16 janeiro 2010

Oportuno: TERRORISMO REGULAMENTAR

Transcrevemos da edição mais recente da revista Pedra&Cal, nº 44

Terrorismo regulamentar


Diz-se, ciclicamente, que Portugal tem demasiados edifícios classificados (temos apenas cerca de 700 "monumentos nacionais"). Comparando com os 400 000 edifícios classificados e mais de 9 000 Conservation Areas da Grã-Bretanha, vemos a estreiteza dessa opinião.

Portugal classifica poucos objectos, pouquíssimos conjuntos, quase nada do que se refere a "Património Urbano". Todos querem inscrever os nossos "Centros Históricos" na Lista do Património Mundial, mas ninguém assume as consequências da conservação (e o mínimo, por lei, é declarar esses conjuntos como "Monumentos Nacionais"); poucas das nossas paisagens são protegidas e classificadas como "culturais".

O paradoxo está em que nós, portugueses, não consideramos as nossas cidades antigas e o território como um fabuloso recurso estratégico para a economia de serviços que todos os políticos dizem ser o futuro!
Ao contrário da França, que fez leis para proteger o litoral (Loi du Littoral), para assegurar a protecção e investir nas cidades (Loi Malraux) e paisagens históricas (Loi des Paysages), nós entregamos estes recursos a uma rápida delapidação.

Porquê? A razão essencial relaciona-se com nossa pouquíssima consideração pelas dimensões territoriais e urbanas, o nosso desconhecimento sobre o valor da arquitectura da cidade portuguesa. Por todo o mundo, escolhemos os mais belos lugares para construir as nossas cidades, soubemos como ninguém utilizar o genius loci, adaptar-nos aos contextos e circunstâncias topográficas, incrustar funcionalidades, desenhar com o território poupando recursos e maximizando qualidades. Mas, hoje, desconsideramos, nas nossas políticas territoriais, urbanísticas e patrimoniais, as escalas mais vastas, da cidade e das paisagens património, entregando-as ao atomismo dos interesses locais (no fim prático da REN e da RAN), não garantindo o interesse nacional, quanto mais o mundial.

Na segunda metade do século XX, estourámos com as periferias. Agora, com a crise ecológica e energética, regressamos em força aos centros antigos das cidades. Fazemo-lo com os métodos com que destruímos o território; com a mais selvagem das renovações, a mais imoral das arquitecturas: as fachadistas, i.e., que utilizam a fachada cadáver de antigos edifícios para encobrir vulgares construções, impedindo o nosso tempo de ter rosto.

Pior, mais do que mesquinhos interesses imobiliários, ameaçam hoje o nosso património antigo ou moderno, os apressados regulamentos que transcrevemos para o quadro nacional. No seminário Cidades Históricas e Vida Contemporânea (IHRU e ICOMOS -Portugal), apresentei as consequências da aplicação acrítica ao património urbano dos novos regulamentos térmicos, de segurança ao fogo, de acessibilidade. Chamei, em desespero, "Loucura Regulamentar" a um processo que considera (nos cálculos) as pedras dos vãos de uma fachada histórica como uma "ponte térmica", destruindo o património azulejar, os esgrafitos e stuccos, para colocar ETICs. Não houve orquestração; i.e., quem cumpre um regulamento cai fora do outro; quem assegura todas as exigências da fuga dos incêndios, escancara a casa à intrusão; a loucura de impor a edifícios históricos as exigências que se aplicam a um projecto ex nuovo.

O pior não chegou ainda, e referi a vontade de - perdida a mais eficaz das regras, a dos 45 graus - impor no RGEU a obrigatoriedade de cumprir TODAS as novas exigências quando a reabilitação ultrapassa 50% do custo de um edifício novo de área similar. Um atestado de morte aos edifícios que não são Monumento Nacional ou que não estejam dentro dos 50m "de protecção"; e eis como surge, de mansinho, a pior das renovações. Quantas áreas urbanas temos nós classificadas como de interesse nacional? Faça o leitor uma breve pesquisa (no IPPAR ou no arquivo online SIPA), e ficará estarrecido: nem cidades inscritas como Património Mundial estão classificadas.

Ditas estas coisas não há retorno, esperava reacções difíceis de uma assistência culta e técnica; quando me interpelou o eng.° João Appleton -gelei (arrependendo-me, logo ali, de todos os excessos verbais de antes, de hoje) - e disse: «Como é arquitecto, o Aguiar foi demasiado gentil... não é "Loucura" dos regulamentos, é TERRORISMO REGULAMENTAR!»

