28 fevereiro 2010

INTERCÂMBIO ASSOCIATIVO

Dois elementos da Direcção da nossa Associação - Joaquim Moedas Duarte e Luís Filipe Rodrigues -  participaram ontem num encontro de associações culturais do distrito de Lisboa ligadas à defesa e divulgação do Património, na Ericeira.
Ver a notícia divulgada no Cyberjornal AQUI.

16 fevereiro 2010

VALORIZAÇÃO DAS CIDADES HISTÓRICAS


Já aqui fizemos referência à revista PEDRA & CAL. É um bom instrumento de trabalho para quantos trabalham na área do Património. Transcrevemos hoje um artigo publicado no nº 27, de Setembro de 2005. Parece-nos exemplar. Pelo enquadramento teórico inicial, quando faz referências aos textos fundadores do tratamento das questões do Património; pelo desenvolvimento do tema; e finalmente pela indicação de bibliografia oportuna.


A ILUMINAÇÃO URBANA E AMBIENTAL COMO INSTRUMENTO DE VALORIZAÇÃO

DAS CIDADES HISTÓRICAS E ÁREAS URBANAS



M. J. PINTO-COELHO, Arquitecta, Dip. Arch, M.Sc, Ph.D
Membro Professional da IALD (International Association of Lighting Designers), Lightmotif


Somos hoje confrontados com o valor da imagem mediática produzida como produto cénico a que a indústria patrimonial tende a obrigar e a subordinar os seus destinos, em declarada oposição ao sentido original do termo património, que apareceu ligado à ideia de herança e de transmissão legal de pais para filhos (1). A necessidade de recuperar estes valores levou a sucessivas tentativas de delimitar o que pode ser transmíssivel às gerações seguintes, como símbolo de identidade cultural. Assim, surgem ao longo do tempo sucessivos postulados que visam a valorização e salvaguarda do património histórico, embora reflectindo um pensamento teórico, sempre demasiadamente lento, para preencher as expectativas da realidade cultural construída pelo Homem.



Para melhor compreendermos esta situação, e no panorama das Cartas Internacionais, teríamos que recuar no tempo e identificar os três momentos em que o conceito de valorização do património histórico-artístico sofre uma notória evolução, sendo eles: a Carta de Atenas (1931), a Carta de Veneza(1964) e a Carta das Cidades Históricas (1987). A Carta de Atenas lançou os primeiros princípios que vão estar na base da conservação e restauro dos monumentos, embora toda a problemática que diz respeito à escala urbana seja completamente ignorada. A Carta de Veneza, que surge na sequência da explosão demográfica, do desenvolvimento das cidades industriais e da consequente degradação dos centros históricos, quebrou radicalmente a tradição de considerar o monumento como um objecto individual. Finalmente, a Carta Internacional de Cidades Históricas e Áreas Urbanas, adoptada pela 8ª Assembleia Geral da ICOMOS, em Washington, em 1987, vem agora articular as cidades com os monumentos históricos e os valores a proteger, dando, assim, continuidade ao mote lançado pela própria Carta de Veneza: uma cidade deverá evoluir no tempo e no espaço, a fim de salvaguardar equilíbrios e harmonias materiais e espirituais. Mas o que mais importa referir, neste momento, é a importância que este novo documento atribui à ideia de a protecção das cidades históricas e conjuntos ser considerada uma actividade que deverá associar não só as políticas económicas e sociais de desenvolvimento, como o planeamento (nacional, regional, local) à própria protecção dos monumentos históricos. Isto sugere uma outra compreensão da complexidade do espaço urbano como veículo que, ao transportar e conter um conjunto animado de referências e histórias, demonstra a capacidade de o sistema assimilar e articular o tempo no espaço.

Cada vez mais, se reconhece que "a cultura patrimonial" não está no edifício singular, nem no conjunto edificado, mas na relação constante entre o tipo de espaço público e a tipologia edificada (2). Edificar é fazer espaço e um espaço qualificado define um lugar de relações axiais (3).

Porém existe uma outra dimensão de espaço urbano que, por ignorância ou preconceito, tem vindo a ser deixada ao ritmo de intervenções isoladas que desconhecem o sentido do espaço urbano, a sua história e os seus mitos. Assim que as primeiras luzes inundam a cidade, e como por magia, esta toma inesperadamente novas formas: a unidade perde-se, as relações espaciais confundem-se e a hierarquia visual inverte-se. Estamos perante uma nova realidade em que a iluminação desempenha um papel determinante na recriação do espaço urbano como conjunto de relações interespaciais só perceptíveis quando traduzidas visualmente. A crescente descaracterização e fragmentação visual da imagem das cidades históricas obriga também, ao nível da iluminação, a estabelecer o sentido da unidade, que não poderá ser alcançado com intervenções dispersas que têm vindo a ser desencadeadas, um pouco por todo o lado.

Curiosamente, embora o gosto por projectos de iluminação se tenha conquistado com o crescente interesse pela conservação e valorização do património edificado, a filosofia subjacente à valorização da imagem do monumento no contexto urbano não tem acompanhado a própria evolução do conceito de bem patrimonial. Tal como os projectos que, neste século, deram origem à iluminação do Teatro Michell, St. George's Mansions ou da Ponte de Glasgow; da Pirâmide do Louvre, da Torre Eiffel e do Arco do Triunfo, em Paris; da Basílica de S. Marcos, do Campanário e da Igreja de St.a Maria delia Salute, em Veneza ou, ainda, do Coliseu e das célebres fontes de Roma, estas intervenções podem ser apenas consideradas operações de elevado charme visual em que os marcos patrimoniais são alvo de intervenções individualizadas, ainda que de carácter monumental, para a valorização pontual da imagem nocturna da cidade (4). Assim, cada uma das intervenções mencionadas estão apenas associadas ao monumento e à sua glória (5), não salvaguardando, portanto, a relação estética e espacial dos objectos iluminados com o próprio contexto urbano ou mesmo entre cada um dos monumentos ou objectos de arte expostos no tecido urbano de uma mesma cidade. Diríamos que é através da Iluminação Urbana e Ambiental (6) que se torna possível desenvolver uma filosofia de aproximação à iluminação dos conjuntos históricos com a definição de toda uma estratégia de intervenção que possa reflectir as hierarquias urbanas, distinguindo as relações axiais que as definem e as funções que as qualificam, tal como já tivemos oportunidade de afirmar: After having gained a comprehensive understanding of the role of each of those elements identified and seen by day voe are able to understand the visual hierarchy of the cíty and the relationship between its major elements as a clue to translating our intentions into an appropriate lighting design programme for the lighting of our cities by night (7).

