parques de estacionamento para ligeiros e autocarros, etc. O cimo do morro ficou reduzido a uma magra faixa de terreno, depois do corte efectuado para a construção de uma superfície comercial.
Fica-se, pois, com a sensação de que quem projectou e quem aprovou não conhecia bem a área.
Percebe-se, no entanto, a tentação que levou à sua escolha: - Se, como acima se referiu, a sua encosta norte está descaracterizada, impossibilitando uma leitura da estratégia militar de defesa, é certo que a vista de sul (desde o centro da cidade) está desimpedida e a implantação do edifício no alto do morro criaria um forte impacto visual, criando uma referência urbana positiva. Além de que a forma proposta garantia uma forte visibilidade, suscitando alguma curiosidade no habitante e no visitante.
Para quem elege a cultura-espectáculo até se percebe…!
O FORTE DE S. VICENTE
Se o objectivo é dar a conhecer as Linhas de Torres há que procurar como é que a geografia e o património construído nos permitem, ainda hoje, perceber o modo como se tentou obstar ao avanço das forças invasoras. Isto implica desde logo dois modos de abordagem: - uma visão de proximidade sobre os elementos que pontuavam as ditas linhas – os fortes, que nos fornecem elementos sobre as estratégias de defesa e combate; e uma visão de conjunto ou de largo alcance sobre o conjunto de elevações, que desde Torres Vedras se podem enxergar, e nos permitem perceber o próprio conceito de “linhas defensivas”.
Só depois, haverá que recorrer a outros auxiliares – museológicos, didácticos – para completar o quadro perceptivo dos acontecimentos – os mapas, o armamento, as fardas, as gravuras da época, a narração dos factos, os dados quantitativos, e outros elementos – que são tarefa do tal Centro Interpretativo. Com mais ou menos informática!
Ora, existe um local de eleição para fazer tudo isto – o Forte de S. Vicente!
O estado de conservação das suas estruturas e a sua altitude respondem aos dois primeiros requisitos que acima referimos, permitindo a observação de um dos mais importantes locais de aquartelamento e proporcionando uma ampla visão sobre uma parte considerável das linhas, para leste e para oeste. Dali divisa-se toda a cidade, o rio Sizandro, o Varatojo, o Monte da Archeira, a Serra do Socorro, o Sobral de Monte Agraço, etc.)
Quem sobe ao monte de S. Vicente percebe o essencial das Linhas!
Por outro lado existe nas proximidades um outro Reduto, em bom estado de conservação – o Forte dos Olheiros.
Existem acessos – e espaço para outros – bem como terreno disponível nas imediações, capazes de suportar uma edificação com suas áreas de apoio envolventes Estamos a pensar na encosta sul do monte, em local aprazível, de boa visibilidade desde a cidade e da circular poente - aspecto importante para o projecto e desfrutando de panorâmica grandiosa sobre a cidade e paisagem em redor.
É legítimo, pois, concluir que este é o local mais significativo e mais apropriado para receber um Centro Interpretativo das Linhas de Torres.
Isto se o conhecimento da História for o objectivo primeiro!
Janeiro de 2010 A Direcção da ADDPCTV
10 janeiro 2010
PATRIMÓNIO CLASSIFICADO
Um livro imprescindível para o conhecimento do nosso Património:
PATRIMÓNIO ARQUITECTÓNICO E ARQUEOLÓGICO CLASSIFICADO - DISTRITO DE LISBOA
Secretaria de Estado da Cultura, IPPAR - Instituto Português do Património Arquitectónico e Arqueológico, Coordenação de Flávio Lopes, Lisboa, 1993.
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