José Aguiar, Arquitecto

PEDRA & CAL



"Revista de Conservação do Património Arquitectónico e da Reabilitação do Edificado"
 Trimestral, acaba de sair o nº 44, relativo a Outubro, Novembro e Dezembro de 2009. Tema de capa: "As Crianças e o Património"






Resumo do índice:

REFLEXÕES

Crianças e Património (Helena de Gubernatis)

Um piscar de olhos ao património (Rita Canavarro, Sara Barriga)

PATRIMÓNIO PARA MIÚDOS

O Parque Arqueológico do Vale do Côa (Alexandra Cerveira Lima, Marta Mendes, Rosa Jardim)

A Arqueologia e a Ecologia. A interdisciplinaridade como modelo de ciência e de divulgação (João Pedro Tereso, Rita Gaspar)

Viajar no tempo através do património histórico e arqueológico do concelho de Mafra (Marta Miranda)

Mosteiro de São Martinho de Tibães Serviço de Educação e Comunicação (Paulo Oliveira)

Conservação e restauro dos revestimentos da Igreja do Espírito Santo – Arronches (Madalena Rodrigues, David Llanos, Fátima de Llera)

Património e acção educativa no Programa Gulbenkian Educação para a Cultura (Rui Vieira Nery, Rosário Azevedo, Susana Gomes da Silva)

As crianças e o patrimônio: algumas experiências no Brasil (Cybèle Celestino Santiago)

PREVENÇÃO & SEGURANÇA

As crianças e o parque edificado (Sara Eloy)


PROJECTOS & ESTALEIROS

Conservação e restauro do pórtico central, grupo escultórico e escadaria da Via Latina no Paço Real das Escolas da Universidade de Coimbra Uma intervenção muito pouco intrusiva num edifício emblemático (Filipe Ferreira)

Conservação e restauro do pórtico central, grupo escultórico e escadaria da Via Latina no Paço Real das Escolas da Universidade de Coimbra O material pétreo (Madalena Rodrigues, David Llanos, Fátima de Llera)

LEGISLAÇÃO

Mecanismos de responsabilização em conservação e restauro de bens culturais (José Maria Amador)

AS LEIS DO PATRIMÓNIO

A selecção de empreiteiros para a reabilitação do património histórico-artístico (A. Jaime Martins)

E-PEDRA E CAL

Esperança (ou a arte de ver muitos filmes) (António Pereira Coutinho)

PERSPECTIVAS

Terrorismo regulamentar (José Aguiar)





Capa da revista nº 27, Julho, Agosto e Setembro 2005

12 janeiro 2010

CENTRO INTERPRETATIVO DAS LINHAS DE TORRES VEDRAS

Texto da ADDPCTV publicado no jornal regional BADALADAS a 14 de Janeiro de 2010. É uma tomada de posição quanto à localização do futuro Centro Interpretativo das Linhas de Torres Vedras.






Forte da Forca


O CENTRO INTERPRETATIVO DAS LINHAS DE TORRES
E A SUA LOCALIZAÇÃO

Sobre o projecto de um centro interpretativo das Linhas de Torres aprovado pela Câmara em Março de 2007, na zona norte da cidade, têm surgido neste jornal vários artigos de opinião, questionando o processo seguido, e, sobretudo, a sua localização no morro da Forca.

Posições pertinentes, oriundas de gente abalizada, com provas dadas nos campos da reflexão político-cultural (Rui Matoso), do planeamento urbanístico (António João Bastos), da prática política (Jorge Ralha) e da historiografia (Henrique Vieira). São opiniões que, em qualquer circunstância, devem contar.
E são posições que, na sua generalidade, esta associação partilha.

SOBRE O PROCESSO

Desde o anúncio sensacionalista surgido na primeira página do Badaladas, ilustração de página inteira, que nos pareceu haver algo de errado neste processo. É consensual que em qualquer obra, primeiro estabelece-se o conteúdo e depois procura-se a forma. Ora, aqui dá-se o inverso: - é proposta uma forma exterior (um boneco) sem que nada se saiba sobre o programa museológico – que espólio se vai expor, que narrativa é que se vai contar, que aspectos vão ser acentuados, a que tipo de público se vai dirigir, que valências/funções vai contemplar, que meios tecnológicos se vão utilizar.
E, não menos importante, quem o vai fazer?
Falta, pois, o Guião para se fazer o Filme!