Mas, se a valorização das cidades históricas só pode ser verdadeiramente encarada quando consideramos o espaço urbano como um master visual piece, produto de uma intervenção global e integrada, também a iluminação deverá ser construída de acordo com esse potencial urbano traduzido pelas relações axiais do sistema que geram um constante e consequente exercício de requintadas oportunidades de experiência urbana possíveis, quando traduzidas e interpretadas no quadro nocturno. É este o modelo que temos vindo a defender, através de uma acção conjunta e articulada não só com os planos de salvaguarda para as cidades históricas, mas com outros instrumentos de planeamento, reconhecidos como veículos de ordenamento espacial (e visual), que devem absorver as acções de conservação e preservação das cidades históricas e das áreas urbanas.

Em Portugal, os primeiros passos dados, para a definição de uma estratégia global de intervenção na área do design de Iluminação, foram desencadeados no Centro Histórico de Évora (UNESCO 1983) com o Programa de Iluminação Urbana e Ambiental (8). Mais tarde, também foi desenvolvido para o Centro Histórico de Sintra (UNESCO 1995), o qual a própria Câmara nunca virá a respeitar. Os programas pretendem conciliar todos os parâmetros de intervenção na percepção e estrutura do sistema urbano com o objectivo de criar uma antecipação visual de unidade urbana.

Assim, na sequência da análise e identificação urbana, efectuada a partir do objecto edificado e na relação interespacial do mesmo com o sistema urbano, foram definidos estados distintos de intervenção que se afirmam quanto às suas particularidades urbanas e ambientais (historicidade). Estes estados de intervenção não só reflectem o desenvolvimento urbano do sistema axial, como confirmam a importância de cada nível na percepção das relações axiais patentes no tecido urbano. Esta dimensão urbana é, pois, traduzida, clarificada e reforçada pela própria iluminação, sendo ainda possível visualmente repor equilíbrios perdidos devidos à criação de subsistemas não articulados com o sentido do sistema axial primário. Assim, com o Programa de Iluminação Urbana e Ambiental, estabelece um conjunto de linhas de orientação que viabiliza a criação de um sistema visual urbano criando, assim, uma nova oportunidade de vivência urbana e, portanto, de ordem espacial que complementará o entendimento e a percepção da evolução urbana deste tecido histórico. O próprio processo de transformação urbana leva-nos a procurar um sentido interdisciplinar nas políticas de conservação e reabilitação urbana onde a iluminação, até agora nunca considerada como instrumento modelador do espaço urbano, tem um papel decisivo na leitura das necessidades de salvaguardar o espírito do lugar. Pode-se, assim, deixar de estar nas mãos de 'promotores' da iluminação por catálogo, normalmente, da responsabilidade de fabricantes e distribuidores de produtos de iluminação que têm como único objectivo o de promover o 'negócio' da luz. Urge, pois, repor o sentido e o significado das cidades históricas no seu mais amplo quadro de referência histórica-urbana dentro de uma lógica funcional que potencialize o imaginário colectivo. Este tema foi, pela primeira vez, reconhecido pela Organização das Cidades Património Mundial, como parte integrante das políticas de conservação das cidades históricas, ao ser apresentado, no 8th World Symposium, um Poster Sesion of the Symposium, in Theme I. sobre "Urban Lighting Design Strategies as Part of Conservation Programmes", Cuzco, Peru, a ter lugar no próximo mês de Setembro 2005. Neste momento, outros centros históricos que se candidatam à classificação de Património Mundial recorrem a este instrumento de modelação de espaços e relações visuais como parte da sua política de intervenção e revalorização da identidade do lugar. Encontramo-nos, assim, envolvidos no projecto de Plano Maestro da Cidade de San Luis Potosi, México.



NOTAS

1 - Choay, Françoise, L’Allegorie du patrimoine, p.9.

2 - Portas, Nuno, em Conferência da Sociedade para a Preservação do Património Construído.

3 - Pinto-Coelho, Maria João, A importância da iluminação urbana na imagem da cidade: opções axiais e configuração urbana, tese de doutoramento.

4- Podemos falar igualmente do caso da cidade de Lisboa, onde as obras arquitectónicas monumentais são, ciclicamente, alvo de valorização da sua imagem, registando-se, ao longo do tempo, novas "imagens", consoante as soluções de iluminação encontradas, como forma de valorização da espaço histórico da cidade.

5- Trouvant l'épaisseur de la nuit, le monument, telle apparition d'une divinité en gloire, semble rayonner l'éternité. La lumière artificielle fait à l'ombre une part royale, pour en delivrer des figures sans rides, des formes perçues, des topographies inconnues. Choix, R, op. cit., p. 166.

6- Este conceito de iluminação por nós criado pretende incluir todos os aspectos funcionais mais emocionais que a luz artificial pode exprimir, exaltar ou sugerir. É uma operação ao nível do espaço urbano que oferece, atribui e interpreta o status do sítio, integrando e envolvendo todos os elementos geradores do espaço urbano a participar na imagem final.