Sobre a atitude que subjaz a este procedimento, por parte dos autores, muito haveria certamente a questionar, desde logo o significado da “oferta” de um projecto deste tipo. Mas não é esse o objectivo deste texto, para já.
Trata-se, de qualquer modo, de um equipamento cultural que diz respeito à comunidade, que implica diferentes valências e deverá ser objecto de várias contribuições.

SOBRE A LOCALIZAÇÃO

Interessa-nos aqui focar essencialmente a questão do local, que constitui já por si um factor interpretativo, sobretudo quando está em causa uma realidade histórico-geográfica como foi o complexo de fortificações que travou o exército de Massena.

O REDUTO DA FORCA

O morro da Forca insere-se num dos espaços geográficos mais simbólicos do complexo defensivo das Linhas – o triângulo S.Vicente, Castelo, Forca – que defendia a estrada de Coimbra para Lisboa, às portas de Torres Vedras. Contém vestígios do que terá sido um reduto fortificado,

Nesse sentido, é um local elegível para o efeito
Encontra-se, no entanto, muito adulterado na forma que tinha à data dos acontecimentos. A sua configuração é apenas observável a partir de alguns relevos muito esbatidos no terreno. A escarpa a norte, outrora impressionante como barreira natural, encontra-se hoje muito alterada pelos cortes efectuados para a construção das vias ferroviária e rodoviária, assim como pela proximidade de equipamentos comerciais recentes, criando uma vizinhança incómoda, como muito pertinentemente referiu J. Ralha. Assim, o que seria relevante do ponto de vista interpretativo – a ideia de barreira – está largamente comprometido face à dificuldade de leitura da actual configuração e ao ruído do aparato comercial.
Por outro lado, como refere A.J. Bastos, existem incompatibilidades com o PDM, a nível dos índices de construção previstos para a área – verde ecológico urbano – que implicam uma baixa percentagem da área de construção.

Movidos pela curiosidade deste argumento, quisemos certificar-nos da disponibilidade do espaço existente.
E, in loco, percebe-se claramente que o espaço disponível é insuficiente para receber um equipamento desta natureza, o qual supõe acessos fáceis, parques de estacionamento para ligeiros e autocarros, etc. O cimo do morro ficou reduzido a uma magra faixa de terreno, depois do corte efectuado para a construção de uma superfície comercial.
Fica-se, pois, com a sensação de que quem projectou e quem aprovou não conhecia bem a área.
Percebe-se, no entanto, a tentação que levou à sua escolha: - Se, como acima se referiu, a sua encosta norte está descaracterizada, impossibilitando uma leitura da estratégia militar de defesa, é certo que a vista de sul (desde o centro da cidade) está desimpedida e a implantação do edifício no alto do morro criaria um forte impacto visual, criando uma referência urbana positiva. Além de que a forma proposta garantia uma forte visibilidade, suscitando alguma curiosidade no habitante e no visitante.
Para quem elege a cultura-espectáculo até se percebe…!

O FORTE DE S. VICENTE

Se o objectivo é dar a conhecer as Linhas de Torres há que procurar como é que a geografia e o património construído nos permitem, ainda hoje, perceber o modo como se tentou obstar ao avanço das forças invasoras. Isto implica desde logo dois modos de abordagem: - uma visão de proximidade sobre os elementos que pontuavam as ditas linhas – os fortes, que nos fornecem elementos sobre as estratégias de defesa e combate; e uma visão de conjunto ou de largo alcance sobre o conjunto de elevações, que desde Torres Vedras se podem enxergar, e nos permitem perceber o próprio conceito de “linhas defensivas”.
Só depois, haverá que recorrer a outros auxiliares – museológicos, didácticos – para completar o quadro perceptivo dos acontecimentos – os mapas, o armamento, as fardas, as gravuras da época, a narração dos factos, os dados quantitativos, e outros elementos – que são tarefa do tal Centro Interpretativo. Com mais ou menos informática!

Ora, existe um local de eleição para fazer tudo isto – o Forte de S. Vicente!
O estado de conservação das suas estruturas e a sua altitude respondem aos dois primeiros requisitos que acima referimos, permitindo a observação de um dos mais importantes locais de aquartelamento e proporcionando uma ampla visão sobre uma parte considerável das linhas, para leste e para oeste. Dali divisa-se toda a cidade, o rio Sizandro, o Varatojo, o Monte da Archeira, a Serra do Socorro, o Sobral de Monte Agraço, etc.)