7-  Pinto-Coelho, Maria João, "Stepping out of Dark-ness. A Coordinated Approach to Lighting our Cicies After Dark", Msc Light é Lighting, p.19.

8 - Aprovado em reunião de Câmara, em 1993.







BIBLIOGRAFIA

AA.W, L 'espace et le temps aujourd'hui, Paris: Éditions du Seuil,1993.

CERDA, Ildefonso, La théorie générale de l 'urbanisation, apresentada e adaptada por Antonio Lopez de Aberasturi, Paris: Éditions du Seuil, 1979.

CHOAY, Françoise, Uallégorie du patrimoine, Paris: Éditions du Seuil, 1992.

Conventions and Recommendations of UNESCO Concerning the Protection ofthe Cultural Heritage, Paris: UNESCO, 1983.

Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, volume XLII, Angra do Heroísmo, 1985.

LE CORBUSIER, La Chartre d'Athènes, com um discurso inicial de Jean Giraudoux, Paris: Minuit, 1957.

Monuments historiques. Patrimoine Mondial. Monuments et sites français, n.° 182, Julho-Agosto, 1992.

Património arquitectónico e arqueológico classificado, volumes 2 e 3, Lisboa: I.P.P.A.R., 1993.

PINTO-COELHO, M.J., A importância da iluminação na imagem da cidade: opções axiais e configuração urbana, tese de doutoramento apresentada à Faculdade de Arquitectura de Lisboa, Universidade Técnica de Lisboa, 1996.

PINTO-COELHO, M.J., Programa de Iluminação Urbana e Ambiental para o Centro Histórico de Évora, Câmara Municipal de Évora, 1993.

PINTO-COELHO, M.J., "Stepping out of Darkness. A Coordinated Approach to Lighting our Cities after Dark", Msc Light & Lighting, Bartlett School of Architecture and Planning University College London, 1990.

PORTAS, Nuno, Conferência da Sociedade para a Preservação do Património Construído, Padrão dos Descobrimentos, Lisboa: 1996

Revista Científica 2. Ciudades Históricas, Xunta de Galiza, Comité Nacional Espanol de ICOMOS, 1993.

RIEGL, Alóis, Le Culte moderne des monuments. Son essence et sa génese, traduzido do alemão por Daniel Wieczorek, introdução de Françoise Choay, Paris: Éditions du Seuil, 1984.

SITTE, Camillo, L'Arí de batir les villes. Vurbanisme selon ses fondements artistiques, traduzido do alemão por Daniel Wieczorek, prefácio de Françoise Choay, Paris: Livre & Communication, 1990 (l.a ed. 1980).

WEBBER, Melvin M., VUrbain sans lieu ni bornes, traduzido do inglês por Xavier Guilot, prefácio e anotações de Françoise Choay, Paris: UAube, 1996 (l.a ed. 1964).

Zonas especiais de protecção, compilação de José Manuel Silva Passos, Lisboa: A.A.P, 1989.



IN: Revista PEDRA & CAL, Ano VI, nº 27, Set 2005

05 fevereiro 2010

AO ENCONTRO DA HISTÓRIA

Notícia inserta no BADALADAS de 5 de Fevereiro de 2010:

INVASÕES FRANCESAS FORAM À ESCOLA


A Biblioteca / Centro de Recursos da Escola Básica 2/3 do Maxial (Torres Vedras) organizou no passado dia 28 de Janeiro à tarde, para os alunos, um colóquio sobre "Os Franceses em Torres Vedras". A sessão dedicada às Linhas de Torres foi dinamizada por Moedas Duarte, presidente da Associação de Defesa e Divulgação do Património Cultural de Torres Vedras, que fez uma apresentação das três invasões das tropas francesas em Portugal no início ao século XIX; e contou com a participação de Luís Filipe Rodrigues, na leitura de poemas do seu mais recente livro Escrito à Mão 200 Anos Depois. Entre a declamação de poemas de Luís Filipe Rodrigues, a apresentação do tema enquadrou a geografia política da Europa em finais do século XVIII, que levou Napoleão à liderança da França. Moedas Duarte explicou o conflito entre as duas grandes potências europeias da época, a Inglaterra e a França. Portugal pretendia permanecer neutro, ao prometer lealdade a Napoleão, mas ao mesmo tempo manter abertos os portos ã Inglaterra. Napoleão descobriu e decidiu invadir Portugal.(...)
Joaquim Ribeiro

HOJE, NA ESCOLA PROFISSIONAL CRISTÓVÃO COLOMBO, EM TORRES VEDRAS

A Associação do Património de Torres Vedras fez mais uma sessão da série AO ENCONTRO DA HISTÓRIA. O tema era TORRES VEDRAS E AS INVASÕES FARNCESAS.
Joaquim Moedas Duarte e Luís Filipe Rodrigues foram os responsáveis. O primeiro desenvolveu os aspectos históricos, apoiado numa apresentação em Power Point. O segundo leu quatro poemas da sua obra "Escrito à Mão, 200 Anos Depois".
Os alunos do Curso de Técnicas Comerciais participaram activamente e no final mostraram alguns trabalhos realizados em grupo, sobre património torriense. Trata-se de três blogues cujo endereço aqui fica para os interessados.

http://www.conventovaratojo.blogspot.com/

http://www.fortevirtual.blogspot.com/

http://www.cucos-torresvedras.blogspot.com/

http://torresvedrascastelomedieval.blogspot.com/

31 janeiro 2010

DIVULGAÇÃO DAS LINHAS DE TORRES VEDRAS



                                            







AO ENCONTRO DA HISTÓRIA




À atenção de:

Escolas

Juntas de Freguesia

Paróquias

Associações recreativas e culturais

Centros de Dia

Outras entidades interessadas



A Associação do Património de Torres Vedras desloca-se a estes locais, sempre que solicitada, para realizar palestras sobre a Guerra Peninsular, adaptando-as às audiências e apoiando-as em projecção de imagens. Duração base: 1h 30m

Este serviço, totalmente gratuito e a cargo de Professores de História, está integrado no Programa Municipal das Comemorações dos 200 anos das Linhas de Torres Vedras, de cuja Comissão executiva a Associação do Património faz parte.