Quem sobe ao monte de S. Vicente percebe o essencial das Linhas!
Por outro lado existe nas proximidades um outro Reduto, em bom estado de conservação – o Forte dos Olheiros.
Existem acessos – e espaço para outros – bem como terreno disponível nas imediações, capazes de suportar uma edificação com suas áreas de apoio envolventes Estamos a pensar na encosta sul do monte, em local aprazível, de boa visibilidade desde a cidade e da circular poente - aspecto importante para o projecto e desfrutando de panorâmica grandiosa sobre a cidade e paisagem em redor.
É legítimo, pois, concluir que este é o local mais significativo e mais apropriado para receber um Centro Interpretativo das Linhas de Torres.
Isto se o conhecimento da História for o objectivo primeiro!

Janeiro de 2010 A Direcção da ADDPCTV

10 janeiro 2010

PATRIMÓNIO CLASSIFICADO






Um livro imprescindível para o conhecimento do nosso Património:
PATRIMÓNIO ARQUITECTÓNICO E ARQUEOLÓGICO CLASSIFICADO - DISTRITO DE LISBOA
Secretaria de Estado da Cultura, IPPAR - Instituto Português do Património Arquitectónico e Arqueológico, Coordenação de Flávio Lopes, Lisboa, 1993.

04 janeiro 2010

UMA BOA NOTÍCIA PARA COMEÇAR O ANO

No BADALADAS de 25 de Dezembro passado lemos esta notícia, da autoria do seu Director, Fernando Miguel:

 « Concurso de ideias será lançado em 2010

Câmara troca Choupal por parque de Santiago para instalar biblioteca


Se tudo correr como o previsto, a nova Biblioteca Municipal de Torres Vedras será construída de raiz no parque de Santiago, em plena zona histórica da cidade torriense. Para trás fica a ideia inicial de alojar aquela estrutura cultural no Choupal, como até aqui vinha ganhando forma e conteúdo, se bem que com alguma oposição política pelo meio.
A proposta tem a chancela e o gosto pessoal do próprio presidente da Câmara, Carlos Miguel, tendo sido secundada pelos seus pares no executivo socialista da edilidade. Mas também os membros da mesma cor partidária no seio da Assembeia Municipal, órgão que será consultado em breve sobre o assunto, vêem com bons olhos a citada troca, revelou o autarca.
Tudo aconteceu depois da empresa proprietária do terreno com cerca de 2.100 m2 a norte da igreja de Santiago onde está hoje localizado um parque de estacionamento com o mesmo nome, ter desistido de um projecto de construção imobiliária para o local depois de alguma resistência por parte do ex-IPPAR.

A Câmara, que há cerca de três anos explora através da empresa municipal PromoTorres o dito parque de estacionamento, mostrou-se imediatamente interessada na aquisição do referido imóvel, que tem um valor de custo de venda na ordem dos 1,5 milhões de euros.
Mas a edilidade colocou como condição para a efectivação do negócio o pagamento efectuado em sete fases, para não onerar o orçamento camarário, a saber: 250 mil euros com a escritura de compra e venda a realizar em Abril de 2010; cinco tranches de 200 mil euros durante igual número de anos, ou seja, até 2014; e por fim mais 250 mil euros a saldar em Abril de 2015.
A nova Biblioteca Municipal, que terá três pisos acima da soleira e dois abaixo desta destinados a 360 lugares de estacionamento automóvel, construída agora no "casco urbano", irá dinamizar a zona histórica da cidade, que há já algum tempo vem dando sinais de algum envelhecimento e desertificação.
Entretanto, no próximo ano será lançado um concurso público de ideias, coordenado pelo vereador do urbanismo, o arquitecto Bruno Ferreira, depois da devida correcção ao plano de pormenor daquela área, com vista ã futura construção duma nova estrutura cultural torriense, que possivelmente não será concretizada ainda durante este mandato.


Arquivo da Universidade de Lisboa


O desvio de rota do processo de construção da biblioteca do Choupal para o parque de Santiago não quer dizer que a Câmara tenha deixado de lado a intenção de vir a construir um edifício-âncora naquele parque verde a norte da cidade. Ou seja, tudo fica em aberto e como antes.
Revela Carlos Miguel que a autarquia foi contactada neste meio tempo pela Universidade de Lisboa, através do seu reitor, Sampaio da Novoa, que lhe confessou o propósito de querer vir a alojar o arquivo da sua instituição num único edifício, privilegiando para o efeito a localização desse serviço universitário na urbe torriense.
Das reuniões já havidas transpareceu a ideia de que a área reservada a equipamento no plano de pormenor do Choupal "satisfaz as exigências de espaço" solicitadas pela dita universidade. O novo equipamento, considerado desde já como de "excelência para Torres Vedras", tem ainda a virtude de poder vir a receber verbas do próprio QREN para a sua construção.
Situação que poderá ajudar na concretização mais rápida do seu processo. Ou seja, ainda no mandato corrente.»