Disponível mediante marcação prévia. Contactos:

TM: 962 435 928 / 914 002 792 / 261 332 854

Apartado 50, 2564-909 TORRES VEDRAS

addpctvedras@gmail.com

Para saber mais sobre a Associação do Património de Torres Vedras, visitar os blogues:

http://patrimoniodetorresvedras.blogspot.com

http://linhasdetorres.blogspot.com

25 janeiro 2010

CONFERÊNCIA - ORGANIZAÇÃO DA SOCIEDADE DE HISTÓRIA NATURAL






Conferência por :
Filipa M. Ribeiro (co-autora do livro "O Património Genético Português"):

Auditório da Junta de Freguesia de Santa Maria do Castelo, Torres Vedras (junto ao Parque de Exposições)
30 de Janeiro de 2010, 15h
Entrada livre

Organização:
Associação Leonel Trindade
SOCIEDADE DE HISTÓRIA NATURAL

Apoios:
Câmara Municipal de Torres Vedras
Junta de Freguesia de Santa Maria do Castelo

Mecenas:
Ângelo Custódio Rodrigues, S.A.

19 janeiro 2010

Revista SAPIENS

Saíu o nº 2  da revista SAPIENS, semestral, que se define como: "revista de História, Património e Arqueologia, uma publicação exclusivamente electrónica, de acesso gratuito, que tem como principais objectivos a divulgação do conhecimento histórico e arqueológico, a partir de trabalhos académicos realizados no âmbito de mestrados e doutoramentos."
Vale pena ver  AQUI

  Na janela "Ligações" podemos encontrar os endereços electrónicos de inúmeras revistas de História, nacionais e internacionais. Um mundo a explorar...

16 janeiro 2010

Oportuno: TERRORISMO REGULAMENTAR

Transcrevemos da edição mais recente da revista Pedra&Cal, nº 44

Terrorismo regulamentar


Diz-se, ciclicamente, que Portugal tem demasiados edifícios classificados (temos apenas cerca de 700 "monumentos nacionais"). Comparando com os 400 000 edifícios classificados e mais de 9 000 Conservation Areas da Grã-Bretanha, vemos a estreiteza dessa opinião.

Portugal classifica poucos objectos, pouquíssimos conjuntos, quase nada do que se refere a "Património Urbano". Todos querem inscrever os nossos "Centros Históricos" na Lista do Património Mundial, mas ninguém assume as consequências da conservação (e o mínimo, por lei, é declarar esses conjuntos como "Monumentos Nacionais"); poucas das nossas paisagens são protegidas e classificadas como "culturais".

O paradoxo está em que nós, portugueses, não consideramos as nossas cidades antigas e o território como um fabuloso recurso estratégico para a economia de serviços que todos os políticos dizem ser o futuro!
Ao contrário da França, que fez leis para proteger o litoral (Loi du Littoral), para assegurar a protecção e investir nas cidades (Loi Malraux) e paisagens históricas (Loi des Paysages), nós entregamos estes recursos a uma rápida delapidação.

Porquê? A razão essencial relaciona-se com nossa pouquíssima consideração pelas dimensões territoriais e urbanas, o nosso desconhecimento sobre o valor da arquitectura da cidade portuguesa. Por todo o mundo, escolhemos os mais belos lugares para construir as nossas cidades, soubemos como ninguém utilizar o genius loci, adaptar-nos aos contextos e circunstâncias topográficas, incrustar funcionalidades, desenhar com o território poupando recursos e maximizando qualidades. Mas, hoje, desconsideramos, nas nossas políticas territoriais, urbanísticas e patrimoniais, as escalas mais vastas, da cidade e das paisagens património, entregando-as ao atomismo dos interesses locais (no fim prático da REN e da RAN), não garantindo o interesse nacional, quanto mais o mundial.

Na segunda metade do século XX, estourámos com as periferias. Agora, com a crise ecológica e energética, regressamos em força aos centros antigos das cidades. Fazemo-lo com os métodos com que destruímos o território; com a mais selvagem das renovações, a mais imoral das arquitecturas: as fachadistas, i.e., que utilizam a fachada cadáver de antigos edifícios para encobrir vulgares construções, impedindo o nosso tempo de ter rosto.

Pior, mais do que mesquinhos interesses imobiliários, ameaçam hoje o nosso património antigo ou moderno, os apressados regulamentos que transcrevemos para o quadro nacional. No seminário Cidades Históricas e Vida Contemporânea (IHRU e ICOMOS -Portugal), apresentei as consequências da aplicação acrítica ao património urbano dos novos regulamentos térmicos, de segurança ao fogo, de acessibilidade. Chamei, em desespero, "Loucura Regulamentar" a um processo que considera (nos cálculos) as pedras dos vãos de uma fachada histórica como uma "ponte térmica", destruindo o património azulejar, os esgrafitos e stuccos, para colocar ETICs. Não houve orquestração; i.e., quem cumpre um regulamento cai fora do outro; quem assegura todas as exigências da fuga dos incêndios, escancara a casa à intrusão; a loucura de impor a edifícios históricos as exigências que se aplicam a um projecto ex nuovo.

O pior não chegou ainda, e referi a vontade de - perdida a mais eficaz das regras, a dos 45 graus - impor no RGEU a obrigatoriedade de cumprir TODAS as novas exigências quando a reabilitação ultrapassa 50% do custo de um edifício novo de área similar. Um atestado de morte aos edifícios que não são Monumento Nacional ou que não estejam dentro dos 50m "de protecção"; e eis como surge, de mansinho, a pior das renovações. Quantas áreas urbanas temos nós classificadas como de interesse nacional? Faça o leitor uma breve pesquisa (no IPPAR ou no arquivo online SIPA), e ficará estarrecido: nem cidades inscritas como Património Mundial estão classificadas.

Ditas estas coisas não há retorno, esperava reacções difíceis de uma assistência culta e técnica; quando me interpelou o eng.° João Appleton -gelei (arrependendo-me, logo ali, de todos os excessos verbais de antes, de hoje) - e disse: «Como é arquitecto, o Aguiar foi demasiado gentil... não é "Loucura" dos regulamentos, é TERRORISMO REGULAMENTAR!»

José Aguiar, Arquitecto

PEDRA & CAL



"Revista de Conservação do Património Arquitectónico e da Reabilitação do Edificado"
 Trimestral, acaba de sair o nº 44, relativo a Outubro, Novembro e Dezembro de 2009. Tema de capa: "As Crianças e o Património"






Resumo do índice:

REFLEXÕES

Crianças e Património (Helena de Gubernatis)

Um piscar de olhos ao património (Rita Canavarro, Sara Barriga)

PATRIMÓNIO PARA MIÚDOS

O Parque Arqueológico do Vale do Côa (Alexandra Cerveira Lima, Marta Mendes, Rosa Jardim)

A Arqueologia e a Ecologia. A interdisciplinaridade como modelo de ciência e de divulgação (João Pedro Tereso, Rita Gaspar)

Viajar no tempo através do património histórico e arqueológico do concelho de Mafra (Marta Miranda)

Mosteiro de São Martinho de Tibães Serviço de Educação e Comunicação (Paulo Oliveira)

Conservação e restauro dos revestimentos da Igreja do Espírito Santo – Arronches (Madalena Rodrigues, David Llanos, Fátima de Llera)

Património e acção educativa no Programa Gulbenkian Educação para a Cultura (Rui Vieira Nery, Rosário Azevedo, Susana Gomes da Silva)

As crianças e o patrimônio: algumas experiências no Brasil (Cybèle Celestino Santiago)

PREVENÇÃO & SEGURANÇA

As crianças e o parque edificado (Sara Eloy)


PROJECTOS & ESTALEIROS

Conservação e restauro do pórtico central, grupo escultórico e escadaria da Via Latina no Paço Real das Escolas da Universidade de Coimbra Uma intervenção muito pouco intrusiva num edifício emblemático (Filipe Ferreira)

Conservação e restauro do pórtico central, grupo escultórico e escadaria da Via Latina no Paço Real das Escolas da Universidade de Coimbra O material pétreo (Madalena Rodrigues, David Llanos, Fátima de Llera)

LEGISLAÇÃO

Mecanismos de responsabilização em conservação e restauro de bens culturais (José Maria Amador)

AS LEIS DO PATRIMÓNIO

A selecção de empreiteiros para a reabilitação do património histórico-artístico (A. Jaime Martins)

E-PEDRA E CAL

Esperança (ou a arte de ver muitos filmes) (António Pereira Coutinho)

PERSPECTIVAS

Terrorismo regulamentar (José Aguiar)





Capa da revista nº 27, Julho, Agosto e Setembro 2005

12 janeiro 2010

CENTRO INTERPRETATIVO DAS LINHAS DE TORRES VEDRAS

Texto da ADDPCTV publicado no jornal regional BADALADAS a 14 de Janeiro de 2010. É uma tomada de posição quanto à localização do futuro Centro Interpretativo das Linhas de Torres Vedras.






Forte da Forca


O CENTRO INTERPRETATIVO DAS LINHAS DE TORRES
E A SUA LOCALIZAÇÃO

Sobre o projecto de um centro interpretativo das Linhas de Torres aprovado pela Câmara em Março de 2007, na zona norte da cidade, têm surgido neste jornal vários artigos de opinião, questionando o processo seguido, e, sobretudo, a sua localização no morro da Forca.

Posições pertinentes, oriundas de gente abalizada, com provas dadas nos campos da reflexão político-cultural (Rui Matoso), do planeamento urbanístico (António João Bastos), da prática política (Jorge Ralha) e da historiografia (Henrique Vieira). São opiniões que, em qualquer circunstância, devem contar.
E são posições que, na sua generalidade, esta associação partilha.

SOBRE O PROCESSO

Desde o anúncio sensacionalista surgido na primeira página do Badaladas, ilustração de página inteira, que nos pareceu haver algo de errado neste processo. É consensual que em qualquer obra, primeiro estabelece-se o conteúdo e depois procura-se a forma. Ora, aqui dá-se o inverso: - é proposta uma forma exterior (um boneco) sem que nada se saiba sobre o programa museológico – que espólio se vai expor, que narrativa é que se vai contar, que aspectos vão ser acentuados, a que tipo de público se vai dirigir, que valências/funções vai contemplar, que meios tecnológicos se vão utilizar.
E, não menos importante, quem o vai fazer?
Falta, pois, o Guião para se fazer o Filme!

Sobre a atitude que subjaz a este procedimento, por parte dos autores, muito haveria certamente a questionar, desde logo o significado da “oferta” de um projecto deste tipo. Mas não é esse o objectivo deste texto, para já.
Trata-se, de qualquer modo, de um equipamento cultural que diz respeito à comunidade, que implica diferentes valências e deverá ser objecto de várias contribuições.

SOBRE A LOCALIZAÇÃO

Interessa-nos aqui focar essencialmente a questão do local, que constitui já por si um factor interpretativo, sobretudo quando está em causa uma realidade histórico-geográfica como foi o complexo de fortificações que travou o exército de Massena.