No mesmo jornal lemos que esta proposta já foi aprovada pelo executivo camarário
Uma das formas de revitalizar esta área é, exactamente, a criação de serviços públicos.
Por isso, registamos com muito agrado esta alteração de planos para aquela zona histórica.

UMA BOA NOTÍCIA PARA COMEÇAR O ANO





A TODOS
DESEJAMOS
UM BOM 2010
COM
RESPEITO PELO NOSSO PATRIMÓNIO!



16 dezembro 2009

PORMENORES




As instalações da antiga Cooperativa Agrícola de Torres Vedras (na Rua Santos Bernardes) estão em ruínas. Sobre uma das portas existe um baixo-relevo que merece atenção. É necessáio removê-lo e guardá-lo em lugar seguro - antes que o aluimento da parede o transforme em cacos. Ou que alguém, mais expedito, o recolha para o alpendre da sua vivenda...
Já agora: também as cantarias das portas e postigos deveriam ser guardados.


11 dezembro 2009

MANUEL CLEMENTE: UM HOMEM DO PATRIMÓNIO



(Foto da revista VISÃO, entrevista de 11 de Dezembro de 2008)

Distinguido com o PRÉMIO PESSOA 2009, o bispo do Porto, Manuel Clemente, é um homem da cultura e da defesa do nosso património: foi um dos sócios fundadores da Associação para a Defesa e Divulgação do Património Cultural de Torres Vedras, com a qual continua a colaborar sempre que solicitado.

É o Comissário da Comissão Municipal para as Comemorações dos 200 anos das Linhas de Torres Vedras e, como tal, esteve presente na cerimónia de abertura das comemorações, em 11 de Novembro passado, onde discursou.

Natural desta terra, onde nasceu em 1948, é licenciado em História e doutorado em Teologia Histórica. "Torres Vedras e o seu termo no primeiro quartel do século XIV" foi a sua tese de licenciatura, um marco fundamental da historiografia torriense.

Daqui saudamos efusivamente o nosso consócio por esta distinção.

[Podemos ler aqui um texto de Venerando de Matos, membro da nossa Associação, no seu blogue VEDROGRAFIAS.
Ver AQUI outra referência, no blogue de Miguel Carvalho, jornalista da VISÃO que entrevistou Manuel Clemente há um ano.]

Neste livro o bispo Manuel Clemente reuniu escritos dispersos e destinou o produto da sua venda às obras de restauro da Igreja da Graça, em Torres Vedras.

04 dezembro 2009

A NOSSA ASSOCIAÇÃO NA RÁDIO OESTE




A ADDPCTV já fez rádio há uns anos atrás.
Regressamos a estas lides a partir de Janeiro de 2010.
Na Rádio Oeste, em Torres Vedras.

Estamos a fazer testes, gravações, montagens.
O objectivo é óbvio: falar sobre património / patrimónios.
Dar a conhecer uma Associação que tem trinta anos de vida e que deseja renovar-se.

29 novembro 2009

PORMENOR





A capela da Senhora da Cátedra ( que o povo diz "Cátela") em S. Pedro da Cadeira está pintadinha de fresco e tem de novo o seu óculo à vista. Comprovámo-lo hoje, como se vê na foto.
Diga-se que este óculo de pedra, em forma de estrela, é muito antigo, embora se desconheça a data exacta. Sabemos que a capela foi "FEITA NA ERA DE 1555 ANOS SENDO JUIZ ÁLVARO VAZ DO URMEIRO" - segundo a inscrição que se lê na pilastra do arco triunfal. Mas a fachada exterior é muito posterior, a avaliar pelo lintel da porta principal, característico do século XVIII.

Aqui há uns anos, alguém responsável pela capela resolveu tapar o óculo com uma grelha, provavelmente com a finalidade de evitar a entrada de pássaros e outros bicharocos. A fachada ficou "cega" e feia e assim se manteve alguns anos. Felizmente que houve alguém, atento, que não descansou enquanto não repôs a situação original. Mas agora com um vidro por dentro, que não descaracteriza e evita os indesejáveis.
A preservação do património construído também se faz destes pormenores.