O REDUTO DA FORCA

O morro da Forca insere-se num dos espaços geográficos mais simbólicos do complexo defensivo das Linhas – o triângulo S.Vicente, Castelo, Forca – que defendia a estrada de Coimbra para Lisboa, às portas de Torres Vedras. Contém vestígios do que terá sido um reduto fortificado,

Nesse sentido, é um local elegível para o efeito
Encontra-se, no entanto, muito adulterado na forma que tinha à data dos acontecimentos. A sua configuração é apenas observável a partir de alguns relevos muito esbatidos no terreno. A escarpa a norte, outrora impressionante como barreira natural, encontra-se hoje muito alterada pelos cortes efectuados para a construção das vias ferroviária e rodoviária, assim como pela proximidade de equipamentos comerciais recentes, criando uma vizinhança incómoda, como muito pertinentemente referiu J. Ralha. Assim, o que seria relevante do ponto de vista interpretativo – a ideia de barreira – está largamente comprometido face à dificuldade de leitura da actual configuração e ao ruído do aparato comercial.
Por outro lado, como refere A.J. Bastos, existem incompatibilidades com o PDM, a nível dos índices de construção previstos para a área – verde ecológico urbano – que implicam uma baixa percentagem da área de construção.

Movidos pela curiosidade deste argumento, quisemos certificar-nos da disponibilidade do espaço existente.
E, in loco, percebe-se claramente que o espaço disponível é insuficiente para receber um equipamento desta natureza, o qual supõe acessos fáceis, parques de estacionamento para ligeiros e autocarros, etc. O cimo do morro ficou reduzido a uma magra faixa de terreno, depois do corte efectuado para a construção de uma superfície comercial.
Fica-se, pois, com a sensação de que quem projectou e quem aprovou não conhecia bem a área.
Percebe-se, no entanto, a tentação que levou à sua escolha: - Se, como acima se referiu, a sua encosta norte está descaracterizada, impossibilitando uma leitura da estratégia militar de defesa, é certo que a vista de sul (desde o centro da cidade) está desimpedida e a implantação do edifício no alto do morro criaria um forte impacto visual, criando uma referência urbana positiva. Além de que a forma proposta garantia uma forte visibilidade, suscitando alguma curiosidade no habitante e no visitante.
Para quem elege a cultura-espectáculo até se percebe…!

O FORTE DE S. VICENTE

Se o objectivo é dar a conhecer as Linhas de Torres há que procurar como é que a geografia e o património construído nos permitem, ainda hoje, perceber o modo como se tentou obstar ao avanço das forças invasoras. Isto implica desde logo dois modos de abordagem: - uma visão de proximidade sobre os elementos que pontuavam as ditas linhas – os fortes, que nos fornecem elementos sobre as estratégias de defesa e combate; e uma visão de conjunto ou de largo alcance sobre o conjunto de elevações, que desde Torres Vedras se podem enxergar, e nos permitem perceber o próprio conceito de “linhas defensivas”.
Só depois, haverá que recorrer a outros auxiliares – museológicos, didácticos – para completar o quadro perceptivo dos acontecimentos – os mapas, o armamento, as fardas, as gravuras da época, a narração dos factos, os dados quantitativos, e outros elementos – que são tarefa do tal Centro Interpretativo. Com mais ou menos informática!

Ora, existe um local de eleição para fazer tudo isto – o Forte de S. Vicente!
O estado de conservação das suas estruturas e a sua altitude respondem aos dois primeiros requisitos que acima referimos, permitindo a observação de um dos mais importantes locais de aquartelamento e proporcionando uma ampla visão sobre uma parte considerável das linhas, para leste e para oeste. Dali divisa-se toda a cidade, o rio Sizandro, o Varatojo, o Monte da Archeira, a Serra do Socorro, o Sobral de Monte Agraço, etc.)

Quem sobe ao monte de S. Vicente percebe o essencial das Linhas!
Por outro lado existe nas proximidades um outro Reduto, em bom estado de conservação – o Forte dos Olheiros.
Existem acessos – e espaço para outros – bem como terreno disponível nas imediações, capazes de suportar uma edificação com suas áreas de apoio envolventes Estamos a pensar na encosta sul do monte, em local aprazível, de boa visibilidade desde a cidade e da circular poente - aspecto importante para o projecto e desfrutando de panorâmica grandiosa sobre a cidade e paisagem em redor.
É legítimo, pois, concluir que este é o local mais significativo e mais apropriado para receber um Centro Interpretativo das Linhas de Torres.
Isto se o conhecimento da História for o objectivo primeiro!

Janeiro de 2010 A Direcção da ADDPCTV

10 janeiro 2010

PATRIMÓNIO CLASSIFICADO






Um livro imprescindível para o conhecimento do nosso Património:
PATRIMÓNIO ARQUITECTÓNICO E ARQUEOLÓGICO CLASSIFICADO - DISTRITO DE LISBOA
Secretaria de Estado da Cultura, IPPAR - Instituto Português do Património Arquitectónico e Arqueológico, Coordenação de Flávio Lopes, Lisboa, 1993.

04 janeiro 2010

UMA BOA NOTÍCIA PARA COMEÇAR O ANO

No BADALADAS de 25 de Dezembro passado lemos esta notícia, da autoria do seu Director, Fernando Miguel:

 « Concurso de ideias será lançado em 2010

Câmara troca Choupal por parque de Santiago para instalar biblioteca


Se tudo correr como o previsto, a nova Biblioteca Municipal de Torres Vedras será construída de raiz no parque de Santiago, em plena zona histórica da cidade torriense. Para trás fica a ideia inicial de alojar aquela estrutura cultural no Choupal, como até aqui vinha ganhando forma e conteúdo, se bem que com alguma oposição política pelo meio.
A proposta tem a chancela e o gosto pessoal do próprio presidente da Câmara, Carlos Miguel, tendo sido secundada pelos seus pares no executivo socialista da edilidade. Mas também os membros da mesma cor partidária no seio da Assembeia Municipal, órgão que será consultado em breve sobre o assunto, vêem com bons olhos a citada troca, revelou o autarca.
Tudo aconteceu depois da empresa proprietária do terreno com cerca de 2.100 m2 a norte da igreja de Santiago onde está hoje localizado um parque de estacionamento com o mesmo nome, ter desistido de um projecto de construção imobiliária para o local depois de alguma resistência por parte do ex-IPPAR.

A Câmara, que há cerca de três anos explora através da empresa municipal PromoTorres o dito parque de estacionamento, mostrou-se imediatamente interessada na aquisição do referido imóvel, que tem um valor de custo de venda na ordem dos 1,5 milhões de euros.
Mas a edilidade colocou como condição para a efectivação do negócio o pagamento efectuado em sete fases, para não onerar o orçamento camarário, a saber: 250 mil euros com a escritura de compra e venda a realizar em Abril de 2010; cinco tranches de 200 mil euros durante igual número de anos, ou seja, até 2014; e por fim mais 250 mil euros a saldar em Abril de 2015.
A nova Biblioteca Municipal, que terá três pisos acima da soleira e dois abaixo desta destinados a 360 lugares de estacionamento automóvel, construída agora no "casco urbano", irá dinamizar a zona histórica da cidade, que há já algum tempo vem dando sinais de algum envelhecimento e desertificação.
Entretanto, no próximo ano será lançado um concurso público de ideias, coordenado pelo vereador do urbanismo, o arquitecto Bruno Ferreira, depois da devida correcção ao plano de pormenor daquela área, com vista ã futura construção duma nova estrutura cultural torriense, que possivelmente não será concretizada ainda durante este mandato.


Arquivo da Universidade de Lisboa


O desvio de rota do processo de construção da biblioteca do Choupal para o parque de Santiago não quer dizer que a Câmara tenha deixado de lado a intenção de vir a construir um edifício-âncora naquele parque verde a norte da cidade. Ou seja, tudo fica em aberto e como antes.
Revela Carlos Miguel que a autarquia foi contactada neste meio tempo pela Universidade de Lisboa, através do seu reitor, Sampaio da Novoa, que lhe confessou o propósito de querer vir a alojar o arquivo da sua instituição num único edifício, privilegiando para o efeito a localização desse serviço universitário na urbe torriense.
Das reuniões já havidas transpareceu a ideia de que a área reservada a equipamento no plano de pormenor do Choupal "satisfaz as exigências de espaço" solicitadas pela dita universidade. O novo equipamento, considerado desde já como de "excelência para Torres Vedras", tem ainda a virtude de poder vir a receber verbas do próprio QREN para a sua construção.
Situação que poderá ajudar na concretização mais rápida do seu processo. Ou seja, ainda no mandato corrente.»

No mesmo jornal lemos que esta proposta já foi aprovada pelo executivo camarário
Uma das formas de revitalizar esta área é, exactamente, a criação de serviços públicos.
Por isso, registamos com muito agrado esta alteração de planos para aquela zona histórica.

UMA BOA NOTÍCIA PARA COMEÇAR O ANO





A TODOS
DESEJAMOS
UM BOM 2010
COM
RESPEITO PELO NOSSO PATRIMÓNIO!



16 dezembro 2009

PORMENORES




As instalações da antiga Cooperativa Agrícola de Torres Vedras (na Rua Santos Bernardes) estão em ruínas. Sobre uma das portas existe um baixo-relevo que merece atenção. É necessáio removê-lo e guardá-lo em lugar seguro - antes que o aluimento da parede o transforme em cacos. Ou que alguém, mais expedito, o recolha para o alpendre da sua vivenda...
Já agora: também as cantarias das portas e postigos deveriam ser guardados.


11 dezembro 2009

MANUEL CLEMENTE: UM HOMEM DO PATRIMÓNIO



(Foto da revista VISÃO, entrevista de 11 de Dezembro de 2008)

Distinguido com o PRÉMIO PESSOA 2009, o bispo do Porto, Manuel Clemente, é um homem da cultura e da defesa do nosso património: foi um dos sócios fundadores da Associação para a Defesa e Divulgação do Património Cultural de Torres Vedras, com a qual continua a colaborar sempre que solicitado.

É o Comissário da Comissão Municipal para as Comemorações dos 200 anos das Linhas de Torres Vedras e, como tal, esteve presente na cerimónia de abertura das comemorações, em 11 de Novembro passado, onde discursou.

Natural desta terra, onde nasceu em 1948, é licenciado em História e doutorado em Teologia Histórica. "Torres Vedras e o seu termo no primeiro quartel do século XIV" foi a sua tese de licenciatura, um marco fundamental da historiografia torriense.

Daqui saudamos efusivamente o nosso consócio por esta distinção.

[Podemos ler aqui um texto de Venerando de Matos, membro da nossa Associação, no seu blogue VEDROGRAFIAS.
Ver AQUI outra referência, no blogue de Miguel Carvalho, jornalista da VISÃO que entrevistou Manuel Clemente há um ano.]

Neste livro o bispo Manuel Clemente reuniu escritos dispersos e destinou o produto da sua venda às obras de restauro da Igreja da Graça, em Torres Vedras.

04 dezembro 2009

A NOSSA ASSOCIAÇÃO NA RÁDIO OESTE




A ADDPCTV já fez rádio há uns anos atrás.
Regressamos a estas lides a partir de Janeiro de 2010.
Na Rádio Oeste, em Torres Vedras.

Estamos a fazer testes, gravações, montagens.
O objectivo é óbvio: falar sobre património / patrimónios.
Dar a conhecer uma Associação que tem trinta anos de vida e que deseja renovar-se.