28 novembro 2009

ASSOCIAÇÃO LEONEL TRINDADE: acção meritória a merecer a nossa atenção

Dezenas de pessoas participam na Semana da Ciência e Tecnologia

Paleontólogos por um dia


A ALT - Sociedade de História Natural abriu as portas do Laboratório de Paleontologia e Paleoecologia à comunidade. No sábado, dia 21, os visitantes que se deslocaram ao Polígono Industrial do Amial tiveram a oportunidade de compreender os processos de descoberta, escavação e transporte, bem como os métodos de preparação, limpeza e estabilização a que os ossos de dinossauros e outros fósseis são submetidos, antes da fase de estudo científico.

Compreendida a sequência e as técnicas, os aprendizes de paleontologia foram convidados a participar na preparação de alguns blocos contendo ossos de dinossauros e de tartarugas, usando métodos mecânicos de preparação como canetas percutoras, ultra-sons, entre outros.

Foram ainda observados numa lupa binocular digital ossos de pequenos vertebrados (mamíferos primitivos, embriões de dinossauros, tartarugas, peixes) e plantas fósseis, procedentes do concelho de Torres Vedras e sobre os quais se podem ver delicados pormenores. Esse equipamento permite observar o que acontece aos ossos dos animais e plantas após a sua morte e compreender à lupa as diversas formas de fossilização.
O número de participantes inscritos (42) foi superior ao esperado pelos responsáveis do laboratório, tendo aparecido maioritariamente alunos de escolas e famílias, que ali alargaram os conhecimentos sobre os fósseis descobertos no concelho. Ana Umbelino, vereadora do sector da Cultura da Câmara Municipal de Torres Vedras, foi uma das participantes na visita.

A iniciativa “Laboratório de portas abertas” surge integrada na Semana Ciência e Tecnologia 2009, um evento da Ciência Viva/Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica à qual a ALT - Sociedade de História Natural se associou.

De 21 a 27 deste mês, a Semana da Ciência foi comemorada com colóquios, exposições, cafés de ciência e actividades em laboratórios, envolvendo três centenas de instituições científicas, universidades, escolas, associações, museus e centros Ciência Viva de todo o país e “contribuindo para uma apropriação da ciência pelos cidadãos”.

Perante o interesse demonstrado, a ALT - Sociedade de História Natural pretende agora abrir pontualmente o laboratório, aos sábados, bem como passar a receber visitas de escolas de Torres Vedras e concelhos limítrofes.

As iniciativas irão sendo divulgadas em http://www.alt-shn.blogspot.com/.

[Notícia retirada do jornal BADALADAS de 27 NOV 2009]


(Foto tirada do blogue da ALT: http://alt-shn.blogspot.com/)

Em Dois Portos - Fonte histórica vandalizada


(Foto da notícia)

Destacamos esta pequena notícia no BADALADAS desta semana:

http://www.badaladas.pt/site/php/noticia.php?ide=2812&idr=300002&idn=27



Nas últimas semanas o riquíssimo património da freguesia de Dois Portos tem sido seriamente devastado e os furtos e actos de vandalismo parecem não terminar, pois agora foi a vez da pedra de armas da bonita fonte dos Morgados, na Patameira, edificada em 1638 nas imediações da serra do Socorro, próximo às ruínas da estalagem da Malaposta, onde durante a defesa das Linhas de Torres Vedras se instalou o general Cole.

O fontanário foi vandalizado, a cruz de pedra partida para extorquir o brasão do morgado da Patameira, que acabará certamente vendido numa feira ou antiquário a qualquer novo-rico que o colocará numa esquina duma casa, desprezando 400 anos de História.

A propósito deste monumento merece aqui destaque uma notícia de há cerca de 60 anos assinada por J. M. Cordeiro de Sousa, que podia ainda ser muito actual caso não fossem os amigos do alheio.

“Junto às ruínas de uma antiga muda, no sopé do alteroso monte a que o povo dá o nome de serra do Socorro e dele separado pela velha estrada de Lisboa, larga e empedrada (recentemente alcatroada)... ergue-se um pitoresco casal com suas casas de assistir, tendo a par uma pequena fonte onde se destacam as armas dos Oliveiras e dos Mirandas, encimadas por uma cruz com as iniciais de Jesus, Maria e José e por baixo a seguinte inscrição: LLVIS FRco DE OLIVEIRA DE MIRANDA E DONA LVIZA DE TAVORA SORS DOS MORGADOS DOLIVEIRA E MIRDa MÃODARÃO FAZER ESTA FOMTE ACABOV SE EM OVTVBRO 1638 – MANOEL NVNES PEDREIRO A FES “.
Luís Francisco de Oliveira Miranda era filho de Martim Afonso de Oliveira e Miranda, senhor do morgadio da Patameira, instituído por volta de 1400 por Martim Afonso da Charneca.