29 novembro 2009

PORMENOR





A capela da Senhora da Cátedra ( que o povo diz "Cátela") em S. Pedro da Cadeira está pintadinha de fresco e tem de novo o seu óculo à vista. Comprovámo-lo hoje, como se vê na foto.
Diga-se que este óculo de pedra, em forma de estrela, é muito antigo, embora se desconheça a data exacta. Sabemos que a capela foi "FEITA NA ERA DE 1555 ANOS SENDO JUIZ ÁLVARO VAZ DO URMEIRO" - segundo a inscrição que se lê na pilastra do arco triunfal. Mas a fachada exterior é muito posterior, a avaliar pelo lintel da porta principal, característico do século XVIII.

Aqui há uns anos, alguém responsável pela capela resolveu tapar o óculo com uma grelha, provavelmente com a finalidade de evitar a entrada de pássaros e outros bicharocos. A fachada ficou "cega" e feia e assim se manteve alguns anos. Felizmente que houve alguém, atento, que não descansou enquanto não repôs a situação original. Mas agora com um vidro por dentro, que não descaracteriza e evita os indesejáveis.
A preservação do património construído também se faz destes pormenores.

28 novembro 2009

ASSOCIAÇÃO LEONEL TRINDADE: acção meritória a merecer a nossa atenção

Dezenas de pessoas participam na Semana da Ciência e Tecnologia

Paleontólogos por um dia


A ALT - Sociedade de História Natural abriu as portas do Laboratório de Paleontologia e Paleoecologia à comunidade. No sábado, dia 21, os visitantes que se deslocaram ao Polígono Industrial do Amial tiveram a oportunidade de compreender os processos de descoberta, escavação e transporte, bem como os métodos de preparação, limpeza e estabilização a que os ossos de dinossauros e outros fósseis são submetidos, antes da fase de estudo científico.

Compreendida a sequência e as técnicas, os aprendizes de paleontologia foram convidados a participar na preparação de alguns blocos contendo ossos de dinossauros e de tartarugas, usando métodos mecânicos de preparação como canetas percutoras, ultra-sons, entre outros.

Foram ainda observados numa lupa binocular digital ossos de pequenos vertebrados (mamíferos primitivos, embriões de dinossauros, tartarugas, peixes) e plantas fósseis, procedentes do concelho de Torres Vedras e sobre os quais se podem ver delicados pormenores. Esse equipamento permite observar o que acontece aos ossos dos animais e plantas após a sua morte e compreender à lupa as diversas formas de fossilização.
O número de participantes inscritos (42) foi superior ao esperado pelos responsáveis do laboratório, tendo aparecido maioritariamente alunos de escolas e famílias, que ali alargaram os conhecimentos sobre os fósseis descobertos no concelho. Ana Umbelino, vereadora do sector da Cultura da Câmara Municipal de Torres Vedras, foi uma das participantes na visita.

A iniciativa “Laboratório de portas abertas” surge integrada na Semana Ciência e Tecnologia 2009, um evento da Ciência Viva/Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica à qual a ALT - Sociedade de História Natural se associou.

De 21 a 27 deste mês, a Semana da Ciência foi comemorada com colóquios, exposições, cafés de ciência e actividades em laboratórios, envolvendo três centenas de instituições científicas, universidades, escolas, associações, museus e centros Ciência Viva de todo o país e “contribuindo para uma apropriação da ciência pelos cidadãos”.

Perante o interesse demonstrado, a ALT - Sociedade de História Natural pretende agora abrir pontualmente o laboratório, aos sábados, bem como passar a receber visitas de escolas de Torres Vedras e concelhos limítrofes.

As iniciativas irão sendo divulgadas em http://www.alt-shn.blogspot.com/.

[Notícia retirada do jornal BADALADAS de 27 NOV 2009]


(Foto tirada do blogue da ALT: http://alt-shn.blogspot.com/)

Em Dois Portos - Fonte histórica vandalizada


(Foto da notícia)

Destacamos esta pequena notícia no BADALADAS desta semana:

http://www.badaladas.pt/site/php/noticia.php?ide=2812&idr=300002&idn=27



Nas últimas semanas o riquíssimo património da freguesia de Dois Portos tem sido seriamente devastado e os furtos e actos de vandalismo parecem não terminar, pois agora foi a vez da pedra de armas da bonita fonte dos Morgados, na Patameira, edificada em 1638 nas imediações da serra do Socorro, próximo às ruínas da estalagem da Malaposta, onde durante a defesa das Linhas de Torres Vedras se instalou o general Cole.

O fontanário foi vandalizado, a cruz de pedra partida para extorquir o brasão do morgado da Patameira, que acabará certamente vendido numa feira ou antiquário a qualquer novo-rico que o colocará numa esquina duma casa, desprezando 400 anos de História.

A propósito deste monumento merece aqui destaque uma notícia de há cerca de 60 anos assinada por J. M. Cordeiro de Sousa, que podia ainda ser muito actual caso não fossem os amigos do alheio.

“Junto às ruínas de uma antiga muda, no sopé do alteroso monte a que o povo dá o nome de serra do Socorro e dele separado pela velha estrada de Lisboa, larga e empedrada (recentemente alcatroada)... ergue-se um pitoresco casal com suas casas de assistir, tendo a par uma pequena fonte onde se destacam as armas dos Oliveiras e dos Mirandas, encimadas por uma cruz com as iniciais de Jesus, Maria e José e por baixo a seguinte inscrição: LLVIS FRco DE OLIVEIRA DE MIRANDA E DONA LVIZA DE TAVORA SORS DOS MORGADOS DOLIVEIRA E MIRDa MÃODARÃO FAZER ESTA FOMTE ACABOV SE EM OVTVBRO 1638 – MANOEL NVNES PEDREIRO A FES “.
Luís Francisco de Oliveira Miranda era filho de Martim Afonso de Oliveira e Miranda, senhor do morgadio da Patameira, instituído por volta de 1400 por Martim Afonso da Charneca.

Miguel Vasconcellos Guisado


Todos somos poucos para proteger o nosso património construído.