Miguel Vasconcellos Guisado


Todos somos poucos para proteger o nosso património construído.

19 novembro 2009

ATENTADO AO PATRIMÓNIO TORRIENSE




As imagens mostram bem o que se está a passar no Largo 25 de Abril, junto ao Convento da Graça, em Torres Vedras. Os gerentes de um "bazar chinês", que vai abrir brevemente, não estiveram com meias medidas: um enorme painel a dez metros da fachada de um edifício classificado como Imóvel de Interesse Público.

O que diz a lei sobre protecção dos monumentos nacionais?

Artigo 43.º da Lei nº 107 / 2001, de 8 de Setembro


Zonas de protecção
1 - Os bens imóveis classificados nos termos do artigo 15.º da presente lei, ou em vias de
classificação como tal, beneficiarão automaticamente de uma zona geral de protecção de 50 m,
contados a partir dos seus limites externos, cujo regime é fixado por lei.
2 - Os bens imóveis classificados nos termos do artigo 15.º da presente lei, ou em vias de
classificação como tal, devem dispor ainda de uma zona especial de protecção, a fixar por
portaria do órgão competente da administração central ou da Região Autónoma quando o bem
aí se situar.

3 - Nas zonas especiais de protecção podem incluir-se zonas non aedificandi.

4 - As zonas de protecção são servidões administrativas, nas quais não podem ser concedidas
pelo município, nem por outra entidade, licenças para obras de construção e para quaisquer
trabalhos que alterem a topografia, os alinhamentos e as cérceas e, em geral, a distribuição de
volumes e coberturas ou o revestimento exterior dos edifícios sem prévio parecer favorável da
administração do património cultural competente.

5 - Excluem-se do preceituado pelo número anterior as obras de mera alteração no interior de
imóveis.

Sabemos que o serviço de fiscalização da Câmara Municipal já foi alertado. Ficamos à espera da solução...

10 novembro 2009



A ADDPCTV constituiu um grupo de trabalho para a elaboração de uma rubrica quinzenal no jornal regional de Torres Vedras, Badaladas. O projecto consiste em publicar textos de divulgação histórica sobre este período histórico e teve início em Janeiro de 2008.

Até à presente data foram publicados os seguintes textos, que podem ser lidos AQUI



Nº - Data -  Título -  Autor


1 25-01-08 Manter viva a memória | J. Moedas Duarte

2 15-02-08 Guerra Peninsular | Carlos Guardado

3 29-02-08 Napoleão | J. Travanca Rodrigues

4 14-03-08 França e Inglaterra em confronto | J. Travanca Rodrigues

5 28-03-08 Guerra Peninsular: Porque é que Portugal se viu envolvido | J. Moedas Duarte

6 11-04-08 A 1ª Invasão Francesa | Graça Mira

7 25-04-08 A 2ª Invasão Francesa | Mª Guilhermina Pacheco

8 09-05-08 A 3ª Invasão Francesa | Manuela Catarino

9 23-05-08 Jacinto Correia, um herói popular | Ten. Cor. Abílio Lousada

10 13-06-08 “Brilos”: um enigma histórico | Pedro Fiéis

11 27-06-08 A batalha de Dois Portos | Venerando A de Matos

12 18-07-08 A batalha da Roliça | Pedro Fiéis

13 25-07-08 O príncipe Regente D. João comunica a passagem da família real para o Brasil | José Ermitão

14 01-08-08 Doutrinas militares em confronto na Guerra Peninsular: os Franceses | Pedro Fiéis

15 15-08-08 Doutrinas militares em confronto na Guerra Peninsular: os Ingleses | Pedro Fiéis

16 22-08-08 A batalha do Vimeiro | Pedro Fiéis

17 12-09-08 As denúncias contra os partidários dos franceses | José Ermitão

18 26-09-08 As aguadeiras do exército francês | Pedro Fiéis

19 10-10-08 A conspiração do Porto [1]  | João Flores Cunha

20 24-10-08 A conspiração do Porto [2] | João Flores Cunha

21 14-11-08 Manifesto de declaração de guerra à França | José Ermitão
   
        28-11-08 1º Suplemento “Bicentenário Inv. Francesas” | Vários

22 12-12-08 A Comemoração do 1º centenário da Guerra Peninsular | Célia Reis

23 02-01-09 Marrocos e a 1ª Invasão Francesa | José Ermitão

24 16-01-09 História e Literatura de ficção. As Aventuras de Richard Sharpe, um herói no tempo das guerras napoleónicas | Manuela Catarino

25 30-01-09 Continuar a manter viva a memória | J. Moedas Duarte

26 13-02-09 Revolta populares no Algarve contra os franceses de Junot | Henrique Vieira

27 27-02-09 Simão J. da Luz Soriano, historiador…(1) | José Ermitão

28 20-03-09  Simão da Luz Soriano, historiador... (2) | José Ermitão

29 03-04-09 Dias 1 e 2 de Maio: Visita guiada a Almeida… | J Moedas Duarte

30 24-04-09 Um correspondente de guerra na Seg Invasão | Pedro Fiéis

31 15-05-09 Almeida e Buçaco: notas de viagem | Manuela Catarino

32 29-05-09 A “protecção britânica”: duas cartas de lord Wellington | José Ermitão

33 12-06-09 1809: Segunda Inv Franc. Cronologia… | J. Moedas Duarte

34 26-06-09 A 2ª Inv francesa (1) As instruções e a realidade | José Ermitão

35 10-07-09 A 2ª Inv Francesa (2) Tudo vai ser diferente | José Ermitão

36 07-08-09 A 2ª inv Franc (3) Às armas, portugueses, às armas! | José Ermitão

       14-08-09 2º Suplemento “Bicentenário Inv. Francesas” | Vários

37 28-08-09 Um outro lado das Invasões francesas nas Memórias do Marechal Soult | Manuela Catarino

38 11-09-09 A 2ª Inv franc Dos anónimos ao brigadeiro Silveira | José Ermitão

39 25-09-09 A 2ª Inv franc Pormenores importantes | José Ermitão

40 09-10-09 Um cirurgião na frente de batalha:Dominique Jean Lerrey | Manuela Catarino

41 30-10-09 A decisão do Duque de Wellington em 1809 | Venerando de Matos

30 ANOS AO SERVIÇO DO PATRIMÓNIO


O QUE FIZEMOS?

Estudámos, investigámos, divulgámos
Montámos exposições
Organizámos debates
Escrevemos na imprensa local
Apresentámos propostas
Emitimos pareceres
Denunciámos irregularidades
Participámos em iniciativas locais
Editámos materiais impressos
Unimos esforços com outras associações

QUE ESTAMOS A FAZER?

Reunimos regularmente na nossa sede onde
Debatemos formas de pôr em prática o Plano de Acção aprovado na última Assembleia Geral

LINHAS DE ACÇÂO


  • Participar no Órgão Executivo da Comissão Municipal para as Comemorações dos 200 anos das Linhas de Torres Vedras


  • Disponibilizar um Serviço de Divulgação Histórica sobre a Guerra Peninsular / Linhas de Torres Vedras


  • Continuar a publicação no jornal regional de Torres Vedras, BADALADAS, da rubrica "Bicentenário das Invasões Francesas", que teve início em Janeiro de 2008 e de que se publicaram 41 artigos e dois Suplementos de 4 páginas


  • Incentivar a criação de Núcleos de Defesa do Património nas Escolas


  • Elaborar materiais gráficos para lugares de interesse patrimonial


  • Promover acções de formação para guias turísticos


  • Prestar serviços de apoio ao turismo cultural


09 novembro 2009

ABERTURA



A Associação para a Defesa e Divulgação do Património Cultural de Torres Vedras foi fundada em 1979. Os seus objectivos estão resumidos na própria designação.


Que tem feito ao longo dos trinta anos da sua existência?

Para muitos, não tem feito nada. Para alguns, mais informados, tem estado presente quando e onde tem sido necessário.


Os muito críticos gostariam de ver circo mediático, acções espectaculares, gritaria nas ruas.

Os outros, sabem que há formas mais sensatas e eficazes de agir.

De qualquer forma, as Assembleia Gerais são sempre pouco concorridas, apesar dos 150 sócios existentes. Participar, intervir, dispor-se a colaborar continuada e regularmente, dá trabalho...


Durante muitos dos trinta anos passados, a ADDPCTV sobreviveu devido à persistência de uns poucos que teimaram em manter as portas abertas, resistindo à indiferença da maioria dos fundadores e dos aderentes iniciais que não souberam ou não quiseram dar o seu contributo.


A sua perseverança não foi em vão. A ADDPCTV está hoje viva e actuante em diversas frentes e prosseguirá um caminho de renovação com garantias de futuro.